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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gala Angola 35 Graus: Jornalistas protestam inclusão de Pedro N´zagi na categoria de figuras da comunicação social

A maior parte dos profissionais de comunicação social angolana e estudiosos do ramo, consideram uma “aberração” a inclusão do humorista Pedro N´zagi entre as figuras desta área que estão a concorrem para o prémio figuras do ano de 2008, que será realizada 14 de Maio pelas 19horas, no Cine Tropical.
Os jornalistas e comunicólogos defendem que a direcção das empresas organizadoras, Westside e Semba comunicação (em parceria com a revista Caras), deviam vir a público explicar os critérios que levaram a inclusão do humorista nesta categoria.
Para além de Pedro N´zagi, a categoria de “figura da comunicação social do ano” está a ser disputada pelos jornalistas Mariano Brás (Semanário A Capital), Mara Dalva (Rádio Nacional e Programa Dia-a-Dia da TPA2), Josina de Carvalho (Jornal de Angola) e Mário Vaz (Programa Bom Dia Angola TPA1).
O jornalista e porta-voz da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), Felisberto Filipe, defende que por enquanto o Pedro N´zage não deveria fazer parte deste grupo e que esta categoria precisa de ser devidamente definida.
“É necessário não confundir as coisas. Os princípios que regulam os animadores, humoristas, palhaços, ou quer que seja, são totalmente diferentes dos princípios jornalísticos que absorvemos dos livros básicos do IMEL”.
António Miguel, jornalista do semanário Novo Jornal, foi mais longe ao considerar uma aberração e falta de respeitos aos profissionais de jornalismo alistar o Pedro N´zage nesta classe. “Não sei o que passa na cabeça das pessoas ultimamente, nem sequer sei se é o próprio Pedro N´zage que se auto intitula como jornalista. De qualquer forma os organizadores destas galas ou eventos devem pelo menos saber quem é quem para não se dar prémios de médicos a enfermeiros ou vice-versa”.
Quem também comunga desta ideia é o correspondente da Rádio Ecclésia em Benguela, José Manuel, que considera a nomeação do humorista como sendo uma ofensa ao bom senso dos profissionais desta classe.
“Penso que o formato jornalístico "hora Quente" para além de ser uma imitação medíocre ou zero, não deveria ser digno de uma provável pré-candidatura a nada ao menos que esta categoria queira distinguir figuras mais cómicas do ano”.
Dos quatro escribas contactados pela nossa reportagem, o Jornalista Conceição Culeca, do semanário O Independente, foi o único que reagiu positivamente a indicação do humorista para a figura que mais se destacou em 2008, no ramo da comunicação social angolana.
“É graças ao Pedro Nzangi que a TPA2 conseguiu ter grande audiência, visto que a mesma aumenta sempre que o programa vai ao ar. O seu humor conquistou um espaço que a muito se encontrava em declino”, justificou-se.
Por outro lado, Conceição Culeca considerou que apesar de ainda mostrar algumas falhas básica ele merece o prémio por tudo quanto tem feito para ter um programa de humor. “O facto de ele ter sido considerado o melhor apresentador de programa de entretenimento o ano passado, deve se ter também em atenção. Merece ser escrito umas alinhas de puxão de orelha e de elogios. Com o nascimento dele na TV, hoje é possível conhecermos muitos humoristas que andavam escondidos. Ele é o que mais se destacou no meio de todos”.
De acordo com fontes do Tribuna da Kianda, a deputada e empresária, Tchizé dos Santos e o seu irmão “boss da Semba”, José Eduardo dos Santos, estudaram comunicação social nas melhores universidades dos Estados Unidos da América. Pelo que está difícil compreenderem a inclusão do humorista nesta categoria.
Tendo em atenção que os manuais de jornalismo existentes em todo o mundo, definem o jornalista como sendo “aqueles que exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação informativa pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por outra forma de difusão electrónica”.
Os manuais que os profissionais de comunicação social são obrigados a estudar quando decidem enveredar por esta profissão defendem ainda que “não constitui actividade jornalística o serviço de publicações de natureza predominantemente promocional, ou cujo objecto específico consista em divulgar, publicitar ou por qualquer forma dar a conhecer instituições, empresas, produtos ou serviços, segundo critérios de oportunidade comercial ou industrial”.
O comunicólogo Manuel Fernandes (nome fictício), professor da disciplina de Teoria da Comunicação da Universidade Privada de Angola, defende que o ministério da Comunicação Social, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos e o Conselho Nacional de Comunicação Social não deviam ficar de braços cruzados admitindo a banalização do jornalismo. “É preciso que os órgãos de tutelas definam quem é quem, e enquanto isso não acontecer vamos continuar a assistir a banalização desta magnifica profissão. Penso que tudo isso depende, por outro lado, da entrada em funcionamento do código deontológico e da nova lei de imprensa”, explicou.
Hora Quente
É o programa líder de audiências da Televisão Pública de Angola. Um programa diário e directo dividido em três blocos onde são entrevistados individualidades de diversas áreas desde, a cultura, artes, política, sociedade ou artistas ligados à música. Uma hora que todos os dias aquece o serão, entre as 21 e as 22 horas. Por aqui já passaram vários nomes como Mantorras, Eusébio, músicos internacionais e grandes estrelas da música angolana como Paulo Flores, Eduardo Paim ou Yola Semedo entre outros, presidentes de clubes de futebol a políticos e ministros. Uma janela aberta que mostra Angola e o mundo que visita o país.

Tchizé e Zedú distinguem hoje figura do ano 2008

Ponto Prévio: A “brincadeira de eleição” das figuras que mais se destacaram em 2008 será mesmo efectivada com os concorrentes que já aqui nos referimos. Passou a ser normal termos que conviver anualmente com a eleição das Divas do Ano, agora que não vamos aqui compactuar é com a inclusão de humoristas (não tenho nada contra o Pedro N´zagi, até porque sempre que posso vejo programa Hora Quente) na categoria de profissionais da comunicação social.
Na última edição da revista Caras, que é capa, datada de 9 de Maio, número 230, o autor da entrevista diz que Pedro N´zagi formou-se em jornalismo e engonharia informática em Portugal. O Tribuna da Kianda aprofundará este assunto nas próximas ocasiões, visto que quem tiver a ousadia de confrontar os dados académicos avançado pelo humorista, na revista Vida, poderá ver que algo não bate certo. Pena que os comunicologos da nossa praça que no dia da Liberdade de imprensa aparecerem nos meios de comunicação social não se pronunciaram sobre o assunto. Medo ou esquecimento?
Por agora, retomamos apenas o texto sobre os concorrentes da gala denominada Prémios Angola 35 Graus.



As empresas dos dois filhos do Presidente, José Eduardo dos Santos, que estão encarregues de administrar e produzir programas para o canal 2 da TPA, Westside e Semba comunicação, em parceria com a revista Caras, realizarão as 19horas de hoje, no Cine Tropical, uma gala de premiação dos jovens angolanos que mais se destacaram em 2008 denominada Prémios Angola 35 Graus.


Para que a actividade seja realizada com o mínimo de “transparência possível” e ganhe credibilidade no seio do público, a organização do evento está a desencadear uma vasta campanha de publicidade nos meios de comunicação social público, apelando os mesmos a participarem da eleição.
Nesta sexta-feira, 24, as empresas de José Eduardo Paulino dos Santos (Semba Comunicação) e Tchizé dos Santos Pegô (Westside e Cara Angola), publicitaram no Jornal de Angola, que serão premiados os jovens com menos de 35 anos que mais se destacaram nas mais variadas áreas da sociedade o ano passado, designadamente, economia, política, sociedade, desporto, cultura, artes, vida académica, filantropia, ciência e tecnologia. “Será igualmente atribuído um prémio de carreira”, lê-se no anúncio sem entrar mais em detalhes.
A organização apela ainda o público a votar nas pessoas que lhe convir, bastando para tal, recortar o anúncio e entrega-lo na portaria da Rádio Nacional de Angola (RNA), depois de assinalar devidamente para quem recaem os votos. “O seu voto é importante para nós”, anunciam.A Grande Gala ou Espectáculo de Gala, como esta a ser chamado, é considerada pelos membros da sociedade civil e peritos das categorias existentes de positivo, mas defendem que a organização devia analisar melhor os critérios de selecção dos candidatos.
O humorista Pedro N´zagi está a concorrer para a categoria de figura da comunicação social com os jornalistas Mariano Brás (Semanário A Capital), Mara Dalva (Rádio Nacional e Programa Dia-a-Dia da TPA2), Josina de Carvalho (Jornal de Angola) e Mário Vaz (Programa Bom Dia Angola TPA1), o que para muitos constitui uma autentica falta de respeitos aos profissionais da classe.
Para a categoria de figura do ramo da economia e negócios disputam personalidades conhecidas apenas pelos membros do Jet7 angolano e pela conhecida classe média. Com excepção de Armando Manuel (director Nacional do Tesouro), que tem como “adversário” Andreia Machado (directora do Grupo Cosal), David Carvalho (director de Investimento do BAI), João Kipipa (secretario geral do ministério da Economia) e António Monteiro (director jurídico do Banco Espírito Santo).
As categorias menos disputadas são de personalidade política/social e de destaque académico com apenas três concorrentes cada. Na primeira, concorrem pelo galardão os deputados João Pinto, Sérgio Rescova e Emília Carlota. Ao passo que na segunda, perfilam os académicos Adão de Almeida (jurista e porta-voz da CNE), Cremildo Paca (jurista) e volta a se registar a presença de Armando Manuel como professor universitário.
O “show mam” Yuri da Cunha e os recordistas Matias Damásio e Yanick vão disputar com a cantora emergente Ary o título de jovem artista que mais se destacou em 2008. Esta é considerada a categoria mais disputada pelo facto de os quatro concorrentes já terem sido galardoado em diferentes categorias do Top dos Mais Queridos, organizado pela Rádio Nacional de Angola.
Contrariamente a categoria de política e sociedade em que só figuram deputados, na de artes a organização do evento procurou seleccionar pessoas de diferentes áreas deforma a corresponder positivamente os anseios do eleitorado. O realizador do “badalado” filme “Assaltos em Luanda I e II”, Toni Narciso (Dito), vai travar essas disputa com o reconhecidíssimo homem das letras Ondjaki.
Para além de prosador e poeta, Ondjaki é conhecido no mundo das artes como escritor de cinema e co-realizador de um documentário sobre a cidade de Luanda (“Oxalá cresçam Pitangas – histórias de Luanda”, 2006). Venceu o ano passado o prémio “Portugal TELECOM” (Brasil, 2008), com a obra literária “Os da minha rua”.
A bailarina Cilana Majenje e o artista plástico Hildebrando Melo também ingressam a lista.
Este detém na sua galeria o Prémio Ensarte/2004, na categoria "Juventude", uma promoção da Empresa Nacional de Seguros de Angola (Ensa) e arrebatou igualmente o primeiro lugar do concurso "Sona Desenhos na Areia" da empresa norueguesa do ramo dos petróleos, Nosk Hydro. Da bailarina Cilana Majenje, sabe-se apenas que foi a vencedora do concurso de dança Bounce, realizado o ano passado pelo Canal 2 da TPA. De realçar que o quarto herdeiro do Presidente, Eduardo dos Santos, procurou sempre deixar claro que a ideia original daquele programa era sua.
Manucho Gonçalves, o jogador angolano do Manchester United emprestado ao Panathinaikos da Grécia, está a disputar a categoria do desportista do ano com os seus colegas do Pedro Mantorras, Benfica de Lisboa, a andebolista Nair de Almeida e o basquetebolista Kikas Gomes. A popularidade deste último jogador aumentou depois de ter sido galardoado com o prémio de Jogador Mais Valioso (MVP), referente ao Campeonato Nacional de basquetebol sénior masculino de 2008 conquistado pela formação "militar".
O humorista Pedro N´zagi está a concorrer também na categoria de entretenimento, o lugar certo para o homem, com os seus colegas Vanda Pedro (Programas Conversas no Quintal da TPA2), Cesalty Maiato Paulo (Os Tunezas) e Nelo Jazz (Papa N´gulo).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Isabel dos Santos assume posto na gestão do BPI


O Banco BPI entrou recentemente numa nova fase do equilíbrio de forças entre accionistas, com a entrada de um representante de Isabel dos Santos, filha do presidente da República de Angola, para o conselho de administração da instituição.
A empresária angolana não estará presente na assembleia-geral (AG), mas a eleição de Mário Silva, presidente da Santoro, "holding" da filha do presidente de Angola, será uma das principais decisões da reunião, assim como o aligeiramento da limitação ao direito de voto.
Além da nomeação de Mário Silva, presidente da sociedade Santoro, como o homem-forte de Isabel dos Santos em Portugal, os accionistas elegeram um novo representante dos catalães do La Caixa para o conselho. Um aumento de poder que reflecte o reforço do investimento que a instituição de Barcelona tem vindo a fazer no BPI, onde tem hoje uma participação de 30,5%.
A proposta contendo o nome de Mário Silva como representante da empresária angolana Isabel dos Santos, de acordo com as propostas a submeter à assembleia-geral de 22 de Abril.
Esta indicação surge depois de a Santoro ter adquirido 9,96% do BPI ao BCP.
A eleição de Mário Silva está dependente da aprovação da proposta de aumento do número de membros do conselho de administração do banco, dos actuais 23 para 25 elementos. O segundo lugar será preenchido por Ignacio Alvarez, em representação do La Caixa.
Mas que terá como contra-ponto a eleição de um representante do grupo angolano, cuja influência no banco português resulta não apenas de ter uma posição accionista de 9,7%, mas também do facto de ser parceiro da operação que o BPI tem em Angola, mercado essencial para o banco liderado por Fernando Ulrich.
No total, a equipa de administração passa a ter 25 membros, contra os anteriores 23 elementos. Além do representante de Isabel dos Santos e dos quatro gestores ligados ao La Caixa, têm assento no conselho do BPI três gestores do grupo brasileiro Itaú (que tem 19,3% do banco), dois do grupo segurador alemão Allianz (8,9%), um da Arsopi (3%), um da HVF (2,9%) e outro da Auto-Sueco (1,6%).

Fonte: Jornal de Negócios

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mais jornalistas “mercenários” para Angola




O despedimento de 119 funcionários dos jornais português (de Noticias, Diário de Notícias, 24 Horas e O Jogo) poderá ser considerado uma mais-valia para os directores dos órgãos públicos e “privados” angolanos, visto que os “tugas” vêem Angola como sendo o Eldorado. Não tenho nada contra eles, mas prefiro os brasileiros por inúmeras razões que não adianta enumerar aqui.

Ao ler no blog de Orlando Castro, Alto Hama, a notícia que dava conta dos despedimentos que se registaram no Jornal de Notícias (JN) e elo número de venda de exemplares registado no primeiro trimestre deste ano fiquei surpreendido. Surpreendido porque o JN foi o diário português mais lido no princípio do ano, captando uma audiência média de 12,2% - equivalente a um milhão e 14 mil leitores -, segundo os dados divulgados pelo Bareme Impresa da Marktest. São muitos leitores.
Voltando a entrada dos “tugas” em Angola acho que não devemos duvidar por dois motivos: primeiro registamos nos últimos anos a abertura de dois grandes grupos virados para o ramo da comunicação social, nomeadamente, New Midia (proprietária do semanário Novo Jornal) e da Midia Nova (proprietária do semanário O País, Rádio Mais, TV Zimbo, revistas Vida e Chocolate). A semelhança das duas empresas não partem apenas do nome do primeiro está em inglês enquanto o segundo na língua de Camões. A outra coisa que ambos têm em comum é que para além dos profissionais angolanos congregam no seu seio expatriados, na sua maioria portugueses.
Até antes da visita do Presidente Eduardos dos Santos a Portugal o consulado angolano em Lisboa já tinha concedido mais de seis mil vistos, este ano. No ano passado foram concedidos mais de 26 mil vistos, enquanto que em 2006 foram 21 mil vistos. Os mais solicitados são os ordinários.
O JN alcançou a liderança das audiências ao ultrapassar o concorrente mais directo, “Correio da Manhã”, que registou uma percentagem de 12%, situando-se abaixo do milhão de leitores.
Nos restantes diários de informação geral, o balanço para as publicações do grupo Controlinveste, a que o JN pertence, é positivo. O “Diário de Notícias” posicionou-se à frente do “Público”, com 4,7% e 4,6% respectivamente. O “24 horas” subiu 0,6 pontos percentuais para 3,2%. O desportivo “O Jogo” tem agora uma audiência de 5,6%, o que representa uma subida face ao trimestre anterior no qual registou 5,2%."
Felicito o proprietário do Alto Hama pelo facto desta página ter atingido 233 mil visitas. O que só prova que a pagina é bastante lida e que o numero de internautas interessados em saber o que se passa realmente em Angola cresce diariamente.
Fico feliz ao ver que o autor mantém intacto a teoria de que o “Alto Hama, ao contrário do que é prática corrente, continua a pôr a liberdade de expressão, bem como o poder das ideias acima das ideias de poder. Continua a defender (também ao contrário de outros) que não se é Jornalista seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia.
Por outro lado, acredito piamente que caso seja efectivamente posto em prática a proposta do jornalista Reginaldo Silva de criação do Alto Conselho dos Anciãos da Comunicação Social (ACACS), e o mesmo contar com escribas da estirpe do veterano Aguiar dos Santos. Embora este já apresenta algum cansaço físico, as coisas podem mudar.
Nós os jovens que andamos nessas elides a pouco tempo, vindo dos musseques onde falta quase tudo e que aprendemos jornalismo no Instituto Médio de Economia de Luanda, só temos a agradecer a intervenção dos escribas que comungam da ideia do Reginaldo Silva. A sua preocupação com a invasão das nossas redacções ficou clara no seu texto desta semana publicado no Angolense.
“O que é facto é que estão vindo e aos magotes a pressionar (aconselhar com alguma urgência) o Sindicato do ramo a tomar uma posição enérgica face a esta invasão silenciosa das nossas redacções. De outra forma, vamos mesmo terminar como contínuos, como um deles, aliás, já vaticinou publicamente nas colunas do próprio matutino onde tem luz verde para ameaçar e ofender todos quantos não estejam em sintonia com o pensamento reinante”.
Apesar de os proprietários de alguns semanários ainda não terem decretado a falência, é visível pelas ruas de Luanda que alguns estão a perder a clientela. Mas, isso é o meu ponto de vista, ainda que eles venham a morrer, os seus frutos continuaram vivos e a deambular por este país. Faço a eles a devida vénia!

Venda de terreno: governo apanha do ar


Os fiscais das administrações municipais são apontados pelos munícipes de estarem envolvidos em esquemas de venda ilegal de terreno e de licença de construção
O director do Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda, Hélder José, revelou, ao Tribuna da Kianda, que o governo tem conhecimento da extorsão de dinheiros praticada pelos membros da comissão de moradores de alguns bairros e aconselhou simplesmente a população a denuncia-los.
Falando a este espaço por ocasião da 1º Conferência sobre Habitação, que decorreu nesta segunda feira, 13, no Palácio do Congresso, apelou aos cidadãos para sempre que estiverem diante de uma situação dessas devem denuncia-los as autoridades policiais. “A única pessoa que tem autoridade de notifica-los sãos os fiscais das administrações municipais”, explicou. Acrescentando de seguida que “ temos conhecimento até que existem algumas comissão de moradores que determinam um valor do terreno não inferior a 10.000 dólares”.
Hélder José defende a continuidade do programa de construção de casas atendendo ao facto de que se os mesmos paralisarem as gerações futuras poderão enfrentar os mesmos problemas que as actuais. “Eu falo sempre que não precisamos só de um milhão, vamos ter que fazer mais um milhão. O programa de construção dever ser contínuo”.
O que certamente o nosso interlocutor esqueceu é que a maior parte dos cidadãos angolanos que têm casa própria adquiriu o terreno nas mãos dos lavradores, que hoje o governo anuncia como não sem do pessoas autorizadas a praticarem tal acto.
Os fiscais de obras das administrações municipais de Viana, Cacuaco e Samba são apontados pelos munícipes de estarem envolvidos em esquemas de venda ilegal de terreno e de licença de construção, as pessoas que estão a erguer as suas residências naquelas parcelas de Luanda.
No município de Vianda, O País acompanhou de perto um acto de extorsão praticado por um dos infractores, cujo passe de identificação revela que está destacado na subcomissão de moradores do quilómetro 9/A.
À semelhança dos demais municípios, em Viana, os fiscais que se apresentam como "homens de campo", utilizam um passe que lhes identifica como funcionários da administração e notificam os proprietários das obras a comparecerem na comissão de moradores. Ao chegar nas instalações, o morador é informado que deve desembolsar cerca de 300 dólares para obter a licença de construção.
Depois de entregar os valores, o padecente recebe uma outra notificação falsa que serve para identificar-se diante de outros fiscais que podem aparecer no local. O documento a que tivemos acesso facilmente é reconhecido como sendo uma fotocópia colorida, de uma notificação carimbada e assinada com uma caligrafia ilegível pelo coordenador do sector C da subcomissão de moradores.
Os preços praticados pelos “homens de campo” variam em função do tamanho do terreno e do tipo da obra. Para a construção de residências pequenas os proprietários desembolsam um valor que oscila os 300 dólares, ao passo que para as casas de maias de um piso ronda os dois mil dólares.
No momento em que as vítimas vão entregar o valor, solicitam uma fotocópia do bilhete de identidade e garantem fazer a entrega de uma licença de construção com apenas a duração de três meses, em poucos dias, mas isso não acontece na maioria dos casos.
Na comuna do Benfica, os procedimentos de actuação deferem dos demais. Os infractores não amedrontam os donos das obras com notificais nem garantem a emissão de falsas licença de construção, mas envidam todos os esforços necessários para conseguirem legaliza-lo junto administração municipal da Samba. Por este serviço, o proprietário da obra desembolsar mais de 2000 dólares independentemente do tipo e tamanho da obra.
Apesar de o administrador da Samba, Pedro Françony, ter aplicado novas dinâmicas de trabalho para acabar com os esquemas que facilitam as construções anárquicas que consiste no cancelamento da emissão do título de propriedade, licença de construção e direito de superfície, é visível ainda a existência de várias residências que estão a ser edificadas sem documentação.
Nos três municípios constatámos que as obras dificilmente são embargadas, porque depois de desembolsar os valores os proprietários são orientados para que sempre que apareça um outro fiscal no local devem dizer o nome da pessoa que pagaram a multa para não voltarem a ser importunados.

Prenda pode ser desocupado brevemente

As construtoras estão a procurar encontrar mecanismos financeiros para executarem os projectos. A questão que se coloca agora é quem serão os próximos moradores do Prenda.

O plano de requalificação e ordenamento do bairro Prenda já foi autorizado administrativamente e poderá ter início ainda este ano com a construção das residências onde serão abrigados os actuais ocupantes. Esta informação foi avançada esta quinta-feira, 9, a O País pelo director do Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGU), Hélder José.
Neste momento, está a ser finalizado o pacote publicitário por parte da empresa de construção civil Pidi Urbana e Tanix, que vai executar os trabalhos, bem como os mecanismos de relacionamento com os actuais ocupantes desse perímetro. Segundo Hélder José, a maquete do local para onde serão transferidos os moradores já foi aprovada, os técnicos já têm em sua posse os equipamentos de construção e, neste momento, os parceiros do Governo estão a envidar todos os esforços necessários para conseguirem o capital financeiro para arrancarem com as obras.
A primeira fase do projecto do bairro Prenda abarca a Avenida Revolução de Outubro, a Comandante Arguelles, a Rua da Samba e toda a zona da vala de drenagem que passa pelo antigo dispensário de tuberculose.
“Serão realojamentos de qualidade numa área já seleccionada, com edifícios dentro dos padrões estabelecidos que vão servir de moeda de troca com os actuais ocupantes ou titulares de direito de apartamento”, explicou Hélder José, recusando-se a avançar outros detalhes sobre o assunto, alegando que o público terá mais informações quando o mesmo for lançado ainda este ano.
O interlocutor deixou claro que o Governo pretende implementar naquela zona o primeiro produto de requalificação urbana no âmbito dessa parceria público-privada, ou seja, o Estado como facilitador na cedência do espaço e a empresa privada que vai buscar os fundos para fazer com que a zona deixe de ser um ponto negativo da cidade.
O segundo projecto a ser implementado será o de renovação urbana dos Lotes do Prenda, que consistirá na manutenção da estrutura dos edifícios actualmente existentes, o melhoramento das fachadas e da qualidade da arquitectura, não deixando de parte toda a parte do térreo dos edifícios que se encontram degradados.
Atendendo às dificuldades que encontraram para localizar os antecedentes das edificações, visto que a mesma era em número de três no programa de ordenamento do plano director do período colonial, os técnicos do GPL estão a fazer um novo levantamento dos imóveis.
“Estamos a tentar recuperar toda a informação possível para trabalharmos com as empresas que vão elaborar os projectos directores da zona, bem como criar uma base de dados com toda a informação para melhor preservar os documentos em papéis existentes”, frisou.
Hélder José declarou que a única pessoa autorizada a fazer a concessão de terreno para vários fins é o Estado, mas para tal os interessados devem formalizar a sua solicitação através da administração municipal. Depois de aprovada, o administrador remeterá ao instituto para verificar se a mesma está de acordo com as grandes manchas de ordenamento previstas pelo macro-plano de ordenamento do território provincial.
“Uma vez autorizada a concepção, passamos para outros mecanismos quase que faseados, que começa com uma construção precária no início, mas que poderá ser alterada em função de um título que determina as regras estabelecida entre a pessoa que recepciona o espaço e a administração”, explicou.
Atendendo ao programa do Governo Central, o GPL cancelou a expansão de terrenos no Benfica e está a ponderar a emissão de qualquer documento que garanta a propriedade de uma parcela de terra naquele local.
“Vamos dar terrenos sim, mas terrenos com infra-estruturas, ou seja, com espaços reservados para aplicação de passagens de condutas, de ruas e de colocação de equipamentos sociais ”, precisou.
Na esperança de melhorar a qualidade de vida dos habitantes de alguns bairros que foram organizados na perspectiva de auto-construções dirigidas, o GPL está a procurar encontrar mecanismos financeiros para torná-lo como uma estrutura ou modelo recomendável em todo o mundo.
“No meu ponto de vista não temos auto-construções dirigidas, o que acontecia até aqui era que, como o Estado tinha dificuldade em dar terrenos infra-estruturais na sua plenitude, fê-lo com infra-estruturas mínimas. Abriu algumas ruas, determinou as áreas para ocupação com residências e as pessoas começaram a construir. Mas o problema é que cada um começou a construir a sua maneira desrespeitando o ordenamento previamente estabelecido”, disse.
No princípio deste ano, o Governo lançou um concurso público para que a elaboração de projectos executivos de infra-estruturação de algumas zonas da cidade, nomeadamente, Benfica, Palanca, Golfo II, entre outros, tendo em consideração a matriz territorial da habitação.
Comparando os bairros erguidos nas áreas formais e informais, Hélder José esclareceu que existem poucos formais, como são os casos do Panguila, Zangu e o Projecto Morar.
“Registou-se a urbanização de algumas zonas como o trajecto do Morro Bento ao Talatona, mas há outras zonas que também surgiram dentro de um contexto, como o caso dos loteamentos do Benfica, do Kapalanca (Viana) e o bairro Vila Académica (Cacuaco) ”, rematou.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Como o "nosso" aviao foi aperecer em Hollywood?

O Boing 727 pilotado por Bem Padilha desapareceu do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro sem passageiros e sem deixar rasto






Após termos tomado conhecimento que o Boing 727, pilotado supostamente por um piloto de nacionalidade americana de nome Bem Padilha, que desapareceu do aeroporto internacional 4 de Fevereiro, em 2002, foi usado na gravação de um filme em Hollywood, contactamos as instituições encarregues de controlar o espaço aéreo nacional.
O director de comunicação e imagem da Empresa Nacional de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), Agostinho Filipe, recusou-se de princípio, na segunda-feira, a prestar qualquer informação sobre o assunto, alegando que o mesmo é da alçada do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC).
Por sua vez, a assessora de imprensa do INAVIC, Ciria Cassoma, reencaminhou-nos novamente à direcção da ENANA, dizendo que “infelizmente não poderemos ajudar-vos, porque entendemos que este assunto diz simplesmente respeito a ENANA, pelo facto de ser a única responsável pela gestão dos aeroportos e aeródromos do país”.
Solicitado novamente na quarta-feira, Agostinho Filipe, que já foi director do aeroporto durante quatro anos, explicou que só o INAVIC é quem autoriza a entrada e saída de qualquer avião do território nacional e a instituição que representa limita-se simplesmente a controlar o trajecto que está ser efectuado.
“Estou a acompanhar o caso e pude constatar que este avião são daqueles que já sobrevoaram o céu angolano, mas como os proprietários terão visto que não há mais clientes decidiram partir para outras zonas”, explicou. Aconselhando-nos de seguida a solicitar uma entrevista com o director do INAVIC, pelo facto de ser a única pessoa que pode fornecer mais dados sobre o assunto.
“O INAVIC tem o controlo de todos os aviões que têm licença para sobrevoar o nosso território e certamente tem nos seus arquivos toda informação do voo efectuado Boing em questão”, rematou.
No dia 23 Setembro de 2004, a então embaixadora dos Estados Unidos de América em Angola, Cynthia Grisson Efird, disse em entrevista a Rádio Ecclésia, que Washington continuam a investigar o desaparecimento do Boing.
O Boing 727 pilotado por Bem Padilha terá conseguido desaparecer do aeroporto sem passageiros e sem deixar rasto as autoridades angolanas. A aeronave, com a matricula norte-americana, estava paralisada há mais de um ano por alegada irregularidade na documentação.
Passados seis anos, pouco ou nada se sabe dos resultados das investigações, pelo facto de as autoridades angolanas não tornarem público o resultado da investigação. Por está razão, Cynthia Efird, afirmou, na altura, não pretender entrar em detalhes sobre o assunto, pois o seu país, o possível que fez para evitar casos do género, foi o fornecimento de um equipamento de segurança para a revista de passageiros.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Restam 12 do ‘Processo dos 50’



Os presos de Missombo, Kibaixi, São Nicolau I, II e III, sofreram as maiores incisões, revelam os nacionalistas



O presidente da Associação dos Sobreviventes do Tarrafal, Beto Van-Dunem, revelou a O PAÍS que apenas 12 dos quarenta e sete nacionalistas julgados no “Processo dos 50” estão vivos. Deste número, nove residem em Angola e três em Portugal.
Por motivos de saúde, a cerimónia de homenagem aos sobreviventes deste processo, realizada nesta segunda-feira, 30, organizada pelo Arquivo Histórico Nacional, contou com a presença de apenas quatro deles, nomeadamente Amadeu Amorim, Beto Van-Dunem, Roberto Fialho e João Lopes Ferreira. Os dois últimos, mesmo assim não puderam participar activamente por se encontrarem debilitados.
Apesar de a Associação não possuir instalações próprias, os membros reúnem-se semanalmente e o seu presidente, Beto Van-Dunem, mostrou-se bastante esperançado em que o Estado venha a disponibilizar, nos próximos tempos, um espaço para instalarem a sua sede.
“Estamos a envidar todos os esforços necessários para termos instalações próprias e meios de transporte, para podermos empregar algumas pessoas para trabalharem connosco”, frisou.
Actualmente, para além dos 12 sobreviventes do “Processo dos 50”, a Associação congrega ainda os seus familiares.
A cerimónia, que contou com a participação de pesquisadores e antigos presos políticos de várias gerações, serviu para cada um deles, à sua maneira, dar o seu testemunho daquilo que foi a vivência na cadeia do Tarrafal.
O nacionalista Roberto de Almeida revelou que os integrantes do “Processo dos 50” não foram os primeiros detidos, porque antes da Polícia de Intervenção e Defesa do Estado (PIDE) se instalar em Angola, em 1957, já havia presos políticos. Mas o facto de ter sido detido um número elevado de pessoas ao mesmo tempo, provocou uma grande repercussão quer a nível nacional como internacional, o que serviu para chamar a atenção sobre a situação política que se vivia no país. “Normalmente só se fala na Casa de Reclusão, mas antes de alguns presos políticos serem levados para o Tarrafal ficaram detidos na 7ª esquadra, actual Unidade Operativa de Luanda”, contou.
Relativamente aos métodos de coerção utilizados pela PIDE, Roberto de Almeida relatou existirem dois muito utilizados e que destroçaram a resistência da maior parte dos nacionalistas, designadamente, a estátua e a tortura do sono. “A polícia portuguesa punha as pessoas de pé, dias e noites seguidas, sem poderem mudar de posição, dormir ou comer e isso rebentava com a resistência deles.
Acabavam por desmaiar e depois revelavam o nome dos seus companheiros”.
Embora não tenha feito parte do grupo de nacionalistas julgados no “Processo dos 50”, Lopo do Nascimento explicou que o sistema de compartimentação, organização e informação era muito fechado e cada um tem a sua verdade, por isso fica surpreendido quando vê pessoas a relatarem os acontecimentos como se fossem uma verdade completa.
Naquela época, segundo os intervenientes, os angolanos não estavam ligados a questões ideológicas, todos cooperavam com todos, mesmo sem pertencerem a uma estrutura orgânica, por isso a polícia colonial procurou identificá-los através de listas de grupos, designando-os como; processos dos pretos protestantes, dos mestiços católicos e dos brancos comunistas.
“No julgamento dos pretos, isto é, do primeiro grupo, as sentenças foram maiores. Embora quisessem sancionálos, esta acção denunciou um dos pontos fracos de Portugal, que foi o reconhecer perante a comunidade internacional que existiam angolanos que não estavam de acordo com a sua política”.
Por seu turno, Alberto Correia, integrante do último grupo de angolanos presos na cadeia do Tarrafal, revelou que nas cadeias angolanas onde estavam detidos milhares de políticos, registaram-se incisões mais profundas e dolorosas, em alguns casos maiores que na cadeia cabo-verdiana, designadamente, nas de Missombo, Kibaixi, São Nicolau I, II e III, entre outras. “Nessas cadeias se fez sentir profundamente a saga assassina do colonialismo português” avançou.
Os participantes no encontro mostraram-se bastante preocupados com a falta de publicação de obras de pesquisadores angolanos, que revelem o que realmente aconteceu aos milhares de nacionalistas que lutaram pela independência nacional.
E notaram que alguns livros publicados pelos colonizadores trazem informações deturpadas.
Respondendo a esta preocupação, a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, revelou que enquanto directora do Arquivo Histórico Nacional, dirigiu várias entrevistas que foram feitas aos 47 nacionalistas do “Processo dos 50” que constam na lista de Mário Pinto de Andrade publicada em Bruxelas.
“Conseguimos alcançar tanto os nacionalistas que estavam em Angola como no exterior. Entre eles podemos destacar um sobrevivente que residia no Namibe e que acabou por falecer depois de nos conceder a segunda entrevista”, rematou.
No entanto, Rosa Cruz e Silva esclareceu que “pretende-se com essas acções chamar a atenção dos pesquisadores e estudiosos para que esta época da história recente, ainda tão desconhecida mas tão rica de acontecimentos, que merecem análises profundas para descodificar factos, trazendo à luz do dia conhecimentos que, certamente, justificam as acções destes nacionalistas”.
A cerimónia de homenagem aos integrantes do “Processo dos 50” sob o lema “Março de 59 – Março 2009, entre papéis, sigilos e prisões. Uma reflexão histórica sobre a actividade clandestina dos nacionalistas nas décadas de 50 e 60”. Beto Van-Dunem aproveitou ainda a ocasião para anunciar que realizar-se-á, de 29 de Abril a 1 de Maio, no campo de Tarrafal, em Cabo Verde, um simpósio que reunirá todos os ex-presos políticos que lá estiveram para relembrarem os acontecimentos e manifestarem que estão de acordo com o destino que o Governo cabo-verdiano quer dar ao local.
Fonte: O País

Pipeline da Sonangol rebentou na Boavista


De acordo com João Rosa Santos, avarias como essa são muito frequentes, pelo facto de se tratar de equipamentos bastante sensíveis


Uma das duas linhas de transporte de gasolina, gasóleo e querosene da refinaria de Luanda para a base de reserva de combustível, localizada na Boavista, registou esta quinta-feira, dia 2 de Abril, uma ruptura.
O director de comunicação e imagem da petrolífera, João Rosa Santos, garante que o problema pode ser resolvido até a manhã de sábado, 4 de Abril, e que não provocará interrupção no abastecimento de combustíveis aos cidadãos.
Segundo apurou O País, a linha de transportação dos derivados do petróleo é constituída por duas tubagens de mais de 20 milímetros, montadas há 16 anos, numa profundidade de aproximadamente dois metros.
O facto de a avaria ser “pequena” e por ter ocorrido numa zona que até à noite de quinta-feira, 2, ainda não tinha sido determinada com exactidão, levou os técnicos a interditarem uma pequena parcela da via que liga Luanda a Cacuaco, na zona da Boavista, para se efectuar a escavação.
A operação será feita em regime de non stop até que se solucione o problema. De acordo com João Rosa Santos, avarias como essa são muito frequentes, pelo facto de se tratar de equipamentos bastante sensíveis que, supostamente, não terão suportado o peso dos camiões que circulam constantemente naquela zona.
Uma outra fonte contactada por este jornal alega que o estrago terá sido causado pelas máquinas que em 2002 ou 2003 estiveram a pavimentar a via. “Essas tubagens normalmente são isoladas com duas fitas plásticas apropriadas, o que lhes permite ficarem isentas da humidade. Por isso acredito que a empresa que fez a pavimentação daquele local terá ferido uma das junções e isso com o passar do tempo provocou a ruptura”, explicou.
No entender do especialista, a população que ali circula não corre perigo pelo facto de a ruptura ter acontecido na conduta de gasóleo e não na de gasolina.
“Se a avaria fosse maior e se registasse no transporte de gasolina, de certeza que teriam de interditar toda a via e evacuar a população que vive nos arredores por se tratar de um produto facilmente inflamável, mas como não é esse o caso, não há perigo nenhum”, rematou.
Acrescentou, de seguida, que “toda a terra que circunda a zona está embebida de gasóleo e que os técnicos começaram a escavar mais para terem maior facilidade de identificar o local da ruptura”. O director de comunicação e imagem da Sonangol explicou que após desvendarem o local da avaria, os peritos em fiscalização vão avaliar se há ou não necessidade de substituir toda a tubagem.
Mas, por outro lado, mostrou-se bastante optimista e rematou que isso pode não acontecer porque os estragos parecem ser pequenos.
“Registámos o caso no período da manhã mas só conseguimos intervir às 15 horas porque tivemos que informar primeiro à administração e ao comando municipal da Polícia para que enviasse os seus efectivos ao local de modos a evitar que a população recolhesse o produto para vender depois”, frisou.


Soito descarta danos ao ambiente

Por seu turno, a administradora municipal da Ingombota, Suzana de Melo, apelou aos moradores que se aproveitaram da ausência da Polícia nas primeiras horas do dia para recolherem o gasóleo para depois o revenderem, a deitarem no fora para evitar incidentes.
“Estendo ainda o meu apelo àquelas pessoas que vivem nos arredores a não adquirirem qualquer líquido estranho, em substituição do petróleo, nas mãos dos seus vizinhos, porque podem ser misturas feitas com o líquido que jorrou da furação”, concluiu.
Contactado por O País, o vice-governador de Luanda para a área técnica, Bento Soito, confirmou a ruptura, localizando-a na zona da Boavista. A perda de combustível terá sido muito pequena, segundo o governante que não acreditava, na altura, que este problema visse a agudizar os défices de combustíveis nas bombas de abastecimento. Por outro lado, Bento Soito descartou qualquer possibilidade de ocorrerem danos ambientais graves na zona.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

DE QUEM É O TEXTO?




Igreja apoia familiares das vítimas dos Coqueiros




As famílias das jovens católicas Celina Inhala, de 23 anos, e Ana João, de 21 anos, que morreram no acidente ocorrido no Estádio dos Coqueiros, durante o encontro dos jovens com o Papa, receberão da Igreja apoio material, ainda não especificado, segundo revelou a O País, André João, irmão de Ana.
O irmão da vítima, que falou aos jornalistas no cemitério da Santa Ana, disse que as famílias foram informadas pelos emissários do papa Bento XVI que acompanharam a visita do porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, aos doentes do incidente que se encontravam acamados no Hospital Josina Machel, que receberiam da Igreja uma ajuda material que serviria para a realização do óbito.
Apesar de ainda não ter sido tornado público o resultado da autópsia efectuada esta terça-feira, os familiares acreditam que as causas das mortes sejam mesmo o esmagamento que as jovens sofreram quando tentavam entrar do estádio, conforme anunciou Frederico Lombardi. As jovens morreram quando eram transportadas para o hospital Josina Machel numa das ambulâncias que estava de prontidão no local.
Na esperança de que as almas das duas jovens descansem em paz, os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé estiveram reunidos esta quarta-feira, na igreja da Sagrada Família onde participaram na missa de corpo presente, presidida pelo arcebispo de Luanda Dom Damião Franklim e pelo núncio apostólico Dom Ângelo Beccio. A cerimónia, bastante concorrida, contou com a presença de mais de 500 crentes, entre familiares, amigos, religiosos e representantes do governo.
Os cânticos religiosos entoados pelo grupo coral Ndinga Mayo, da igreja São Pedro Apóstolo, e as orações feitas no local pelos padres não foram, no entanto, suficientes para acalmar alguns familiares das vítimas que ao verem a urna a ser coberta pela área vermelha desataram aos prantos.
As urnas foram oferecidas pelo governo provincial de Luanda. Coube à vice-governadora de Luanda para a esfera social, Guilhermina Imperial, proceder ao depósito de duas coroas de ores com um letreiro “oferta do GPL”, em cima de cada uma das campas.
Para evitar transtornos, o enterro foi escoltado por uma equipa de cerca de 70 escuteiros reforçados por seis efectivos da Polícia Nacional.
Celina Inhala, natural da província do Zaire, faleceu numa altura em que frequentava o segundo ciclo do curso médio de ciências económicas e jurídicas, na escola da Polícia de Intervenção Rápida (PIR). A nível religioso, Celina, que recebeu uma distinção em Outubro passado numa celebração bastante concorrida presidida pelo arcebispo de Luanda Dom Damião Franklin, dava catequese a um grupo de mais de 30 adolescentes.
O pároco da igreja São Pedro Apóstolo, Belmiro Chissengueti, ao fazer o discurso fúnebre, descreveu Celina Inhala como sendo uma jovem de muita fé e que partilhava a mesma com os seus colegas do centro de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Rocha Pinto.
“No dia 21 a nossa irmã saiu de casa com o intuito de ir aos Coqueiros e nós ficamos esperançoso que ela voltaria feliz, com força suficiente para nos contar o que lá se passou e partilhar connosco a bênção do Santo Padre. Mas infelizmente ela não voltou e tivemos que ir buscá-la numa caixa na casa mortuária”, contou. No discurso fúnebre de Ana João, Vincente M’bra, pároco da igreja de Nossa Senhora do Cabo, revelou que a sua “ovelha” tinha uma fé exemplar e que depois de frequentar a catequese começou a trabalhar de forma activa na paróquia pertencendo ao grupo dos vocacionados e participava no dízimo. Para ajudar nas despesas da casa, a jovem trabalhava no restaurante Jango Veleiro na Ilha de Luanda.
Apesar de ter recebido a sua primeira comunhão há menos de um ano, a malograda estava a preparar-se para receber o sacramento do crisma. Estudante da 10ª classe da Escola Bom Samaritano afecta à igreja Católica, Ana João era a cassula de cinco irmãos e o elo de ligação entre os pais e os seus mais velhos.
Por seu turno, Dom Damião Franklim disse, ao traçar o perfil das duas vítimas, que Celina queria levar uma vida religiosa. Ana João distinguia-se nos trabalhos da paróquia. Por isso, naquele dia de festa em que havia o encontro com o Papa, foram muito cedinho para o estádio dos Coqueiros. Queriam ver de perto o seu líder espiritual e ouvirem as suas palavras de consolo.

Nota: Este texto foi publicado na 20º edição do Jornal O País. A questão de quem é o texto surge exactamente para esclarecer que o mesmo é de autoria do autor deste blog e não do seu ilustre colega Manuel Lutomatala. A troca dos nomes aconteceu num dos momentos de tensão, próprio de uma redacção jornalística no dia de fecho. Faço essa pequena explicação, para esclarecer os jornalistas, padres e familiares das vítimas que ligaram para o auto, após da divulgação da matéria, solicitando esclarecimento sobre o seu verdadeiro nome. Coisa de redacção, isso acontece!

Fonte: O País

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Clínica da Endiama cobra 150 USD por vacina anti-rábica



Os pacientes que se deslocarem à Clínica da Endiama terão que desembolsar 750 dólares pela dose de vacina anti-rábica



A falta de vacina anti-rábica na Delegacia Provincial de Saúde e nas unidades sanitárias públicas está a levar a direcção de algumas clínicas privadas, de Luanda, a cobrarem "os olhos da cara", como se diz na gíria luandense, para aplicar o tão precioso antídoto.Esta segunda-feira, o Tribuna da Kianda, acompanhou de perto o caso de uma cidadã que responde pelo nome de São Baptista que depois de ter sido mordida por um cão vadio, no domingo, recorreu as instituições públicas para ser vacinada, mas não teve êxito. Ao chegar na Delegação Provincial da Saúde, liderada por Vita Vemba, foi informada, em companhia de outras três pacientes que se encontravam no local, que não havia vacina e que deveriam deslocar-se aos centros ou postos de saúde municipal.
Nestes locais, segundo informações que receberam, estão a funcionar as comissões municipais de combate a raiva. "Depois de termos recebida esta informação da delegação, fui ao centro de saúde da Terra Nova, mas os médicos de serviço recusaram-se em aplicar o antídoto alegando que se eu lavei a ferida com água e sabão depois da mordida e como oanimal já foi vacinado não haveria problema ", contou.
Em pânico, a nossa interlocutora revelou que de tanto insistir o médico de serviço aplicou-lhe uma vacina contra a tétano e aconselhou-a a dirigir-se a uma clínica privada porque os hospitais público e postos de saúde não recebem vacina anti-rábica a vários dias. Observando tal orientação, São Baptista deslocou-se a Clínica Sagrada Esperança, vulgo Clínica da Endiama, onde teve que desembolsar 150 dólares para apanhar a primeira dose da vacina.
Nas receitas médicas que tivemos acesso vêm explicito que a mesma deverá voltar a ser vacinada nos próximos dias 2, 9, 23 de Abril e 18 de Maio para completar a dose. Atendendo o preço cobrado por cada antídoto, chega-se facilmente a conclusão que todas as vítimas dos cães vadios que forem mordidas e dirigirem-se a esta instituiçãoterão de pagar 750 dólares pela dose.
No recibo de pagamento emitido pela funcionária do caixa da clínica que responde pelo nome de Creusa Nilde, vem detalhado que os 11.452 kwanzas (equivalente a 150 dólares), pago pela paciente está distribuído em 11. 182 kz pela vacina, 39 kz pela seringa com insulina e 231 kz pela aplicação da vacina.
Na esperança de obter mais informações sobre o animal que atacou a queixosa, o Tribuna da Kianda, contactou a dona Manuela Gingongo que declarou que o seu animal foi vacinado e que só mordeu a queixosa porque está com o sistema nervoso a flor da pele em detrimento do parto que teve.O município do Rangel ficou recentemente abalado com a história de uma munícipe que sucumbiu depois de ter sido atacada por um cão vadio nos arredores de São Paulo. Após o ataque a malograda contactou a proprietária do animal e a mesma garantiu na altura que não havia perigo nenhum pelo facto de o animal ter sido vacinado alguns dias antes. Esta informação, segundo os familiares, levou a vítima a não recorrer as unidades sanitárias.