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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mais um jornalista baleado em Luanda

O jornalista Norberto Abias Sateko, ao serviço da TV Zimbo, foi baleado por desconhecidos na madrugada de terça-feira, 21, em Luanda, quando saia do serviço a caminho de casa e se encontra neste momento fora de perigo.
Este profissional de comunicação social destacou em reportagens sociais e coberturas de crimes como o badalado julgamento dos oito agentes da Polícia Nacional acusados de assassinarem sete jovens no Largo da Frescura, no Sambizanga, que ficou vulgarmente conhecido como “Caso Frescura”.
A vítima que se encontra hospitalizado na clínica Multiperfil na zona do Benfica, na capital do país, reconheceu que os seus algozes estariam fardados com uniforme semelhante ao das Forças Armadas Angolanas (FAA) e faziam-se transportar numa viatura Toyota Starlet.
De recordar que o incidente acontece duas semanas depois de um jornalista da Rádio Despertar, Alberto Chakussanga ter sido assassinado em sua casa levando com que o Comité de Protecção dos Jornalistas africano e a organização Repórteres Sem Fronteira exigissem das autoridades angolanas explicações a cerca da eliminação física do profissional.
O assunto ainda não foi objecto de informação nos órgãos de comunicação ligados ao governo, mas entretanto há informação descrevendo que a classe de jornalistas em Angola se encontra em estado de inquietação procurando perceber o que se esta a passar.
De acordo com antecedentes públicos, as autoridades não prestam esclarecimento a cerca dos assassinatos a jornalistas. O primeiro teria sido Ricardo de Mello no inicio da década de noventa. Na altura os Bispos da Igreja Católica tentaram pressionar ao governo para esclarecer o assunto mas sem sucesso.
Na época um alto funcionário da Presidência Angolana teria contactado o cardeal Alexandre do Nascimento para lhe transmitir a título privado de que o referido jornalista fazia parte do aparato de segurança e que teria entrado em transgressão resultando no que ocorrera. Desde então, o Cardeal angolano passou a fazer oposição a corrente da Igreja que levantava o assunto.

Fonte: Com o Club-k.net

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Prémio Maboque provoca "bilÓ" no jornal A CAPITAL


O “Maboque” pela reportagem do ano atribuído ao editor-chefe do semanário “A Capital”, José dos Santos, terá sido algo “bichoso” na medida em que, na redacção daquele hebdomadário foi despoletado um vendaval com esta premiação.
Fontes naquele jornal disseram a O PAÍS que gerou-se um clima de crispação entre a direcção do jornal e o jornalista Mariano Brás que reclamou para si a autoria da matéria que acabou por ser premiada como a melhor reportagem do ano.
Segundo relatos de pessoas próximas a Brás, este teria reclamado ainda mesmo durante a realização da gala, dizendo que terá sido ele quem acompanhou de perto toda a cobertura do “Caso Frescura”, como era de resto recomendável na sua qualidade de editor das páginas de crime do semanário “A Capital”.
Por este facto, Mariano Brás terá denunciado o que considera uma atribuição fraudulenta, telefonando para o porta-voz da empresa, Nelson Ventura, a dar conta do facto.
Outras fontes revelaram que o corpo de jurados se terá reunido para analisar o caso, o que terá deixado o director de “A Capital”, Tandala Francisco, embaraçado e com os nervos à flor da pele quando se apresentou na redacção do jornal.
Segundo informações chegadas ao conhecimento deste jornal, a matéria premiada estava assinada por Mariano Brás, havendo outras publicadas em co-autoria. Contactados por telefone por este jornal, José dos Santos e Mariano Brás asseguraram a O PAÍS que tudo estava resolvido no interior da redacção que chegou a viver momentos de algum reboliço.
Há três edições, o jornalista Mariano Brás já havia sido galardoado com o Prémio Revelação pela regularidade na publicação nas páginas de “A Capital” dos crimes que ocorriam em Luanda, recebendo uma viatura como prémio.
Por outro lado, no “Novo Jornal” onde também houve algum debate sobre os critérios seguidos este ano na escolha dos vencedores, os jornalistas questionam o facto de Sebastião Vemba, vencedor do prémio CNN-Português, não ter sido agraciado com nenhum prémio com a sua reportagem sobre a transferência dos moradores da Boavista para o Zango, com quem pernoitou os primeiros momentos no seu novo habitat.
Argumentavam os jornalistas, que na edição anterior o jornalista Ernesto Bartolomeu ganhou o premio principal da Maboque com a sua reportagem sobre a batalha do KuitoKuanavale, igualmente galardoada com o prémio CNN-Português.
As decisões do júri são inapeláveis, mas ainda assim nota-se o facto curioso de em dois mandatos de um júri dominado por profissionais do audiovisual, os prémios mais importante couberam sempre a jornalistas ligados à área, reflectindo de certo modo a composição do corpo de jurados.
Foram sendo recorrentes, de há algum tempo a esta parte, críticas à composição do corpo de jurados do “Prémio Maboque de Jornalismo”, onde a inclusão de jornalistas ainda no exercício de funções poderia configurar uma clara situação de conflito de interesses, pois estaria em causa a transparência de um juízo valorativo de matéria publicada no órgão para o qual trabalham face a outro concorrente.


Fonte O PAÍS. O Título é da autoria do Tribuna da Kianda

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Polícias cúmplices no assalto a viaturas



O cidadão Manuel dos Santos “Americano”, acusado de assaltar viaturas na via pública, revelou esta quartafeira 8, que o seu grupo contava com a ajuda de uma rede de legalização de carros roubados constituída por efectivos da Polícia destacados na Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT).
O jovem fez esta denúncia durante uma conferência de imprensa realizada pelo Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, na Divisão de Cacuaco, que teve como objectivo apresentar onze cidadãos envolvidos em crimes de assalto à mão armada, um por tráfico de drogas e outro por ter esfaqueado a esposa.

Sem revelar os nomes dos integrantes da rede de emissão de novos documentos, Americano começou por explicar o modus operandi da quadrilha, dizendo que depois de se apropriarem do veículo contactavam um oficial da corporação cúmplice a quem fornecia toda a informação relacionada com o meio rolante, para ser agilizada a papelada.
Depois de receberem o novo livrete ou modelo O, os indivíduos encontravam-se algures na cidade de Luanda para fazerem o pagamento de dois mil dólares por cada documento emitido.
“Quando se exerce qualquer actividade ilegal consegue-se perfurar com facilidade nesses meandros e conhecer os indivíduos que têm o contacto dos integrantes das redes de legalização de carros roubados. O que só acabou por facilitar ainda mais as nossas acções”, contou o jovem de forma tranquila.
Manuel dos Santos disse que, para evitar interferência nas suas acções, ele e os seus seis amigos ficavam a aguardar pelas vítimas eventuais em estradas com fraca movimentação de pessoas e bens, como a via expresso do Benfica.
Os acusados tinham como preferência as carrinhas de marca Toyota Hilux, Mitsubishi L200, Toyota Land Cruiser Prado e os Yundai Santa Fé e Ix 35. Americano pertencia a um grupo de marginais constituído por sete indivíduos, em operação há pelo menos um ano na região de Luanda.
Apercebendo-se de movimentações de efectivos da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) destacados no comando da Divisão da Samba, os meliantes tentaram furar o cerco apertado fugindo para o interior do país.
“Estou envolvido neste tipo de actividade há um ano e três meses e durante este tempo todo participei no roubo de pelo menos 15 viaturas de diversas marcas”, contou.
Segundo apurou o Tribuna da Kianda de uma outra fonte, Manuel dos Santos “Americano” acabou por se entregar voluntariamente às autoridades policiais devido à pressão que estava a sofrer por parte de familiares directos.

Troca de tiros com a Polícia
Antes de se apresentar, o jovem esteve envolvido numa troca de tiros com os agentes da Polícia Nacional que ocorreu na principal via de Viana que vai dar à comuna do Zango, em companhia de um amigo que conduzia um segundo automóvel.
Ao longo do trajecto, o amigo foi interpelado por um grupo de investigadores da DPIC que se faziam transportar numa viatura de marca Mitsubishi cabine dupla, modelo L200, que vinham atrás dele e mandaram-no estacionar debaixo de um cajueiro.
“Estava a 30 metros quando vi eles a se aproximarem da viatura do meu amigo e como não os conhecia, decidi aproximar-me em marcha muito lenta para saber o que se passava, só que depois o meu coração aumentou os batimentos cardíacos e decidi parar”, contou.
Americano relatou que ao ver que o seu amigo havia sido agarrado nos braços por indivíduos que desconhecia, achou que se tratava de um assalto, retirou a arma que transportava e efectuou um disparo no ar. Como os agentes da DPIC reagiram na mesma proporção, o jovem meteu-se em fuga.

Roubo por encomenda
Manuel dos Santos “Americano” disse que para além das viaturas que eram roubadas sem clientes específicos, existiam outras que eram furtadas por encomenda, mas isso não interferia no preço pelo qual era depois comercializada.
Quanto aos preços dos veículos, o acusado disse que variavam em função da marca, do seu estado de conservação e se já tinham ou não a falsa documentação.
Disse ainda que existiam alguns clientes que dispensavam o processo de falsa legalização, o que, no seu entender, demonstra que eles já tinham o contacto de uma das redes que funcionam dentro da DNVT.
Segundo especificou, o preço de uma carrinha de marca Toyota Hilux variava de 12 a 14 mil dólares americanos .
Americano disse estar arrependido pelos crimes que cometeu mas não aceitou revelar a quantidade de bens que adquiriu com o dinheiro proveniente dos assaltos. Os peritos da DPIC conseguiram reaver e apresentar à imprensa três viaturas de marca Toyota Hilux, um Land Cruiser Prado, uma carrinha Ford Ranger.
Esta é a segunda vez que os investigadores da Polícia são surpreendidos com a informação de que existem colegas seus envolvidos nos esquemas de roubos de viaturas. O último caso, aconteceu no passado dia 26, quando o Comando Provincial de Luanda procedeu à apresentação de vários cidadãos que realizavam este tipo de acções, entre os quais se encontravam dois oficiais da corporação.



Cliente detido
O mecânico Sousa Adriano da Rocha comprou há quatro meses uma viatura Ford Ranger nas mãos de um dos integrantes do grupo de Manuel dos Santos “Americano”, com documentação falsa, ao preço de dez mil dólares americanos.
Atendendo ao facto de Americano comercializar os meios rolantes a um preço muito acessível, Sousa da Rocha incentivou mais três amigos, que ansiavam comprar carros, a fazeremno através das “mãos milagrosas” do jovem que parecia ser uma pessoa séria e que havia se disponibilizado até a levá-lo à sua residência.
O mecânico disse ainda que o comerciante havia lhe garantido que os automóveis pertenciam a um cidadão de nacionalidade chinesa com quem trabalhava.
Os peritos da DPIC detiveram-no à saída de casa e não hesitou em indicar amigos que haviam adquirido ao meliantes outros veículos, a saber: um Toyota Prado e duas Hilux.
A compra do Toyota Prado foi a que mais trabalho deu a Sousa da Rocha, segundo sua própria confissão, uma vez que actuou como intermediário e o seu amigo que estava inicialmente para pagar 15 mil dólares pelo veículo, viu o valor a subir para 20 mil dólares, contando com as comissões que teve de pagar às pessoas que intervieram no negócio.

As duas carrinhas Hilux foram adquiridas pelo valor de 15 mil dólares cada uma. Sousa da Rocha disse que recebeu das mãos de Americano, no momento do negócio, o recibo do título de propriedade e o livrete, mas que não consegue precisar se será falso ou verdadeiro.
“Durante esses quatro meses que fiquei com a viatura fui a vários pontos do país e não tive nenhum problema”, frisou.
Sousa da Rocha manifestou que desconhecia o paradeiro dos seus três amigos.

‘Compraram armas no mercado paralelo’, afirma subcomissário Leitão Ribeira

O segundo comandante de Luanda para a Área Operativa, Leitão Ribeiro, disse, na mesma ocasião, que os dois cidadãos chineses e os seus companheiros angolanos adquiriram as duas metralhadoras do tipo AKM que usaram nos seus assaltos, ao preço de 300 dólares cada uma, num dos mercados informais da cidade de Luanda.
Segundo o subcomissário, os cidadãos chineses Tcho Omão e Li Cham El já praticam assaltos desde as suas zonas de origem e que procuraram apenas encontrar um espaço fértil para voltarem a praticar os crimes.
“Vamos trabalhar com a Interpol para saber quem são eles na China porque eles atacaram simplesmente os estaleiros que pertencem aos seus conterrâneos. O que só demonstra que eles têm um bom historial do ponto de vista da criminalidade a partir das suas zonas de origem”, explicou.
Quanto ao jovem Manuel Gomes dos Santos que se apresentou de forma espontânea alguns dias depois de ter entrado em confronto com a Polícia, o subcomissário Leitão Ribeiro explicou que será responsabilizado pelo número de viaturas que roubou.
“O grupo do Americano terá roubado em Luanda cerca de 25 viaturas e pelo que sei, do ponto de vista legal, este crime não admite liberdade provisória. Portanto ele se entregou e está bem preso”, rematou.

Chineses formam quadrilha

Entre os marginais apresentados pelo Comando Provincial estavam dois cidadãos de nacionalidade chinesa, nomeadamente Tcho Omão e Li Cham El, de 32 e 37 anos, respectivamente, que foram detidos em posse de duas armas de fogo do tipo AKM, usadas na prática de diversos crimes.
Em companhia dos dois chineses, as autoridades policiais prenderam ainda o cidadão angolano Adriano Caluve Fernando que também integrava a quadrilha.
O acusado contou que o convite para pertencer à “Quadrilha dos Chineses” foi-lhe formulado por um amigo de nacionalidade angolana que trabalhava como motorista de uma empresa de construção civil, cujos estaleiros estão localizados em Viana.
Os dois asiáticos optaram por fazer sinais como se não dominassem a língua portuguesa para não prestarem nenhuma informação à imprensa.
Para ultrapassar esta dificuldade, os jornalistas não tiveram outra solução senão falar com Adriano Caluve.
“Foram eles dois quem propuseram ao motorista que fizéssemos e eu fiquei com a missão de encontrar lugar para guardar o camião cisterna que havíamos de roubar”, explicou, acrescentando que “foi um dos chineses, que também trabalha como motorista, quem fez ligação directa e levou o veículo até ao nosso esconderijo e quem foi buscar depois de um mês para vende-lo”.
Apesar de não saber por quanto é que a viatura foi comercializada, Adriano Fernando disse que a “Quadrilha dos Chineses” era constituída por cinco indivíduos e que ele recebeu apenas mil dólares do dinheiro da venda do carro. Os motoristas angolanos que estão envolvidos no furto fugiram para a Huila.
Para além do grupo dos chineses, o Comando Provincial de Luanda procedeu também à apresentação de um jovem que roubou dois camiões da empresa em que trabalhava e escondeu-os numa quinta. “Estou arrependido porque não me valeu de nada cometer este crime, uma vez que as autoridades policiais prenderam-me dois dias depois”, concluiu, pesaroso.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vencedores do Maboque de Jornalismo serão conhecidos hoje

O anúncio dos vencedores do Prémio Maboque de Jornalismo, edição 2010, vai acontecer, quarta-feira, às 19H30, no Cine Atlântico, em Luanda, num certame com animação cultural.
O evento vai contar com as actuações dos músicos Irmãos Almeida, Carlos Burity, Kristo e Bruno M, segundo informou o director do Gabinete Comunicação e Imagem do Grupo César e Filhos, Nelson Ventura, empresa promotora do evento.
Para este ano, segundo o interlocutor, aos prémios já tradicionais constam o acréscimo do de operador de som, perfazendo, deste modo, 10 galardões a dar.
Assim, disse, ao grande vencedor do Prémio Maboque de Jornalismo caberá 100 mil dólares, sendo que a menção honrosa está avaliada em 50 mil dólares.
“Os vencedores dos restantes prémios lhes serão atribuídos 20 mil dólares cada. Dos referidos prémios, temos como exemplo o de Línguas Nacionais, do Órgão Conceituado do Ano, do Locutor do Ano, da Imagem, do Operador de Câmera e do Operador de Som”, apontou.
Para Nelson Ventura, houve nesta edição uma boa participação de profissionais de outras províncias, como de Cabinda, Huambo, Kwanza Norte, Kwanza Sul e Benguela.
O júri do prémio é constituído por Alves António (presidente), Francisco Mendes, Victor Silva, Ana Lemos e Tandala Francisco. Juseline Santos é a secretária e o representante da empresa promotora do prémio, Nelson Ventura.
Instituído em 1992 pelo Grupo César & Filhos, o Prémio Maboque de Jornalismo visa promover e incentivar o jornalismo angolano, no reconhecimento da sua importância para a consolidação da democracia e desenvolvimento do país.

Panguila em grande alvoroço

Nazaré Fernandes saiu de casa às 4 horas da manhã desta quinta-feira, 2. Destemida, ela percorreu as ruas do bairro do Morro Bento, onde vive há vários anos, em direcção ao novo mercado do Panguila para se certificar que o espaço que lhe havia sido atribuído ainda permanece intacto.
A decisão de fazer estas movimentações nas primeiras horas do dia era para se livrar dos congestionamentos. Mas ficou surpreendida ao constatar que só franqueou os portões do recém construído mercado do Panguila às 8 horas da manhã.
“Gostei do mercado por ter melhores condições que o Roque Santeiro, mas estamos muito preocupadas com o estado das vias e o volume de camiões que por aqui circulam. Hoje levei quatro horas para sair da zona em que vivo para aqui e posso afirmar categoricamente que não foi nada fácil”, começou por explicar a peixeira.
A comerciante Joaquina Pedro, que também vende peixe no Roque, alinhou no mesmo diapasão de Nazaré.
Está encantada com as condições de sanidade postas à disposição pelo Governo Provincial de Luanda. A maior preocupação é a suspeita de que possa haver poucos clientes por causa das dificuldades de acesso ao local.
Ela defende que o Governo deveria, primeiro, concluir as obras de reabilitação da estrada principal que dá acesso ao mercado e transferi-los apenas em Janeiro do próximo ano.
A estrada ainda apresenta um mau estado, principalmente nas imediações da fábrica Vidrul e da estação de tratamento de águas do Kifangondo, apesar da intervenção que vem sendo feita pelas construtoras Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez.
Apesar de residir na comuna do Kikolo, Joaquina Pedro contou ao Tribuna da Kianda que também saiu de casa às 5 horas e 30 minutos, mas só chegou ao destino quatro horas depois.
“Olha, eu só consegui chegar cedo porque vim com carro próprio e se tivesse que fazer essa deslocação de táxi certamente chegaria mais tarde.
E teria de pagar os 500 kwanzas que os taxistas estão a cobrar pelo trajecto Roque Santeiro-Panguila”, disse Joaquina Pedro. Além da distância, outras quatro comerciantes de peixe, que se refugiaram debaixo de uma árvore por causa do sol ardente, estavam apreensivas em relação aos compromissos que têm com os bancos que lhes atribuíram empréstimos e os prejuízos que causados com a transferências para o novo espaço, onde pode não aparecer o mesmo número de clientes que recebiam diariamente no Roque Santeiro.
“As nossas despesas variam de 300 a 400 mil dólares, frutos dos empréstimos bancários que fizemos e aplicamos as nossas casas como hipotecas.
Mas diante de tal situação tememos que não conseguiremos honrar com trais compromissos. Nos primeiros meses haverá pouco movimento”, acredita Joaquina Pedro.
No entender da comerciante Lina Pedro, apesar de existirem vários postos policiais e uma unidade dos bombeiros ao longo da via Cacuaco-Luanda, as autoridades governamentais não conseguirão resolver todos os problemas que surgirão com a mudança de mercado.
“Não estou a desejar mal”, começou por dizer “Lina” Pedro, acrescentando que “com o elevado número de pessoas que virão para aqui, aumentará certamente os índices de sinistralidades nesta via”.

Roque Santeiro: Pancadaria entre os comerciantes


A falta de informações sobre os espaços onde os comerciantes devem montar as suas bancadas instalou um clima de ameaças e de ofensas corporais entre as vendedeiras.
A anciã Luzemba Madalena, vendedora do Roque Santeiro há 28 anos, deambulava de um lado para o outro, acompanhando sempre a multidão na esperança de conseguir um lugar para comercializar as suas chinelas.
Ela foi encaminhada para o novo mercado na manhã de quarta-feira e ao chegar não conseguiu ocupar um lugar para montar a sua bancada por causa da confusão.
“Tentei me meter no meio da confusão para ver se garantia o meu lugar mas não consegui devido à minha idade. As pessoas não estão a se respeitar, mesmo aquelas que ocuparam o lugar ontem, hoje já não têm porque apareceram outros colegas que falaram que os espaços já lhes pertencem”, contou a anciã que de seguida abandonou a entrevista para se meter no meio da multidão que corria atrás de um suposto fiscal da administração da praça.
A confusão era maior na zona reservada a venda ambulante, porque os vendedores diziam que existiam lugares com mais de um locatário. Com os ânimos exaltados, os comerciantes reclamavam da falta de lugares e ameaçavam partir para a briga se fosse necessário.
O PAÍS apurou que os primeiros ocupantes que chegaram ao Panguila foram orientados pelos fiscais da administração a ocuparem cada um um metro quadrado para montarem as suas bancadas de mesas de plástico.
Alguns fizeram as devidas demarcações com o referido material e outros meios inapropriados.
Já as pessoas que apareceram no segundo dia receberam a mesma informação e demarcaram os espaços com tinta de água ou de óleo, antes de montarem as mesas brancas. Outras senhoras assinalaram os seus espaços com os panos que tinham amarrados nas cinturas, e os homens utilizaram pedras, paus e ferros.
“Quem é essa Maria que ocupou o meu lugar? A senhora terá que me bater para ficar aqui e não quero saber se seremos detidas ou não pela Polícia”, declarou, exaltada, uma das comerciantes.
Para evitar que perdessem os seus lugares, os ocupantes do pavilhão metálico, que está próximo à administração do mercado, permaneciam imóveis, sem medo de serem atingidos pelas fagulhas que saltavam da máquina que os serralheiros usavam para fixar os ferros.

Taxistas e kupapatas em festa
Os taxistas que fazem os trajectos Roque-Panguila, Cacuaco-Panguila aumentaram o preço das corridas de 300 para 500 kwanzas em função da procura. Os motoristas alegam que o aumento das tarifas deve-se ao facto de o aumento do fluxo de viaturas na via e as obras de reabilitação da mesma tornarem as viagens mas demoradas.
O mau estado da estrada e a falta de sinalização, segundo eles, não só tornam cada viagem mais perigosa como contribuem para que as viaturas se danifiquem rápidamente.
À porta do mercado encontram-se estacionadas muitas motorizadas à espera de passageiros. O jovem Alberto da Costa disse a este jornal que estava a cobrar 200 kwanzas para transportar os passageiros do local onde se encontrava até à ponte do Rio Bengo.
Os que preferissem deslocar-se do mercado do Panguila para o Roque Santeiro de forma rápida e sem ficar preso no trânsito teriam que desembolsar 1000 kwanzas. Para acalmar as pessoas que ficam apreensivas com a falta de capacete, o jovem garantiu que não há problemas nenhum. “Eu me entendo com a Polícia. Quanto aos camiões, os passageiros podem ficar descansados porque vamos viajar pelas picadas”, rematou.

Roque Santeiro: Transferência a custo elevado

A comerciante Mariana Cristina revelou a Tribuna da Kianda que a transferência das mercadorias dos armazéns e das “casas de processo” localizados nos arredores do mercado do Roque Santeiro para o Panguila poderá causar inúmeros constrangimentos.
Apesar de o novo mercado contar com 200 armazéns, 36 câmaras frigoríficas e dez restaurantes, os vendedores desconhecem os preços que serão praticados e pretendem que as autoridades governamentais se pronunciem sobre o assunto.
“Nós gostaríamos de trazer as nossas câmaras frigoríficas que temos no mercado do Roque Santeiro, mas, como aqui não há lugar, pretendemos que nos disponibilizem um local para as instalarmos, uma vez que elas foram adquiridas para reduzir os gastos que fazíamos ao ter que pagar para refrigerar os nossos produtos nas câmaras de outrem”, explicou.
Por outro lado, Mariana Cristina disse que as 36 câmaras frigoríficas que o Governo instalou naquele local não terão capacidade para armazenar a enorme quantidade de frescos que elas importam.
Quanto aos preços para transportar uma câmara de congelamento do Roque para o novo mercado, as comerciantes atestam que não existe uma tabela de preços fixa e que pode variar de 250 a 300 dólares por hora a 1000 dólares pela deslocação.
Já as pessoas que se dedicam a venda de produtos com menos encargos financeiros, manifestaram que estão bastante preocupadas com a falta de espaços para as proprietárias de barracas de alimentos que os comercializavam a um preço muito acessível. Para elas, os dez restaurantes que foram erguidos no novo mercado não suportarão a procura.
Eles são pequenos e as refeições estão a ser comercializadas a mil kwanzas, enquanto pagavam 200 kwanzas por uma refeição no anterior mercado.
“Estávamos conscientes que o mercado haveria de ser transferido, mas não desse jeito, que acabou por levar algumas pessoas a desmaiarem.
O Roque Santeiro é o nosso marido”, concluiu a comerciante Nazaré Fernandes, como uma forma de realçar a importância do mercado cujo encerramento esta marcado para domingo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Jornalista da Rádio Despertar morto misteriosamente

O jornalista da Rádio Comercial Despertar, Alberto Chakusanga, de 31 anos, foi misteriosamente assassinado com o tiro pelas costas na madrugada desta segunda-feira, 06, no interior da cozinha da sua casa, localizada no município de Viana, em Luanda.
O malogrado era considerado como um dos seus polémicos locutores desta casa de rádio que apresentava um programa em umbundu. Alberto Chakusanga, foi – segundo fontes policiais – encontrado, por voltas das 9 horas de manhã, morto mas a sua sobrinha que vivia consigo diz não ter ouvido, curiosamente, nenhum barulho do disparo e muito menos a vizinhança.
Fontes policiais do CLUB-K garantiram que o mesmo foi assassinado na sua cozinha com tiro pelas costas após uma longa conversa com o(s) assassino(s) até agora desconhecido(s), com uma arma silenciosa.
Em simulação, o(s) bandido(s) levara apenas uma botija de gás de cozinha, tal igual como aconteceu em 2004, com o nacionalista Mfulupinga Lando Victor, líder fundador do partido PDP-ANA, assassinado quando saia na sede do seu partido, no bairro Cassenda. Após o acto, os assassinos simularam em levar o carro do deputado que posteriormente foi encontrado a 600 metros do local do crime.
Um facto curioso, é que Alberto Chakusanga, natural do município da Caála, província do Huambo, morreu 24 horas após o Bureau Político do partido no poder (MPLA), ter assegurado, em comunicado saído da sua 3ª reunião ordinária, conhecer indivíduos – recrutados – para denegrir, a qualquer preço, a imagem do seu Presidente.
Entretanto, o colectivo de profissionais, deste portal, apresenta à Rádio Comercial Despertar e a família, nesta hora de dor e luto os seus profundos sentimentos de pesar pela irreparável perda de Alberto Chakusanga.
Fonte: Com Club-k.net

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Assalto no BAI: Balconista é culpado ou inocente?

O balconista do BAI Moisés Ernesto Futa, 24 anos, foi preso, na manhã desta segunda-feira, 23, no seu local de trabalho como um dos presumíveis autores do saque quando se preparava para mais um dia de trabalho.
“Eu vi quando o senhor se dirigiu ao balcão e a minha colega me disse que ele trouxe 300 mil kwanzas para trocar e, ao aperceber-se que o meu tesoureiro tinha muitas notas, decidi ajudá-lo”, contou o jovem.
Moisés Futa disse que o seu colega lhe explicou que o dinheiro que estava a contar se destinaria a pagar o salário e que nem sequer desconfiou que se tratava de uma trama porque existem muitos clientes que fazem este tipo de transacção.
“Só quando os meus colegas começaram a gritar dizendo que o Hadjami tinha sido retido por um assaltante é me apercebi do que se passava, o tal Paulo já tinha saído. Eu não tenho nada a ver com o assalto, tanto mais é que ontem fui trabalhar”, rematou.
O segurança Paulo da Silva contou que só entrou em contacto com o senhor Moisés no momento em que ele apareceu para ajudar o tesoureiro do Banco a contar e arrumar o dinheiro.
Depois do seu colega se ter dirigido para o seu posto, segundo conta, o Hadjami dos Santos fez-lhe o sinal para tirar a pistola de brinquedo, ameaçando-o e levando-o até a Caixa Forte.
O gesto bondoso de Moisés Futa levou-o a pensar inicialmente que havia sido enganado pelo seu companheiro e que ele também estava envolvido no esquema Todo, visto que sabia que seriam apenas eles dois. Hadjami dos Santos confirmou à imprensa a informação que o seu colega Moisés Futa, que se encontra a trabalhar neste banco há apenas oito meses, auferindo um salário de 1.350 dólares, não teve nenhum envolvimento no crime.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Marginal morto em pleno assalto ao banco BIC

O segundo comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional para a área Operativa, subcomissário Leitão Ribeir (na foto), revelou, esta terça-feira, 24, que o segurança da Ango Segu esteve à altura da situação na tentativa de assalto à agência do BIC, localizada na rua Ngola Kiluanji, ao alvejar mortalmente o cidadão Tanga João Claúdio.
“Na segunda-feira houve uma tentativa de assalto que não teve êxito porque um dos seguranças da empresa Ango Segu terá realizado um trabalho à dimensão daquilo para qual ela foi criada”, explicou o comandante, acrescentando que “a resposta a um assaltante que transportava um engenho explosivo, portanto uma arma de destruição em massa, terá sido a altura”.
Por outro lado, Leitão Ribeiro esclareceu que os assaltantes levaram da caixa forte da agência do Banco Africano de Investimento (BAI), localizada na Marginal de Luanda, 210 mil dólares, 16 mil euros e mais de um milhão de kwanzas.
Ao ouvir as explicações dos supostos assaltantes, o subcomissário Leitão Ribeiro defendeu que os cidadãos não podem aproveitar do facto de estarem acometidos com problemas familiares para se apossarem de bens alheios para suprir tais dificuldades.
“Partindo do princípio que o crime não compensa, alertamos a quem neste preciso momento continua com a engenharia para assaltar que desistam, porque a Polícia está em estado de alerta”, apelou.
No entanto, o segundo comandante Leitão Ribeiro declarou ainda que as câmaras do sistema de vigilância da agência não colheu as imagens como devia e solicitou aos gestores dos bancos que procurem instalar as melhores câmaras e em locais chaves para que os marginais sejam facilmente identificados, ainda que estejam com os rostos cobertos. A Polícia Nacional conseguiu esclarecer o assalto ao BAI em 48 horas, o que não acontecia há muito tempo.

Tesoureiro do BAI queria Nova Vida

A gula em conseguir dinheiro para adquirir um apartamento no Projecto Nova Vida num curto espaço de tempo é descrita pelo tesoureiro do Banco Africano de Investimento (BAI), Hadjami Filomeno Franco dos Santos, 32 anos, como o motivo que o levou a assaltar no pretérito dia 18, o seu local de trabalho.
O cidadão Paulo Jorge da Silva, 34 anos, declarou à imprensa que após esvaziar os cofres do BAI foi para a sua residência onde ficou à espera do seu amigo Hadjami dos Santos para repartirem o dinheiro. Segundo conta, assim que o tesoureiro do banco se apercebeu que a Polícia suspeitava da sua participação ligou várias vezes para ele a pedir que fugisse.
“Os polícias quando foram a minha casa encontraram a pasta de dinheiro do mesmo jeito que estava quando saí do banco. Não tirei nenhuma nota”, começou por esclarecer o jovem que não encontrou dificuldade nenhuma para apropriar-se dos valores. O roubo foi planeado com seis dias de antecedência, num discreto restaurante localizado nos arredores da Feira Ngoma, pelo tesoureiro da agência do BAI da Avenida 4 de Fevereiro e o seu amigo Paulo da Silva, que trabalha como segurança da empresa de protecção civil Lince.
Paulo da Silva, que é filho único, justificou a sua participação no assalto alegando que precisava de dinheiro para ajudar a sua mãe que saiu há poucos dias do Hospital do Sanatório.
“O Hadjami ligou para mim, no sábado, a propor para fazermos o assalto e garantiu-me que não haveria nenhum problema, tanto com os seguranças como com as câmaras de videovigilância que estão espalhadas pelo estabelecimento”, começou por contar o funcionário da Lince que estava encarregado de proteger uma das agências do Banco Keve.
De modo a evitar que fosse reconhecido, o tesoureiro do BAI aconselhou-o a mudar de aparência e agir da forma a não levantar suspeita.
Para evitar que fossem descobertos, o segurança disse que foi aconselhado a munir-se com uma pistola de brinquedo para que as imagens do circuito fechado registassem a cena como se ele tivesse sido obrigado a entregar o dinheiro, sob pena de ser assassinado, caso procedesse de forma contrária.

Duas tentativas num só dia
Foi graças a essas instruções que ele conseguiu entrar e sair do banco sem despertar a atenção dos guardas nos dois momentos distintos.
A primeira tentativa de surripiar os cofres da agência do BAI, ocorreu por volta das 11 horas, quando entrou no estabelecimento e se deparou com um clima que considerou não ser apropriado à acção que pretendiam desencadear. Mas ganhou coragem e atravessou o portão do banco em direcção a uma das funcionárias, identificada apenas como “mulatinha” que usa óculos.
Fazendo-se passar por comerciante, o acusado dirigiu-se à senhora e manifestou o seu interesse em trocar 300 mil kwanzas em notas de menor valor facial, mas ela recusou alegando que não havia este tipo de dinheiro.
“Tudo que eu estava a dizer havia me sido orientado pelo Hadjami dos Santos”, explicou o jovem Paulo da Silva. Diante da resposta que lhe foi dada, decidiu regressar à casa.
Já na garupa do motoqueiro que havia sido aconselhado a alugar para o transportar, sob o pretexto que estaria a ir levantar dinheiro no banco, Paulo da Silva recebeu o telefonema do seu companheiro pedindo que regressasse.
“Ele ligou a questionar o meu paradeiro e eu disse-lhe que já estive lá, mas que a sua colega havia me informado que não tinha notas pequenas.
Ele disse: vem só, vais me encontrar no balcão e serei eu a atender-te”, contou. “Entrei novamente com a pasta vazia e dirigi-me até ao balcão e ele pediu-me para o acompanhar até a sala onde se encontrava o dinheiro”, acrescentou.
O jovem, que deixou os luandenses, a semana passada, admirados com a forma como esvaziou os cofres da agência do BAI da Marginal sem levantar suspeitas, contou ainda que os 300 mil Kwanzas que haviam anunciado não passavam de uma simulação.


A confissão do bancário
Ao ver a forma detalhada como o seu compincha, ladeado por três indivíduos com os rostos cobertos e trajado de coletes antibala, havia detalhado a ocorrência, o tesoureiro do BAI limitou-se a confirmar toda a história.
Hadjami dos Santos trabalha neste Banco há seis anos e aufere 2.500 dólares mês.
De forma calma e tranquila, o tesoureiro afirmou que, com o dinheiro do assalto, pretendia comprar um apartamento no projecto Nova Vida, no valor de 180 mil dólares: “tinha de arranjar 70% deste montante até sábado, sob pena de outra pessoa comprar a casa visto que a proprietária tinha pressa de se desfazer dele, uma vez que tem um parente doente em Portugal”, esclareceu aos jornalistas.
Interrogado sobre a razão de não ter solicitado um crédito bancário, uma vez que na qualidade de funcionário da empresa teria maior facilidade em obtê-lo, o acusado disse que só não o fez porque já tem dívidas contraídas com o banco.
“Tenho uma filha de que gosto muito e sinto pena em saber que ela verá o seu pai como manchete dos meios de comunicação social. Peço à sociedade que me perdoe, acho que eu mereço isso”, concluiu Hadjami dos Santos.

Jornalistas brasileiros preocupados com Angola

MOÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO DA IMPRENSA EM ANGOLA

Tendo tomado conhecimento dos últimos desenvolvimentos da situação da Imprensa em Angola onde, apesar das evidentes garantias constitucionais em matéria de Liberdade de Imprensa, se assiste recentemente a desenvolvimentos preocupantes, designadamente:
a) A aquisição dos principais semanários de independência editorial por parte de grupos privados caracterizados pela opacidade relativamente à sua estrutura accionista - que não é revelada - e após sucessivas acções de pressão por via de afogamento da receita publicitária de origem pública ou privada;
b) A implantação nos referidos semanários de acções de censura recorrentes, cujo episódio mais recente foi a queima de edições do semanário angolano A Capital na própria gráfica e confisco posterior arbitrário e ilegal de uma outra em vias de distribuição;
c) O aumento de sinais de intolerância, parcialidade, diminuição do exercício do contraditório e do pluralismo no seio da mídia em geral;
d) As insistentes preocupações manifestadas pelos jornalistas angolanos ao nível sindical e associativo, corroboradas em alguns casos por órgãos de dignidade legal como o Conselho Nacional de Comunicação Social sobre apreensões abusivas de jornais; preocupações essas reiteradas por diversas instituições da sociedade civil, segundo as quais, esses desenvolvimentos configuram um quadro onde, além de sofisticadas iniciativas de silenciamento da Imprensa independente, por via da apropriação privada, o ressurgimento de práticas de intimidação dos jornalistas atentatórias à liberdade de Imprensa e de Expressão, contrárias aos preceitos constitucionais da IIIª República de Angola, a Declaração de Windhoek (reconhecida pela Assembleia Geral da ONU, incluindo Angola); a Declaração sobre a Liberdade Expressão em África:
Os jornalistas reunidos por ocasião do 34º.Congresso Nacional dos Jornalistas brasileiros, em Porto Alegre, Brasil decidem:
1. Manifestar a sua apreensão por esses acontecimentos no domínio da mídia angolana, que traduzem claros sinais de retrocesso em matéria de liberdade de Imprensa e de expressão contrários ao estado de direito democrático assegurado pela constituição da III República de Angola, a Declaração de Windhoek, A declaração sobre a Liberdade de Expressão em África, a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
2. Apelar às autoridades angolanas urgentes acções no sentido de garantir o livre exercício profissional da actividade jornalística, no quadro do pluralismo de ideias, independência editorial e diversidade dos meios no âmbito das garantias constitucionais do Estado democrático de direito;
3. Manifestar a sua solidariedade para com os jornalistas angolanos nos seus esforços para garantir a sobrevivência da Imprensa independente e de um jornalismo profissional livre, crítico e editorialmente autónomo, como um dos pilares mais importantes capazes de garantir a efectividade da democracia em Angola;
4. Promover acções de denúncia, solidariedade e mobilização de recursos alternativos à escala internacional
FONTE: CLUB-K