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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Seguranças roubam 14 milhões de Kz no BPC

O chefe das operações da empresa de protecção física Angoinform, Armando Mukuze, revelou nesta quinta-feira, 24, que é a segunda vez que os seus colegas assaltam a agência móvel do Banco de Poupança e Crédito (BPC) que guardavaM, localizada na comuna do Benfica.
Armando Mukuze explicou que os seguranças que praticaram o primeiro assalto não conseguiram abrir o cofre máximo para se apropriarem, dos valores monetários que ali se encontravam guardados. A segunda tentativa ocorreu na madrugada desta quarta-feira, 23, e resultou no furto de 14 milhões de Kwanzas. “Realço que esta é a segunda vez que os nossos funcionários assaltam aquela dependência. Os autores da primeira investida até agora se encontram em fuga”, explicou.
Segundo o chefe de operações, depois de surripiarem os valores, os guardas abandonaram o armamento e o uniforme no local, fugiram por terra até à província da Huila, onde só foram localizados graças a denúncia do familiar de um deles.
A directora de comunicação e imagem do BPC, Sónia Antas, disse que a empresa de Angoinform assumiu a devolução dos valores roubados, com base no contrato firmado entre os dois organismos Adiantou ter sido aberto um processo de investigação, no sentido de se apurar o envolvimento de funcionário do BPC, afectos à dependência bancária.
O porta-voz do comando provincial de Luanda a Polícia Nacional, superintendente Jorge Bengue, assegurou ao Tribuna da Kianda que a sua corporação está a trabalhar junto da direcção da empresa que presta serviço de segurança à dependência assaltada para a rápida captura dos supostos criminosos.
Jorge Bengue aproveitou a ocasião para alertar aos responsáveis de empresas de segurança privada que actuam na capital do país sobre as debilidades graves de funcionamento que elas apresentam. Apontando o pouco rigor no processo de selecção e a ausência de formação especializada, como sendo os principais factores que contribuem para má qualidade dos seus efectivos.
“Estas deficiências traduzem-se numa má prestação de serviço, por isso considero que este tipo de actividade deve ser feita com muita qualidade, atenção com um acompanhamento devido, porque a mínima falha pode trazer consequências graves, incluindo a perca de vidas humanas”, explicou, acrescentando que “o comando provincial tem vindo a realizar um profundo trabalho que visa retirar as licenças de exercício desta actividade as empresas que funcionam em condições inadequadas”.
O projecto de lançamento de postos bancários móveis, nas zonas periféricas, visa descongestionar outras dependências, nas zonas urbanas, e melhorar o atendimento aos clientes do BPC. Nos últimos tempos diminuíram os assaltos em bancos fruto da acção da Polícia Nacional, cujos agentes mantêm uma segurança apertada nos arredores das dependências bancárias.
Um estudo realizado pelos peritos da Polícia sobre a forma como foram realizados os assaltos nos primeiros meses deste ano levou os responsáveis da corporação a elaborarem um novo ‘modus Operandi’ para inverter o quadro.
Neste sentido, a Polícia Nacional foi obrigada a redefinir a sua estratégia de actuação identificando as agências que oferecem maior vulnerabilidade em termos de segurança, principalmente por causa da localização geográfica das dependências e o sistema de segurança.
Foram também destacados nas zonas circundantes aos bancos agentes em postos fixos, patrulhamento apeado, auto e o motorizado, através da brigada móvel da Unidade Operativa de Luanda.

“Carrascos” do Benfica desaparecidos

O comando-geral da Polícia Nacional está com inúmeras dificuldades para apresentar os supostos efectivos da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) de Luanda que estiveram envolvidos no assassinato dos jovens Willian Marques Luís (Liro Boy), Hamiltom Pedro Luís (Kadu) e Kléber Teodoro, na comuna do Benfica.
Já se passaram mais de um mês desde que o segundo comandante-geral da Polícia Nacional para a Ordem Pública, Paulo de Almeida, garantiu, em conferência da imprensa, que seriam apresentados os autores do crime que ficou conhecido como “Caso Benfica”.
“Os órgãos judiciais têm que intervir, sobretudo as procuradorias para legalizarem as diligências que precisam de ser feitas e tudo indica que nos próximos dias estaremos em condições de dizer publicamente quem são os autores desta barbárie”, garantiu na altura o oficial. Segundo fontes deste jornal, dois dias depois de ter acontecido os homicídios, os peritos da DPIC destacados na esquadra do Benfica foram notificados a comparecerem na Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC).
Esta medida contribuiu para que os parentes do malogrado “Liro Boy”, 19 anos, e os estudantes que vivem na residência onde ele foi retirado a força, não conseguissem identificá-los. O mesmo aconteceu no dia em que os investigadores que estão a dirigir o processo levaram a cidadã Angelina da Silva Diogo, avó dos jovens “Liro Boy” e “Kadu” para reconhece-los.
De acordo com uma outra fonte afecto a DNIC, esta medida serviu apenas para demonstrar aos familiares das vítimas que tudo estava a ser feito para apurar se tinham sido realmente os agentes da corporação que praticaram tal crime.
Para os suspeitos não permanecerem desocupados, atendendo aos anos de experiência que têm, alguns teriam sido encaminhados para a Esquadra do Bairro do Panguila.
A tentativa de acobertar os presumíveis autores do crime terá sido abortada nas vésperas das comemorações do 31º aniversário da Polícia Nacional quando o ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, ordenou aos mais altos responsáveis da corporação que apresentassem os reais autores do crime.
Um responsável do gabinete da DPIC da Esquadra do Benfica, que esta sob suspeita, decidiu assumir o seu posto sob protesto de não existir nenhuma prova contra ele. Mas, para sua tristeza, foram todos notificados pelos oficiais da Direcção de Inspecção do Ministério acima mencionado para prestarem informações sobre a ocorrência. Com receio de que teriam o mesmo fim que os sete autores do Caso Frescura, ter-se-ão posto em fuga e, ao que tudo indica, de forma separada.
Entre os fugitivos, constam dois oficiais de campo da Polícia que residem naquela zona e que foram apenas os informantes do local onde o jovem Liro Boy se encontrava. Enquanto decorria a operação, ambos terão permanecido no interior de uma viatura que se encontrava estacionada na rua detrás e só terão se apercebido que os seus colegas haviam levados dois supostos inocentes, nomeadamente, Kléber Teodoro e o Kadu, no local onde praticaram o crime.
Contactado por este jornal, o porta-voz do comando provincial de Luanda, superintendente chefe Jorge Bengue, disse que ainda não têm nada a declarar acerca deste caso, mas que tão logo as investigações sejam concluídas serão tornado público.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Vitória de Luís Domingos

O jornalista Luís Domingos marcou a vida de muitos angolanos não só pelas suas reportagens sobre a guerra no nosso país, emitidas pela Televisão Pública de Angola (TPA) ou pela forma como organizou o programa “Ponto de Encontro”, mas também pela disponibilidade de acolher no seu seio familiar a única sobrevivente do bombardeamento à cidade do Andulo, província do Bié.
O ex-repórter de guerra conheceu a menina na altura em que foi enviado para cobrir a ocupação daquela parcela do território nacional até então sob domínio dos guerrilheiros das Forças Armadas para a Libertação de Angola (FALA), braço armado da Unita.
Luís Domingos encontrava-se sentado num dos muros da residência do general Nguto, quando reparou num militar que levava a criança com graves ferimentos na cabeça. Ao questionar sobre a sua identidade, o jornalista foi informado que a pequena, que aparentava ter apenas três anos de idade e que não conseguia falar, era a única sobrevivente que encontraram dentro da cidade.
“A ferida já estava verde e como os militares não sabiam o que fazer porque estavam no meio de uma guerra, decidi trazê-la a Luanda para, pelo menos, ser assistida numa das unidades hospitalares”, contou.
Com o tempo que permaneceu naquele local, o jornalista esqueceu a responsabilidade que assumiu e só recordou graças a um soldado que foi a criança ao aeroporto no momento em que se preparava para embarcar para a capital do país.
Ao chegar ao Hospital do Alvalade, actual Clínica do Alvalade, ligou para a esposa que não hesitou em acolher a menina em sua residência após receber alta.
“A primeira ideia era levar a Vitória para um lar depois da ferida sarar, só que o tempo de convivência fez com que passássemos a considerá-la como um membro da nossa família e decidimos ficar com ela”, frisou.
Questionado sobre a forma como decorreu o processo de adopção, o nosso interlocutor recorreu aos princípios que aprendeu na Igreja Católica para explicar que teve muito cuidado neste sentido, visto que a menina precisava de documentos para poder estudar. Para evitar constrangimentos, o casal registou e baptizou a criança mas deixou em branco o espaço do nome do pai e da mãe para quando ela tiver 18 anos, poder decidir se os aceita como seus pais. Como desconheciam a data de nascimento da menina, Luís Domingos achou por bem atribur a data de aniversário da TPA, 18 de Outubro, como dia do nascimento. A aparência física da menina levou-os a concluir que devia ter três anos de idade e registaram-na com o nome de Vitória Suala.
“Pelo facto de ela ter sobrevivido aos bombardeamentos de armas muito pesadas, inicialmente achei que devia dar-lhe o nome de Vitória do Andulo, mas, depois, concluímos que seria melhor mudar para Vitória Suala (que significa sacrifício numa das línguas nacionais) porque, caso contrário ela recordaria sempre que fosse questionada o porquê deste nome”, enfatizou.
No entanto, como a Vitória está actualmente com 14 anos, Luís Domingos pretende contar a sua verdadeira história quando atingir a maioridade. Depois dela decidir se os aceita como seus pais irão à Conservatória e à igreja preencher os espaços em branco.
O jornalista, que actualmente ocupa um dos assentos da Assembleia Nacional, justificou a sua acção alegando que há uma tendência muito grande para as pessoas adoptarem crianças porque querem ter um empregado e não por amor.
“Naturalmente e pela especificidade do processo, eu sou o pai dela, visto que ela não conhece outra pessoa e nunca ninguém lhe disse o contrário. Mas imagino que, se assim acontecer, ela poderá reagir muito mal porque nós nos tratamos como pai e filha”, explicou.
Acrescentou de seguida que “a Vitória não conhece a sua história e quando lhe mostro a fotografia dela ferida nas mãos dum militar e lhe digo que estava no Andulo, acaba por chorar porque, certamente, é algo que não lhe faz bem”.
Marcas da guerra O deputado à Assembleia Nacional julga acreditar que ela ainda guarda uma vaga lembrança de tudo o que aconteceu, apesar de ter ocorrido numa altura em que era criança. Mas recusa aceitar que é ela quem está na fotografia.
“Ela é muito vaidosa e aquela imagem não é nada agradável. Se as pessoas olharem para ela agora e compararem o estado em que ela se encontrava, poderão ver que ela tem razão de agir deste jeito. Considero ser gratificante vê-la crescer bem e com saúde, embora seja um pouco fraca na escola supostamente devido aos ferimentos”, justificou.
Luís Domingos explicou que a menina não teve dificuldades em se adaptar ao seu ambiente familiar e que os seus filhos a receberam bem, depois de terem sido sensibilizados com a ideia de que estariam a ajudar uma criança que perdeu os seus parentes na guerra.

Número de crianças abandonadas cresce diariamente

O índice de abandono de crianças está a aumentar diariamente em todo o país devido à instabilidade que se regista nas famílias mono parentais, afirmou o responsável do departamento de intercâmbio do INAC.
Pedro Costa, revelou que o facto deste tipo de ocorrências se registar maioritariamente nos lares onde existe unicamente a figura de mãe e filhos, leva a instituição a defender que estas crianças sejam adoptadas ou tutelada por famílias alargadas ou substitutas.
Pedro Costa explicou que existem dois tipos de crianças abandonadas: as que são deitadas no contentor de lixo, na lixeira, na vala de drenagem ou na rua e as cujas mães entregam para cuidados temporários, mas que acabam por as abandonar nos braços da pessoa a quem solicitaram ajuda.
E, por último, o tipo de abandono que ocorre nas maternidades. “A maioria dos casos de abandono que registamos é o moral: ocorre quando os pais negam a paternidade dos seus filhos ou os cuidados que devem prestar a eles. Atendendo a este facto temos estado a procurar um antídoto para o problema aconselhando os progenitores”, explicou com um ar de preocupação.
Sobre os requisitos necessários para ficar com a tutela de uma criança, em substituição dos parentes sanguíneos, o responsável do INAC explicou que as pessoas que queiram enveredar por este caminho têm que reunir condições económicas e sociais sólidas, de modo a garantir que as crianças tenham o acesso à educação, à saúde e a um crescimento físico e psíquico normal.
O processo de tutela tem sido mais solicitado por parentes dos progenitores dos menores, após o falecimento ou quando notam que os pais não cumprem os mínimos das condições para o crescimento saudável das crianças.
“Há uma diferença muito grande entre adopção e a tutela que vale apenas explicar aqui. Esta última é um vínculo de familiar, provisório, ao passo que a adopção e um processo desencadeado em tribunal e que já não tem retorno”, esclareceu.
Questionado sobre as medidas a serem aplicadas aos pais que ao constatarem que os seus filhos foram adoptados por uma família com poder financeiro e exigem que sejam ressarcidos, Pedro Costa esclareceu que o Código de Família estabelece que a adopção é uma decisão exclusiva do Estado. E, para tal, é salvaguardado o direito de trabalhar com as instituições que tem à sua disposição para acautelar todas as situações que levem eventualmente à reivindicação da criança pela família biológica.
A Lei reserva ainda um espaço para os pais desprovidos de condições morais, psicológicas, sociais e económicas para proporcionarem uma vida saudável e tranquila e que não podem conviver com elas, também tenham o direito de decidir se o seu descendente pode ou não ser adoptado.
Na ausência dos pais biológicos, esta responsabilidade recai sobre os irmãos, os tios ou avós e, caso se registem dificuldades para a obtenção deste consentimento, a Lei estabelece prerrogativas aos juízes para poderem decidir o que será melhor para a criança. Quanto à adopção de menores por parte de cidadãos estrangeiros, este direito é reservado exclusivamente à Assembleia Nacional.

Salvos pela adopção



Demitir Gabriel foi abandonado numa das ruas da cidade de Luanda com apenas um dia de vida, com menos de dois quilos, desnutrido, anémico e muito fraco.
A forma como estava trajado e o recinto em que o pequeno se encontrava, levou os transeuntes a concluírem que estavam diante de mais um caso de abandono de criança que comunicaram às autoridades governamentais. Ao receber a criança, a Direcção Provincial de Luanda do Ministério de Assistência e Reinserção Social (MINARS) procurou seleccionar um dos candidatos à adopção, que estariam interessados em acolher no seu lar uma criança nestas condições.
Para felicidade do petiz, o escolhido foi o apresentador de televisão Jorge Antunes, que marcou a sua estreia na TV Zimbo distribuindo dinheiro aos cidadãos que se aventuravam a testar os seus conhecimentos no programa “Quem quer ser milionário”.
Segundo conta o também professor universitário, os técnicos do Minars tiveram o cuidado de o informar sobre o estado de saúde da criança e mostraram-lhe uma fotografia. Ao ver a imagem do bebé o “fazedor de milionários” não pensou duas vezes para manifestar a sua disponibilidade acolhê-lo como mais um membro da sua família.
“Depois combinei com as assistentes sociais para mo apresentarem e no dia em que vi a criança recebia-a e acolhi-a em minha casa, 12 dias depois de ter sido abandonada”, contou. Atendendo ao facto de o Demitir Gabriel se encontrar em fraco estado de saúde, a direcção provincial do MINARS, que cuida das crianças abandonadas, deixou os aspectos burocráticos de lado e entregou-o ao candidato.
Neste momento, o processo de adopção corre os seus trâmites normais numa das varas de Família do Tribunal Provincial de Luanda. “Por essa razão foi-me entregue mesmo antes de o processo ter começado no tribunal. No entanto, conto actualmente com o apoio de todas as instituições que tratam de casos do género e hoje, já está registado e aguardo a sentença do tribunal de família para formalizar a adopção”, explicou.
Só depois de cumprir com os trâmites legais é que o apresentador poderá atribuir à criança o seu sobrenome. Enquanto isso, para colmatar a falta de experiência que tem neste ramo, Jorge Antunes disse que teve que mobilizar os seus familiares e amigos para o ajudarem a cuidar do menino, visto que é a primeira vez que se encontra nesta condição de pai. “Contei com o apoio de todos, em especial de uma comadre que se disponibilizou a dar os primeiros tratamentos que a criança merecia e o acompanhou nos primeiros meses”, frisou.
Jorge Antunes considera a adopção como um contributo que as pessoas podem dar para ajudarem a resolver alguns dos problemas que a nossa sociedade enfrenta, tendo em conta que a justiça se disponibilizou e está empenhada a cem por cento quando se trata de processos deste género. O papel dos órgãos de justiça, segundo diz, não cessa com a atribuição da paternidade porque fazem todo o acompanhamento desde a visita ao local onde a criança será educada, para verificar as toas as condições.
“Quanto mais pessoas estiverem a dispostas adoptar mais famílias felizes teremos. Nunca tive dificuldades e penso que não terei visto que estou a seguir todos os trâmites”, esclareceu.
Com praticamente dez meses de idade actualmente, o pequeno Demitir é descrito pelo pai adoptivo como uma criança muito feliz, não só por causa das brincadeiras que faz como também pela maneira como demonstra as suas habilidades ao querer levantar-se, engatinhar e andar agarrado às pessoas.
Antes de se candidatar à adopção, Jorge Antunes estudou a forma como devia lidar com a criança e passou por uma fase que descreve como tendo sido de preparação psicológica. “Acho que a vantagem de ter um filho adoptivo é essa: escolhermos a melhor altura para o adoptar e o momento em que achamos estar mais preparados.
Claro que é muito diferente o projecto da realidade, mas, no meu caso, a experiência está a ser maravilhosa. Os pais biológicos amam os seus filhos porque são seus filhos e os pais adoptivos têm filhos porque os amam”, concluiu radiante de felicidade.



Turbulenta adopção por Karina
O processo de tutela ou adopção de menores nem sempre corre conforme esperado para as pessoas que se predispõem a tal acção. Prova disso foi o que aconteceu com a produtora de moda portuguesa Karina Barbosa, residente em Angola há vários anos. Em 2007 esteve envolvida num conflituoso processo sobre a guarda de uma menor que acolheu como filha.
De acordo com informações divulgadas na altura pelos meios de comunicação social, ao deparar-se numa das suas viagens à província do Moxico com as inúmeras dificuldades que passavam os pais da pequena Daniela, a proprietária da Step Models decidiu ajudá-los tomando a responsabilidade de criar a menina. Para além de proporcionar todas as condições necessárias para que a Daniela tivesse uma vida tranquila, dizia-se que Karina Barbosa contribuía para o sustento da família enviando periodicamente uma quantia monetária aos seus pais. Ao decidir cancelar os envios, as relações azedaram-se, os pais biológicos de Daniela vieram a terreiro acusar a produtora de moda de ter raptado a menina.
A equipa de reportagem deste semanário tentou obter mais elementos sobre o caso procurando contactar a ex-modelo que, segundo a secretária da agência se manifestou indisponível.
Por outro lado, Tribuna da Kianda contactou a coordenação do programa “Emergência Criança em Risco – S.O.S”, da direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars), para se inteirar sobre o número de candidatos na lista de espera para adopção de crianças. Não foi bem sucedido.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Preços dos móveis deixam jovens em apuros (2)


Todos os gostos e bolsos

Na Avenida Pedro de Castro VanDúnem “Loy”” encontramos mais de dez lojas de venda de mobiliários para casa, escritório e electrodoméstico. Para despertar a clientela, os gestores dos estabelecimentos comerciais com produtos direccionados a um público mais exigente, optaram por criar as suas próprias políticas de marketing que passam pela distribuição de panfletos publicitários a anúncios feito nas janelas, com frase como: “Promoção”, “Grande Promoção” ou ainda “promoção com 20% de desconto”.
Na loja Lecíco, os produtos estão a ser comercializado a preços promocionais desde que abriu as portas em Dezembro último.
De acordo com gestor deste estabelecimento, Jadson da Silva antes de abrir o estabelecimento fizeram um estudo promocional que lhe permitiu entrar no mercado.
“Para além da nossa promoção fornecer ao público produtos de boa qualidade a baixo preço, os nossos clientes recebem ainda a montagem e o transporte de graça. Nos casos dos geradores garantimos também a manutenção durante um certo tempo”, detalhou.
Segundo o nosso interlocutor, o preço dos móveis varia em função do tipo de material utilizado, mas a diferença do valor dos produtos semelhantes não ultrapassam os 600 dólares.
Caso o cliente queira uma sala de jantar completa (com aparador e cristaleira), dependendo do tipo e da quantidade de cadeiras poderá desembolsar de 4.500 dólares a 7500 dólares.
Jadson da Silva revelou que os produtos comercializados na sua loja são de oriundo de Espanha, Portugal e Turquia por serem países que trabalham mais com madeira e cabedal.
O preço dos jogos de cadeirões de cabedal começam a partir de 2300 dólares e o mais alto é 4300 dólares.
Na secção de jogos de quartos, o visitante é surpreendido com uma diversidade de produtos desde os clássicos aos mais modernos.
“A diferença que existe entre nós e os nossos concorrentes consiste principalmente no facto de vendermos as coisas em conjunto, enquanto eles vendem em separados. Um jogo de quarto completo (constituído cama kissai em madeira, duas bancas, cómoda com espelho, base de TV plasma e guarda-fato de seis portas) está entre 4500 e 5000 dólares”, detalhou.
Acrescentando de seguida que “dentro deste valor existe ainda uma política de desconto que pode ser feito em função da quantidade e do tipo de material que o cliente quiser”.
Já na loja Mãe de Todos são comercializados materiais provenientes do Brasil a um preço mais acessível, mas em contra partida caberá ao cliente pagar pelo transporte, pela montagem sem nenhuma garantia.
Os produtos são comercializados em separados e para ter uma sala de jantar completa com mesa de seis cadeiras, 48 mil Kwanzas, 23 mil pelo canto bar e valor da estante vária de 24 mil a 54 mil Kwanzas. A cama de casal de ferro custa 22000 Kwanzas e o preço da cama de madeira varia de 44 a 57 mil Kwanzas.
A gerente da Casa Inahara 4, que tornou-se numa das mais conhecidas do nosso mercado devido a publicidade que faz em diversos canais radiofónicos, recusou-se a prestar qualquer tipo de informações à equipa de reportagem do Tribuna da Kianda de uma forma pouco afável. “Não estamos interessadas em prestar qualquer informação à vossa empresa”, disparou de imediato.

Intermediários facturam
Os jovens que exibem os catálogos na Avenida dos Combatentes, defronte às lojas de mobiliários, revelaram à nossa equipa de reportagem que trabalham apenas como intermediários de lojas que estão localizadas fora daquele perímetro. “Os materiais que publicitamos são semelhantes aos comercializados nessas lojas. As pessoas que se mostram interessados são encaminhadas para as lojas e abordam o preço com o gerente que por sua vez nos dá uma comissão”, explicou um dos comerciantes que optou pelo anonimato.
As lojas que os jovens da Avenida dos Combatentes publicitam, estão localizadas na rua Gil de Liberdade e a outra está localizada por detrás da antiga Feira Ngoma.
Para além destes locais, o nosso interlocutor garantiu ainda que caso de o cliente estiver interessado pode levá-los para um outro local onde os preços são muito mais acessíveis.
Caso o cliente não tiver disponibilidade para pagar a pronto, os intermediários vendem o material a crédito no prazo de um mês.

Preços dos móveis deixam jovens em apuros (1)

Manuel Francisco, de 30 anos, é o exemplo típico de jovens angolanos que viu obrigado criar as mínimas condições para adequar a mobília da sua preferência.
O jovem que vive maritalmente há três anos contou à equipa de reportagem do Tribuna da Kianda que ao tomar conhecimento que a companheira estava em estado de mãe, passou a fazer a poupança para arrendar uma casa e a respectiva mobília.
“Na altura trabalhava numa oficina de mecânica como mestre de segunda classe e como a minha remuneração era feita em função dos carros que reparávamos, tive que trabalhar quase que a triplicar porque havia sido informado pelos pais dela que após o pedido teria que levá-la”, recordou o jovem que naquela altura vivia em casa dos seus pais.
Trabalhando durante sete meses de segunda à segunda, o nosso interlocutor, segundo conta, conseguiu economizar cerca de 250 mil Kwanzas que serviu não só para pedir a mão da sua companheira, como pagar uma multa estipulada por deixá-la em estado de gestação em casa dos pais e comprar os móveis para casa.
Manuel Francisco explicou que gastou no total 150 mil Kwanzas no pedido e o restante serviu para subtrair 60 mil para pagar seis meses adiantado a renda de uma modesta residência de um quarto, sala e casa de banho, onde passou a viver com ela.
Atendendo ao facto de não ter nenhum móvel de grande valor no quarto que partilhava com o seu irmão menor, o jovem aproveitou os 40 mil kwanzas que sobraram e mais um valor que lhe foi doado pelos seus familiares comprar alguns bens materiais num dos armazéns do grupo Badika, Hoji Ya Henda. A escolha do local para a compra de electrodoméstico e mobiliário surgiu através de um familiar que ali funcionava e considerava a loja como sendo uma das mais acessíveis do mercado.
Prova disso, segundo contou, é que ele com o pouco dinheiro que tinha conseguiu comprar uma cama de casal de ferro, a 15 mil Kwanzas, um colchão de mola, a 10 mil Kwanzas, um jogo de mesa com quatro cadeiras, a 20 mil Kwanzas, e uma estante pequena para o televisor a sete mil Kwanzas.
O jovem que encontra-se actualmente a trabalhar como agente da Polícia Nacional desabafou ainda que só conseguiu suprir as dificuldades que surgiram na altura porque a sua esposa, Alberta Carlos, de 28 anos, já tinha alguns bens que adquiriu enquanto funcionária de um dos armazéns da Arosfram.
Contrariamente ao seu esposo, Alberta Carlos detalhou radiante de alegria que havia comprado uma arca pequena, um fogão de quatro bocas, um armário e um guarda-fato que serviu para guardar a roupa do casal nos primeiros meses de convívios, muito antes de estar em estado de gestação.
Casal prevenido
A jovem Rosária dos Santos que completará no próximo dia 25 Junho quatro anos a viver debaixo do mesmo tecto com o seu esposo, contou que as coisas para eles foram mais fáceis, porque ele já morava sozinho na época do namoro e planearam antecipadamente todos os bens que comprariam com o passar do tempo.
A nossa interlocutora explicou que apesar de viverem em casa separada, o casal optou por elaborar uma lista de prioridades, contendo tudo aquilo que precisariam para ter maior conforto e comodidade quando estivessem a habitar juntos. Como ambos já trabalhavam numa instituição pública, sempre que recebiam o ordenado, separavam o dinheiro para pagar as suas despesas diárias e o restante servia para comprar móveis.
“A primeira coisa que compramos foi uma cama no valor de 17 mil kwanzas e as outras coisas fomos adquirindo com o passar do tempo.
Para nós, não importava a origem dos móveis e a única coisa que queríamos era ter a nossa casa bonita gastando o pouco que tínhamos”, recordou sorrindo.
Rosária dos Santos, de 31 anos, desabafou que a maior parte dos bens que deram outra imagem à sua casa naquela altura, não duraram muito tempo devido a má qualidade do material, mas que mesmo assim não se sente arrependida pelo investimento feito. De acordo com a lista feita há cinco anos atrás pelo casal, que O PAÍS teve acesso, a primeira a estragar foi a cama que durou cerca de seis meses, seguido das cadeiras que não resistiram a uma inundação em sua casa, dois anos depois da compra.
Apesar de já não precisar quanto lhes terá custado apetrechar a sua residência, Rosária dos Santos esclareceu que as coisas acabaram por ficar mais caras devido o aluguer da viatura para transportar dos armazéns da Gajajeira para a sua residência no Rangel.
A mão-de-obra dos jovens que se dedicam à montagem deste equipamento, também consta na lista de encargos.
A nossa interlocutora disse ainda que o seu cônjuge comprou recentemente uma estante para a sala no valor 24 mil kwanzas e para não lhe ficar muito caro o transporte, optou por ocupar o banco de traz de um táxi de marca Toyota Hiace e pagou por cada lugar o mesmo preço que os passageiros haviam de desembolsar.