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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Testeminhas: Amor sob investigação

Mãe de Bruno (ver texto anterior)
Os investigadores e peritos de criminalística da Divisão da Samba que se deslocaram ao Morro dos Veados para remover o corpo, tiveram o trabalho facilitado porque a mesma pessoa que comunicou às autoridades policiais a existência do corpo de mulher naquela zona era vizinha do casal.
Segundo fontes deste jornal, o cidadão garantiu às autoridades policias que assistiu de perto o momento em que Bruno efectuou os dois disparos nas costas da esposa. Com medo que tivesse o mesmo fim, a testemunha decidiu esconder-se até que o homicida se retirasse.
Pelas informações avançadas pela mãe de Bruno Calado, tudo indica que terá sido a mesma fonte que ligou para a mãe de Ercília Calado, anunciando a morte da filha.
A história de amor destes jovens que terminou de forma trágica, estava a ser marcada por muitas brigas pelo meio, devido ao excessivo ciúme de Bruno. Inquieto e a desconfiar que estava a ser traído pela esposa, Bruno Calado decidiu agir como detective e montou de forma camuflada um rádio gravador em casa, no dia 20 de Outubro, antes de ir à caça com um grupo de amigos.
As vozes que estão na gravação originaram a briga que resultou na morte do casal.
De acordo com a nossa interlocutora, o malogrado ficou furioso ao ouvir que a sua esposa terá recebido em casa um homem, cuja voz é semelhante à de uma pessoa muito próxima ao casal, que transporta água para a casa daquele.
“A maior parte do som que saía da gravação era ruído e numa das poucas partes em que as vozes pareciam estar audíveis, é possível identificar a da minha nora a mandar o cão entrar para dentro de casa, a filha de cinco anos a chorar e a de um homem a ordenar alguém que fosse dormir, proferindo palavras ofensivas e mais nada”, contou a anciã. Acrescentando de seguida que “não acredito que a minha nora o tenha traído porque ela demonstrava ser muito fiel a ela”.
O ibuna da Kianda tentou contactar os familiares da Ercília Calado, mas não teve êxito porque um dos seus irmãos, identificado apenas por Luís, recusou-se a prestar qualquer declaração.

Marido mata mulher grávida e suicida-se



Bruno Aires Calado, 34 anos, assassinou a esposa, Ercília Cristina Bambi Calado, 30 anos, com dois tiros nas costas na praia do Morro dos Veados e jogou-se do terraço de um edifício de nove andares localizado na rua Lueji Anconda, no Sambizanga, na sexta-feira, 3.
O casal vivia junto há 12 anos e aguardava pelo terceiro filho. Ercília Calado estava com mais de três meses de gestação e ambos deixaram órfãs as menores Bruna Bambi Calado e Letícia de Fátima Bambi Calado, de 11 e cinco anos respectivamente.
O jovem ,que trabalhava na empresa petrolífera Total como engenheiro de informática, encontravase separado da mulher há dez dias quando decidiu convidá-la para um passeio ao Belas Shopping que seria de reconciliação.
Segundo a senhora Irene Calado dos Santos, mãe de Bruno, a sua nora não queria ir ao encontro dele e só aceitou devido à insistência da filha mais velha que queria que os seus pais se reconciliassem. Apesar da mãe dela lhe ter suplicado que não fosse ao encontro de Bruno, por ter um “mau pressentimento”, a malograda decidiu dar uma nova oportunidade ao seu esposo e optou por ir ao passeio.
Tanto as autoridades policiais como os familiares do jovem não conseguem precisar os motivos que levaram o casal a alterar o destino para o local onde veio a acontecer o crime.
A única certeza que há é que ambos estão mortos.
“Parece que ele planeou tudo antecipadamente, porque no dia em que cometeu o crime, saiu do serviço mais cedo do que o habitual, estacionou o carro distante do portão de casa e disse-me que o patrão dele estava à sua espera no carro”, contou Irene dos Santos, a mãe.
Acrescentou de seguida “o malogrado mentiu-me ainda dizendo que ficaria alguns dias fora de casa pelo facto de estar escalado para trabalhar num novo escritório da empresa que seria aberto na zona do Ramiro, o que veio a ser desmentido pelo próprio chefe”.
De acordo com Irene dos Santos, depois de assassinar a esposa, Bruno apareceu em casa com os nervos à flor da pele, de calção até ao joelho, com a camisola rasgada na parte de trás e começou a mexer em alguns ferros que existem no quintal.
Sem saber o que se passava na realidade, D.Irene contou que ficou ainda preocupada pela forma como o suposto patrão estava a tratar o seu filho e não lhe aumentava o ordenado.
“Afinal era tudo mentira, ele já havia morto a mulher e deixado o corpo no Morro dos Veados”, desabafou de forma trémula e a lacrimejar.
Passados alguns minutos, depois de ele ter saído de casa, Bruna, a filha mais velha do casal, entrou pela porta da casa dos avós paternos aos prantos dizendo que a sua avó materna havia recebido uma chamada telefónica, anunciando que o seu pai havia morto a sua mãe.
Os familiares da vítima pensaram que ele se tinha dirigido à unidade policial mais próxima e deslocaramse para lá em grupo, mas acabaram simplesmente por receber a confirmação de que havia o corpo de uma jovem naquele local.

A queda do terraço
Consciente do crime que cometera, o engenheiro de informática da Total deslocou-se ao apartamento do seu melhor amigo, identificado apenas por Valódia, onde viria a confessar a autoria do mesmo e a atirar-se do nono andar.
Irene dos Santos disse que Valódia não acreditou de imediato na história que o seu companheiro de “dedo e unha” estava a contar e que, enquanto entrou no quatro para vestir uma roupa mais adequada para ir supostamente certificar-se do crime, Bruno subiu até ao terraço do prédio de nove andares de onde acabou por se atirar.
O jovem Valódia, cujo contacto com o Tribuna da Kianda não foi possível por ainda se encontrar em estado de choque e inconsolável, estava defronte do prédio à procura do amigo que julgava estar lá em baixo, quando foi surpreendido pelo corpo dele a cair em queda livre bem à sua frente. “Como ele embateu apenas com uma das partes do corpo no chão e não havia sucumbido, o amigo tentou socorrê-lo levando-o para a clínica mais próxima. Só que não foi atendido por falta de condições financeiras tendo sido encaminhado para a clínica Anglodente, onde acabou por morrer na porta”, contou suspirando de tristeza.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Zungueiras destroem carro da Polícia

Para além da Esquadra Móvel da Polícia Nacional, as vendedoras ambulantes da zona do São Paulo destruíram, na passada terça-feira, 23, o vidro de frente de uma viatura do Comando Municipal do Sambizanga.
De acordo com informações que tivemos acesso, o agente da Polícia que terá disparado em sua própria defesa, isto segundo as autoridades, efectuou cinco tiros: os dois primeiros foram no ar para dispersar a população, ao encontrar resistência fez outro num dos membros inferiores da comerciante e dois para tentar acalma-los e evitar que fosse vaiado.
O patrulheiro da Polícia que teve o vidro quebrado se encontrava a escassos metros de distância quando ouviu o barulho dos disparos e decidiu regressar para prestar apoio aos seus colegas.

A vendedora ambulante Domingas Gomes “Mingota”, 25 anos, encontra-se ainda internada no Hospital Josina Machel onde deu entrada na tarde de terça-feira, 23, depois de ter sido baleada por um dos agentes da Polícia Nacional destacado na Divisão do Sambizanga.
Domingas Gomes chegou àquela unidade hospitalar com uma bala encravada num dos membros inferiores, em estado grave, e foi recebida pelos técnicos da secção de cuidados intensivos. A jovem já não corre perigo de vida e pode vir a receber alta na próxima semana.
A comerciante Manuela da Silva, 27 anos, contou a Tribuna da Kianda que o incidente ocorreu porque a sua colega mostrou resistência ao agente da Ordem Pública, destacado na zona do São Paulo, que queria receber os pertences dela porque os comercializava num lugar impróprio.
“Como já tem sido hábito, os polícias deram-nos corrida para receberem os nossos negócios por estarmos num local que eles consideram ser impróprio, mas neste dia as coisas tiveram um contorno alarmante porque o agente estava embriagado”, explicou.
O susto causado pelo som do disparo deixou a jovem Mingota em estado de choque e desmaiou naquele instante. Quando viram a companheira imóvel, deitada no chão e a sangrar, as vendedoras ambulantes anunciaram a morte da mesma aos prantos a todas as pessoas que circulavam naquela área.
A informação caiu como uma “bomba” para todos e revoltaram-se contra as autoridades policias arremessando vários objectos contundentes à Esquadra Móvel, entre os quais, pedras, garrafas, paus e ferros.
Diante do clima de revolta que se tinha instalado, tanto os agentes da Ordem Pública como os da Polícia de Trânsito, que se encontravam nas redondezas, tiveram de procurar refugio.
Alguns agentes da Unidade de Trânsito que regulavam o tráfego automóvel nas imediações do mercado do São Paulo viram-se obrigados a abandonar o posto, a retirarem o colete e a camisa. Permaneceram apenas com as camisolas interiores para conseguirem fugir até ao edifício da EDEL para não serem agredidos.
“Estou na Polícia há quatro anos e é a primeira vez que estive envolvido numa situação destas. A população revoltou-se de tal maneira que não tivemos outra saída senão escondernos em qualquer local que nos parecia ser seguro”, explicou ao Tribuna da Kianda um dos agentes de Trânsito que estava destacado naquele perímetro.
Tanto os efectivos do Comando da Divisão Sambizanga como os da Unidade de Trânsito permaneceram nos seus “esconderijos” até à chegada dos oficiais das brigadas Canina, Auto, Motorizada e da Polícia de Intervenção Rápida.
Comerciantes em marcha A destruição parcial da Esquadra Móvel da Polícia Nacional não foi suficiente para acalmar os nervos dos vendedores. Eles uniram-se e marcharam protestando em direcção à Rádio Ecclésia.
O automobilista Beto Beleza circu lava naquela zona no momento em que se despoletou o incidente. Saía do seu local de serviço e teve dificuldades em prosseguir o trajecto por causa do alvoroço provocado pelas pessoas que se perfilaram na estrada.
“A via ficou parcialmente interditada e só conseguimos prosseguir com a marcha quando os efectivos da Polícia apareceram para dispersar a população”, contou o condutor, acrescentando que “as senhoras diziam, Sayovo matou zungueira…” Da portaria da Rádio Ecclésia, as mulheres, reunidas num grupo menor, dirigiram-se à portaria da Televisão Pública de Angola (TPA).
“Isto não pode ser, não podemos vendar à vontade. Fecham os mercados, agora dizem que não podemos vender. Até quando isso?”, lamentou Manuela da Silva.
A Polícia Nacional está a proceder ao levantamento dos factos do incidente que envolve um agente da corporação que disparou contra a perna da vendedora ambulante “Mingota”.
Contactado por O PAÍS esta quarta-feira, 24, o comandante municipal do Sambizanga, superintendente Manuel Gonçalves, desmentiu a informação segundo a qual o seu subordinado estava embriagado no momento em que efectuou o disparo. “O agente não estava nada embriagado conforme as pessoas estão a dizer e quem acha o contrário que prove. A Polícia trabalha com provas e não existe nenhuma que sustente isso”, explicou.
De acordo com o superintendente, o caso, cujo autor já está a contas com a justiça, aconteceu quando a Polícia procedia ao trabalho de rotina para impedir a venda ambulante na zona do São Paulo.
Na sequência do trabalho, um agente viu-se envolvido no meio da multidão, que o cercou e o agrediu, tendo daí, como tentativa inicial de fuga, efectuado disparos ao ar. Nesta acção “condenável e lamentável”, o Polícia acabou por ferir a cidadã.
Nas zonas do S. Paulo e do Congolenses observam-se diariamente efectivos da Polícia e da Fiscalização a perseguirem os vendedores ambulantes. Em muitos casos, as “zungueiras” não escapam à acção do cassetete.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Barco desaparece com pescadores recém-contratados

Os oito tripulantes da embarcação de pesca artesanal de cor branca de 1. 40 centímetros, licenciada com o número 754 e matrícula LD-4012, desaparecidos há 47 dias, haviam sido contratados dias antes de se “perderem” no alto mar.
A senhora Chimina, responsável pela embarcação da cooperativa denominada “Família Chimina”, revelou esta quinta-feira, 18, ao Tribuna da Kianda que aquela seria a primeira viagem que os oitos pescadores realizariam a bordo do barco. “É difícil explicar o tipo de contrato que temos com eles porque os pescadores e tripulantes são remunerados em função da quantidade de peixe que pescam”, explicou a empresária.
Fazendo fé nas informações que recebeu dos familiares dos pescadores, Chimina demonstrou estar bastante confiante em que eles estejam todos bem, por se tratar de uma equipa constituída por profissionais com mais de 20 anos de experiência.
O barco pertence àquela cooperativa há dois anos e foi confiado aos oito pescadores que partiram da Ilha de Luanda, no dia 2 de Outubro último, com cerca de mil litros de combustíveis e 200 litros de água, para uma faina de oito dias.
Os homens saíram para pescar em direcção à zona sul do país e até agora não dão sinal. A única certeza é que os telemóveis e os rádios de comunicação encontram-se desligados. A Capitania do Porto de Luanda solicitou o apoio das suas congéneres da República do Gabão e do Congo Brazaville para colaborarem nas buscas.
O chefe de segurança marítima da Capitania do Porto de Luanda, Pedro Miala, explicou que estão a ser empregues todos os meios de resgate e salvamento e foi lançado um “SOS” aos outros navios que navegam ao longo da costa.
Apesar das diligências feitas pelos efectivos da Capitania do Porto de Luanda, os integrantes da cooperativa entraram em contacto com as capitanias de Cabinda, Lobito, Namibe e o posto marítimo do Sumbe.

Carrascos do Benfica estão na cadeia

Os supostos efectivos da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) de Luanda que estiveram envolvidos no assassinato dos jovens Willian Marques Luís (Liro Boy), Hamiltom Pedro Luís (Kadu) e Kléber Teodoro, na comuna do Benfica, encontram-se detidos.
Esta informação foi revelada ao Tribuna da Kianda esta terça-feira, 16, pelo segundo comandante-geral da Polícia Nacional para a Ordem Pública, comissário-chefe Paulo de Almeida.
Apesar de não avançar os detalhes da operação que resultou na detenção dos acusados, Paulo de Almeida, explicou que eles foram detidos na mesma semana em que garantiu, em conferência de imprensa, que os peritos da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) estavam a desenvolver todas as diligências para detê-los.
Questionado sobre a razão da não apresentação pública dos acusados, conforme prometera, o comissário-chefe declarou que esta é uma actividade que competiria unicamente ao Comando Provincial de Luanda e que só os seus responsáveis estão em condições de dizer as razões que os levaram a não realizar tal acto.
“Os órgãos judiciais têm que intervir, sobretudo as procuradorias para legalizarem as diligências que precisam de ser feitas e tudo indica que nos próximos dias estaremos em condições de dizer publicamente quem são os autores desta barbárie”, garantiu há seis meses o oficial da Polícia.
Embora não domine perfeitamente este dossiê, Paulo de Almeida demonstrou acreditar piamente que o processo que envolve os supostos polícias que estão envolvidos neste homicídio já deu entrada nos órgãos de justiça.
Durante o encontro com os jornalistas realizado no Comando Geral da Polícia Nacional, para prestar informações acerca do assunto, o comissário-chefe declarou que caso ficasse provado a participação de membros do seu efectivo na execução destes crimes, seriam entregues à justiça para que fossem julgados em função do que está estabelecido na Lei, visto que esta pratica não faz parte da natureza da corporação.
No momento em que o segundo comandante-geral prestou estas informações, os peritos da DNIC estavam a averiguar se a operação foi superiormente orientada e, se assim fosse, o que ocorreu na realidade para que detivessem aqueles dois jovens inocentes que apareceram mortos.
“De acordo com as investigações levadas a cabo, há alguns indícios (do envolvimento de membros da corporação), mas como estamos numa fase de instrução do processo, achamos por bem que algumas coisas ainda sejam reservadas, para podermos ter melhores resultados nas nossas averiguações”, frisou na altura.

Paradeiro incerto
De acordo com uma outra fonte deste jornal destacado na DNIC, os supostos autores do crime se encontram em liberdade e a exercer a sua actividade em diversas unidades policiais. Dois dias depois de ter cometido os homicídios, os peritos da DPIC destacados na esquadra do Benfica foram notificados a comparecerem naquela instituição.
Quem também se juntou ao coro das pessoas que exigiram as autoridades policiais que apresentassem os autores do crime, foi o então ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo” (na foto), que, na véspera das comemorações do 31o aniversário da Polícia Nacional, ordenou aos responsáveis da corporação que apresentassem os homicidas.
Segundo uma outra fonte da Direcção de Inspecção do Ministério, os investigadores que ali se encontravam foram notificados na altura por este departamento para prestarem informações sobre esta ocorrência, mas não compareceram com medo que tivessem o mesmo destino que os autores do Caso Frescura.
O Tribuna da Kianda tentou contactar a direcção de comunicação e imagem do Comando Provincial de Luanda para obter esclarecimentos sobre os motivos que levaram a não apresentação públicas dos indivíduos, mas não teve êxito.

Advogados sem informações
A equipa de cinco advogados da Associação “Mãos Livres” constituída para defender os familiares do jovem Kleber Teodoro, 25 anos, endereçou uma carta ao Comando Geral da Polícia Nacional e à Procuradoria Geral da República manifestando a sua preocupação face a falta de informação.
O secretário-geral da “Mãos Livres, organização filantrópica que zela pela defesa dos direitos humanos, Salvador Freire dos Santos, manifestou a este jornal que estão preocupados com a falta de informação sobre o processo e esperam que os órgãos a quem endereçaram as cartas exijam das autoridades policiais maior celeridade.
Os jovens Kléber Teodoro, 25 anos, Hamilton Kadu, 21 anos, e Willian Luís “Liro Boy”, de 19 anos, foram assassinados na madrugada de segunda-feira, 11 de Abril. Os dois últimos eram primos e viviam em permanente conflitos pelo facto de o malogrado mecânico Kadu não concordar com o estilo de vida que o Liro Boy levava.
Por sua vez, Kléber Teodoro, o mais velho dos jovens assassinados, saiu de Angola com sete anos de ida de, com destino à Zambia, passou pelo Zimbabwe, onde licenciou-se em informática. Estava no nosso país há menos de seis meses quando foi assassinado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Chuva mata 11 pessoas em Luanda

O porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Sebastião, num balanço provisório referiu esta quinta-feira que 11 pessoas morreram e várias residências ficaram destruídas, nos vários municípios da província de Luanda, na sequência da chuva que se abateu no princípio da tarde desta quarta-feira, 17.
Faustino Sebastião adiantou que um casal morreu electrocutado no município do Cazenga, enquanto no Kilamba Kiaxi, Cacuaco e Sambizanga outras cinco pessoas, entre adultos e crianças, morreram em consequência do desabamento de tecto de residências, queda de árvores e outra foi levada pela correnteza das águas
Quatro pessoas, membros da mesma família, faleceram em consequência do desabamento da residência onde viviam na praia da Micha, na comuna do Benfica e 180 famílias do bairro Morro Bento ficaram desalojadas devido a inundação das suas residências, município da Samba.
Explicou que a estrada que liga o bairro Talatona ao Benfica esteve fechada por algumas horas devido a queda de um embondeiro, que foi removido horas depois.
Segundo a fonte, no município da Samba várias vias secundárias e terciárias encontram-se inundadas, sendo considerado critico o bairro da Kamuchiba, onde a maior parte das residências estão inundadas, assim como o desabamento de cinco casas e abertura de ravinas nos arredores da Quinta Rosalinda.
A chuva que durou aproximadamente quatro horas, de acordo com a fonte, provocou a interrupção da avenida Kimakienda de acesso aos municípios da Ingombota, Sambizanga e Cacuaco, tendo sido soterradas duas viaturas ligeiras

Jornais especializados precisam-se em Angola

A ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira (na foto), revelou esta quarta-feira, 17, no Huambo, que entre as estratégias do sector para o triénio 2010-2012, consta o incentivo à criação de jornais especializados, a implantação das rádios comunitárias e a actualização da legislação que regula o sector no nosso país.
Neste momento, os únicos jornais especializados com o nível de abrangência geral estão especializados em noticiais desportivas e económicas, designadamente, Jornal dos Desportos, A BOLA (edição Angola), Expansão, Jornal Económico e o Semanário Económico.
Outra das prioridades avançadas pela governante, tem a ver com a necessidade de se providenciar serviços que visam manter informadas as comunidades angolanas na diáspora, procurar criar mecanismos para a divulgação da imagem do país no exterior e levar a Comunicação Social a sítios mais recônditos do país, com prioridade para o leste de Angola.
Por outro lado, destacou também a importância de se pensar na formação de pós-graduação dos jornalistas, da formação especializada dos profissionais do sector e de repórteres fotográficos.
"Quando falo na humanização da Comunicação Social, falo da atenção particular que deve ser dada aos trabalhadores do sector", enfatizou, ressaltando a necessidade de haver um nivelamento das assimetrias existentes, também a necessidade da prestação de um melhor serviço para a cidadania e de uma gestão transparente.A ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, apontou quarta-feira, no Huambo, a modernização das empresas públicas, a contínua formação e valorização de quadros, a prestação de um melhor serviço para a cidadania e de uma gestão transparente como algumas das prioridades e estratégias do sector para o triénio 2010-2012.
A governante, que teceu estas considerações durante a apresentação, esta noite, da estratégia do sector para o triénio 2010-2012, reafirmou que o sector da Comunicação Social vai investir na sua modernização, tendo informado haver apoio, nesse sentido, do Chefe do Executivo angolano, José Eduardo dos Santos."Todas as preocupações têm merecido a maior atenção e colaboração do Chefe do Executivo angolano", disse a ministra Carolina Cerqueira, para quem o apoio ao desenvolvimento da iniciativa privada no domínio da Comunicação Social é também uma das recomendações do Presidente José Eduardo dos Santos.
Frisou que se continua a contar com o Centro de Produção da Camama, localizado no município do Kilamba-Kiaxi, em Luanda, para o qual o Ministério da Comunicação Social está aberto à participação de outros países sobretudo dos Palop.

Velhos comboios para Luanda/Malange

Os comboios que farão percurso Luanda/Ndalantando/Malange, numa extensão de 424 quilómetros ficaram cerca de 18 anos sem operar nas vias do seu país de origem. Esta informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), Lobo do Nascimento, em entrevista ao Jornal de Angola.
Lobo do Nascimento explicou que, há cerca de três meses, os técnicos e maquinistas têm vindo a fazer viagens experimentais para a cidade de Malange. As viagens, que são realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, com regresso nos dias seguintes visam visa permitir a reaprendizagem dos maquinistas. “E, ao mesmo tempo, tratando-se de comboios pesados estão a fazer a consolidação da via”, explicou o responsável.
A viagem inaugural para a circulação regular dos comboios de passageiros no percurso Luanda/Ndalantando/Malange, numa extensão de 424 quilómetros, pode acontecer a qualquer momento.
Em declarações à imprensa, Lobo do Nascimento disse que o Executivo anunciou que a reinauguração da circulação normal está enquadrada nas jornadas do 35º aniversário da Independência Nacional, que terminam em Dezembro. “Vamos aguardar, porque as jornadas ainda decorrem e por isso a qualquer altura a viagem inaugural será um facto”, sustentou.O funcionamento regular dos comboios de passageiros e mercadorias vai potenciar o transporte em grande escala, mas Lobo do Nascimento alertou para a necessidade de adesão da população aos serviços, dos grandes produtores e comerciantes. “Ainda verificamos existir muita mercadoria a ser transportada por camiões e autocarros, mas acreditamos que tão logo aconteça a reinauguração da linha ferroviária o quadro mude consideravelmente”, disse.
Viagem inesquecível
No dia 9 o comboio partiu da estação da Baia às 6:00h, chegou a Malange por volta das 19:30h. Tratou-se de uma viagem com paragens em todas as estações, os passageiros eram jornalistas e funcionários do Caminho de Ferro de Luanda, cerca de cem pessoas.
Deu para ver o modernismo das novas estações e para provar o conforto das novas carruagens. A carruagem-bar tem aspecto de poder servir plenamente os utentes, os painéis informativos, em pequenas telas, passam a informação necessária. Ficas e a saber onde se está e a distância que nos separa da próxima estação.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nvunda Tonet retrata o psicólogo em livro

O psicólogo clínico Nvunda Tonet publicou na quarta-feira, 10, em Luanda, a sua primeira obra literária intitulada “Psicólogos, porquê e para quê?”, sob a chancela da editora portuguesa Chiado Editora. A obra começou a ser comercializada em livrarias lusas desde o dia 15 de Outubro.
De acordo com informações a que o Tribuna da Kianda teve acesso, dos 850 exemplares impressos nesta primeira edição, 500 estão disponíveis em Luanda e 350 nas livrarias portuguesas. O livro que é constituído por 128 páginas, foi comercializado a três mil kwanzas, no dia do lançamento.
O livro “Psicólogos, porquê e para quê?” resulta, na maioria, da coluna Psicologia & Você, publicada pelo Semanário Folha 8, e do Portal de Psicólogos de Portugal. A coluna tem levado aos jovens um raciocínio mais lógico sobre os fenómenos sociais, sobretudo os ligados à psicologia, devido ao consistente nível de conhecimento que o autor, Nvunda Tonet, tem aparentado possuir neste ramo do saber.
A obra apresenta considerações pertinentes, algumas delas inovadoras, sobre problemas ligados ao sexo, às drogas, às emoções, ao sofrimento, ao desespero e à vontade de ser feliz.
Este livro é, na visão de muitos, um verdadeiro exemplo de investigação, de seriedade e de preocupação com aquilo que chamamos de “bem comum”, devido ao seu objecto social.
O ensaísta João Papelo explica que “perspicaz nas análises e selectivo nos temas”, o jovem escritor “transcorre, algumas vezes, em torno de fenómenos de fórum patológico como a angústia, a depressão, a tristeza, o suicídio, o aborto e os factores subjacentes. Outras vezes, explora a crise nas relações humanas da sociedade moderna, à luz da ciência que estuda a psique humana”.


Para a professora de Psicologia Jurídica da Universidade Federal da Paraíba, Brasil, Juliana Toledo Rocha, Nvunda Tonet escolheu relevantes temáticas que recheiam o seu trabalho, as quais são de interesse tanto da ciência psicológica, como de todas as Ciências Humanas e Sociais.
Juliana Toledo Rocha defende que “é importante que desmistifiquemos alguns temas que parecem ser “tratados” apenas nas quatro paredes de um consultório de psicologia”.
Acrescentou de seguida que “o livro "Psicólogos, porquê e para quê" traz possibilidades de novas perspectivas, de um diálogo mais franco, aberto a reflexões e à crítica de temas muitas vezes negligenciados e encarados como ilícitos por uma sociedade hipócrita e repressora. Com uma linguagem extremamente acessível, o livro consegue transmitir de forma clara a importância prática da psicologia em intersecção com questões intra e interpessoais”.
Nvunda Will Sérgio Tonet é licenciado em Psicologia Clínica pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e mestrando em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação pelo Instituto Universitário de Posgrado (Madrid Reino de Espanha).
Ex-docente da Universidade Lusíada de Angola (cadeira de Dependência Química), é actualmente professor das cadeiras de Métodos de Observação em Psicologia Clínica e Psicologia Clínica Hospitalar na Universidade Óscar Ribas e psicólogo clínico no Hospital Psiquiátrico de Luanda. Além disso, colabora no Portal de Psicólogos de Portugal e exerce o cargo de editor de Cultura no Semanário Folha8, onde assina a coluna Psicologia & Você.
Enquanto activista cívico, Nvunda Tonet, entre muitas actividades de militância nessa área e diversas participações na vida social do seu país, coordenou, em 2007, um programa na Rádio Luanda sobre Educação Cívica para a Juventude. Organizou, a 13 de Outubro de 2009, o primeiro Workshop de Saúde Mental “Conhece-te a ti mesmo”.
Por outro lado, diplomou-se em Psicoterapia Sexual pelo Instituto Paulista de Sexualidade (São Paulo – Brasil), em 2010. Tem preferência pela saúde mental e por temas da sexualidade, assuntos largamente abordados neste livro de estreia.
Sobre o assunto, o escritor António Setas conta, ao fazer a apresentação do autor da obra “Psicólogos, porquê e para quê”, que uma vez perguntou ao autor “para quê os psicólogos?” E Nvunda respondeu: “Qualquer um de nós, a determinada altura da vida, pode sentir que, por si só, não é capaz de gerir a sua própria vida emocional e que necessita de ajuda especializada para se superar”.

Os angolanos do futuro, na óptica de José Gama

Por considerar bastante perminente a analise que o activista cívico José Gama faz sobre as proximas gerações de angolanos, apesar de não ser amanter de futurologia, achei por bem retirar alguns eztratos do artigo que foi publicado na edição do dia 12 do Novo Jornal. Um dia depois das comemorações do 35 anos da nossa independência.
“A previsão que faço é que ao seguirmos o caminhado distanciado daquilo que Robert Dahl sugere acrescido ao focos entre ricos e pobres, Angola passa a ter fortes indicadores de que nos próximos 30 anos, as nossas instituições podem ser tornar frágeis a agressões. Teremos nos próximos 30 anos uma nova geração de políticos que vão herdar o país da presente “geração da independência.
Teremos nos próximos anos uma geração de generais distanciados dos actuais que tem poder econômico proveniente das circunstancia do presente. Esta geração dos “generais do futuro” poderão ser generais pobres. Estes poderão ser violentos com os herdeiros políticos de hoje ao sentirem, Angola a ser levada para um rumo de difícil identificação, caso os futuros políticos optem por fazer do presente cenário, o seu legado”.
A “geração da independência” do MPLA não esta a educar politicamente os seus discípulos. Os jovens estão dentro do MPLA mas não estão dentro das políticas do MPLA. Os jovens aderem ao “partido” para ter dinheiro, ter casa, carro e etc. Entram para fins matérias e não ideológico. Não existe sentimento patriótico nesta geração de futuros dirigentes. Os jovens se tornaram individualistas. O individualismo é o oposto do patriotismo. Quem não é patriota não pode cuidar do país!”.

Aberto Prémio Nacional de Jornalismo 2010

O presidente do concurso Prémio Nacional de Jornalismo, edição 2010, Brito Júnior, declarou esta semana que agora finda, em Luanda, aberta a 3ª edição do certame, apelando, deste modo a participação activa dos profissionais.
De acordo com Brito Júnior, que falava à Angop, a propósito da abertura, os concorrentes poderão entregar trabalhos emitidos desde Maio do ano transacto até a presente data.
Nesta ordem, frisou que as obras poderão ser entregues no Centro de Formação de Jornalismo (Cefojor) em Luanda, e, nas demais províncias nas direcções da Comunicação Social.
Segundo disse, a cerimónia de premiação será no dia 17 de Dezembro e terá ainda como membros do corpo do jurado Paula Simons, Antónia Pacavira, Luandino Carvalho e Albino Carlos.

Regulamento do Prémio Nacional de Jornalismo


Artigo 1º

(Objectivo)

O Prémio Nacional de Jornalismo tem por objectivo incentivar e distinguir a criatividade e a investigação jornalísticas, bem como promover a qualidade e o mérito no exercício da profissão.

Artigo 2º

(Âmbito)

Têm direito ao prémio os Jornalistas Angolanos quer trabalhem no interior ou no exterior do País e que o seu trabalho seja divulgado internamente.

Artigo 3º

(Temas)

O prémio abrange as seguintes modalidades e géneros Jornalísticos:

1- Imprensa:

a) Reportagem b) Crónica c) Textos de análise (comentários, artigos e editoriais)d) “Dossier”e) Entrevista f) Cartoon

2- Rádio:

a) Reportagem b) Crónica c) Programa (cultural, económico, social, político, desportivo, musical ou internacional) d) “Dossier” e) Entrevista

3- Televisão:

a) Reportagem b) Crónica c) Imagem d) Programa (cultural, económico, social, político, desportivo, musical ou internacional).e) “Dossier”f) Entrevista

4- Foto-Jornalismo
a) Reportagem b) Foto singular c) Álbum

Artigo 4º

(Periodicidade)

O prémio tem periodicidade anual e é outorgado pelo Chefe do Governo, por ocasião das comemorações do dia 3 de Maio, dia da Liberdade de Imprensa.
Artigo 5º

(Publicidade)

1. As matérias submetidas ao júri por cada um dos concorrentes devem ter chegado a conhecimento do público pelos órgãos de Comunicação Social e outros, no período compreendido entre 1 de Junho do ano da edição a 1 de Março do ano da premiação.
2. Os órgãos locais, associações e personalidades, podem propor ao júri matérias de jornalistas que, no seu entender, mereçam concorrer ao prémio.

Artigo 6º

(Laureados)

1. O prémio é outorgado exclusivamente a cidadãos angolanos, a título individual ou colectivo.
2. Nas modalidades em que intervenham mais do que um elemento, o júri deve atribuir o prémio ao grupo, sendo o montante a atribuir, repartido por igual, a todos os participantes do trabalho objecto de premiação.
3. Ao vencedor em mais do que uma modalidade é-lhe atribuído um trofeu.
4. Excepcionalmente o prémio pode ser outorgado a um jornalista, pelo conjunto de matérias divulgadas ao longo da carreira.

Artigo 7º

(Atribuição a título póstumo)

O prémio pode ser atribuído a título póstumo.

Artigo 8º


(Composição do júri)

1. O júri do prémio é constituído por cinco personalidades de reconhecido mérito e idoneidade, convidadas pelo Ministério da Comunicação Social, sendo o presidente do júri escolhido entre si, numa primeira e única reunião.
2. Todo o membro do júri tem o dever de se pronunciar e votar sobre a atribuição do prémio em todas as modalidades que o integram.
3. Sempre que a complexidade ou natureza das matérias assim o exija o júri pode recorrer a especialistas.
4. Os membros do júri exercem o seu mandato por um período de um ano, renovável uma única vez, ou em mais de uma vez quando interpolados.

Artigo 9º

(Calendarização)

Os membros do júri devem trabalhar ao longo do ano, de acordo com um calendário por eles estabelecido.

Artigo 10º

(Deliberação)

1. A deliberação do júri é efectuada impreterivelmente até ao dia 15 de Abril de cada ano, sendo apresentado um relatório para anúncio dos resultados.
2. A deliberação do júri é o resultado de um acto discricionário, que atende as características técnicas da avaliação.

Artigo 11º

(Recurso)

Das decisões do júri não cabe recurso.

Artigo 12º

(Impedimento)
Durante o exercício do seu mandato, os membros do júri não podem ser laureados com o prémio.

Artigo 13º

(Anúncio)

Os vencedores do prémio são anunciados em conferência de imprensa, que tem lugar até ao dia 24 de Abril, sendo esta presidida pela ministra da Comunicação Social.
Em caso de impedimento da ministra da Comunicação Social, a cerimónia é presidida por quem este delegar.

Artigo 14º

(Entrega do prémio)

1. O prémio é entregue pelo Chefe do Governo ou seu representante e a cerimónia de outorga é enquadrada no programa das festividades do dia da liberdade de imprensa.
2. O prémio é pessoal e intransmissível.
3. O prémio só pode ser entregue a terceiros mediante procuração.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Luandenses solidários ao radialista esfaqueado

A tentativa de assassinato do humorista e radialista da Radio Despertar, em Luanda, António Manuel da Silva, mais conhecido como "Jójó", caiu como uma “bomba” no seio dos luandeses e é visivel em toda a parte a existência de algumerado de pessoas que se juntam para protestarem contra tal incidente.
O cidadão Olavinho Duarte manifestou o seu descontentamente revelando que “sou militante do partido no poder e não esperava este tipo de acção por parte do governo que nós, através das nossas campanhas para angariar militantes ajudamos a angariar votos”.
O jovem de 29 anos de exerce a cargo de secretário da Juventudo do Movimento Popular de Libertação de Angola (JMPLA) defende que o regime não devia agir deste modo, visto que as críticas sociais e políticas feitas pelo o Jojó só contribuém para que as coisas venjam a melhorar.
O jovem Samuel António, militante de um dos Comités de Acção de Bairro do MPLA do Rangel, denominado CAP 60, disse estar bastante cosnternado e que este tipo de acção só demostra que Angola ainda está longe de se tornar num Estado de Democratico e de Direito.
Reunidos na tarde de sexta-feira, 22, na da lanchonete do “Kim Barra”, localizada no larco das Cores juntos à igreja da Precol, os jovens não só repudiaram a acto que vitimou o humorista como mostraram estar bastante arrependido por angariarem militantes para votarem na “continuidade” nas eleições de 2008.
Nos táxis, nas escolas, no supermercado os nas praças os citadimos procuram a todo custo obter informações sobre o estado clínico do humorista Jojó e rezam para que ele melhor o mais rápido possível.
“Estou a rezar para que ele melhore, visto que é uma das poucas pessoas que criticam sem medo nenhum as más acções do Governo e eu acredito que assim que regressar vai ter mais força”, manifestou uma das passageiras que circulava num taxi que fazia na manhã de sábado o trajecto Congolenses-Mutanda.
No mesmo veículo, existia um militar das Forças Armadas Angolanas que manifestou que os homens que praticaram esta acção contra o humorista não tinham efectivamente a intenção de pôr fim a vida dele, mas sim de assusta-lo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mais um Jornalista vitimado em Luanda

O humorista e radialista da Rádio Despertar António Manuel “Jójó” foi esfaqueado na noite de Quinta feira 21/10, quando saia do seu local de serviço para casa depois de cumprir com mais uma jornada laboral.
António Manuel “Jójó” notabilizado na capital do país pela condução do programa “Django” de humor e critica de intervenção social.
A tentativa de assassinato ocorreu a porta, de um posto de gasolina nos arredores de Viana momentos após ter largado os estúdios da Rádio Despertar. Naquele intervalo de tempo, um desconhecido que simulou querer saúda-lo com um abraço, aproximou-se ao profissional acabando por esfaqueá-lo. Um dos golpes terá atingido a barriga, do jornalista que se encontra internado na clínica Multiperfil, em Luanda.
O atentado contra António Manuel “Jójó” acontece dias depois da organização dos Repórteres Sem Fronteiras ter divulgado um relatório apontado Angola como o pior país da Lusofonia para se exercer jornalismo. As autoridades polícias prometeram investigar o caso que resultou no atentado contra o jornalista.
O mês passado, o jornalista da TV Zimbo Norberto Abias Sateko foi baleado com um tiro na perna esquerda por desconhecidos, quando saia do serviço a caminho de casa, nos arredores da clínica Multiperfil.
A vitima reconheceu que os seus algozes estaria fardado com uniforme semelhante ao das Forças Armadas Angolanas (FAA) e faziam-se transportar numa viatura Toyota Starlet.
De recordar que o incidente acontece duas semanas depois de um jornalista da Radio Despertar, Alberto Chakussanga ter sido assassinado em sua casa levando com que o Comité de Protecção dos Jornalistas africanos e a organização Repórteres Sem Fronteira exigissem das autoridades angolanas explicações a cerca da iliminação fisica do profissional.
O assunto ainda não foi objecto de informação nos órgãos de comunicação ligados ao governo, mas entretanto há informação descrevendo que a classe de jornalistas em Angola se encontra em estado de inquietação procurando perceber o que se esta a passar.
De acordo com antecedentes públicos, as autoridades não prestam esclarecimento a cerca dos assassinatos a jornalistas. O primeiro teria sido Ricardo de Mello no inicio da década de noventa. Na altura os Bispos da Igreja Católica tentaram pressionar ao governo para esclarecer o assunto mas sem sucesso.
Na época um alto funcionário da Presidência Angolana teria contactado o cardeal Alexandre do Nascimento para lhe transmitir a titulo privado de que o referido jornalista fazia parte do aparato de segurança e que teria entrado em transgressão resultando no que ocorrera. Desde então, o Cardeal angolano passou a fazer oposição a corrente da Igreja que levantava o assunto.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mais um jornalista baleado em Luanda

O jornalista Norberto Abias Sateko, ao serviço da TV Zimbo, foi baleado por desconhecidos na madrugada de terça-feira, 21, em Luanda, quando saia do serviço a caminho de casa e se encontra neste momento fora de perigo.
Este profissional de comunicação social destacou em reportagens sociais e coberturas de crimes como o badalado julgamento dos oito agentes da Polícia Nacional acusados de assassinarem sete jovens no Largo da Frescura, no Sambizanga, que ficou vulgarmente conhecido como “Caso Frescura”.
A vítima que se encontra hospitalizado na clínica Multiperfil na zona do Benfica, na capital do país, reconheceu que os seus algozes estariam fardados com uniforme semelhante ao das Forças Armadas Angolanas (FAA) e faziam-se transportar numa viatura Toyota Starlet.
De recordar que o incidente acontece duas semanas depois de um jornalista da Rádio Despertar, Alberto Chakussanga ter sido assassinado em sua casa levando com que o Comité de Protecção dos Jornalistas africano e a organização Repórteres Sem Fronteira exigissem das autoridades angolanas explicações a cerca da eliminação física do profissional.
O assunto ainda não foi objecto de informação nos órgãos de comunicação ligados ao governo, mas entretanto há informação descrevendo que a classe de jornalistas em Angola se encontra em estado de inquietação procurando perceber o que se esta a passar.
De acordo com antecedentes públicos, as autoridades não prestam esclarecimento a cerca dos assassinatos a jornalistas. O primeiro teria sido Ricardo de Mello no inicio da década de noventa. Na altura os Bispos da Igreja Católica tentaram pressionar ao governo para esclarecer o assunto mas sem sucesso.
Na época um alto funcionário da Presidência Angolana teria contactado o cardeal Alexandre do Nascimento para lhe transmitir a título privado de que o referido jornalista fazia parte do aparato de segurança e que teria entrado em transgressão resultando no que ocorrera. Desde então, o Cardeal angolano passou a fazer oposição a corrente da Igreja que levantava o assunto.

Fonte: Com o Club-k.net

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Prémio Maboque provoca "bilÓ" no jornal A CAPITAL


O “Maboque” pela reportagem do ano atribuído ao editor-chefe do semanário “A Capital”, José dos Santos, terá sido algo “bichoso” na medida em que, na redacção daquele hebdomadário foi despoletado um vendaval com esta premiação.
Fontes naquele jornal disseram a O PAÍS que gerou-se um clima de crispação entre a direcção do jornal e o jornalista Mariano Brás que reclamou para si a autoria da matéria que acabou por ser premiada como a melhor reportagem do ano.
Segundo relatos de pessoas próximas a Brás, este teria reclamado ainda mesmo durante a realização da gala, dizendo que terá sido ele quem acompanhou de perto toda a cobertura do “Caso Frescura”, como era de resto recomendável na sua qualidade de editor das páginas de crime do semanário “A Capital”.
Por este facto, Mariano Brás terá denunciado o que considera uma atribuição fraudulenta, telefonando para o porta-voz da empresa, Nelson Ventura, a dar conta do facto.
Outras fontes revelaram que o corpo de jurados se terá reunido para analisar o caso, o que terá deixado o director de “A Capital”, Tandala Francisco, embaraçado e com os nervos à flor da pele quando se apresentou na redacção do jornal.
Segundo informações chegadas ao conhecimento deste jornal, a matéria premiada estava assinada por Mariano Brás, havendo outras publicadas em co-autoria. Contactados por telefone por este jornal, José dos Santos e Mariano Brás asseguraram a O PAÍS que tudo estava resolvido no interior da redacção que chegou a viver momentos de algum reboliço.
Há três edições, o jornalista Mariano Brás já havia sido galardoado com o Prémio Revelação pela regularidade na publicação nas páginas de “A Capital” dos crimes que ocorriam em Luanda, recebendo uma viatura como prémio.
Por outro lado, no “Novo Jornal” onde também houve algum debate sobre os critérios seguidos este ano na escolha dos vencedores, os jornalistas questionam o facto de Sebastião Vemba, vencedor do prémio CNN-Português, não ter sido agraciado com nenhum prémio com a sua reportagem sobre a transferência dos moradores da Boavista para o Zango, com quem pernoitou os primeiros momentos no seu novo habitat.
Argumentavam os jornalistas, que na edição anterior o jornalista Ernesto Bartolomeu ganhou o premio principal da Maboque com a sua reportagem sobre a batalha do KuitoKuanavale, igualmente galardoada com o prémio CNN-Português.
As decisões do júri são inapeláveis, mas ainda assim nota-se o facto curioso de em dois mandatos de um júri dominado por profissionais do audiovisual, os prémios mais importante couberam sempre a jornalistas ligados à área, reflectindo de certo modo a composição do corpo de jurados.
Foram sendo recorrentes, de há algum tempo a esta parte, críticas à composição do corpo de jurados do “Prémio Maboque de Jornalismo”, onde a inclusão de jornalistas ainda no exercício de funções poderia configurar uma clara situação de conflito de interesses, pois estaria em causa a transparência de um juízo valorativo de matéria publicada no órgão para o qual trabalham face a outro concorrente.


Fonte O PAÍS. O Título é da autoria do Tribuna da Kianda

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Polícias cúmplices no assalto a viaturas



O cidadão Manuel dos Santos “Americano”, acusado de assaltar viaturas na via pública, revelou esta quartafeira 8, que o seu grupo contava com a ajuda de uma rede de legalização de carros roubados constituída por efectivos da Polícia destacados na Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT).
O jovem fez esta denúncia durante uma conferência de imprensa realizada pelo Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, na Divisão de Cacuaco, que teve como objectivo apresentar onze cidadãos envolvidos em crimes de assalto à mão armada, um por tráfico de drogas e outro por ter esfaqueado a esposa.

Sem revelar os nomes dos integrantes da rede de emissão de novos documentos, Americano começou por explicar o modus operandi da quadrilha, dizendo que depois de se apropriarem do veículo contactavam um oficial da corporação cúmplice a quem fornecia toda a informação relacionada com o meio rolante, para ser agilizada a papelada.
Depois de receberem o novo livrete ou modelo O, os indivíduos encontravam-se algures na cidade de Luanda para fazerem o pagamento de dois mil dólares por cada documento emitido.
“Quando se exerce qualquer actividade ilegal consegue-se perfurar com facilidade nesses meandros e conhecer os indivíduos que têm o contacto dos integrantes das redes de legalização de carros roubados. O que só acabou por facilitar ainda mais as nossas acções”, contou o jovem de forma tranquila.
Manuel dos Santos disse que, para evitar interferência nas suas acções, ele e os seus seis amigos ficavam a aguardar pelas vítimas eventuais em estradas com fraca movimentação de pessoas e bens, como a via expresso do Benfica.
Os acusados tinham como preferência as carrinhas de marca Toyota Hilux, Mitsubishi L200, Toyota Land Cruiser Prado e os Yundai Santa Fé e Ix 35. Americano pertencia a um grupo de marginais constituído por sete indivíduos, em operação há pelo menos um ano na região de Luanda.
Apercebendo-se de movimentações de efectivos da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) destacados no comando da Divisão da Samba, os meliantes tentaram furar o cerco apertado fugindo para o interior do país.
“Estou envolvido neste tipo de actividade há um ano e três meses e durante este tempo todo participei no roubo de pelo menos 15 viaturas de diversas marcas”, contou.
Segundo apurou o Tribuna da Kianda de uma outra fonte, Manuel dos Santos “Americano” acabou por se entregar voluntariamente às autoridades policiais devido à pressão que estava a sofrer por parte de familiares directos.

Troca de tiros com a Polícia
Antes de se apresentar, o jovem esteve envolvido numa troca de tiros com os agentes da Polícia Nacional que ocorreu na principal via de Viana que vai dar à comuna do Zango, em companhia de um amigo que conduzia um segundo automóvel.
Ao longo do trajecto, o amigo foi interpelado por um grupo de investigadores da DPIC que se faziam transportar numa viatura de marca Mitsubishi cabine dupla, modelo L200, que vinham atrás dele e mandaram-no estacionar debaixo de um cajueiro.
“Estava a 30 metros quando vi eles a se aproximarem da viatura do meu amigo e como não os conhecia, decidi aproximar-me em marcha muito lenta para saber o que se passava, só que depois o meu coração aumentou os batimentos cardíacos e decidi parar”, contou.
Americano relatou que ao ver que o seu amigo havia sido agarrado nos braços por indivíduos que desconhecia, achou que se tratava de um assalto, retirou a arma que transportava e efectuou um disparo no ar. Como os agentes da DPIC reagiram na mesma proporção, o jovem meteu-se em fuga.

Roubo por encomenda
Manuel dos Santos “Americano” disse que para além das viaturas que eram roubadas sem clientes específicos, existiam outras que eram furtadas por encomenda, mas isso não interferia no preço pelo qual era depois comercializada.
Quanto aos preços dos veículos, o acusado disse que variavam em função da marca, do seu estado de conservação e se já tinham ou não a falsa documentação.
Disse ainda que existiam alguns clientes que dispensavam o processo de falsa legalização, o que, no seu entender, demonstra que eles já tinham o contacto de uma das redes que funcionam dentro da DNVT.
Segundo especificou, o preço de uma carrinha de marca Toyota Hilux variava de 12 a 14 mil dólares americanos .
Americano disse estar arrependido pelos crimes que cometeu mas não aceitou revelar a quantidade de bens que adquiriu com o dinheiro proveniente dos assaltos. Os peritos da DPIC conseguiram reaver e apresentar à imprensa três viaturas de marca Toyota Hilux, um Land Cruiser Prado, uma carrinha Ford Ranger.
Esta é a segunda vez que os investigadores da Polícia são surpreendidos com a informação de que existem colegas seus envolvidos nos esquemas de roubos de viaturas. O último caso, aconteceu no passado dia 26, quando o Comando Provincial de Luanda procedeu à apresentação de vários cidadãos que realizavam este tipo de acções, entre os quais se encontravam dois oficiais da corporação.



Cliente detido
O mecânico Sousa Adriano da Rocha comprou há quatro meses uma viatura Ford Ranger nas mãos de um dos integrantes do grupo de Manuel dos Santos “Americano”, com documentação falsa, ao preço de dez mil dólares americanos.
Atendendo ao facto de Americano comercializar os meios rolantes a um preço muito acessível, Sousa da Rocha incentivou mais três amigos, que ansiavam comprar carros, a fazeremno através das “mãos milagrosas” do jovem que parecia ser uma pessoa séria e que havia se disponibilizado até a levá-lo à sua residência.
O mecânico disse ainda que o comerciante havia lhe garantido que os automóveis pertenciam a um cidadão de nacionalidade chinesa com quem trabalhava.
Os peritos da DPIC detiveram-no à saída de casa e não hesitou em indicar amigos que haviam adquirido ao meliantes outros veículos, a saber: um Toyota Prado e duas Hilux.
A compra do Toyota Prado foi a que mais trabalho deu a Sousa da Rocha, segundo sua própria confissão, uma vez que actuou como intermediário e o seu amigo que estava inicialmente para pagar 15 mil dólares pelo veículo, viu o valor a subir para 20 mil dólares, contando com as comissões que teve de pagar às pessoas que intervieram no negócio.

As duas carrinhas Hilux foram adquiridas pelo valor de 15 mil dólares cada uma. Sousa da Rocha disse que recebeu das mãos de Americano, no momento do negócio, o recibo do título de propriedade e o livrete, mas que não consegue precisar se será falso ou verdadeiro.
“Durante esses quatro meses que fiquei com a viatura fui a vários pontos do país e não tive nenhum problema”, frisou.
Sousa da Rocha manifestou que desconhecia o paradeiro dos seus três amigos.

‘Compraram armas no mercado paralelo’, afirma subcomissário Leitão Ribeira

O segundo comandante de Luanda para a Área Operativa, Leitão Ribeiro, disse, na mesma ocasião, que os dois cidadãos chineses e os seus companheiros angolanos adquiriram as duas metralhadoras do tipo AKM que usaram nos seus assaltos, ao preço de 300 dólares cada uma, num dos mercados informais da cidade de Luanda.
Segundo o subcomissário, os cidadãos chineses Tcho Omão e Li Cham El já praticam assaltos desde as suas zonas de origem e que procuraram apenas encontrar um espaço fértil para voltarem a praticar os crimes.
“Vamos trabalhar com a Interpol para saber quem são eles na China porque eles atacaram simplesmente os estaleiros que pertencem aos seus conterrâneos. O que só demonstra que eles têm um bom historial do ponto de vista da criminalidade a partir das suas zonas de origem”, explicou.
Quanto ao jovem Manuel Gomes dos Santos que se apresentou de forma espontânea alguns dias depois de ter entrado em confronto com a Polícia, o subcomissário Leitão Ribeiro explicou que será responsabilizado pelo número de viaturas que roubou.
“O grupo do Americano terá roubado em Luanda cerca de 25 viaturas e pelo que sei, do ponto de vista legal, este crime não admite liberdade provisória. Portanto ele se entregou e está bem preso”, rematou.

Chineses formam quadrilha

Entre os marginais apresentados pelo Comando Provincial estavam dois cidadãos de nacionalidade chinesa, nomeadamente Tcho Omão e Li Cham El, de 32 e 37 anos, respectivamente, que foram detidos em posse de duas armas de fogo do tipo AKM, usadas na prática de diversos crimes.
Em companhia dos dois chineses, as autoridades policiais prenderam ainda o cidadão angolano Adriano Caluve Fernando que também integrava a quadrilha.
O acusado contou que o convite para pertencer à “Quadrilha dos Chineses” foi-lhe formulado por um amigo de nacionalidade angolana que trabalhava como motorista de uma empresa de construção civil, cujos estaleiros estão localizados em Viana.
Os dois asiáticos optaram por fazer sinais como se não dominassem a língua portuguesa para não prestarem nenhuma informação à imprensa.
Para ultrapassar esta dificuldade, os jornalistas não tiveram outra solução senão falar com Adriano Caluve.
“Foram eles dois quem propuseram ao motorista que fizéssemos e eu fiquei com a missão de encontrar lugar para guardar o camião cisterna que havíamos de roubar”, explicou, acrescentando que “foi um dos chineses, que também trabalha como motorista, quem fez ligação directa e levou o veículo até ao nosso esconderijo e quem foi buscar depois de um mês para vende-lo”.
Apesar de não saber por quanto é que a viatura foi comercializada, Adriano Fernando disse que a “Quadrilha dos Chineses” era constituída por cinco indivíduos e que ele recebeu apenas mil dólares do dinheiro da venda do carro. Os motoristas angolanos que estão envolvidos no furto fugiram para a Huila.
Para além do grupo dos chineses, o Comando Provincial de Luanda procedeu também à apresentação de um jovem que roubou dois camiões da empresa em que trabalhava e escondeu-os numa quinta. “Estou arrependido porque não me valeu de nada cometer este crime, uma vez que as autoridades policiais prenderam-me dois dias depois”, concluiu, pesaroso.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vencedores do Maboque de Jornalismo serão conhecidos hoje

O anúncio dos vencedores do Prémio Maboque de Jornalismo, edição 2010, vai acontecer, quarta-feira, às 19H30, no Cine Atlântico, em Luanda, num certame com animação cultural.
O evento vai contar com as actuações dos músicos Irmãos Almeida, Carlos Burity, Kristo e Bruno M, segundo informou o director do Gabinete Comunicação e Imagem do Grupo César e Filhos, Nelson Ventura, empresa promotora do evento.
Para este ano, segundo o interlocutor, aos prémios já tradicionais constam o acréscimo do de operador de som, perfazendo, deste modo, 10 galardões a dar.
Assim, disse, ao grande vencedor do Prémio Maboque de Jornalismo caberá 100 mil dólares, sendo que a menção honrosa está avaliada em 50 mil dólares.
“Os vencedores dos restantes prémios lhes serão atribuídos 20 mil dólares cada. Dos referidos prémios, temos como exemplo o de Línguas Nacionais, do Órgão Conceituado do Ano, do Locutor do Ano, da Imagem, do Operador de Câmera e do Operador de Som”, apontou.
Para Nelson Ventura, houve nesta edição uma boa participação de profissionais de outras províncias, como de Cabinda, Huambo, Kwanza Norte, Kwanza Sul e Benguela.
O júri do prémio é constituído por Alves António (presidente), Francisco Mendes, Victor Silva, Ana Lemos e Tandala Francisco. Juseline Santos é a secretária e o representante da empresa promotora do prémio, Nelson Ventura.
Instituído em 1992 pelo Grupo César & Filhos, o Prémio Maboque de Jornalismo visa promover e incentivar o jornalismo angolano, no reconhecimento da sua importância para a consolidação da democracia e desenvolvimento do país.

Panguila em grande alvoroço

Nazaré Fernandes saiu de casa às 4 horas da manhã desta quinta-feira, 2. Destemida, ela percorreu as ruas do bairro do Morro Bento, onde vive há vários anos, em direcção ao novo mercado do Panguila para se certificar que o espaço que lhe havia sido atribuído ainda permanece intacto.
A decisão de fazer estas movimentações nas primeiras horas do dia era para se livrar dos congestionamentos. Mas ficou surpreendida ao constatar que só franqueou os portões do recém construído mercado do Panguila às 8 horas da manhã.
“Gostei do mercado por ter melhores condições que o Roque Santeiro, mas estamos muito preocupadas com o estado das vias e o volume de camiões que por aqui circulam. Hoje levei quatro horas para sair da zona em que vivo para aqui e posso afirmar categoricamente que não foi nada fácil”, começou por explicar a peixeira.
A comerciante Joaquina Pedro, que também vende peixe no Roque, alinhou no mesmo diapasão de Nazaré.
Está encantada com as condições de sanidade postas à disposição pelo Governo Provincial de Luanda. A maior preocupação é a suspeita de que possa haver poucos clientes por causa das dificuldades de acesso ao local.
Ela defende que o Governo deveria, primeiro, concluir as obras de reabilitação da estrada principal que dá acesso ao mercado e transferi-los apenas em Janeiro do próximo ano.
A estrada ainda apresenta um mau estado, principalmente nas imediações da fábrica Vidrul e da estação de tratamento de águas do Kifangondo, apesar da intervenção que vem sendo feita pelas construtoras Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez.
Apesar de residir na comuna do Kikolo, Joaquina Pedro contou ao Tribuna da Kianda que também saiu de casa às 5 horas e 30 minutos, mas só chegou ao destino quatro horas depois.
“Olha, eu só consegui chegar cedo porque vim com carro próprio e se tivesse que fazer essa deslocação de táxi certamente chegaria mais tarde.
E teria de pagar os 500 kwanzas que os taxistas estão a cobrar pelo trajecto Roque Santeiro-Panguila”, disse Joaquina Pedro. Além da distância, outras quatro comerciantes de peixe, que se refugiaram debaixo de uma árvore por causa do sol ardente, estavam apreensivas em relação aos compromissos que têm com os bancos que lhes atribuíram empréstimos e os prejuízos que causados com a transferências para o novo espaço, onde pode não aparecer o mesmo número de clientes que recebiam diariamente no Roque Santeiro.
“As nossas despesas variam de 300 a 400 mil dólares, frutos dos empréstimos bancários que fizemos e aplicamos as nossas casas como hipotecas.
Mas diante de tal situação tememos que não conseguiremos honrar com trais compromissos. Nos primeiros meses haverá pouco movimento”, acredita Joaquina Pedro.
No entender da comerciante Lina Pedro, apesar de existirem vários postos policiais e uma unidade dos bombeiros ao longo da via Cacuaco-Luanda, as autoridades governamentais não conseguirão resolver todos os problemas que surgirão com a mudança de mercado.
“Não estou a desejar mal”, começou por dizer “Lina” Pedro, acrescentando que “com o elevado número de pessoas que virão para aqui, aumentará certamente os índices de sinistralidades nesta via”.

Roque Santeiro: Pancadaria entre os comerciantes


A falta de informações sobre os espaços onde os comerciantes devem montar as suas bancadas instalou um clima de ameaças e de ofensas corporais entre as vendedeiras.
A anciã Luzemba Madalena, vendedora do Roque Santeiro há 28 anos, deambulava de um lado para o outro, acompanhando sempre a multidão na esperança de conseguir um lugar para comercializar as suas chinelas.
Ela foi encaminhada para o novo mercado na manhã de quarta-feira e ao chegar não conseguiu ocupar um lugar para montar a sua bancada por causa da confusão.
“Tentei me meter no meio da confusão para ver se garantia o meu lugar mas não consegui devido à minha idade. As pessoas não estão a se respeitar, mesmo aquelas que ocuparam o lugar ontem, hoje já não têm porque apareceram outros colegas que falaram que os espaços já lhes pertencem”, contou a anciã que de seguida abandonou a entrevista para se meter no meio da multidão que corria atrás de um suposto fiscal da administração da praça.
A confusão era maior na zona reservada a venda ambulante, porque os vendedores diziam que existiam lugares com mais de um locatário. Com os ânimos exaltados, os comerciantes reclamavam da falta de lugares e ameaçavam partir para a briga se fosse necessário.
O PAÍS apurou que os primeiros ocupantes que chegaram ao Panguila foram orientados pelos fiscais da administração a ocuparem cada um um metro quadrado para montarem as suas bancadas de mesas de plástico.
Alguns fizeram as devidas demarcações com o referido material e outros meios inapropriados.
Já as pessoas que apareceram no segundo dia receberam a mesma informação e demarcaram os espaços com tinta de água ou de óleo, antes de montarem as mesas brancas. Outras senhoras assinalaram os seus espaços com os panos que tinham amarrados nas cinturas, e os homens utilizaram pedras, paus e ferros.
“Quem é essa Maria que ocupou o meu lugar? A senhora terá que me bater para ficar aqui e não quero saber se seremos detidas ou não pela Polícia”, declarou, exaltada, uma das comerciantes.
Para evitar que perdessem os seus lugares, os ocupantes do pavilhão metálico, que está próximo à administração do mercado, permaneciam imóveis, sem medo de serem atingidos pelas fagulhas que saltavam da máquina que os serralheiros usavam para fixar os ferros.

Taxistas e kupapatas em festa
Os taxistas que fazem os trajectos Roque-Panguila, Cacuaco-Panguila aumentaram o preço das corridas de 300 para 500 kwanzas em função da procura. Os motoristas alegam que o aumento das tarifas deve-se ao facto de o aumento do fluxo de viaturas na via e as obras de reabilitação da mesma tornarem as viagens mas demoradas.
O mau estado da estrada e a falta de sinalização, segundo eles, não só tornam cada viagem mais perigosa como contribuem para que as viaturas se danifiquem rápidamente.
À porta do mercado encontram-se estacionadas muitas motorizadas à espera de passageiros. O jovem Alberto da Costa disse a este jornal que estava a cobrar 200 kwanzas para transportar os passageiros do local onde se encontrava até à ponte do Rio Bengo.
Os que preferissem deslocar-se do mercado do Panguila para o Roque Santeiro de forma rápida e sem ficar preso no trânsito teriam que desembolsar 1000 kwanzas. Para acalmar as pessoas que ficam apreensivas com a falta de capacete, o jovem garantiu que não há problemas nenhum. “Eu me entendo com a Polícia. Quanto aos camiões, os passageiros podem ficar descansados porque vamos viajar pelas picadas”, rematou.

Roque Santeiro: Transferência a custo elevado

A comerciante Mariana Cristina revelou a Tribuna da Kianda que a transferência das mercadorias dos armazéns e das “casas de processo” localizados nos arredores do mercado do Roque Santeiro para o Panguila poderá causar inúmeros constrangimentos.
Apesar de o novo mercado contar com 200 armazéns, 36 câmaras frigoríficas e dez restaurantes, os vendedores desconhecem os preços que serão praticados e pretendem que as autoridades governamentais se pronunciem sobre o assunto.
“Nós gostaríamos de trazer as nossas câmaras frigoríficas que temos no mercado do Roque Santeiro, mas, como aqui não há lugar, pretendemos que nos disponibilizem um local para as instalarmos, uma vez que elas foram adquiridas para reduzir os gastos que fazíamos ao ter que pagar para refrigerar os nossos produtos nas câmaras de outrem”, explicou.
Por outro lado, Mariana Cristina disse que as 36 câmaras frigoríficas que o Governo instalou naquele local não terão capacidade para armazenar a enorme quantidade de frescos que elas importam.
Quanto aos preços para transportar uma câmara de congelamento do Roque para o novo mercado, as comerciantes atestam que não existe uma tabela de preços fixa e que pode variar de 250 a 300 dólares por hora a 1000 dólares pela deslocação.
Já as pessoas que se dedicam a venda de produtos com menos encargos financeiros, manifestaram que estão bastante preocupadas com a falta de espaços para as proprietárias de barracas de alimentos que os comercializavam a um preço muito acessível. Para elas, os dez restaurantes que foram erguidos no novo mercado não suportarão a procura.
Eles são pequenos e as refeições estão a ser comercializadas a mil kwanzas, enquanto pagavam 200 kwanzas por uma refeição no anterior mercado.
“Estávamos conscientes que o mercado haveria de ser transferido, mas não desse jeito, que acabou por levar algumas pessoas a desmaiarem.
O Roque Santeiro é o nosso marido”, concluiu a comerciante Nazaré Fernandes, como uma forma de realçar a importância do mercado cujo encerramento esta marcado para domingo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Jornalista da Rádio Despertar morto misteriosamente

O jornalista da Rádio Comercial Despertar, Alberto Chakusanga, de 31 anos, foi misteriosamente assassinado com o tiro pelas costas na madrugada desta segunda-feira, 06, no interior da cozinha da sua casa, localizada no município de Viana, em Luanda.
O malogrado era considerado como um dos seus polémicos locutores desta casa de rádio que apresentava um programa em umbundu. Alberto Chakusanga, foi – segundo fontes policiais – encontrado, por voltas das 9 horas de manhã, morto mas a sua sobrinha que vivia consigo diz não ter ouvido, curiosamente, nenhum barulho do disparo e muito menos a vizinhança.
Fontes policiais do CLUB-K garantiram que o mesmo foi assassinado na sua cozinha com tiro pelas costas após uma longa conversa com o(s) assassino(s) até agora desconhecido(s), com uma arma silenciosa.
Em simulação, o(s) bandido(s) levara apenas uma botija de gás de cozinha, tal igual como aconteceu em 2004, com o nacionalista Mfulupinga Lando Victor, líder fundador do partido PDP-ANA, assassinado quando saia na sede do seu partido, no bairro Cassenda. Após o acto, os assassinos simularam em levar o carro do deputado que posteriormente foi encontrado a 600 metros do local do crime.
Um facto curioso, é que Alberto Chakusanga, natural do município da Caála, província do Huambo, morreu 24 horas após o Bureau Político do partido no poder (MPLA), ter assegurado, em comunicado saído da sua 3ª reunião ordinária, conhecer indivíduos – recrutados – para denegrir, a qualquer preço, a imagem do seu Presidente.
Entretanto, o colectivo de profissionais, deste portal, apresenta à Rádio Comercial Despertar e a família, nesta hora de dor e luto os seus profundos sentimentos de pesar pela irreparável perda de Alberto Chakusanga.
Fonte: Com Club-k.net

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Assalto no BAI: Balconista é culpado ou inocente?

O balconista do BAI Moisés Ernesto Futa, 24 anos, foi preso, na manhã desta segunda-feira, 23, no seu local de trabalho como um dos presumíveis autores do saque quando se preparava para mais um dia de trabalho.
“Eu vi quando o senhor se dirigiu ao balcão e a minha colega me disse que ele trouxe 300 mil kwanzas para trocar e, ao aperceber-se que o meu tesoureiro tinha muitas notas, decidi ajudá-lo”, contou o jovem.
Moisés Futa disse que o seu colega lhe explicou que o dinheiro que estava a contar se destinaria a pagar o salário e que nem sequer desconfiou que se tratava de uma trama porque existem muitos clientes que fazem este tipo de transacção.
“Só quando os meus colegas começaram a gritar dizendo que o Hadjami tinha sido retido por um assaltante é me apercebi do que se passava, o tal Paulo já tinha saído. Eu não tenho nada a ver com o assalto, tanto mais é que ontem fui trabalhar”, rematou.
O segurança Paulo da Silva contou que só entrou em contacto com o senhor Moisés no momento em que ele apareceu para ajudar o tesoureiro do Banco a contar e arrumar o dinheiro.
Depois do seu colega se ter dirigido para o seu posto, segundo conta, o Hadjami dos Santos fez-lhe o sinal para tirar a pistola de brinquedo, ameaçando-o e levando-o até a Caixa Forte.
O gesto bondoso de Moisés Futa levou-o a pensar inicialmente que havia sido enganado pelo seu companheiro e que ele também estava envolvido no esquema Todo, visto que sabia que seriam apenas eles dois. Hadjami dos Santos confirmou à imprensa a informação que o seu colega Moisés Futa, que se encontra a trabalhar neste banco há apenas oito meses, auferindo um salário de 1.350 dólares, não teve nenhum envolvimento no crime.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Marginal morto em pleno assalto ao banco BIC

O segundo comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional para a área Operativa, subcomissário Leitão Ribeir (na foto), revelou, esta terça-feira, 24, que o segurança da Ango Segu esteve à altura da situação na tentativa de assalto à agência do BIC, localizada na rua Ngola Kiluanji, ao alvejar mortalmente o cidadão Tanga João Claúdio.
“Na segunda-feira houve uma tentativa de assalto que não teve êxito porque um dos seguranças da empresa Ango Segu terá realizado um trabalho à dimensão daquilo para qual ela foi criada”, explicou o comandante, acrescentando que “a resposta a um assaltante que transportava um engenho explosivo, portanto uma arma de destruição em massa, terá sido a altura”.
Por outro lado, Leitão Ribeiro esclareceu que os assaltantes levaram da caixa forte da agência do Banco Africano de Investimento (BAI), localizada na Marginal de Luanda, 210 mil dólares, 16 mil euros e mais de um milhão de kwanzas.
Ao ouvir as explicações dos supostos assaltantes, o subcomissário Leitão Ribeiro defendeu que os cidadãos não podem aproveitar do facto de estarem acometidos com problemas familiares para se apossarem de bens alheios para suprir tais dificuldades.
“Partindo do princípio que o crime não compensa, alertamos a quem neste preciso momento continua com a engenharia para assaltar que desistam, porque a Polícia está em estado de alerta”, apelou.
No entanto, o segundo comandante Leitão Ribeiro declarou ainda que as câmaras do sistema de vigilância da agência não colheu as imagens como devia e solicitou aos gestores dos bancos que procurem instalar as melhores câmaras e em locais chaves para que os marginais sejam facilmente identificados, ainda que estejam com os rostos cobertos. A Polícia Nacional conseguiu esclarecer o assalto ao BAI em 48 horas, o que não acontecia há muito tempo.

Tesoureiro do BAI queria Nova Vida

A gula em conseguir dinheiro para adquirir um apartamento no Projecto Nova Vida num curto espaço de tempo é descrita pelo tesoureiro do Banco Africano de Investimento (BAI), Hadjami Filomeno Franco dos Santos, 32 anos, como o motivo que o levou a assaltar no pretérito dia 18, o seu local de trabalho.
O cidadão Paulo Jorge da Silva, 34 anos, declarou à imprensa que após esvaziar os cofres do BAI foi para a sua residência onde ficou à espera do seu amigo Hadjami dos Santos para repartirem o dinheiro. Segundo conta, assim que o tesoureiro do banco se apercebeu que a Polícia suspeitava da sua participação ligou várias vezes para ele a pedir que fugisse.
“Os polícias quando foram a minha casa encontraram a pasta de dinheiro do mesmo jeito que estava quando saí do banco. Não tirei nenhuma nota”, começou por esclarecer o jovem que não encontrou dificuldade nenhuma para apropriar-se dos valores. O roubo foi planeado com seis dias de antecedência, num discreto restaurante localizado nos arredores da Feira Ngoma, pelo tesoureiro da agência do BAI da Avenida 4 de Fevereiro e o seu amigo Paulo da Silva, que trabalha como segurança da empresa de protecção civil Lince.
Paulo da Silva, que é filho único, justificou a sua participação no assalto alegando que precisava de dinheiro para ajudar a sua mãe que saiu há poucos dias do Hospital do Sanatório.
“O Hadjami ligou para mim, no sábado, a propor para fazermos o assalto e garantiu-me que não haveria nenhum problema, tanto com os seguranças como com as câmaras de videovigilância que estão espalhadas pelo estabelecimento”, começou por contar o funcionário da Lince que estava encarregado de proteger uma das agências do Banco Keve.
De modo a evitar que fosse reconhecido, o tesoureiro do BAI aconselhou-o a mudar de aparência e agir da forma a não levantar suspeita.
Para evitar que fossem descobertos, o segurança disse que foi aconselhado a munir-se com uma pistola de brinquedo para que as imagens do circuito fechado registassem a cena como se ele tivesse sido obrigado a entregar o dinheiro, sob pena de ser assassinado, caso procedesse de forma contrária.

Duas tentativas num só dia
Foi graças a essas instruções que ele conseguiu entrar e sair do banco sem despertar a atenção dos guardas nos dois momentos distintos.
A primeira tentativa de surripiar os cofres da agência do BAI, ocorreu por volta das 11 horas, quando entrou no estabelecimento e se deparou com um clima que considerou não ser apropriado à acção que pretendiam desencadear. Mas ganhou coragem e atravessou o portão do banco em direcção a uma das funcionárias, identificada apenas como “mulatinha” que usa óculos.
Fazendo-se passar por comerciante, o acusado dirigiu-se à senhora e manifestou o seu interesse em trocar 300 mil kwanzas em notas de menor valor facial, mas ela recusou alegando que não havia este tipo de dinheiro.
“Tudo que eu estava a dizer havia me sido orientado pelo Hadjami dos Santos”, explicou o jovem Paulo da Silva. Diante da resposta que lhe foi dada, decidiu regressar à casa.
Já na garupa do motoqueiro que havia sido aconselhado a alugar para o transportar, sob o pretexto que estaria a ir levantar dinheiro no banco, Paulo da Silva recebeu o telefonema do seu companheiro pedindo que regressasse.
“Ele ligou a questionar o meu paradeiro e eu disse-lhe que já estive lá, mas que a sua colega havia me informado que não tinha notas pequenas.
Ele disse: vem só, vais me encontrar no balcão e serei eu a atender-te”, contou. “Entrei novamente com a pasta vazia e dirigi-me até ao balcão e ele pediu-me para o acompanhar até a sala onde se encontrava o dinheiro”, acrescentou.
O jovem, que deixou os luandenses, a semana passada, admirados com a forma como esvaziou os cofres da agência do BAI da Marginal sem levantar suspeitas, contou ainda que os 300 mil Kwanzas que haviam anunciado não passavam de uma simulação.


A confissão do bancário
Ao ver a forma detalhada como o seu compincha, ladeado por três indivíduos com os rostos cobertos e trajado de coletes antibala, havia detalhado a ocorrência, o tesoureiro do BAI limitou-se a confirmar toda a história.
Hadjami dos Santos trabalha neste Banco há seis anos e aufere 2.500 dólares mês.
De forma calma e tranquila, o tesoureiro afirmou que, com o dinheiro do assalto, pretendia comprar um apartamento no projecto Nova Vida, no valor de 180 mil dólares: “tinha de arranjar 70% deste montante até sábado, sob pena de outra pessoa comprar a casa visto que a proprietária tinha pressa de se desfazer dele, uma vez que tem um parente doente em Portugal”, esclareceu aos jornalistas.
Interrogado sobre a razão de não ter solicitado um crédito bancário, uma vez que na qualidade de funcionário da empresa teria maior facilidade em obtê-lo, o acusado disse que só não o fez porque já tem dívidas contraídas com o banco.
“Tenho uma filha de que gosto muito e sinto pena em saber que ela verá o seu pai como manchete dos meios de comunicação social. Peço à sociedade que me perdoe, acho que eu mereço isso”, concluiu Hadjami dos Santos.

Jornalistas brasileiros preocupados com Angola

MOÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO DA IMPRENSA EM ANGOLA

Tendo tomado conhecimento dos últimos desenvolvimentos da situação da Imprensa em Angola onde, apesar das evidentes garantias constitucionais em matéria de Liberdade de Imprensa, se assiste recentemente a desenvolvimentos preocupantes, designadamente:
a) A aquisição dos principais semanários de independência editorial por parte de grupos privados caracterizados pela opacidade relativamente à sua estrutura accionista - que não é revelada - e após sucessivas acções de pressão por via de afogamento da receita publicitária de origem pública ou privada;
b) A implantação nos referidos semanários de acções de censura recorrentes, cujo episódio mais recente foi a queima de edições do semanário angolano A Capital na própria gráfica e confisco posterior arbitrário e ilegal de uma outra em vias de distribuição;
c) O aumento de sinais de intolerância, parcialidade, diminuição do exercício do contraditório e do pluralismo no seio da mídia em geral;
d) As insistentes preocupações manifestadas pelos jornalistas angolanos ao nível sindical e associativo, corroboradas em alguns casos por órgãos de dignidade legal como o Conselho Nacional de Comunicação Social sobre apreensões abusivas de jornais; preocupações essas reiteradas por diversas instituições da sociedade civil, segundo as quais, esses desenvolvimentos configuram um quadro onde, além de sofisticadas iniciativas de silenciamento da Imprensa independente, por via da apropriação privada, o ressurgimento de práticas de intimidação dos jornalistas atentatórias à liberdade de Imprensa e de Expressão, contrárias aos preceitos constitucionais da IIIª República de Angola, a Declaração de Windhoek (reconhecida pela Assembleia Geral da ONU, incluindo Angola); a Declaração sobre a Liberdade Expressão em África:
Os jornalistas reunidos por ocasião do 34º.Congresso Nacional dos Jornalistas brasileiros, em Porto Alegre, Brasil decidem:
1. Manifestar a sua apreensão por esses acontecimentos no domínio da mídia angolana, que traduzem claros sinais de retrocesso em matéria de liberdade de Imprensa e de expressão contrários ao estado de direito democrático assegurado pela constituição da III República de Angola, a Declaração de Windhoek, A declaração sobre a Liberdade de Expressão em África, a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
2. Apelar às autoridades angolanas urgentes acções no sentido de garantir o livre exercício profissional da actividade jornalística, no quadro do pluralismo de ideias, independência editorial e diversidade dos meios no âmbito das garantias constitucionais do Estado democrático de direito;
3. Manifestar a sua solidariedade para com os jornalistas angolanos nos seus esforços para garantir a sobrevivência da Imprensa independente e de um jornalismo profissional livre, crítico e editorialmente autónomo, como um dos pilares mais importantes capazes de garantir a efectividade da democracia em Angola;
4. Promover acções de denúncia, solidariedade e mobilização de recursos alternativos à escala internacional
FONTE: CLUB-K

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mudança para o Panguila sem data prevista

O técnico da direcção provincial de Luanda da Comunicação Social Sebastião José, disse quarta-feira, 17, a este blog que não existe ainda nenhuma data definida para se proceder à transferência dos comerciantes do Roque para o Panguila.
Sebastião José explicou que a tentativa de domingo último foi abortada para se criarem melhores condições e que antes da evacuação dos vendedores será realizada uma conferência de imprensa para explicar à sociedade o modo como será organizado todo processo.
No final da visita efectuada pela governadora Francisca do Espírito Santo ao Panguila, o vice-governador para a área económica, Francisco Domingos, afirmou que o novo mercado possui vantagens no tocante à organização, condições higiénicas, sanitárias e um sistema de recolha de resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos, quando comparado ao Roque Santeiro.
Para o Governo Provincial de Luanda (GPL), a abertura do mercado do Panguila permitirá que o Estado exerça maior controlo sobre a actividade comercial que será desenvolvida no local. Em termos orgânicos, o mercado terá gestão pública, com um administrador, dois adjuntos e vários responsáveis de sectores, devendo o vendedor pagar uma taxa igual à que é paga em outros mercados, fixada em 50 kwanzas.
Francisco Domingos garantiu na ocasião que estavam a ser preparadas as condições que permitirão que a transferência do Roque Santeiro para o mercado municipal do Panguila decorra sem sobressaltos.
“O processo será feito de forma gradual para permitir que seja organizada e ordeira, já que serão movimentados mais de dez mil comerciantes do Roque Santeiro para o Panguila”, adiantou. Ao percorrer as diferentes secções do mercado, preparadas para acolher um universo de dez mil vendedores, a equipa do Tribuna da Kianda constatou que a falta de uma explicação por parte dos mais altos responsáveis do GPL sobre os motivos que provocaram o cancelamento da transferência e a data em que ela será concretizada, instalou um clima de insegurança no seio dos comerciantes.
Um rádio técnico que a reportagem deste semanário abordou mostrou-se apreensivo com o seu futuro pois, no seu entender, o mercado do Panguila foi projectado a pensar exclusivamente nos comerciantes. Argumentou que o elenco de Francisca do Espírito Santo deveria ter em conta que o Roque Santeiro não sustenta apenas as famílias dos vendedores, mas também de profissionais de diversas áreas que não terão espaço no Panguila.
A construção do mercado, que também está a ser conhecido como “Novo Roque Santeiro”, começou em 2005 pela empreiteira chinesa China Jiangsu e custou 28 milhões de dólares. Para concluir a empreitada dentro do prazo previsto, a empresa contou com a mão-de-obra de 275 trabalhadores, dos quais 230 angolanos.

Inquilinos à porta do mercado do Panguila

A maior parte dos vendedores da praça da Bwala, situada ao lado do mercado do Panguila, município de Cacuaco, garantiram ao Tribuna da Kianda que já trataram do documento que lhes garantirá um lugar no novo complexo comercial para onde serão transferidos os vendedores do mercado Roque Santeiro.
“Nós já nos inscrevemos e temos a certeza de que com isso garantimos os nossos lugares lá dentro do mercado”, disse-nos a vendedora Esperança, enquanto apontava com o dedo para o novo mercado, localizado a menos de 50 metros da sua bancada.
De acordo com Esperança, o processo está em curso desde o princípio de Agosto, sendo que para adquirir o cartão de comerciante lhe foi necessário apresentar, no acto da inscrição, uma fotocópia do Bilhete de Identidade e mil e 300 Kwanzas.
Até ao dia da nossa reportagem (domingo último) este valor já andava entre 1.800 e dois mil Kwanzas, devido ao interesse manifestado por outras pessoas que não vendem aí mas lutam por um lugar no mercado modernizado, segundo apurou este jornal da sua interlocutora, que se opõe a tal prática corrupta dos recenseadores.
“Eles não deviam aceitar pessoas que não vendem aqui, só porque vão dar mais dinheiro”, defendeu.
Segundo se crê, Esperança e os seus colegas já cadastrados terão direito a uma bancada devidamente numerada, para além de poderem beneficiar dos serviços dos armazéns do mercado, sempre que quiserem conservar os seus produtos.
A vendedora de hortaliças e legumes, há 4 anos na praça da Bwala, admitiu que foi informada sobre a transferência dos vendedores do Roque Santeiro para o novo mercado do Panguila e disse também que a administração local lhes havia comunicado em 2008 que todos os comerciantes da área teriam a mesma sorte.
“Sabemos que todos os vendedores do Roque virão aqui, mas, agora, se vamos vender duas ou três pessoas na mesma bancada, isso cabe aos registadores acharem a solução”, explicou, mostrando-se consciente da pouca capacidade que possui o complexo comercial do Panguila.
Para ela, não adiantaria nada ter criado um mercado nessa zona do município de Cacuaco, se as pessoas que vendem nessa localidade tiverem de ficar de fora. Na verdade, tal situação eleva a polémica que se levanta sobre a lotação do novo mercado, que por si só, não suporta a demanda dos vendedores do Roque, uma preocupação que ficou bem expressa por outros vendedores locais abordados pela nossa reportagem.
“Eu acho que os lugares não chegam para todos comerciantes que estão no Roque Santeiro, por isso sou de opinião que se criem outras medidas, antes de acontecer a transferência de muita gente”, sugeriu uma vendedora de bebidas.
Igual opinião é sustentada por colegas de ofício, que criticam o facto de não se ter aproveitado todo perímetro disponível do novo mercado, o que redundou numa menor capacidade de absorção de feirantes.
O mercado do Panguila não é o único construído, de raiz, no município de Cacuaco. Existem pelo menos mais dois outros, erguidos a 200 metros da via, no troço que liga a sede à localidade do Panguila.

Novos mercados “abandalhados”
As pessoas que comercializavam os seus produtos em alguns dos mercados de Luanda que foram reabilitados, preferem agora operar na parte exterior do que efectuar vendas no seu interior. Este cenário é visível no mercado erguido próximo ao Controle de Cacuaco, com o financiamento do Fundo de Apoio Social (FAS).
“Preferimos expôr os nossos produtos fora do mercado porque aqui temos mais facilidade de atrair os clientes do que ali, tendo em conta que os viajantes só param quando vêem um produto do seu interesse”, explicou o agricultor Raimundo Miguel.
O feirante sustenta que ainda que os fiscais da administração municipal de Cacuaco obrigassem as pessoas a permanecerem no interior do mercado, não teriam êxito “porque ficou provado, nos primeiros meses após a inauguração, que os clientes dificilmente aceitam descer dos veículos para irem fazer compras lá dentro”.
O agricultor conta que aquele espaço não só serve para comercializar os produtos da quinta em que trabalha, como também de pasto para o gado das fazendas vizinhas.
A história repete-se nos mercados do Cazenga (ex-Asa Branca) e no da Vidrul (em Cacuaco), ambos construídos com financiamento da linha de crédito da China.
* Com Alberto Bambi