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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Xana Aragão, a jornalista de punho forte

A jornalista Xana Aragão, da agência de notícia estatal Angop, está a ser descrita nos meios jornalístico como uma dos poucos funcionários públicos com muita coragem por ter solicitado no decurso da conferencia de imprensa, no Palácio Presidencial, esclarecimentos sobre como fica os 10% de acções da Sonangol Holding que esta em nome de Manuel Vicente, o Presidente do Conselho de Administração desta empresa petrolífera angolana.
Apesar de a perguntar ter sido mal estrutura, os profissionais consideraram bastante oportuna porque tanto o ministro como os membros da sociedade que acompanhavam através da Televisão Publica de Angola perceberam a mensagem. Como resposta a inquietação o ministro de Estado, Carlos Feijó, que foi o principal animador da conferência sobre os três meses do executivo, respondeu depois de desvalorizar aquela profissional que se tratou de um mecanismo juridico-societário.
Segundo resposta do ministro: “a pergunta está viciada por falta de rigor. Disse e mal que o engenheiro Manuel Vicente tem um por cento do produto do petróleo. Nada de mais infame se poderia dizer. Ninguém tem um por cento do produto do petróleo. Talvez, tecnicamente, a pergunta tenha sido mal formulada. Mas também nada me impede de esclarecer o seguinte: Do que se trata é de um mecanismo juridico-societário a partir do qual, para a constituição de uma sociedade, que é subsidiária, se utilizou como se faz em qualquer parte. O Presidente do Conselho da Administração da empresa para titular um por cento ou o que fosse, desta sociedade, mas ao mesmo tempo são criados mecanismos juridico-societários internos que bloqueiam o titular dessas acções de livremente delas dispor, por um lado, e por outro lado há uma espécie de renuncia de direito a resultados. É isto que foi feito”.
O acto da jornalista foi considerado como inédito e de coragem visto que os profissionais do regime são manados pelo medo de perderem os seus empregos razão pela qual são conhecidos por fazerem apenas perguntas favoráveis ou que incentivam os dirigentes do regime a fazerem publicidade/propaganda.
Sinais do péssimo jornalismo
- A TPA ao fazer reposição da conferência cortou a parte da jornalista
- O Jornalista Gonçalves Inhanjika que esteve presente optou de seguida por pedir a Carlos Feijó que falasse dos benefícios da nova constituição; a questão foi entendida como uma maneira de precipitar o animar a fazer propaganda da constituição atípica e de outros programas do regime “Água para todos”
A jornalista Xana Aragão que está colocada na representação da Angop, no aeroporto internacional de Luanda é uma alta dirigente da OMA, organização ao qual já foi Secretaria para informação. Tem laços de parentesco com o ex-ministro Manuel Aragão e goza da aceitação e apoio da liderança da organização feminina do partido no poder.
É descrita como muito coerente nas suas posições, razão pela qual terá, livremente colocado a questão sobre os “10% das acções da Sonangol em nome de Manuel Vicente”.
O assunto das acções foi descoberto por intermédio de uma investigação feita pelo activista cívico Rafael Marques publicado no Semanário Angolense. A Sonangol reagiu em comunicado explicando as motivações que nortearam o processo. Justino Pinto de Andrade, uma figura idónea da sociedade civil angolana, comentou a matéria através dos microfones da rádio Ecclésia tendo aconselhado o PCA da Sonangol a devolver as acções que estão em seu nome.
Em meios conhecedores do assunto, em Luanda referem que a representante da Sonangol no Congo identificada por Fernanda esta nas mesmas condições que Manuel Vicente beneficiando de 10% da Joint Venture que a Sonangol-Congo abriu naquele pais (Estado Congolês detém 40%).
Os entendidos, na sua maioria pertencente ao círculo do MPLA criticam a falta de transparência deste processo. Questionam por exemplo que tanto no caso de Manuel Vicente como o da senhora da Sonangol-Congo, ambos estão desprovidos de normas sobre os destinos das acções em caso de os mesmos cessarem as suas funções administrativas na empresa. “As acções ficam com eles ou devolvem a empresa ou se entregam aos futuros sucessores”, questionam. Dizem, entretanto, que ambos beneficiários destas acções caso queiram podem vendê-las uma vez que esta em nome dos mesmos, o que torna o caso confuso quanto à transparência da matéria.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CASO NOVA VIDA: Cresce o número de mulheres criminosas

A socióloga criminal Nadir Tati disse ao Tribuna da Kianda que o homicídio terá sido cometido em função de um ciúme patológico de ódio, vingança, prova de poder, não tolerância como também poderá ser resultado de uma forte depressão pós parto que não foi identificada a tempo. Tendo em conta que esta condição afecta muitas mulheres e que se não forem tratadas a tempo pode resultar num crime desta dimensão.
“Tratando-se de um casal com formação superior e com uma vida aparentemente estável, e especialmente com duas crianças pequenas, esta seria um factor a ser levado em consideração pela mulher antes de cometer o crime”, explicou.
Nadir Tati é de opinião que há possibilidade de haver um crime passional onde geram os ciúmes, o amor ofendido e capaz de provocar emoções que de certa forma altera a serenidade do parceiro. Para ela, o facto de a acusada se ter dirigido depois do incidente à Embaixada dos Estados Unidos e de Portugal, no meio da noite, com crianças no carro e a pedir asilo só demonstra que ela não estava psicologicamente bem.
“A psicopatia é um distúrbio mental grave e caracteriza-se por ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, desvio de carácter, egocentrismo, manipulação e que atinge homens e mulheres em geral”, explicou.
Acrescentou de seguida que “naturalmente que se uma pessoa tiver um transtorno de personalidade anti-social e que nas mulheres pode passar despercebido durante muito tempo também poderá levar uma pessoa a cometer este tipo de crime”.
A socióloga criminal explicou ao analisar os três crimes que ocorreram alguns dias antes da Páscoa que a criminalidade é um fenómeno normal na sociedade e o crime um fenómeno anormal no indivíduo.
“Neste momento, a nossa sociedade está a passar por um período de desenvolvimento sociopolítico e económico muito rápido em que tivemos a infelicidade de, num curto espaço de tempo, estarmos perante estes casos de violência que o Direito Penal pode exercer a acção punitiva, correctiva e intimidativa no sentido de desmotivar a prática do crime mas, não sobre a criminalidade em geral”.
Quanto as consequências dos crimes do género, Nadir Tati defende que eles são notáveis que acabam por afectar directamente a sociedade ao ponto de se instalar um clima de insegurança, medo e desconfiança.
“As pessoas começam a ter noção que a criminalidade resulta em regras de conduta injustas e imprevisíveis, oprime e é violenta. O que leva-nos a uma conduta cada vez mais individualista e mais atenta”, detalhou.
A nossa interlocutora atestou que as estatísticas demonstram que o número de crimes cometidos por mulheres tendem a aumentar, embora tenham existido sempre, mas muitos deles não são denunciados à Polícia e isso faz com que exista uma carência de dados reais. “A própria Polícia como principal agente neste processo enfrenta dificuldades em lidar com este tipo de crimes que as vezes, mesmo sendo detectados acabam por ser tratados de uma forma especial”, frisou.
Por outro lado, Nadir Tati explicou que quando uma mulher comete um delito, as vítimas são quase sempre familiares, namorado, marido, pessoas ligadas directamente a ela e usa como arma objectos contundentes como facas de cozinha, tesouras.

Psicólogos analisam a acusada

A advogada Nerika Loureiro, acusada de assassinar o seu marido com 11 golpes de tesoura e faca, nas primeiras horas do dia 1 de Abril, foi avaliada esta semana por uma equipa de psicólogos clínicos que trabalham nas cadeias de Luanda.
Segundo informações a que tivemos acesso, o relatório médico entregue aos especialistas da DNIC atesta que a jovem não sofre de nenhuma perturbação mental, o que acaba por contrariar a tese segundo a qual o homicídio resultou de impulsos da perturbação mental de que, alegadamente, padecia.
Os especialistas que observaram a pequena Naio descartaram também a teoria de que o malogrado molestava a sua filha.
Na observação a que foi submetida, detectou-se que a menor de idade não mostra sinais de ruptura ou de que tenha sido alvo de alguma anomalia humana.
O processo de Nerika Loureiro encontra-se em fase da instauração e caso seja provado que foi ela quem praticou o crime, corre o risco de cumprir a pena máxima de 24 anos de cadeia, agravada pela confissão que lhe é atribuída de ter assumido a autoria do acto.
Entendidos que acompanham o processo referem que a pena na qual corre risco de incorrer poderia ser inferior a 24 anos caso se mostrasse arrependida ou se os exames indicassem que sofria de perturbações mentais. Seria detida seguida de acompanhamento médico e outra assistência especial.
Nerika Loureiro é advogada da Sonair e formada em Portugal, enquanto o malogrado era bancário de profissão formado em Portugal e na Inglaterra.
A nossa equipa de reportagem contactou por telefone a prima da advogada, Adélia de Carvalho, na esperança de obter mais informações sobre o assunto, mas não teve sucesso porque esta desligou o telemóvel.

CASO NOVA VIDA: Investigação da DNIC prejudicada por interferências

A equipa de peritos da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), liderada pelo inspector Faenda, encarregue de fazer a instrução do processo sobre o assassinato do jovem Lopo Loureiro, 35, está a encontrar algumas dificuldades, devida à interferência que houve no apartamento do casal.
Os investigadores que estiveram pela primeira vez no imóvel, localizado no Nova Vida, após a remoção do corpo na sexta-feira, 16, manifestaram-se preocupados com o facto de os seus colegas não terem selado o apartamento o que possibilitou a entrada de algumas pessoas que têm as chaves e a possível remoção de provas.
“Os oficiais ficaram tão desapontados que o inspector Faenda decidiu enviar uma informação ao Procuradorgeral da República junto da DNIC, detalhando o sucedido e propondo a troca da fechadura das portas, de modo a evitar que os familiares do casal circulem pelo local enquanto as investigações estiverem a decorrer”, declarou a nossa fonte.
De acordo com uma outra fonte ligada à família de Lopo Loureiro, dois dias depois do homicídio, um dos parentes da advogada Nerika Loureiro dirigiu-se ao imóvel do casal para supostamente retirarem os vestuários das crianças que se encontravam sob custódia deles.
“O que representa um apontamento negativo para a Polícia porque deviam ter lacrado o local e como isso não aconteceu, apercebemo-nos que a pessoa que ali se dirigiu levou consigo a mala de viagem que a minha cunhada trouxe de Portugal algumas horas antes”, explicou.
Para além deste dia, o nosso interlocutor atesta que houve uma segunda visita à casa, mas desta feita por uma outra senhora cujo nome não foi identificado, mas que o vizinho que a viu a sair do cómodo manifestouse disponível em colaborar com as investigações.
“Ela saía do apartamento com dois sacos pretos nas mãos e ao ser abordada por um vizinho se justificou dizendo que pensou que o óbito decorria ali. Certamente que isso foi feito mando da outra família”, sentenciou.
Os familiares do malogrado dizem que tomaram conhecimento que a advogada está a beneficiar de tratamento especial por parte dos órgãos judiciais, visto que foi vista a semana passada na Clínica Sagrada Família, trajada com roupa dos serviços prisionais e acompanhada dos seguranças da cadeia, para receber cuidados médicos.
“Tendo em conta a gravidade do crime, não sei se esta facilidade é dada a Nerika ou se os demais presos têm o mesmo direito. Penso que está a haver uma certa protecção e por isso pedimos muita atenção, rigor e isenção por parte dos órgãos de investigação no tratamento deste assunto”, contou o familiar do Lopo Loureiro.
Para os parentes do bancário, a tese sustentada pelos parentes da jovem que se encontra detida, segundo a qual, ela padece de doenças psíquicas não condiz com a realidade pelo facto dela nunca ter apresentado esses sintomas ao longo dos seis anos que o casal viveu debaixo do mesmo tecto.
“Durante o tempo todo que ela conviveu connosco nunca demonstrou nenhum sinal de perturbações mentais, por isso é que julgamos ser muito estranho que nesta altura estejam a surgir rumores do género. O que nos leva a concluir que esta é uma forma que eles encontraram para tentar ludibriar os órgãos de justiça e a opinião pública, pelo que solicitamos a atenção dos investigadores neste pormenor”, apelou.
No entender dos familiares de Lopo Loureiro, a mãe da advogada é a única pessoa que pode ajudar a explicar o crime visto que não só acompanhou a vítima na viagem como também foi a primeira a tomar conhecimento do mesmo e a última com quem o casal esteve antes de despoletar os acontecimentos.


Possíveis motivos do crime
Apesar de desconhecerem os reais motivos que levaram a funcionária da Sonair a praticar o crime, o nosso interlocutor descartou a possibilidade dela ter descoberto, após realizar consultas médicas feitas em Portugal, que o esposo molestava a sua filha Naio Loureiro, de dois anos.
“A senhora Beatriz da Conceição contou à Polícia que a sua filha havia morto o marido ao tentar impedi-lo de molestar a pequena Naio, mas isso contraria os elogios feito pela Nerika Loureiro ao seu companheiro, durante o seu primeiro interrogatório”, frisou.
Acrescentou de seguida que “estamos conscientes das diversas especulações que estão a surgir em torno do assunto, mas como conhecíamos muito bem o malogrado só temos a dizer que não passam de boatos”.
Para a nossa fonte, a tese pela qual Lopo morreu depois de a sua esposa descobrir que ele molestava a filha não passa de calúnia e difamação.
“Isso é inconcebível porque a Nerika deixava-o passar noites e noites na Clínica Girassol com a filha que sofre dos bronquios, enquanto ela dormia em casa e só ia rendê-lo no período da manhã. Tudo isso faz com que consideremos uma atitude muito negativa de tentar justificar o homicídio”, refutou.
Sobre a informação de que a jovem assassinou o marido depois de se aperceber, pelo resultado do chek up médico que fez nas terras de Camões, de que havia sido contaminada pelo vírus da SIDA, a nossa fonte negou alegando que aquilo não passa de uma forma escapatória para sair da situação.
“A SIDA já deixou de ser um tabu, as pessoas sabem que podem viver muito tempo com este vírus e não é crime um indivíduo ser portador. Por isso pensamos que ainda que este fosse o motivo, que não era, não justificaria o crime”, concluiu.
Antes de ser encaminhado para a DNIC, o processo do assassinato do jovem Lopo Loureiro estava a ser dirigido por uma equipa da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), liderada pelo inspector Cláudio, mas foi transferido para aquela instância superior.
Contactado por O PAÍS, um dos funcionários da Procuradoria da República junto da DNIC, que se encontrava de serviço, disse que ninguém poderia prestar nenhuma declaração acerca do processo por ainda estar em curso e pelo facto de ser ultra-secreto.
Por seu turno, o investigador Faenda recusou a prestar qualquer informação acerca do assunto, alegando que só o faria com a autorização do subcomissário Eduardo Cerqueira, director da instituição.
No gabinete deste, fomos informados pela secretária que para tal devíamos enviar uma solicitação por escrito e depois aguardar por um despacho.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Air Services nega participação de Higino Carneiro na compra da Puma

A direcção da empresa de aviação Air Services Angola publicou na sexta-feira, 16, em Luanda, um comunicado de imprensa alegando que o general Higino Carneiro não comprou 20% da empresa de aviação civil brasileira Puma Air.
Segundo o comunicado divulgado no noticiário da tarde da Rádio Nacional de Angola (RNA), de acordo o regulamento da empresa o ex-ministro das Obras Públicas não tem poder para fazer tal operação pelo facto de ostentar apenas o título de presidente da mesa da assembleia-geral.
A notícia divulgada pelo semanário angolano Novo Jornal e pelo jornal brasileiro “Folha de São Paulo”, retomada por este blog, dizia que o general Higino Carneiro reforçou o seu império financeiro ao comprar 20% da Puma Air.
A informação divulgada pela RNA contraria os dados avançados pelo suposto sócio de Higino neste negócio, o empresário brasileiro Gleison Gambogi, em entrevista ao conceituado diário brasileiro “Folha de São Paulo”.
Gleison Gambogi terá revelado que a Puma nasceu com capital social de 5 milhões de reais, cerca de 2,8 milhões de dólares. O empresário revelou ter investido 25 milhões de reais (cerca de 14 milhões de dólares), sendo 20% de Angola (2,8 milhões de dólares) e o restante “do próprio bolso” (11,2 milhões de dólares).
A Puma é uma empresa de carácter regional do Estado brasileiro do Pará, mas o empresário e deputado do MPLA prepara-se para transforma-la numa companhia internacional. Objectivo: fazer a rota entre Angola e o Brasil já a partir de Junho.O negócio foi facilitado com a presença de um parceiro brasileiro, já que o tecto legal para participações estrangeiras no sector brasileiro da aviação é de 20%. O empresário Gleison Gambogi de Souza, que trabalhou em Angola durante cinco anos (primeiro enquanto consultor, depois como sócio e vice-presidente da construtora Metro Europa), detém 80% da Puma Air.
Citado pelo conceituado diário brasileiro “Folha de São Paulo”, Gambogi confirmou que fez a sua “vida empresarial em Angola” (a Metro Europa chegou a ter em carteira 1 bilião de dólares em diferentes projectos), tendo estreitado relações com o ex-ministro das Obras Públicas durante o período em que viveu no nosso país.
Para já, a Puma decidiu não montar uma estrutura operacional mas alugar à companhia Gol/VRG um Boeing-767, com tripulação e tudo, numa modalidade conhecida como “wetlease”.Como as regras brasileiras não permitem que uma empresa se aventure no espaço aéreo internacional sem que tenha experiência no mercado doméstico, a Puma foi obrigada a montar primeiro uma operação interna. Como já tinha base no Pará, a Puma escolheu a rota Guarulhos-Macapá-Belém. O voo também será feito com um avião da Gol, um Boeing-737. Por conta do risco envolvido no negócio, os contratos firmados entre a Gol e esta companhia, prevêem pagamento antecipado, segundo o “Folha”.
O consórcio espera agora as diferentes autorizações para começar a operar nas rotas definidas.

Rafael Marques "busca" protecção nos EUA

O analista político Justino Pinto de Andrade considera o facto do jornalista e activista cívico angolano Rafael Marques ter sido recebido na quinta-feira no Departamento de Estado Norte Americano pela sub-secretária de estado adjunta para África, Susan Page, como uma forma de garantir a sua protecção.
Justino Pinto de Andrade explicou que tanto o activista cívico como os demais cidadãos que têm mexido em “colmeias muito perigosas” devem receber alguma protecção para evitar que lhes aconteça algo de mal.
“A única arma que as pessoas que assumem tais posições e fazem estes pronunciamentos publicamente têm é verem o seu trabalho reconhecido por parte de algumas organizações internacionais”, frisou.
O analista político teceu tais considerações, esta segunda-feira, 19, ao fazer a análise dos semanários publicados no último final de semana em Luanda, em entrevista à Rádio Ecclésia. Emissora Católica de Angola.
De acordo com o Semanário Angolense, Rafael Marques e a sua anfitriã falaram sobre a situação política e económica bem como a questão da corrupção em Angola. O jornalista visita os Estados Unidos desde domingo passado.
Rafael Marques tem em andamento um levantamento que mostra como a criação de uma classe empresarial nacional resultou na concentração de bens e fundos nas mãos de um grupo muitíssimo restrito de angolanos, na apropriação indevida de bens públicos, e na promiscuidade de servidores públicos, entre os quais ministros, deputados e assistentes do presidente da República.
O relatório anual da Human Rights Watch publicado na semana passada diz que o governo angolano não tem feito o suficiente para travar a corrupção e a gestão danosa que afectam o país. Sugere que as medidas de combate à corrupção anunciadas pelas autoridades não têm produzido os efeitos esperados.
A Human Rights Watch diz igualmente que embora Angola seja o maior produtor de petróleo de África, milhões de angolanos continuam com o acesso limitado a serviços básicos e sociais.
A questão da corrupção levou Rafael Marques ao Banco Mundial onde conversou com Wiiliam King Mills, assessor principal da vice-presidente da instituição. Rafael Marques tinha agendado para ontem, sexta-feira, já com esta edição a caminho da impressão, uma intervenção no Conselho para Relações Externas, órgão independente de análise e consulta sobre política externa.
Princeton Lyman, antigo embaixador dos EUA na Nigéria e na África do Sul, deveria moderar o debate. Estava previsto que ao lado de Rafael Marques estivesse Nuhu Ribadu, antigo chefe da comissão anti-corrupção da Nigéria.
Rafael Marques está nos Estados Unidos da América a convite da Train Foundation, uma organização sedeada em Nova Iorque. A Train Foundation distinguiu-o em 2006 com o prémio de “coragem civil” e um cheque de 50 mil dólares.
Quem é a figura?
Rafael Marques de Morais é um jornalista e pesquisador angolano, com especial interesse sobre a economia política de Angola e os direitos humanos. Em 2000, recebeu o distinto Percy Qoboza Award [Prémio Percy Qoboza para a Coragem Exemplar] da Associação Nacional dos Jornalistas Negros dos Estados Unidos da América. Em 2006 venceu o Civil Courage Prize [Prémio de Coragem Civil] da Train Foundation (EUA) pelas suas actividades em prol dos direitos humanos.
Tem vários relatórios publicados sobre a violação dos direitos humanos no sector diamantífero em Angola, incluindo A Colheita da Fome nas Áreas Diamantíferas (2008), Operação Kissonde: Os Diamantes da Miséria e da Humilhação (2006), e Lundas: As Pedras da Morte (2005), em co-autoria com Rui Campos.
Malanjino, Rafael é Mestre em Estudos Africanos pela Universidade de Oxford. É formado em Antropologia e Jornalismo na Goldsmith, Universidade de Londres.
Com Semanário Angolense.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Forbes identifica 8 bilionários em África

Bilionários em África haverá às dúzias. Porém, de papel passado e com capacidade de movimentar milhões em qualquer mercado do mundo, sem a suspeita de que o dinheiro tenha origem em tráfico de influência ou corrupção, e que o mesmo seja “sancionado” por bancos credíveis, de acordo com a Forbes só há oito.
A lista anual publicada por aquela revista especializada norte-americana indica que dos oito bilionários africanos quatro são os irmãos egípcios Sawiris. Três outros são sul-africanos e um nigeriano. Na restrita lista não entrou nenhum angolano.
A pesquisa da Forbes envolve mais de 40 “staffers” espalhados por todo o mundo. A metodologia inclui apenas valores declarados, operações no “stock market”, retorno de aplicações no sector imobiliários, venda de produtos e serviços, valor de participações e propriedades. A Forbes diz que embora tivesse procurado incessantemente por dívidas, ninguém no “top 1000” deve a ninguém.
O homem mais rico do mundo hoje é o mexicano Carlos Slim, dono de uma fortuna de 53. 5 biliões, que deixou para trás o “eterno” campeão Bill Gates, com 53 biliões. Mas nem por isso o patrão da Microsoft se deve queixar. Perdeu o primeiro lugar da lista, mas ainda assim levou para casa lucros no valor de 13biliões de dólares.
Reformado, há cerca de um ano, “Bill” dedica-se à sua fundação, que este ano recebeu do terceiro da lista, Warren Buffet, uma doação de 10 milhões de dólares. Buffet escreveu no seu testamento que quando se for desta para melhor 37 biliões da sua fortuna irão para fundação “Bill & Melinda”, que vai aplicar este dinheiro no combate à fome no mundo.
Warren Buffet tem uma fortuna avaliada em 47 milhões de dólares. Visionário, há dois anos, quando se deu o colapso do sistema financeiro norte-americano, pôs 5 biliões no Goldman Sachs, e 5 biliões na General Electrics. Com isso evitou a queda do que era uma dos maiores bancos de investimentos norte-americanos. Disse na altura: “é altura de, mais uma vez, fazer alguma coisa pela nossa pátria”.
O Goldman Sachs está a fazer alguma coisa por ele, e pelos investidores que acreditam no seu fundo de investimento, o Berkshire Hathaway. Facturou 10 biliões nos últimos 12 meses.
De acordo com a Forbes entre os dez mais ricos, há três norte-americanos, dois indianos, um brasileiro, um mexicano, um espanhol, um alemão e um francês. A lista da Forbes não trás nenhum homem do Zimbabwe, onde não é difícil encontrar bilionários. Acontece, porém, que ao nível em que estão o câmbio e a inflação 1 bilião de dólares zimbabueanos equivale exactamente a 2 milhões e 765 mil dólares. Não dá para entrar na lista.
FONTE: SEMANARIO ANGOLENSE

Os mais ricos de África















1. Nassef Sawiris - É o 127 da lista mundial. Herdou do pai a liderança da Orsacom, uma holding que tem interesses na construção civil e na produção de fertilizantes. É o mais novo dos três filhos de Sawiris. A sua fortuna vale 5.9 biliões de dólares.


2. Nicky Oppenheimer - De 64 anos de idade, o patrão da De Beers é o 154 da lista mundial. Atento ao sinal dos tempos abraçou sem remorsos a política de acção afirmativa, destinada a criar um empresariado negro rico. A ele se deve em parte o aparecimento de gigantes como a nossa conhecida TRANSEX, liderada por Tokyo Sexuale. Vive na África do Sul. «Vale» 5 biliões de dólares.


3. Onsi Sawiris - Fundador da Orascom, continua podre de rico, apesar de ter passado o leme aos filhos. Depois de partir de repar-tir dinheiro e activos ficou com 3.1 biliões, o que faz dele o terceiro em África, e 307 em todo mundo.


4. Naguib Sawaris - 374 na lista dos mil homens mais ricos do mundo, Naguib lidera o sector industrial da Orascom. O seu «por-tfolio» está avaliado em 2.5 milhões de dólares.





5. Patrice Motsepe - Há um ano foi identificado pela Forbes, como sendo o primeiro bilionário negro de África. Valia então 2 biliões. De 48 anos de idade, voltou à lista da For-bes na posição 421 com uma fortuna estimada em 2.3 biliões de dólares. Natural de Soweto, Joanesburgo fez dinheiro com aplicações residuais em pequenas minas.




6. Johann Rupert, de 59 anos de idade, é o dono da Richemont, uma marca suíça de relógios de precisão, como Cartier e Du-nhill. É igualmente dono da Re-mgro, sociedade de investimen-to. Comanda os seus negócios a partir do seu escritório na África do Sul.

7. Aliko Dangote - De 52 anos de idade, 436 na lista mundial, Dango-te tem interesses que vão do cimen-to à produção de açúcar, farinha de milho e imobiliária. O salto para o «restrito clube» dos bilionários deu- se depois de ter aplicado dinheiro em gás e petróleo. A sua fortuna vale 2.1 biliões. Vive e trabalha na Nigéria.
8. Samih Sawiris - Filho do meio de Sawiris, ocupa-se exclusiva-mente dos investimentos feitos pelo pai na área de hotelaria e do tu-rismo. Tem 53 anos de idade e 1.5 biliões de dólares para «brincar».

Higino Carneiro expande negócio no Brasil

O general Higino Carneiro reforçou o seu império financeiro ao comprar 20% da empresa de aviação civil brasileira Puma Air. Segundo informações divulgadas pelo semanário Novo Jornal e o jornal brasileiro “Folha de São Paulo".
De acordo com à imprensa brasileira, a Puma é uma empresa de carácter regional do Estado brasileiro do Pará, mas o empresário e deputado do MPLA prepara-se para transforma-la numa companhia internacional. Objectivo: fazer a rota entre Angola e o Brasil já a partir de Junho.
O negócio foi facilitado com a presença de um parceiro brasileiro, já que o tecto legal para participações estrangeiras no sector brasileiro da aviação é de 20%. O empresário Gleison Gambogi de Souza, que trabalhou em Angola durante cinco anos (primeiro enquanto consultor, depois como sócio e vice-presidente da construtora Metro Europa), detém 80% da Puma Air.
O também general na reserva entra para este negócio com a sua empresa Air Services que ficou com 20%. Citado pelo conceituado diário brasileiro “Folha de São Paulo”, Gambogi confirmou que fez a sua “vida empresarial em Angola” (a Metro Europa chegou a ter em carteira 1 bilião de dólares em diferentes projectos), tendo estreitado relações com o ex-ministro das Obras Públicas durante o período em que viveu no nosso país.
Para já, a Puma decidiu não montar uma estrutura operacional mas alugar à companhia Gol/VRG um Boeing-767, com tripulação e tudo, numa modalidade conhecida como “wetlease”.
Como as regras brasileiras não permitem que uma empresa se aventure no espaço aéreo internacional sem que tenha experiência no mercado doméstico, a Puma foi obrigada a montar primeiro uma operação interna. Como já tinha base no Pará, a Puma escolheu a rota Guarulhos-Macapá-Belém. O voo também será feito com um avião da Gol, um Boeing-737. Por conta do risco envolvido no negócio, os contratos firmados entre a Gol e esta companhia, prevêem pagamento antecipado, segundo o “Folha”.
A Puma nasceu com capital social de 5 milhões de reais, cerca de 2,8 milhões de dólares. Gambogi disse ter investido 25 milhões de reais (cerca de 14 milhões de dólares), sendo 20% de Angola (2,8 milhões de dólares) e o restante “do próprio bolso” (11,2 milhões de dólares), segundo citou o diário brasileiro. O consórcio espera agora as diferentes autorizações para começar a operar nas rotas definidas.

Quem é Higino Carneiro?
Segundo a agência de Noticias África Monitor, tem a fama, justa, de ser muito dinâmico (chamam-lhe Buldozer), tanto no exercício no antigo cargo governativo (ministro das Obras Públicas), como em todos os outros cargos públicos, anteriores.
O volume de obras públicas aumentou vertiginosamente nos últimos anos; mas a sua pressão directa, sob a forma de visitas surpresa, nunca deixou de ser necessária para garantir prazos, níveis de qualidade, etc – o que o obrigou a redobrar o seu dinamismo.
Ao mesmo tempo, aconteceu que a carteira dos seus negócios privados, envolvendo parceiros nacionais, portugueses, brasileiros e outros, nunca deixou de aumentar – exigindo também dele tempo de que não dispõe – a não ser, como diz, que os dias tivessem 40 horas. É a mulher e uma filha, formada em Economia, que lhe servem de “muleta”.
Dos seus negócios privados fazem parte 12 hotéis dispersos pelo país, grandes fazendas (a Cabuta é uma delas), bancos (Keve e Sol), uma companhia de aviação dispondo de uma frota de 14 aeronaves, Air Services, que esteve recentemente em vias de iniciar voos entre S. Paulo e Luanda, etc.
No estrangeiro, é em Portugal que tem mais negócios, incluindo, pelo simbolismo, um antigo restaurante na zona pombalina de Lisboa. É muito popular pelo atributo de dinamismo que lhe é geralmente reconhecido, mas também pela sua simplicidade e inclinação considerada inata para a filantropia. O apego que revela pela sua terra natal, Calulo, também entra a seu crédito.
O renascimento da aprazível vila é em grande parte devido à sua boa vontade; até lhe coube pôr de pé o antigo clube da terra, Recreativo do Libolo, actualmente em fase de ascensão no panorama desportivo do país.
Também ajuda os naturais do Calulo radicados em Portugal a organizar as suas confraternizações anuais, às quais comparece ou manda representante.
O ex-ministro das Obras Públicas é um dos casos mais elucidativos de um governante muito rico (4 casas na zona de Luanda), cujo exercício do cargo se cruza com negócios privados de monta.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cobertura jornalística do caso frescura

A jornalista Suzana Mendes, directora para a informação do Jornal Angolense, publicou esta semana na sua coluna “do meu próprio punho”, um interessante artigo sobre risco de termos uma sociedade que concorda tudo o que vê, ouvi e não tem direito de exigir que se faça justiça ou que se respeitem as leis angolanas.
Nas entrelinhas, para a minha felicidade e do meu amigo Mariano Brás, a autora diz que: “a comunicação social é um importante eixo para se medir o nível de democracia de um país e um instrumento determinante para ajudar a esclarecer a população. Mais do que isso, ajuda mesmo a resolver problemas que, de outro modo, poderiam ser esquecidos. Um dos exemplos é a forma como terminou o caso “massacre da Frescura”, em que oito jovens foram executados na rua em que viviam, um crime que foi largamente mediatizado e alvo de reportagens investigativas de jornalistas angolanos que ajudaram a esclarecer o caso”.
Chamei para aqui o nome do primeiro escriba a ganhar o Prémio Maboque de jornalismo na categoria de Jovens Revelação, por termos abrasado junto o desafio de informar com profissionalismo e isenção tudo o que aconteceria dentro da 5ª Secção do Tribunal Provincial de Luanda.
Não foi nada fácil passar horas e horas dentro daquela sala, as vezes só com o pequeno-almoço no estômago, em pé das 9horas as 17horas e depois ter que se distanciar de tudo e todos para manter-se horas a fio diante do computador a retirar o som e escrever a reportagem. Sem querer menosprezar os esforços desprendidos pelos nossos colegas de outros órgãos de comunicação social que também contribuíram para que o julgamento terminasse da melhor maneira possível.
Voltando ao texto de Suzana Mendes, mais adiante a jornalista esclarece que “embora o tom crítico dos órgãos de comunicação privados como os jornais, as rádios e a única televisão privada do país possa ser encarado por alguns sectores mais conservadores como uma forma de atacar o poder e de um jornalismo do “só para contrariar” e do “tudo vai mal”, a existência desses meios de comunicação é importante, pois permite que haja diversidade de informação e canais para que os cidadãos façam ouvir a sua voz e alertar os governantes do que vai mal e do que pode ser melhorado. Definitivamente: os jornalistas que trabalham nos órgãos de comunicação privados não são da oposição, apenas cumprem com o seu dever de informar com verdade e independência”.
“Ao analisarmos esta questão não podemos ser cegos ao ponto de dizer que a imprensa privada é o melhor lado da imprensa e que não são cometidos erros ou excessos que devem merecer reflexão no seio da classe jornalística, pois, dada a responsabilidade social dos jornalistas e o impacto do trabalho deste sector na formação da opinião pública as falhas devem ser evitadas ao extremo”.
“Feita esta reflexão é importante alertar o país para movimentações que vão ocorrendo de certos círculos do país no sentido de extinguir um dos últimos redutos de imparcialidade do país, ou seja, no sentido de controlar os órgãos de comunicação existentes através da sua extinção a qualquer custo”.
“Caso tal aconteça e se forem intensificados os ataques contra as principais figuras da sociedade civil, corremos o risco de construir uma sociedade do ámen, hipócrita e controlada a base de “morfina”, em que não existe crítica e em que os detentores do poder fazem o que lhes apetece sem obedecer a qualquer regra”.
“Há que se travar esta tendência e garantir que a pluralidade de informação e a liberdade de imprensa sejam um facto e que, parafraseando o reitor de uma das faculdades da Universidade Agostinho Neto, “não se deitem pelo ralo as conquistas do Estado democrático. Uma sociedade sem o contraditório é uma sociedade morta!”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mayamba lança o mundo fantástico da linguagem desportiva

A editora Mayamba procederá na sexta-feira, 16, em Luanda, o lançamento do livro “O Mundo Fantástico da Línguagem Desportiva”, do jornalista Geraldo Quiala por volta das 17horas e 30 minutos no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor).
O livro aborda o vocabulário da linguagem de uma das actividades sociais mais populares do mundo - a desportiva - a partir da comparação do seu léxico e da emoção que a mesma propicia em Angola, no Brasil e em Portugal.
“O Mundo Fantástico da Linguagem Desportiva é, para quem vive e respira desporto, a forma mais sublime de transformar a imagem criativa dos artistas da bola e seus envolventes num universo sem limites, onde todos se encontram e se identificam com maior facilidade”, lê-se na nota de imprensa que o Tribuna da Kianda teve acesso.
A obra em formato: 13,5 x 21,0, lombada: 5 mm, com 118 páginas pertence a colecção Kunyonga com o número ISBN 978-989-8370-01-3, será comercializado ao preço 1.500,00.
Geraldo Ambrósio Quínio Quiala é natural de Luanda e jornalista da Agência Angola Press (ANGOP) há mais de dez anos. Licenciado em Ciências da Educação pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) da Universidade Agostinho Neto (UAN), tem dedicado bastante tempo à investigação da linguagem e do uso da língua portuguesa no Desporto.
O autor tem experiência em coberturas jornalísticas de eventos desportivos nacionas e internacionais, tendo estado em Mundiais de Futebol e Jogos Olímpicos.

Próximos Lançamentos
A Mayamba editora prepara ainda o lançamento das obras “ Escutismo - método educativo não-formal”, de Rui Luís Falcão Pinto de Andrade, “O Último Recuo”, romance de Isaquiel Cori e a colectânea de contos Memórias Cativas, de Marihel Ramos.
Por outro lado, a editora de Arlindo Isabel publicará brevimente o livro “Direito Marítimo - Transporte de Mercadorias por Mar”, de Rigoberto Kambovo.

660 pessoas já morreram nas estradas este ano

O porta-voz da Direcção Nacional de Viação e Transito (DNVT), Angelino Serrote, revelou esta quinta-feira, 8, ao Tribuna da Kianda que durante o primeiro trimestre deste ano morreram cerca de 660 pessoas como resultado de 3004 acidentes que ocorreram em diversas partes do país.
Entre as principais causas constam as colisões entre veículos automóveis e capotamentos, causado por condução em estado de embriaguez e excessos de velocidade.
Embora não tenha especificado as províncias que registaram maiores números de ocorrências, este semanário apurou de uma outra fonte que Luanda, a capital do país, continua a liderar a lista.
Durante a operação “Stop Páscoa”, que se realizou em todo o território nacional por ocasião dos feriados da Páscoa e do Dia da Paz e Reconciliação Nacional, a Polícia de Trânsito de Luanda registou 47 acidentes, dos quais resultaram 12 mortos e 35 feridos que foram encaminhados pelas diversas unidades hospitalares espalhadas pelo país.
A operação resultou ainda na detenção 17 condutores por condução ilegal (desencartados), bem como na aplicação de sanções a 919 automobilistas por várias infracções ao código de estrada.
No decorrer da operação, a polícia apreendeu 192 motorizas por falta de documentos e várias infracções ao Código de Estrada. O porta-voz do Comando Provincial de Luanda, superintendente chefe Jorge Bengue, considerou o balanço positivo, acrescentado que um dos principais objectivos da operação “Stop Páscoa” foi “evitar mortes e diminuir acidentes”.
De acordo com a oficial, os automobilistas reagiram satisfatoriamente às medidas de aconselhamento e prevenção rodoviária que estão a ser efectuadas pelos agentes de trânsito destacados nas mais variadas artérias da capital.
A operação “Stop Páscoa” teve como objectivo fiscalizar e controlar o trânsito automóvel nas principais ruas do país, prestando maior atenção ao excesso de lotação, mau estado técnico de viaturas e outras irregularidades.
A Polícia Nacional deteve durante a operação 22 pessoas supostamente envolvidas em crimes diversos, no âmbito da operação de contenção da criminalidade, nos noves municípios da província de Luanda. Os detidos são acusados da prática de homicídio voluntário, furto de artigos diversos, violações e ofensas corporais.
Para garantir um final de semana tranquilo, o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional efectuou uma patrulha que contou com a participação de cerca de mil efectivos da Polícia da Ordem Pública, Investigação Criminal e outras unidades afectas ao Comando Provincial. Com uma população estimada em mais de cinco milhões de habitantes, fazem parte da província de Luanda os municípios da Ingombota, Samba, Sambizanga, Rangel, Maianga, Kilamba Kiaxi, Cazenga, Cacucao e Viana.

Quatro Afogados
O porta-voz do Serviço Nacional de Bombeiros, Faustino Sebastião, anunciou que durante o final de semana prolongado foram registados quatro mortes por afogamentos, em praias de Luanda, e que informados de 33 ocorrências diversas em todo país. Os afogamentos foram registados em praias da Ilha do Cabo, na Ingombota, e na Samba.
De acordo com Faustino Sebastião, para além das vítimas, que eram todos cidadãos angolanos do sexo masculino com idades entre os 16 e 30 anos, registou-se também a morte de uma criança de nove meses e o ferimento de seis membros da mesma família, no Lobito, província de Benguela, em consequência do desabamento de uma residência.
Os bombeiros registaram ainda 21 incêndios nas províncias de Luanda, Benguela, Malange, Huíla, Huambo e Moxico, causados por curto-circuito e fuga de gás. Estes especialistas foram ainda chamados a entrevir em oito acidentes de viação, sendo sete em Luanda e um Malanje, com ferimentos ligeiros e graves.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caso Nova Vida: Sociólogo aponta causas e Polícia pede calma

O sociólogo Afonso Francisco considera que entre as varias situações que podem estar na origem do assassinato destacam-se os factores económicos e de infidelidade conjugal.
“Há pessoas que por mais dinheiro que têm não prestam assistência financeira aos seus filhos e, por outro lado, a infidelidade pode provocar uma reacção inesperada à mulher que pode leva-la a praticar tamanha barbárie”, explicou o sociólogo, acrescentando que dou “a minha opinião baseando-se em suposições porque não existem muitas informações credíveis à volta do assunto”.
O nosso interlocutor explicou também que uma acção deste género depende muito do tipo de convivência que há entre o casal, mas pensa que existem casais que vivem em perfeita harmonia, mas “que por uma simples coisa um dos dois acaba por cometer um homicídio sem ter premeditado”.
Afonso Francisco disse ainda que o facto de ambos pertencerem à classe média não é suficiente para descartar a possibilidade do crime ter sido originado por causa disso.
“Existem muitas situações que podem estar na base deste incidente e para se fazer a análise sociológica da situação é necessário descrever a convivência que existiam entre o casal e os factores socioeconómicos”, acrescentou.
No entender do sociólogo, se os filhos assistiram à carnificina poderão ter problemas psicológicos no futuro, visto que a mente das crianças é virgem e regista tudo aquilo que ela vê, que lhe transmitem e que lhes ocultam. Eles poderão ter um trauma que só poderá ser curado com a ajuda de um especialista.
O porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, superintendente chefe Jorge Bengue, disse a este jornal que o jovem terá sido assassinado por volta das 3 horas e 30 minutos e os efectivos da Esquadra do Nova Vida só tomaram conhecimento da ocorrência através de um telefonema efectuado pela senhora Beatriz da Conceição, mãe da acusada, às oito horas e 30 minutos.
Quando os efectivos da polícia chegaram no local, encontraram o corpo da vítima deitado no chão trajado de camisola e calção de noite.
“Pedimos às duas famílias para não se gladiarem entre si porque as investigações estão em curso para se apurar o que realmente aconteceu. O mesmo pedido é extensivo aos órgãos de comunicação social para não interferirem no processo”, rematou o porta-voz do Comando de Luanda.

Caso Nova Vida: Perfil do malogrado

Nos vários elogios fúnebres proferidos no cemitério do Alto das Cruzes pelos familiares, amigos e colegas de trabalhos, antes do sacerdote que presidiu ao acto ter ordenado que depositassem os restos mortais de Lopo Loureiro na cova, o jovem foi descrito como sendo uma pessoa humilde, respeitoso, paciente e dedicado nos seus afazeres diários.
A grandiosidade do amor que nutria pelo próximo foi manifestada publicamente por três cidadãos que se dedicavam a lavagem da sua viatura, exibindo cartazes manifestando a sua tristeza e repúdio a esta barbárie.
O jovem, que trabalhava na direcção de Corporate do Banco de Poupança e Crédito (BPC) desde 2007, estava prestes a abandonar este posto para integrar o departamento de negociações da petrolífera angolana Sonangol.
Lopo Loureiro nasceu em 1975 e iniciou os estudos primários na escola São João, no bairro Popular, de onde passados três anos foi transferido para uma das escolas localizadas na Vila Alice, onde veio a concluir o ciclo primário. O facto de naquela instituição não leccionar as classes subsequentes fizeram com que os seus pais o matriculassem em 1987 na escola do primeiro e segundo nível Zinga Mbandi.
Após à conclusão desta fase, isto em 1990, passou a frequentar o curso médio de Ciências Sociais, no Centro Pré Universitário da Ingombota. Três anos depois deslocou-se a Lisboa, onde através de um acordo existente entre Angola e Portugal, teve que frequentar a 12ª classe para depois inscrever-se no curso de gestão e administração pública, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Em 2002 partiu para a cidade de Abeerden, na Escócia, a fim de estudar a língua inglesa e em Setembro do ano seguinte foi admitido para frequentar o segundo ano do mesmo curso superior que frequentava nas terras de Camões, na universidade com o mesmo nome desta cidade. Apesar de a ajuda que recebia do seu irmão Caló, que residia naquele país há mais tempo, decidiu trabalhar em part-time na cadeia de supermercado Haja.
Após concluir o curso superior de gestão de empresa, em 2007, regressou a Angola e começou a estagiar na Endiama, mas em Outubro do mesmo ano pós fim a essa etapa para exercer a função de gestor de contas do BPC. Função que exerceu até à data da sua morte.

Assassinato do Nova Vida envolto em mistério

A jovem Nerika Loureiro, que está a ser acusada de assassinar o seu esposo Lopo Loureiro com 11 golpes de tesoura por volta das duas horas da manhã do dia 1 de Abril, já foi apresentada esta semana ao representante da Procuradoria-geral da República junto da Direcção Provincial de Investigação Criminal de Luanda (DPIC), segundo fontes deste jornal.
A acusada chegou a Angola por volta das 18 horas e 40 minutos do dia 31 de Março, num dos aviões da TAAG que fazia a escala Lisboa-Luanda, em companhia da sua mãe Beatriz da Conceição e dos seus dois filhos, Naio e Ângelo Loureiro, de dois anos e de dez meses, respectivamente.
A esposa do se deslocara a Portugal para gozar 15 dias de férias, conforme atestam os familiares do malogrado esposo. O primo mais velho da vítima, Hermenegildo Bravo da Rosa, não descarta a possibilidade da sua cunhada ter se deslocado àquele país para fazer consultas médicas, como se cogita em muitos círculos, mas assegura que esta não era a condição primária da viagem.
Segundo Bravo da Rosa, ela é funcionária da SONAIR e havia se deslocado a Portugal para desfrutar os 15 dias de férias em companhia dos filhos e da mãe. Em momento algum se avançou a possibilidade de que ela tenha ido exclusivamente para fazer check up médico, na versão do primo do finado.
Este jornal apurou que, às 21 horas e 45 minutos do dia 1 de Abril, Lopo Loureiro enviou uma mensagem para um dos seus colegas do Banco de Poupança e Credito (BPC) avisando-o que a sua família havia chegado bem das terras de Camões e que levou a sua sogra à casa. Depois de deixarem a senhora Beatriz da Conceição na sua residência, o casal rumou para o seu apartamento no bairro Nova Vida, onde algumas horas mais tarde veio a acontecer o infortúnio.
“Nós acreditamos que aquilo aconteceu as 2h30 da manhã, porque ela saiu dali até à casa dos seus pais na Maianga e para fazer este percurso levaria no mínimo 30 minutos”, declarou Bravo da Rosa.
Ao chegar à casa dos progenitores, Nerika Loureiro deixou as crianças no carro e subiu ao apartamento para os avisar sobre o que havia sucedido.
De seguida, a jovem deslocou-se à Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) para pedir asilo, mas foi rejeitada.
“Chegou lá a dizer que estava a ser perseguida e ameaçada de morte e ao verem o seu estado de choque os oficiais da Polícia Nacional que ali se encontravam tentaram acalmá-la. Se às 3 horas e 45 minutos já estava na embaixada dos EUA quer dizer que esteve alguns minutos antes em casa da mãe, o que leva a crer que o crime não aconteceu a esta hora conforme alega”, acrescentou o primo da vítima.
O facto de não ter sido bem sucedida no território americano terá concorrido para a acusada se deslocar posteriormente à Embaixada Portuguesa, por volta das 4h30, em companhia de um dos agentes que protegia aquele local. Ao ver que teria de esperar que os serviços diplomáticos abrissem, ligou para uma das suas colegas da SONAIR para contar o que havia cometido.
“Permaneceu muito tempo dentro do carro com o roupão de noite cor verde cheio de sangue e apareceu o cunhado, marido de uma das irmãs dela, que levou-a novamente à embaixada dos Estados Unidos. Só que foi detida pelos agentes que estavam num carro da patrulha que passava pelo Eixo Viário e levaram-lhe para a 2ª Esquadra da Policia Nacional”, detalhou o jovem.
Hermenegildo Rosa conta que enquanto a jovem fazia estas movimentações a sua mãe se deslocou ao apartamento do casal para constatar ‘in loco’ o que se passou, tendo se retirado de seguida e ligado para empregada a fim de ela ir abrir a porta de casa para as autoridades policias fazerem o seu trabalho.
O primo acredita que a mãe da suposta homicida tomou conhecimento dos acontecimentos às 3h00 da manhã, ligou para a Policia às 8 e só compareceu em casa dos pais de Lopo por volta das três horas da tarde, numa altura em que toda a família do assassinado já havia sido avisada.
Antes mesmo de se aperceberem sobre o que acontecera no apartamento do Nova Vida, os familiares já haviam recebido telefonemas de amigos do casal a partir de Londres e que se manifestavam aflitos em querer saber o que havia se passado.
Os familiares de Lopo Loureiro dizem estar surpreendidos e que não encontraram ainda nenhuma explicação plausível porque eles não aparentavam ter problema.
“Pela dimensão do crime tudo leva a crer que ela não terá feito aquilo sozinha, aliás até os próprios investigadores também presumem isso e dizem que ela só conseguiria fazê-lo se tivesse dopado antes a vítima”, acredita o nosso interlocutor.
Hermenegildo da Rosa contou que o casal vivia junto há cinco anos e que sempre tiveram uma relação bastante harmoniosa, visto que nunca transpareceu terem problemas graves. “Ele sempre foi um indivíduo que por natureza sempre foi muito meticuloso, prudente, organizado e que sempre primou pelo seu lar, que no seu entender, era a mulher e os filhos”, frisou.
Os filhos do casal encontram-se em casa de um dos parentes da advogada Nerika Loureiro.

Silêncio absoluto
Os familiares de Nerika Loureiro recusam-se a prestar quaisquer informações à imprensa, alegando que ela não ajudou em nada no esclarecimento da verdade e que divulgou de princípio uma informação deturpada.
“Fiquem apenas com a informação que vos foi passada pelos familiares do malogrado, porque nós não queremos nada, nada, nada... com os meios de comunicação social”, demarcou-se a senhora Adélia de Carvalho, prima da acusada.
“Se os parentes do jovem forem honestos e credíveis darão toda informação necessária, porque até o dia em que o Lopo Loureiro morreu ela era nora e isso fazia com que fosse considerada lá em casa como uma filha. É assim que a consideravam, senão não temos nada a ver com isso”, explicou.
Questionada sobre as razões que levaram a sua prima a Portugal em companhia dos seus dois filhos e da mãe, Adélia de Carvalho disse desconhecer. Ela acredita que tudo está a ser especulado e ainda que soubesse não daria nenhuma informação por causa da deturpação que houve na divulgação da ocorrência.
Quanto à forma como os parentes do jovem estão a caracterizar a acusada, Adélia de Carvalho considera que é natural que eles tenham essa opinião.

OMUNGA prepara nova marcha

A ONG OMUNGA realizará no próximo sábado, 10 de Abrir, uma marcha contra a violação dos direitos humanos, em Angola, com ou sem autorização, conforme fazem saber em comunicado os seus promotores.
A primeira foi impedida pelo executivo do general Armando da Cruz Neto que ameaçou usar violência contra o povo caso se manifestassem. A atitude “arrogante” das autoridades foi criticada em fóruns internacionais e por jornais em Angola que identificaram no regime de Benguela intenções de repetir em Angola um banho de sangue idêntico ao de 27 de Maio de 1977.
Há, contudo, suspeitas de que tal atitude do governador Armando da Cruz Neto e do Comissário da Policia de Benguela, Antonio Sita, em usar repressão contra os manifestantes seja uma medida conspiradora no sentido de criar embaraços a imagem do Presidente José Eduardo dos Santos junto a comunidade internacional.


Eis o comunicado da OMUNGA:

MARCHA CONTRA DEMOLIÇÕES E DESALOJAMENTOS FORÇADOS É JÁ A 10 DE ABRIL
A OMUNGA vem através da presente divulgar a realização da marcha NÃO PARTAM A MINHA CASA para 10 de Abril de 2010, em Benguela.
A concentração tem início às 13.00 horas, no parque frente às escolas, junto ao rio Curinge, partindo às 15.00 horas da designada “rotunda do liceu” (na avenida Agostinho Neto). Percorrerá a Avenida Agostinho Neto até ao cruzamento com a Avenida Comandante Kassanje. Irá pela Avenida Comandante Kassanje até ao cruzamento com a Avenida 10 de Fevereiro. Em seguida percorrerá a Avenida 10 de Fevereiro até ao Largo de África (junto ao Cine Monumental) onde terá o seu término.
Quaisquer informações adicionais, podem-nos ser solicitadas.

José António Martins Patrocínio

Coordenador

Sebastião Vemba na final do prémio CNN

Com apenas 25 anos de idade e quatro anos de jornalismo, Sebastião Vemba é um dos finalistas ao prémio CNN Multichoice de Jornalismo Africano 2010

O que parecia impossível para o jovem Sebastião Vemba tornou-se possível “como num conto de fadas”. Em 2009, o jornalista do Novo Jornal publicou uma série de reportagens “Adeus Ilha”, um total de três peças sobre os desalojados do Bairro Benfica na Ilha de Luanda para o Zango.
Vemba viveu de perto com estas pessoas, passou a noite em tendas e narrou o “drama desta família”, peça que apresentou para candidatar-se a edição 2010 do prémio CNN-Multichoice de Jornalismo Africano.
No dia 29 de Março foi contactado pela organização do prémio informando-o que era um dos finalistas ao concurso. Ainda em clima de nervosismo e emoção, Sebastião Vemba disse que já começa a sentir o peso da responsabilidade que tem sobre as suas costas, pois não se trata apenas
de uma nomeação à final de um prémio internacional mas “maior responsabilidade no trabalho”.
A entrega do prémio será feita no dia 26 de Maio na Cidade de Kampala – Uganda, mas antes do anúncio do prémio os concorrentes vão participar de alguns seminários sobre a situação do jornalismo africano.
Este ano, o jornalista angolano José Luís Mendonça integrará o corpo de jurado. Importa lembrar que em 2005 o mesmo foi agraciado com o galardão “Notícias Gerais da Lusofonia”, no concurso
CNN-Multichoice Jornalista Africano.
O jornalista da Televisão Pública de Angola, Ernesto Bartolomeu, foi o grande vencedor em 2009, tendo concorrido com uma peça sobre a batalha do Kuito Kwanavale.
O autor do Tribuna da Kianda rendesse ao trabalho desenvolvido por este jovem que conheceu, no meio das coberturas jornalísticas, e vem acompanhando o ser amadurecimento profissional. Boa sorte para ti meu caro Sebastião Vemba, o jornalista rapper.
Fonte: Jornal Angolense.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Caso Frescura: advogado apelam ao Supremo

Os juízes do Tribunal Supremo (TS) receberam esta semana o processo dos sete agentes da Polícia Nacional que foram condenados a 24 anos de prisão maior pelo assassinato de oito jovens que se encontravam a conviver no dia 23 de Julho de 2008, no Largo da Frescura, no Sambizanga.
Os advogados da Associação Mãos Livres reuniram-se esta segundafeira, 29, com os parentes dos jovens assassinados e acordaram que deviam remeter o recurso por considerarem irrisório o valor de um milhão e 500 mil kwanzas (cerca de 15 mil dólares) que os juízes do Tribunal Provincial de Luanda (TPL) estabeleceram para o Ministério do Interior pagar como indemnização.
“O processo em si é de recurso obrigatório e não precisa que nenhuma das partes interponha recurso porque o Ministério Público (MP) por obediência hierárquica tem que apresentar as alegações ao Tribunal Supremo e as duas partes podem contra-alegar. É neste particular onde a gente vai debater sobre o montante estabelecido como indemnização”, explicou.
A Lei estabelece que os advogaPaulo Sérgio dos de defesa e de acusação podem apresentar, em simultâneo, as suas posições e manifestar qualquer inconformidade ou lapso que tenha ocorrido ao longo do julgamento no mesmo momento em que a Procuradoria da República remete as suas apreciações.
“Neste caso em particular, temos ouvido os nossos colegas da defesa a dizerem que vão recorrer e devem fazêlo, isso é bom, desde que tenham os argumentos necessários para convencer o TS porque em contrário poderá ser em vão”, frisou.
O advogado dos réus, Ildefonso Manico, deu a conhecer a O PAÍS na antepenúltima audiência que, para além das alegações finais apresentadas ao colectivo de juízes da 5ª Secção de Crimes Comuns do TPL, estavam a preparar os argumentos necessários para convencerem os magistrados judiciais do Tribunal Supremo de que os seus clientes são inocentes.
Atendendo ao facto de a representante do MP, Isabel das Neves Robelo, estar entre as pessoas que solicitaram a aplicação da pena máxima aos arguidos, André Dambi acredita que as alegações que esta instância judicial remeteu ao Tribunal Supremo servirão não só para solicitar que se mantenha a pena como para informar ao seu superior o bom andamento do processo para ele confirmar no colégio judicial.
“Acreditamos que o Ministério Público nas suas alegações vai defender a confirmação da pena, de certeza. E se eles fossem civis, poderia dar-se o caso do Supremo agravar ainda mais a pena para 30 ou 40 anos de prisão maior. Mas, infelizmente, eles são militares ou paramilitares e há uma cláusula que proíbe que no caso das pessoas que exerçam esta actividade a pena seja agravada por esta instância judicial”, declarou sem especificar o diploma legal em que está plasmado.
André Dambi explicou ainda que enquanto estiver a decorrer o recurso o Ministério do Interior (Minint) não poderá pagar a indemnização, porque ficará tudo suspenso. O que quer dizer que não será dentro de poucos dias que a adolescente Joana Alberto José, de 18 anos, e o seu filho deixarão de navegar na maré de azar que assolou as suas vidas desde a morte do seu companheiro Jhonsom Van-Dúnem.
Questionado sobre quanto tempo está estipulado na Lei para que o Tribunal Supremo responda a este processo, o também representante da Associação Mãos Livres esclareceu que pode variar de um a três anos, caso não seja dada uma certa celeridade.
“O Tribunal Supremo é uma instituição que não cumpre com os prazos, para começar, e partindo deste princípio normalmente os processos que lá vão parar demoram mais do que o esperado. À rigor, este processo teria de ter uma decisão no mínimo dentro de 60 ou 90 dias, mas as coisas normalmente só acontecem um, dois ou três anos depois”, frisou.
Acrescentou de seguida que “como este é um processo mediático talvez dêem alguma rapidez”. O advogado explicou que o Tribunal Supremo ao analisar um determinado processo cinge-se mais às questões de fundo de direito e não aos factos, porque estes já foram provados pelos juízes da 5ª Secção de Crimes Comuns.
O advogado de defesa dos réus, Ildefonso Manico, disse a este jornal que também já interpuseram o recurso ao Tribunal Supremo e que neste momento aguardam simplesmente pela resposta do colectivo de juízes para mais tarde apresentarem as suas alegações.
Ildefonso Manico mostrou-se bastante esperançoso que o colégio judicial do TS responderá o mais breve possível à sua petição, apesar da demora que normalmente se regista em processos semelhantes. “Em termos genéricos, isso leva cinco dias, mas pode acontecer o contrario porque há alguns factores que podem impedir que se realize dentro deste prazo.
Podemos adiantar-vos já que requeremos a interposição de forma tempestiva, ou seja, remetemos o recurso nos cinco dias após a leitura do acórdão e estamos simplesmente a espera da sua admissão pelo meritíssimo juiz”, esclareceu.
“Como estaremos diante do Supremo que é constituído por um colégio que aprecia o caso de forma minuciosa e restrita, apesar de haver um relatório, fora daquela pressão directa que à imprensa e a sociedade fizeram ao longo do julgamento. Por isso acreditamos que estarão mais firmes nas questões que vamos colocar”, explicou.
Questionado sobre o tempo que pode demorar todo este trabalho, Ildefonso Manico converge com o seu colega da Associação Mãos Livres ao considerar que a repercussão que o caso teve poderá levar os juízes a analisarem o processo com mais rapidez.
Por não conseguir especificar o tempo que terão de aguardar por uma resposta, o advogado disse que há casos que demoram três, seis meses ou até mesmo um ano. Ildefonso Manico manifestou ainda que o seu elenco continua a manter boas relações com os familiares dos seus clientes e que eles estão consciente que desempenharam o mandato que lhes foi concedido com todas as forças e argumentos legais possíveis.
“O juiz não conseguiu ceder à pressão social que incidia sobre si, por isso consideramos que fizemos o nosso trabalho e o resto cabia ao Tribunal decidir”, esclareceu.

Condenados permanecem em Viana.
O porta-voz da Direcção Nacional dos Serviço Prisionais (DNSP), Bernardo Gourgel, descartou a possibilidade de os sete réus serem transferidos para uma das unidades prisionais da província do Bengo, nomeadamente, Cabocha ou Cakila, dizendo que existem poucas possibilidades de os presos entrarem em rixas. “Não temos condições de separa-los e por isso eles terão de conviver com os demais presos, tendo em conta que na cadeia de Viana existem algumas celas que são separadas apenas por um corredor”, explicou.
Bernardo Gourgel disse ainda que apesar das transferências que foram feitas nos últimos dias para as cadeias acima mencionadas, só conseguiriam separar os prisioneiros em função das idades e da especificidade do crime caso houvesse uma grande redução no número de presos. “Ao nível dos serviços prisionais existem algumas regras a que os réus são obrigados, por isso é que sempre que recebemos um novo detendo lhe é entregue uma cartilha contendo toda a informação sobre os seus direitos e deveres”, explicou.
Bernardo Gorgel declarou ainda que existem poucas possibilidades dos prisioneiros se confrontarem, visto que caso eles violem uma das normais, o que no seu entender raramente acontece, serão severamente punidos.
O advogado André Dambi manifestou-se despreocupado com a possibilidade de os condenados serem transferidos para uma das duas unidades prisionais do Bengo, mencionando a lei que confere o direito de solicitar a presença deles quando acharem necessário.
“A qualquer altura que a gente suspeitar que os réus não estejam efectivamente a cumprir a pena dentro de um estabelecimento prisional, pois embora estas instituições sejam da alçada do Ministério do Interior, podemos pedir esclarecimentos sobre o cumprimento da sanção por parte deles”, especificou.
Por outro lado, André Dambi declarou que “Aquela história de manter os indivíduos detidos na Unidade Operativa de Luanda com direito a jogarem as cartas no pátio e a irem dormir nas horas normais como se nada tivesse acontecido, é um privilégio que não pode voltar a acontecer porque todos são iguais perante a Lei e isso faz com que eles mereçam o mesmo tratamento que os outros detidos”.


De caçadores a possíveis vítimas
Ao chegarem à Comarca de Viana (ver matéria a seguir), os sete condenados permaneceram no interior da viatura por cerca de 15 minutos com medo de descerem devido às ameaças que estavam a ser proferidas pelos outros presos. Os detidos gritavam que os 24 anos que a justiça aplicou eram pouco e que deveriam ser 100.
A presença dos antigos “caçadores” de delinquentes naquele edifício despertou o interesse destes que se juntaram no corredor por onde aqueles circulavam a caminho das celas e proferiram as seguintes frases: “vão morrer, vão apanhar, polícias bandidos”.
Quanto ao facto de os réus continuarem ou não a manter vínculo laboral com o Ministério do Interior (Minint), Ildefonso Manico esclareceu que ainda não tiveram acesso ao processo disciplinar que correu os seus trâmites legais no Departamento de Inspecção desta instituição.
“Mas pela gravidade de algumas declarações, principalmente do então chefe da direcção Provincial de Investigação Criminal no Sambizanga e do ex-comandante da 9ª Esquadra da Polícia, Miguel Londa e Miguel Francisco “Meganha” respectivamente, tudo indica que foram mesmo demitidos da corporação”, explicou.
Apesar de os réus terem afirmado na audiência em que teve como declarantes o repórter da TPA Geovete Monteiro e o investigador criminal Mateus Agostinho que não lhes tinha sido prestada qualquer informação sobre o seu vínculo à coorporação, o advogado dos condenados disse que nos corredores da Polícia circulam informações que eles já foram afastados do Minint.
À semelhança do que acontece sempre que é solicitado a prestar informações a este jornal, o porta-voz do Comando Geral da Polícia Nacional, Carmo Neto, disse não saber de nada, encaminhando-nos para o Tribunal Provincial de Luanda.

Condenados do ‘Caso Frescura’ ameaçados na Cadeia de Viana

Ponto Prévio: O jornal O País publicou esta semana um artigo sobre a situação carcerária dos sete ex-agentes da Polícia Nacional condenados pelo assassinato de oito jovens, no Largo da Frescura, em Luanda que fale a pena retoma-lo neste espaço. Seguido de outro artigo do autor deste blog sobre o mesmo assunto.

Os sete ex-agentes da Polícia Nacional, condenados no célebre “Caso Frescura”, foram recebidos nas instalações da Comarca de Viana com vaias, apupos e ameaças de agressão física e de morte por alguns membros da população prisional residentes naquele estabelecimento, soube O PAÍS.
Os sete deverão cumprir os 24 anos de prisão naquele estabelecimento a que foram condenados, depois de lhes ter sido ditada a sentença no passado dia 22 de Março pelo Tribunal Provincial de Luanda.
Junto de familiares de um dos exagentes condenados, o jornal apurou que mal estes desembarcaram da viatura celular, os seus novos colegas os receberam com ofensas verbais e gestos agressivos e o pior só não aconteceu devido a pronta intervenção de guardas prisionais destacados no local.
Por esta razão, Faustino Alberto, Simão Pedro, João Florença “Tchutchu”, Manuel Barros André, Miguel Francisco “Mitcha”, Helquias Bartolomeu e João Raposo de Almeida “Pai Grande”, os novos inquilinos da Comarca de Viana, foram colocados em camaratas, longe dos seus potenciais algozes.
Durante os dias em que se encontram encarcerados na Comarca de Viana, o sentimento dos ex-agentes protagonistas do célebre “Caso Frescura” é de medo, a julgar pelas constantes ameaças de agressão física e de morte que lhes são infligidas diariamente pelos seus colegas encarcerados, afirmou a nossa fonte.
O comportamento de alguns detidos para com os ex-agentes da Polícia Nacional terá a ver, segundo a mesma fonte, com o facto de os novos condenados, enquanto membros da corporação do Comando Municipal do Sambizanga, onde estavam colocados, terem intervindo na sua captura.
“Hoje, assiste-se a uma espécie de vontade de desforra, estando alguns daqueles jovens, até então considerados altamente perigosos, imbuídos da ideia de acertos de contas, porque reconhecem que alguns daqueles ex-agentes da Polícia Nacional participaram na sua detenção”, disse o familiar.
A julgar pelo clima tenso que se vive na Comarca de Viana, os familiares dos sete ex-agentes da Polícia Nacional condenados no “Caso Frescura”, temem pela segurança dos seus entes, um sentimento que, segundo a fonte deste semanário, também é manifestado por eles.
Como medida de precaução, os ex-agentes da Polícia Nacional foram orientados pela direcção do estabelecimento prisional, bem como pelos seus colegas da corporação a não comerem a comida confeccionada na cozinha da Comarca de Viana, dependendo apenas dos mantimentos entregues directamente pelos seus familiares. Os sete ex-agentes da Polícia Nacional foram condenados no passado dia 22 de Março, depois de julgados pelo Tribunal Provincial de Luanda por crimes de homicídio qualificado, que resultaram na morte de oito jovens, na zona da Frescura, no município do Sambizanga, em Junho de 2008.

DNVT realiza operação ‘Stop Páscoa’

A Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT) iniciou ontem uma operação de prevenção rodoviária denominada Stop Páscoa, com o objectivo de reduzir o número de acidentes. Esta informação foi avançada em Luanda pelo chefe do Departamento de Segurança e Prevenção Rodoviária, superintendente Edgar Arnaldo.
A operação está em curso em todo o país por ocasião dos feriados da Páscoa e do Dia da Paz e Reconciliação Nacional, a assinalar-se na próxima segunda-feira.
“As direcções provinciais da Polícia de Trânsito estão todas orientadas a agirem de forma rigorosa durante este período, de maneiras que a circulação de pessoas e bens seja mais segura. E que destaquem os seus efectivos naqueles pontos que consideramos como sendo cinzentos e negros, se exerça um maior rigor e fiscalização de modo a baixarmos drasticamente o volume de acidentes neste período da Páscoa”, explicou.
Três pessoas morreram e oito outras ficaram feridas, em consequência de 14 acidentes de viação ocorridos de 15 a 21 do mês passado. No domínio da regulação do trânsito rodoviário, foram apreendidas 74 viaturas por infracções diversas ao código de estrada e aplicadas 158 multas. Os acidentes provocaram danos materiais avaliados em um milhão, 980 mil kwanzas.
De acordo com dados estatísticos da DNVT, a província de Luanda continua a liderar a lista de cidades com maior número de acidentes de viação, seguida por Benguela. Entre as principais causas constam as colisões entre veículos automóveis e capotamentos. Por esta razão, o porta-voz do comando provincial da Polícia de Luanda, superintendente-chefe Jorge Bengue, anunciou que a corporação concentrará todos os seus efectivos nas principais estradas de acesso e saída da capital.
Jorge Bengue informou que as autoridades reforçarão o patrulhamento nos locais onde, em ocasiões semelhantes, se regista habitualmente uma elevada concentração de pessoas, nomeadamente, estrada do Benfica, embarcadouro do Mussulo (Samba), Kilamba-Kiaxi, Maianga, Cacuaco, Viana e na Ilha de Luanda (Ingombota).
O oficial da Polícia esclarece que as áreas abrangidas pela operação são consideradas de risco, por isso o objectivo é diminuir os acidentes de viação causados principalmente por excesso de velocidade, condução em estado de embriaguez e a não observância do Código de Estrada.
A operação pretende dar um grande enfoque à prevenção e educação rodoviária, para além de recorrer ao aconselhamento de regras como o uso do cinto de segurança, a não utilização do telemóvel durante a condução e o consumo reduzido de álcool.
Para os dias subsequentes, as acções estarão viradas para a fiscalização e controlo do trânsito automóvel, particularmente das viaturas em mau estado mecânico, excesso de velocidade e infracção das leis do Código da Estrada.
Mais de 250 agentes de trânsito e divisões de polícia estarão mobilizados por dia, com o apoio de viaturas, motorizadas e helicópteros. Igualmente estarão em funcionamento meios como radares e bafómetros. Dados referentes ao mesmo período do ano transacto, registam 20 mortos e 45 feridos, em acidentes de viação.

Novo Código de Estrada há um ano
O superintendente Edgar Arnaldo revelou esta quinta-feira, 1, que a falta de comprimento por parte dos cidadãos das regras de trânsito tem sido uma das principais causas dos acidentes de estradas. O chefe do Departamento de Segurança e Prevenção Rodoviária fez estes pronunciamentos em entrevista a TV Zimbo por ocasião do primeiro aniversário da entrada em vigor do novo Código de Estrada.
Edgar Arnaldo é de opinião que se as normas de prevenção rodoviária fossem acatadas, assim como as regras de condução e as normas de travessia, “teríamos um número reduzido de acidentes de viação”.
Quanto ao modo como os policiais passaram a actuar desde a entrada em vigor do Código de Estrada, Edgar Arnaldo explicou que tem estado a melhorar na medida do possível e lamentou o facto de não terem o respaldo da população. “Nosso enfoque principal da nossa atenção é o policiamento e fiscalização do controlo rodoviário, mas infelizmente não temos o beneplácito dos utentes da via para definitivamente nós começarmos a concluir que há eficácia na aplicação do Código de Estrada”.
Edgar Arnaldo apelou a sociedade a compreender a atitude de alguns agentes de trânsito, tendo em conta que há imperfeições, referindo que estão a criar condições para melhorarem a performance do seu efectivo com vista o cumprimento das normas previstas para a implementação do documento acima referido.
“Tudo isso para que a fiscalização seja mais rigorosa e que exija que o cidadão cumpra efectivamente com as normas previstas no novo Código de Estrada”, explicou, acrescentando de seguida que “não diria que haja falha dos agentes de trânsito, embora consideramos que a Polícia tem sido bastante rigorosa. Considero que há um desequilíbrio entre as formas de actuação e a forma de procedimento do cidadão. Queremos que isso cesse para que a efectivação desse documento seja um facto”.
Fazendo uma comparação entre o antigo Código de Estrada e o novo, o oficial superior da Polícia disse que o número de veículos em circulação em Luanda é muito superior ao que existia há cinco anos e isso faz com que haja muito para se fazer.

Polícia acusada de assassinar três jovens na Samba

Alguns oficiais da Direcção Municipal de Investigação Criminal do Comando Municipal da Samba são acusados de assassinar, nas primeiras horas do dia 19 de Janeiro passado, três jovens com idades compreendidas entre 19 e 20 anos, que residiam na zona do Morro da Luz.
Os jovens, que respondiam pelos nomes de Banjangola Fernando da Silva Zua, de 20 anos, e o seu primo Amilton Francisco da Silva Zua, de 19 anos, e outro identificado apenas por João, foram mortos no Golfe 2.
Os dois primeiros foram retirados das suas residências à força, por volta das 03h10, por um grupo de seis indivíduos armados com pistolas do tipo AKM.
Segundo Diniz da Silva Zua, pai do Amilton Zua, os invasores, que se apresentaram como sendo polícias, cercaram a casa e exigiram que o irmão mais velho Avelino da Silva Zua fosse abrir a porta para eles entrarem.
“Eles permaneceram cerca de 15 minutos a bater à porta e quando o meu irmão abriu, notou que eles estavam mascarados e que alguns deles trajavam roupas e calçados semelhantes aos utilizados pelos funcionários da Polícia Nacional”, contou.
Depois de retirarem Amilton Zua à força do seu leito, os invasores pediram ao João que os levassem ao quarto onde Banjangola Zua estaria a dormir em companhia da sua esposa que se encontra em estado de gestação.
“O João vivia ao lado da nossa casa com os seus pais, mas mudaram-se para as proximidades do campo do Inter Club há alguns meses. Como não conseguíamos obter nenhuma informação dos polícias perguntamos porquê os levou a nossa casa, só que não conseguimos obter nenhuma resposta porque refugiou-se no silêncio”, explicou Diniz Zua.
O silêncio dos invasores, a falta de um mandado de captura e o modus operandi dos efectivos levou as pessoas que estavam no interior da residência a concluírem que estavam diante do famoso “Esquadrão da Morte” que os mais altos responsáveis da corporação negam a sua existência. Este facto levou os familiares dos dois jovens a tentar evitar o pior, dirigindo-se algumas horas depois da retirada deles, para o Posto da Polícia Kapipa, por ser o mais próximo de casa, para informar as autoridades e procurar saber para onde os levaram.
Como não tiveram sucesso deslocaram-se à 8ª Esquadra. Neste local, foram encaminhados para a Unidade Policial do Kassiquel, onde foram aconselhados pelo Oficial de Dia a regressarem a casa porque não tinham nenhuma equipa no terreno.
Diante de tal situação, Diniz Zua não teve outra solução senão procurar a residência dos pais do João para ver se conseguia alguma informação. Para seu espanto, posto no local tomaram conhecimento por um dos parentes do guia que o mesmo estava desaparecido há três dias.
“Quando chegamos lá, isto é por volta das 13 horas, disseram-nos num dos tio dele que infelizmente ninguém podia nos ajudar porque o João estava morto numa das gavetas da morgue do Hospital Josina Machel.
“Fomos à casa mortuária, encontramos os corpos dos nossos filhos crivados de balas, ninguém sabia quem foram os executores e a única coisa que nos disseram é que tinham sido levados para lá pelo camarário da Polícia Nacional.” Foi assim que deduzimos que o mesmo teria acontecido com o meu filho e o meu sobrinho”, contou o nosso interlocutor que tentava a todo custo esconder a mágoa.
Ao passo que a sua esposa, Joana Fernandes não conseguiu conter a dor e pôs-se aos prantos ao ver a imagem do seu filho e ao ouvir o seu esposo a relatar a forma como ele foi retirado de casa.
“Depois disso, partimos para a casa mortuária onde encontrámos os corpos dos nossos filhos crivados de balas, ninguém sabia quem foram os executores e a única coisa que nos disseram é que tinham sido levados para lá pelo camarário da Polícia Nacional”, frisou.
De acordo com Diniz Zua, os três jovens foram encontrados mortos na zona do Neves Bendinha, junto ao quintalão da Brigada Especial de Trânsito (BET).

Sonhos desfeitos
Diniz Zua conta que o seu sobrinho trabalhava numa empresa de construção civil, como ajudante de pedreira e que vivia sonhando com a publicação de um disco musical do género kuduro, mas a morte acabou por meter fim a este sonho: “Ele tinha até um disco master gravado num estúdio amador e vivia a procura de patrocínio”, explicou.
No bairro, à semelhança do que acontece com as músicas dos kuduristas Negrelha e Bruno M, as canções de Banjangola Zua estão entre as que se ouviam pela vizinhança.
O que, para os familiares, era um sinal de sucesso absoluto e que de certeza levaria os luandenses à Praça da Independência assim que surgisse alguém disposto a financiar a produção da obra discográfica.
“Tínhamos um exemplar deste disco que ele gravou para distribuir aos possíveis compradores e que pensávamos guardar para mostrarmos ao seu filho que esta para nascer, mas acabamos por perdê-lo como resultado de um assalto que houve no dia em eles completaram um mês da morte”, contou.
Apesar de no momento em que a nossa equipa de reportagem se deslocou a casa dos jovens ter encontrado a esposa de Banjangola Zua, mas não foi possível ouvir o seu depoimento, como testemunha ocular, por ela estar em estado de gestação e requerer o máximo de descanso possível.
A história de vida de Amilton Zua é semelhante à de muitos luandenses que são obrigados a percorrerem longas distâncias para terem acesso a uma sala de aula.
O jovem que passou a residir a menos de seis meses com os seus pais na zona Samba, segundo Diniz Zua, estudava num Instituto Médio que esta localizado bairro da Petrangol.
“Como ele saía daqui todos os dias em direcção à escola, onde frequentava a 10ª classe, achei por bem fazer algumas economias para ver se conseguia matriculá-lo numa das escolas mais próximas”, contou.
Instado a responder como é que uma pessoa que vivia naquele local há menos de seis meses se relacionava com o João, que vivia nas imediações do campo Inter Club, Diniz Zua esclareceu que os três conheceram-se no Morro da Luz, mas que já não lhes via juntos há muito tempo.
“Por esta razão ficamos todos surpreendidos quando vimos o João a guiar os homens que queriam raptar os nossos filhos e levá-los a lugar incerto”, rematou.
O nosso interlocutor desabafou que não conseguia acreditar que todos os esforços que fez para pôr fim ao sofrimento do seu filho, fazendo os corredores para matricula-lo na escola 28 de Novembro, foi em vão.
Pelo facto do jovem ter sucumbido antes de ver realizado um dos seus maiores desejos, visto que a pauta com o seu nome só foi publicada alguns dias depois de ter sido assassinado com dois tiros: um na cabeça e outro no peito em direcção ao coração, segundo as imagens que tivemos acesso.

Inquérito na DNIC
Depois de tomarem conhecimento da morte dos seus filhos, os familiares dos dois jovens dirigiram-se à esquadra por onde passaram anteriormente para informarem as autoridades policiais de que os encontraram mortos.
Alguns dias após o funeral, os senhores Avelino da Silva Zua e Diniz Zua endereçaram uma carta ao Comando Geral da Polícia, ao Procurador-Geral da República, à Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) e ao Procurador da República junto da DNIC informando o que se passou.
“A família destes jovens tem o direito de ser informada sobre as causas deste trágico acontecimento. Nesta conformidade e com base na Carta Universal dos Direitos Universais, solicitamos a vossa excelência que se digne em mandar investigar este caso com clareza e dignidade”, lê-se no documento a que O PAIS teve acesso.
Diniz Zua disse que a carta que enviada ao gabinete do Comandante Geral foi encaminhada para o comando provincial de Luanda, que por sua vez remeteu ao procurador junto da DNIC que ordenou ao subinspector Ramires que cuidasse do caso.
“Acontece que já se passaram dois meses e a única informação que recebemos daquele subinspector é que ele convocou os familiares do João para prestarem declarações. O que para nós é muito pouco atendendo a gravidade do assunto”, detalhou Na quarta-feira , o nosso interlocutor foi convocado a comparecer na próxima semana no gabinete do Comandante Geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, para abordarem o assunto.
Apesar de as autoridades policiais negarem a existência de “grupo de extermínio” ou “esquadrão da morte” na corporação, o aparecimento de cadáveres perfurados por balas é frequentemente associado a esta instituição do Estado.
Recorde-se que na altura em que foi chamado a prestar declarações ao Gabinete de Inspecção do Ministério do Interior, o então comandante municipal do Sambizanga, Francisco Ribas, declarou que nunca criou nenhum grupo de extermínio com o objectivo de eliminar os marginais que importunavam a ordem e a tranquilidade dos munícipes.
Esta informação consta do relatório do juiz-presidente da 5ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, Salomão Filipe, leu na altura em que Francisco Ribas foi chamado pela segunda vez para prestar informações sobre o “Caso Frescura”. A nossa equipa de reportagem tentou contactar os familiares do malogrado João e o subinspector da DNIC Ramires, mas não teve sucesso.