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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tesoureiro do BAI queria Nova Vida

A gula em conseguir dinheiro para adquirir um apartamento no Projecto Nova Vida num curto espaço de tempo é descrita pelo tesoureiro do Banco Africano de Investimento (BAI), Hadjami Filomeno Franco dos Santos, 32 anos, como o motivo que o levou a assaltar no pretérito dia 18, o seu local de trabalho.
O cidadão Paulo Jorge da Silva, 34 anos, declarou à imprensa que após esvaziar os cofres do BAI foi para a sua residência onde ficou à espera do seu amigo Hadjami dos Santos para repartirem o dinheiro. Segundo conta, assim que o tesoureiro do banco se apercebeu que a Polícia suspeitava da sua participação ligou várias vezes para ele a pedir que fugisse.
“Os polícias quando foram a minha casa encontraram a pasta de dinheiro do mesmo jeito que estava quando saí do banco. Não tirei nenhuma nota”, começou por esclarecer o jovem que não encontrou dificuldade nenhuma para apropriar-se dos valores. O roubo foi planeado com seis dias de antecedência, num discreto restaurante localizado nos arredores da Feira Ngoma, pelo tesoureiro da agência do BAI da Avenida 4 de Fevereiro e o seu amigo Paulo da Silva, que trabalha como segurança da empresa de protecção civil Lince.
Paulo da Silva, que é filho único, justificou a sua participação no assalto alegando que precisava de dinheiro para ajudar a sua mãe que saiu há poucos dias do Hospital do Sanatório.
“O Hadjami ligou para mim, no sábado, a propor para fazermos o assalto e garantiu-me que não haveria nenhum problema, tanto com os seguranças como com as câmaras de videovigilância que estão espalhadas pelo estabelecimento”, começou por contar o funcionário da Lince que estava encarregado de proteger uma das agências do Banco Keve.
De modo a evitar que fosse reconhecido, o tesoureiro do BAI aconselhou-o a mudar de aparência e agir da forma a não levantar suspeita.
Para evitar que fossem descobertos, o segurança disse que foi aconselhado a munir-se com uma pistola de brinquedo para que as imagens do circuito fechado registassem a cena como se ele tivesse sido obrigado a entregar o dinheiro, sob pena de ser assassinado, caso procedesse de forma contrária.

Duas tentativas num só dia
Foi graças a essas instruções que ele conseguiu entrar e sair do banco sem despertar a atenção dos guardas nos dois momentos distintos.
A primeira tentativa de surripiar os cofres da agência do BAI, ocorreu por volta das 11 horas, quando entrou no estabelecimento e se deparou com um clima que considerou não ser apropriado à acção que pretendiam desencadear. Mas ganhou coragem e atravessou o portão do banco em direcção a uma das funcionárias, identificada apenas como “mulatinha” que usa óculos.
Fazendo-se passar por comerciante, o acusado dirigiu-se à senhora e manifestou o seu interesse em trocar 300 mil kwanzas em notas de menor valor facial, mas ela recusou alegando que não havia este tipo de dinheiro.
“Tudo que eu estava a dizer havia me sido orientado pelo Hadjami dos Santos”, explicou o jovem Paulo da Silva. Diante da resposta que lhe foi dada, decidiu regressar à casa.
Já na garupa do motoqueiro que havia sido aconselhado a alugar para o transportar, sob o pretexto que estaria a ir levantar dinheiro no banco, Paulo da Silva recebeu o telefonema do seu companheiro pedindo que regressasse.
“Ele ligou a questionar o meu paradeiro e eu disse-lhe que já estive lá, mas que a sua colega havia me informado que não tinha notas pequenas.
Ele disse: vem só, vais me encontrar no balcão e serei eu a atender-te”, contou. “Entrei novamente com a pasta vazia e dirigi-me até ao balcão e ele pediu-me para o acompanhar até a sala onde se encontrava o dinheiro”, acrescentou.
O jovem, que deixou os luandenses, a semana passada, admirados com a forma como esvaziou os cofres da agência do BAI da Marginal sem levantar suspeitas, contou ainda que os 300 mil Kwanzas que haviam anunciado não passavam de uma simulação.


A confissão do bancário
Ao ver a forma detalhada como o seu compincha, ladeado por três indivíduos com os rostos cobertos e trajado de coletes antibala, havia detalhado a ocorrência, o tesoureiro do BAI limitou-se a confirmar toda a história.
Hadjami dos Santos trabalha neste Banco há seis anos e aufere 2.500 dólares mês.
De forma calma e tranquila, o tesoureiro afirmou que, com o dinheiro do assalto, pretendia comprar um apartamento no projecto Nova Vida, no valor de 180 mil dólares: “tinha de arranjar 70% deste montante até sábado, sob pena de outra pessoa comprar a casa visto que a proprietária tinha pressa de se desfazer dele, uma vez que tem um parente doente em Portugal”, esclareceu aos jornalistas.
Interrogado sobre a razão de não ter solicitado um crédito bancário, uma vez que na qualidade de funcionário da empresa teria maior facilidade em obtê-lo, o acusado disse que só não o fez porque já tem dívidas contraídas com o banco.
“Tenho uma filha de que gosto muito e sinto pena em saber que ela verá o seu pai como manchete dos meios de comunicação social. Peço à sociedade que me perdoe, acho que eu mereço isso”, concluiu Hadjami dos Santos.

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