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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mudança para o Panguila sem data prevista

O técnico da direcção provincial de Luanda da Comunicação Social Sebastião José, disse quarta-feira, 17, a este blog que não existe ainda nenhuma data definida para se proceder à transferência dos comerciantes do Roque para o Panguila.
Sebastião José explicou que a tentativa de domingo último foi abortada para se criarem melhores condições e que antes da evacuação dos vendedores será realizada uma conferência de imprensa para explicar à sociedade o modo como será organizado todo processo.
No final da visita efectuada pela governadora Francisca do Espírito Santo ao Panguila, o vice-governador para a área económica, Francisco Domingos, afirmou que o novo mercado possui vantagens no tocante à organização, condições higiénicas, sanitárias e um sistema de recolha de resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos, quando comparado ao Roque Santeiro.
Para o Governo Provincial de Luanda (GPL), a abertura do mercado do Panguila permitirá que o Estado exerça maior controlo sobre a actividade comercial que será desenvolvida no local. Em termos orgânicos, o mercado terá gestão pública, com um administrador, dois adjuntos e vários responsáveis de sectores, devendo o vendedor pagar uma taxa igual à que é paga em outros mercados, fixada em 50 kwanzas.
Francisco Domingos garantiu na ocasião que estavam a ser preparadas as condições que permitirão que a transferência do Roque Santeiro para o mercado municipal do Panguila decorra sem sobressaltos.
“O processo será feito de forma gradual para permitir que seja organizada e ordeira, já que serão movimentados mais de dez mil comerciantes do Roque Santeiro para o Panguila”, adiantou. Ao percorrer as diferentes secções do mercado, preparadas para acolher um universo de dez mil vendedores, a equipa do Tribuna da Kianda constatou que a falta de uma explicação por parte dos mais altos responsáveis do GPL sobre os motivos que provocaram o cancelamento da transferência e a data em que ela será concretizada, instalou um clima de insegurança no seio dos comerciantes.
Um rádio técnico que a reportagem deste semanário abordou mostrou-se apreensivo com o seu futuro pois, no seu entender, o mercado do Panguila foi projectado a pensar exclusivamente nos comerciantes. Argumentou que o elenco de Francisca do Espírito Santo deveria ter em conta que o Roque Santeiro não sustenta apenas as famílias dos vendedores, mas também de profissionais de diversas áreas que não terão espaço no Panguila.
A construção do mercado, que também está a ser conhecido como “Novo Roque Santeiro”, começou em 2005 pela empreiteira chinesa China Jiangsu e custou 28 milhões de dólares. Para concluir a empreitada dentro do prazo previsto, a empresa contou com a mão-de-obra de 275 trabalhadores, dos quais 230 angolanos.

Inquilinos à porta do mercado do Panguila

A maior parte dos vendedores da praça da Bwala, situada ao lado do mercado do Panguila, município de Cacuaco, garantiram ao Tribuna da Kianda que já trataram do documento que lhes garantirá um lugar no novo complexo comercial para onde serão transferidos os vendedores do mercado Roque Santeiro.
“Nós já nos inscrevemos e temos a certeza de que com isso garantimos os nossos lugares lá dentro do mercado”, disse-nos a vendedora Esperança, enquanto apontava com o dedo para o novo mercado, localizado a menos de 50 metros da sua bancada.
De acordo com Esperança, o processo está em curso desde o princípio de Agosto, sendo que para adquirir o cartão de comerciante lhe foi necessário apresentar, no acto da inscrição, uma fotocópia do Bilhete de Identidade e mil e 300 Kwanzas.
Até ao dia da nossa reportagem (domingo último) este valor já andava entre 1.800 e dois mil Kwanzas, devido ao interesse manifestado por outras pessoas que não vendem aí mas lutam por um lugar no mercado modernizado, segundo apurou este jornal da sua interlocutora, que se opõe a tal prática corrupta dos recenseadores.
“Eles não deviam aceitar pessoas que não vendem aqui, só porque vão dar mais dinheiro”, defendeu.
Segundo se crê, Esperança e os seus colegas já cadastrados terão direito a uma bancada devidamente numerada, para além de poderem beneficiar dos serviços dos armazéns do mercado, sempre que quiserem conservar os seus produtos.
A vendedora de hortaliças e legumes, há 4 anos na praça da Bwala, admitiu que foi informada sobre a transferência dos vendedores do Roque Santeiro para o novo mercado do Panguila e disse também que a administração local lhes havia comunicado em 2008 que todos os comerciantes da área teriam a mesma sorte.
“Sabemos que todos os vendedores do Roque virão aqui, mas, agora, se vamos vender duas ou três pessoas na mesma bancada, isso cabe aos registadores acharem a solução”, explicou, mostrando-se consciente da pouca capacidade que possui o complexo comercial do Panguila.
Para ela, não adiantaria nada ter criado um mercado nessa zona do município de Cacuaco, se as pessoas que vendem nessa localidade tiverem de ficar de fora. Na verdade, tal situação eleva a polémica que se levanta sobre a lotação do novo mercado, que por si só, não suporta a demanda dos vendedores do Roque, uma preocupação que ficou bem expressa por outros vendedores locais abordados pela nossa reportagem.
“Eu acho que os lugares não chegam para todos comerciantes que estão no Roque Santeiro, por isso sou de opinião que se criem outras medidas, antes de acontecer a transferência de muita gente”, sugeriu uma vendedora de bebidas.
Igual opinião é sustentada por colegas de ofício, que criticam o facto de não se ter aproveitado todo perímetro disponível do novo mercado, o que redundou numa menor capacidade de absorção de feirantes.
O mercado do Panguila não é o único construído, de raiz, no município de Cacuaco. Existem pelo menos mais dois outros, erguidos a 200 metros da via, no troço que liga a sede à localidade do Panguila.

Novos mercados “abandalhados”
As pessoas que comercializavam os seus produtos em alguns dos mercados de Luanda que foram reabilitados, preferem agora operar na parte exterior do que efectuar vendas no seu interior. Este cenário é visível no mercado erguido próximo ao Controle de Cacuaco, com o financiamento do Fundo de Apoio Social (FAS).
“Preferimos expôr os nossos produtos fora do mercado porque aqui temos mais facilidade de atrair os clientes do que ali, tendo em conta que os viajantes só param quando vêem um produto do seu interesse”, explicou o agricultor Raimundo Miguel.
O feirante sustenta que ainda que os fiscais da administração municipal de Cacuaco obrigassem as pessoas a permanecerem no interior do mercado, não teriam êxito “porque ficou provado, nos primeiros meses após a inauguração, que os clientes dificilmente aceitam descer dos veículos para irem fazer compras lá dentro”.
O agricultor conta que aquele espaço não só serve para comercializar os produtos da quinta em que trabalha, como também de pasto para o gado das fazendas vizinhas.
A história repete-se nos mercados do Cazenga (ex-Asa Branca) e no da Vidrul (em Cacuaco), ambos construídos com financiamento da linha de crédito da China.
* Com Alberto Bambi

Metade dos vendedores ficará dispersa

De acordo com informações obtidas pelo Tribuna da Kianda, o mercado do Panguila conta apenas com cinco mil e 376 bancadas, 144 lojas e 112 bancos de pouso para acolher os mais de dez mil comerciantes que serão retirados do mercado Roque Santeiro e um número indeterminado de vendedores de outras praças que funcionam em condições precárias.
Concluído em 2007, o novo mercado foi erguido numa área de 250 mil metros quadrados.
Conta ainda com 200 armazéns, 36 câmaras frigoríficas, 13 chafarizes e dependências dos bancos BIC e BPC para facilitar as transacções financeiras dos comerciantes, e um posto médico.
O recinto reserva um perímetro para o estacionamento de mais de 400 viaturas, área administrativa, posto policial e uma zona verde. Existem ainda áreas adjacentes que, segundo o projecto, seriam pavimentadas e teriam cobertura para permitir que os feirantes possam comercializar os seus produtos em boas condições.
Contrariando o receio manifestado pelos vendedores de que não caberiam todos no novo mercado por ser pequeno e porque os seus colegas da praça da Bwala, em Cacuaco, também serão transferidos para o complexo do Panguila, o vicegovernador de Luanda para a área económica, Francisco Domingos, garantiu que haverá espaço para todos visto que tudo está a ser bem dimensionado.
O maior mercado a céu aberto do país surgiu a meio da década de 1980, com o nome de Mercado Popular da Boavista. Em 1991 passou a ser conhecido com o nome de Roque Santeiro, numa alusão a uma popular telenovela brasileira homónima.

População ‘adia’ fim do Roque Santeiro

Os cidadãos que encontram o seu ganha-pão no mercado Roque Santeiro “venceram” a dura batalha que travavam com o Governo Provincial de Luanda (GPL) ao conseguirem prorrogar a sua permanência no local por um período de tempo indeterminado.
Depois de tomarem conhecimento no princípio deste mês que seriam transferidos no dia 15 de Agosto, os feirantes do Roque uniram-se para, em bloco, se oporem à medida.
Enquanto os comerciantes defendiam a ferro e fogo que o prazo devia ser prorrogado até Janeiro de 2011, para que tivessem tempo de honrar com os seus compromissos financeiros, os taxistas, alfaiates e “rouboteiros” juntaram-se em uníssono para lamentar a distância que teriam de percorrer e a falta de espaços para eles no novo mercado.
Quando tudo parecia perdido, os cidadãos que buscam o sustento para as suas famílias naquele que é considerado como o maior mercado a céu aberto do país, foram agradavelmente surpreendidos com a informação de que já não seriam transferidos na data marcada, domingo 15. “Fomos informados pelos ficais da administração do mercado que o processo de transferência para o Panguila foi adiado e que não existe ainda nenhuma data prevista, pelo que podemos continuar a desenvolver a nossa actividade normalmente”, explicou , aliviada, uma vendedora de roupa usada.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A vez do Semanário Angolense: Crise impede saída do jornal *

Depois do semanário A Capital não ter saído às ruas pelo facto de ter sido queimado, eis que chegou a vez do Semanário Angolense sentir a mão pesada dos patrões do grupo Media Investe, empresa que adquiriu as duas publicações há quatro meses.
A edição nº 381 do Semanário Angolense (SA) não saiu à rua este sábado, 21, como é habitual, pelo facto de os jornalistas e a direcção do grupo Media Investe estarem a viver um clima de descontentamento.
Segundo uma fonte contactada pelo Tribuna da Kianda, o jornal não saiu à rua porque os novos patrões não estão a cumprir com as obrigações sociais e salariais que se comprometeram aquando da compra da publicação. Bem como por causa das constantes censura que se instalou na redacção.
Na redacção, vive-se um pesado ambiente de trabalho que levou o director do SA, Severino Carlos, a suspender o exercício da função que ocupa. Esta posição, de acordo com a mesma fonte, colheu a solidariedade do director-adjunto Silva Kandembo.
Tanto um como outro acumulam funções de editores de política e desporto respectivamente. A ausência destes tornou inviável o fecho da edição desta semana da publicação privada, até recentemente a mais procurada da praça.
Para cobrir a lacuna e de certo modo disfarçar “a crise no semanário”, como designou um dos responsáveis contactado pela Voz de América (VOA), que pediu para não ser identificado, foi chamado Salas Neto, editor de sociedade e de cultura.
Já no último número que veio às bancas na semana antepassada, foi notória ausência da assinatura do editorial, geralmente atribuída ao director. “Carta ao Leitor” como é designada a coluna foi pois lida sob assinatura colectiva da Direcção.
“Há instantes solicitamos de Salas Neto na qualidade de director interino que confirmou a não saída do jornal, mas escusou-se avançar pormenores em torno das verdadeiras razões”, diz a VOA.
Mesmo assim informações avançadas dão conta do prosseguimento dos contactos entre os demissionários directores e os patrões afectos da Media Investe, S. A., a empresa que há 4 meses sensivelmente, efectuou a operação de compra simultânea de dois títulos o Angolense e a Capital, o que foi encarado por observadores locais como visando controlar e manipular a imprensa.
Apesar da lei de imprensa proibir o monopólio que ponha em causa a isenção e o pluralismo da informação em vista de uma sã concorrência, continuam desconhecidos os accionistas da empresa.
Só a título de exemplo, diz o número 1) do Artigo 26 do diploma a que nos referimos citamos, “As acções das empresas de comunicação social que assumam a forma de sociedade anónima têm de ser todas nominativas”.
O número 2) do referido Artigo é conclusivo, “A relação dos detentores de participações sociais nas empresas de comunicação social, a sua discriminação, bem como a indicação das publicações que àqueles pertençam, ou a outras entidades com os quais mantenham uma relação de grupo, devem ser remetidas ao Conselho Nacional de Comunicação Social para efeitos do respeito pela liberdade de concorrência”.
Um apelo neste sentido feito pelo CNCS e tornado público em comunicado, não procedeu até agora.

* Com a VOA

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Semanário A Capital sente o peso da censura

NOTA: O então director do Semanário Angolense, Graça Campos, já havia aventado, em 2008, a possibilidade de os jornais privados serem domesticados, em entrevista ao jornal A Capital. No seu estilo irreverente, o jornalista apareceu na capa desta publicação em destaque afirmando que “Jornais privados vão ser domesticados”.
Na entrevista, o ex-director do confrade Semanário Angolense fazia também uma abordagem sobre os novos títulos que surgiram numa perspectiva de realização de eleições, falando igualmente do parque gráfico.

Uma semana inteira de produção, duas edições completas em pouco menos de 48 horas para ver vetada à circulação. Ardinas e leitores por nós interpelados nesta segunda-feira ainda mantinham uma certa expectativa de ver a Capital nas ruas.
O pomo de discórdia foi a censura do editorial do jornal que se atinha aos preços das casas sociais avaliadas em 60 mil dólares americanos, preços anunciados no discurso do presidente Eduardo dos Santos isto na passada semana.
Perante a exiguidade do salário em Angola, o articulista segundo fontes por nós contactadas questionava não só a capacidade financeira do cidadão comum de pagar tais quantias, como fazia contas ao tempo requerido e os necessários desembolsos.
O semanário chegou a ir a gráfica onde foram impressas três mil e quinhentas cópias, de seguida embebidas em diluente e queimadas na mesma fabrica. Mesmo com sacrifício dos jornalistas uma edição alterada chegou a ser produzida e enviada para a rotativa. No sábado à madrugada desapareceu. Testemunhas que presenciaram o episódio depararam-se com viaturas VX não identificadas que transportaram os atados. Os jornais desapareceram sem que tivessem vindo a rua.
Nos últimos tempos o argumento dos novos patrões que ainda não deram a cara publicamente mas que fazem valer os seus argumentos por pessoas entrepostas, apontam para a necessidade de se substituir temas políticos pelo social. Por outro lado a imagem de Eduardo dos Santos passou a ser alvo de resguardo sobretudo se usada para ilustrações de matérias críticas. Este foi outro dos pontos de discórdia neste último número. A foto do presidente foi retirada dos textos
Marcela Costa Administradora do órgão disse-nos desconhecer as razões que estariam por detrás da situação mas prometeu um pronunciamento nas horas seguintes, o que não chegou a acontecer.
Questionado se este método representava um forte sinal do retorno a novos métodos de censura, o analista político Justino Pinto de Andrade ironizou dizendo que estes eram efectivamente velhos métodos recordando o tempo colonial. “Nos dias que correm a censura estava de certo modo localizada ao nível dos órgãos de comunicação social. A deslocação desta prática para os órgãos privados é realmente uma preocupação...” rematou.
No seu entender, o objectivo das pessoas que praticaram tal acto é condicionar a opinião pública com vista as próximas eleições. “O regime fará tudo por tudo para ter o controlo da media à data das eleições. Para alguns dos órgãos a opção foi a compra. Para outros a asfixia será feita até o desfalecer. Este é o projecto que há para a comunicação social privada que se apresentava como o único canal de respiração que restava da sociedade. Com a media pública partidarizada e a privada tomada mais ou menos pelas mesmas pessoas o futuro é muito sombrio...”concluiu.
Vinte mil dólares americanos podem ter sido gastos no pagamento com uma tiragem gráfica. É um prejuízo do qual pouco importará aos novos proprietários, enquanto os fins continuarem a justificar os meios ou seja dinheiros cujas origens nunca são esclarecidas.
Com tiragem acima dos cinco mil exemplares, a Capital figurava ser um dos mais lidos da praça. A brutalidade desta intervenção marca o ressurgimento duma era de intimidação directa, depois que a sofisticação dos métodos usados encobriu ao longo dos últimos anos o ambiente de repressão sobre a liberdade de imprensa e de expressão em Angola. Os críticos, porque já não se morria à tiro por exemplo, começavam a enfrentar dificuldades para provar tal repressão.

Fonte: VOA. O título e a nota são da autoria do Tribuna da Kianda.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Frei João Domingos, o defensor de uma Angola justa

Morreu na madrugada desta segunda-feira, 9, em Lisboa, vítima de ataque cardíaco, o Frei João Domingos, pároco da Igreja do Carmo de Luanda. Teria se deslocado em Abril passado à sua terra natal, Portugal, a fim de receber assistência médica.
O Sacerdote que notabilizou-se em Angola, onde trabalhou longos anos, faleceu no dia em que completaria 78 anos de idade devendo ser enterrado em Portugal (Era sei desejo ser enterrado na terra onde iria falecer).
O jornalista Reginaldo Silva descreve num artigo publicado no seu blog (http://www.morrodamianga.blogspot.com/), intitulado “Morreu o Frei dos Pobres!”, que o seu desaparecimento físico representa o silenciar de uma dais voz poderosa que se batia em defesa de uma Angola mais justa.
“João Domingos, de nacionalidade portuguesa, a dirigir neste momento uma das mais importantes instituições educativas da igreja católica em Luanda, tem-se destacado neste tipo de abordagens pela profundidade com que equaciona o problema da riqueza versus pobreza, sobretudo em termos de consequências negativas para o equilíbrio social e a paz nacional”, descreve o jornalista recorrendo a um artigo que estava arquivado.
Reginaldo Silva disse ainda que era fácil perceber nas suas palavras a grande preocupação com o que poderia vir a ser a reacção menos controlada das populações mais pobres em Angola diante da ofensiva dos ricos resguardados pelo poder político. Uma ofensiva que agora tem na ocupação das terras quer urbanas quer rurais, um pouco por todo o país, a sua principal linha de força, de ataque, já com bastante violência à mistura e algumas vítimas a lamentarem.
No site Club-k, o Frei é descrito como alguém que dedicou-se a causa dos pobres e foi uma das vozes mais críticas do clero contra as práticas de corrupção instaurada pelo MPLA em Angola.
“A 13 de Setembro de 2009, numa das suas homilias o frei chamou atenção aos angolanos para não se calarem, pedindo que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este país seja diferente, asseverou o Frei João Domingos, na altura tendo indo mais longe ao dizer que não podem se calar mesmo que nos custe a morte, assim como aconteceu com muitos angolanos, a exemplo de Jesus”, lê-se no site.
De acordo com o Club-k, as suas palavras teriam caído mal nas hostes do regime do MPLA, levando a turma de José Ribeiro do Jornal de Angola a lançar um editorial a ofender o padre dizendo que: “O frei João Domingos é um desbocado, que, volta e meia, não resiste em levantar a sotaina para tentar saltar para as luzes da ribalta.” José Ribeiro foi criticado pela falta de consideração ao homem de Deus que procurava direccionar os angolanos com as palavras do senhor.
“Desconhece-se que moral terá José Ribeiro e o seu Jornal de Angola em escreverem sobre o desaparecimento do carismático padre ao qual não tinham respeito”, diz o site.
“João Domingos, o “Frei dos Pobres” como já foi apelidado por alguma imprensa luandense, voltou (…) a falar da insatisfação dos pobres pela forma como as terras mais produtivas e mais rentáveis têm estado a passar para o domínio da propriedade privada dos novos ricos angolanos”, recorda o jornalista.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Incêndio no parque da Polí destrói carros de luxo

O incêndio que ocorreu esta quarta-feira no parque de estacionamento da Brigada Especial de Trânsito, em Viana, destruiu parcialmente dezenas de viaturas, entre as quais um BMW X5 e um Toyota Land Cruiser Prado.
Segundo uma fonte da Polícia destacada naquele local, para além destes dois veículos, as chamas provocaram ainda a destruição total e parcial de mais de 50 viaturas descritas pelas autoridades policiais como sucatas, que foram transportadas para aquele local há mais de seis meses.
O incidente deflagrou às 15 horas e só foi estancado por volta das 21 horas, graças à intervenção dos efectivos dos Serviços dos Bombeiros do quartel de Viana, do Cazenga e do Quartel Principal (localizado no 1º de Maio). A operação foi chefiada pelo chefe interino do quartel municipal dos bombeiros de Viana, identificado apenas por Kutolola.
À semelhança das demais, as viaturas de luxo danificadas, cujos proprietários até ontem não tinham aparecido no parque para obterem esclarecimentos, foram transportadas para o local depois de colisões com outros veículos no trânsito.
De acordo com uma fonte do Laboratório de Criminalística, as chamas terão sido provocadas por uma beata de cigarro acesa que terá sido lançada para cima da erva nas redondezas por algum agente da Polícia Nacional que protege o local.
“Ainda não elaborámos o relatório final, mas ao que tudo indica o fogo terá sido causado pelo resto de cigarro, porque nós encontrámos no local vários vestígios que nos levam a crer nisso.
Aproveito para descartar a possibilidade de ter sido originado por curto-circuito porque a maior parte dos veículos que ali se encontrava já não andava há vários meses”, explicou um dos técnicos de criminalística chamados para averiguarem o caso.
Esta mesma tese foi sustentada por outra fonte dos Serviços de Bombeiros ao declarar que o incidente foi provocado por fogo posto na parte de trás do parque e espalhou-se pelos automóveis que ali se encontravam.
O nosso interlocutor, que também participou na operação encabeçada pelo chefe em exercício dos Quartéis
Bombeiros de Viana, atestou que os carros que ali se encontravam, quase todos, ficaram totalmente danificados e não se aproveitam.
O porta-voz do corpo dos Bombeiros, Faustino Sebastião, revelou ao Tribuna da Kianda que o comando provincial de Luanda da Polícia Nacional criou uma comissão mista, integrada por oficiais destes dois organismos do Estado, para investigar as causas que provocaram o incêndio.
Faustino Sebastião explicou que não poderia prestar nenhuma informação sobre o fogo porque o facto de ter ocorrido numa unidade policial, caberia ao comando provincial, depois de concluir o inquérito, definir se será a Polícia ou os Bombeiros a se pronunciar publicamente sobre o assunto.
Por seu lado, o porta-voz do comando provincial de Luanda, superintendente chefe Jorge Bengui, disse que não está em condições de precisar o que terá realmente provocado o incidente, porque os seus colegas se encontram ainda a analisar os vestígios encontrados no local.
O parque serve como local de armazenamento de automóveis que sofreram colisão, abandonados na via pública e aqueles cujos proprietários cometeram alguma violação ao Código de Estrada.


Furtos no Parque
Entrementes, o proprietário de uma pequena frota de Toyota Hiace, Jack Dawson, alegou em contacto com Tribuna da Kianda que os veículos que vão parar ao parque da Brigada Especial de Trânsito (BET) sofrem vários furtos e que não existe nenhum local onde os automobilistas que estejam nestas condições possam recorrer.
“Neste parque roubam baterias, reprodutores, piscas, pneus com jantes especiais ou novos e até bancos de Hiace. Lá ocorrem muitos furtos e os próprios policias são cúmplices porque compete a eles proteger aquele local e ninguém entra ali sem a sua autorização”, acusou.
Jack Dawson teve alguns dos seus veículos detidos no parque da BET em Dezembro do ano passado e só conseguiu reavê-los depois de firmar um acordo com um oficial superior da corporação que lhe cobrou 60 mil kwanzas. Pela via legal teria que desembolsar apenas 45 mil kwanzas e aguardar por muito tempo.
Para retirar os Hiaces pela via da legalidade, os efectivos da Polícia de Trânsito exigiram que fosse pagar a multa pela respectiva transgressão administrativa que cometeram os seus funcionários numa das agências bancárias e posteriormente à Unidade Operativa de Luanda (UOL) para receber a autorização para ir buscá-los.
“A retenção dos meus veículos ocorreu numa altura em que estava a ser realizada uma operação que visava retirar da via os táxis que não tinham toda a documentação em ordem. Na altura tivemos que ficar numa enorme bicha por largas horas e sem condições nenhuma de acomodação, por isso não tive outra hipótese senão pagar alguém para ter os meus carros de volta”, desabafou.
Depois de pagar a quantia monetária que lhe foi exigida pelo oficial superior da Polícia, Jack Dawson recebeu a documentação da viatura e uma declaração que autorizou a retirada dos meios do parque.
Apesar de o valor cobrado pelas autoridades variar em função do tempo de permanência dos carros, o nosso interlocutor atesta que não existe nenhuma tabela oficial que estabelece quanto é que cada um deles terá que pagar.
“Eles não determinam o valor diário e fazem a cobrança de forma arbitrária. O cidadão que tem o carro ali detido fica reduzido a pó, é obrigado a dançar a música deles”, ironizou.
O Tribuna da Kianda tomou conhecimento de uma fonte policial que os veículos transportados para este parque só saem com a autorização dos oficiais superiores da corporação.


Seguro pode determinar indemnizações
O director técnico da Mundial Seguro, Álvaro Pereira, explicou ao Tribuna da Kianda que se a Polícia Nacional tiver seguro, caberá à seguradora, com quem ela trabalha assumir esta responsabilidade, visto que a corporação fará a transferência das suas responsabilidades no caso de provocar um dano.
“É importante explicar que estamos a analisar com base em hipóteses. Se a Polícia tiver seguro competirá à seguradora assumir este risco e dentro do pacote de seguro de incêndio, há uma cláusula que estabelece que pode cobrir os danos materiais e de responsabilidade civil”, esclareceu.
Álvaro Pereira declarou ainda que se os proprietários das viaturas tiverem o seguro pago, neste caso não poderá contar porque o incidente deu-se dentro das instalações de um terceiro e terá de se fazer um levantamento para se apurar como é que surgiram as chamas. “Se eventualmente uma das viaturas tiver seguro e o proprietário accionar a seguradora, o processo terá de ser bem analisado e não será de forma leviana que arcaremos com essa responsabilidade”, concluiu.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se esta quinta-feira 29 ao parque da BET para constatar o estado em que ficaram as viaturas mas não teve éxito no seu trabalho, pois por ordens do comandante municipal de Viana da Polícia Nacional, Augusto Viana, podia-se ter acesso ao recinto mas sem permissão para fotografar.