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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Salvos pela adopção



Demitir Gabriel foi abandonado numa das ruas da cidade de Luanda com apenas um dia de vida, com menos de dois quilos, desnutrido, anémico e muito fraco.
A forma como estava trajado e o recinto em que o pequeno se encontrava, levou os transeuntes a concluírem que estavam diante de mais um caso de abandono de criança que comunicaram às autoridades governamentais. Ao receber a criança, a Direcção Provincial de Luanda do Ministério de Assistência e Reinserção Social (MINARS) procurou seleccionar um dos candidatos à adopção, que estariam interessados em acolher no seu lar uma criança nestas condições.
Para felicidade do petiz, o escolhido foi o apresentador de televisão Jorge Antunes, que marcou a sua estreia na TV Zimbo distribuindo dinheiro aos cidadãos que se aventuravam a testar os seus conhecimentos no programa “Quem quer ser milionário”.
Segundo conta o também professor universitário, os técnicos do Minars tiveram o cuidado de o informar sobre o estado de saúde da criança e mostraram-lhe uma fotografia. Ao ver a imagem do bebé o “fazedor de milionários” não pensou duas vezes para manifestar a sua disponibilidade acolhê-lo como mais um membro da sua família.
“Depois combinei com as assistentes sociais para mo apresentarem e no dia em que vi a criança recebia-a e acolhi-a em minha casa, 12 dias depois de ter sido abandonada”, contou. Atendendo ao facto de o Demitir Gabriel se encontrar em fraco estado de saúde, a direcção provincial do MINARS, que cuida das crianças abandonadas, deixou os aspectos burocráticos de lado e entregou-o ao candidato.
Neste momento, o processo de adopção corre os seus trâmites normais numa das varas de Família do Tribunal Provincial de Luanda. “Por essa razão foi-me entregue mesmo antes de o processo ter começado no tribunal. No entanto, conto actualmente com o apoio de todas as instituições que tratam de casos do género e hoje, já está registado e aguardo a sentença do tribunal de família para formalizar a adopção”, explicou.
Só depois de cumprir com os trâmites legais é que o apresentador poderá atribuir à criança o seu sobrenome. Enquanto isso, para colmatar a falta de experiência que tem neste ramo, Jorge Antunes disse que teve que mobilizar os seus familiares e amigos para o ajudarem a cuidar do menino, visto que é a primeira vez que se encontra nesta condição de pai. “Contei com o apoio de todos, em especial de uma comadre que se disponibilizou a dar os primeiros tratamentos que a criança merecia e o acompanhou nos primeiros meses”, frisou.
Jorge Antunes considera a adopção como um contributo que as pessoas podem dar para ajudarem a resolver alguns dos problemas que a nossa sociedade enfrenta, tendo em conta que a justiça se disponibilizou e está empenhada a cem por cento quando se trata de processos deste género. O papel dos órgãos de justiça, segundo diz, não cessa com a atribuição da paternidade porque fazem todo o acompanhamento desde a visita ao local onde a criança será educada, para verificar as toas as condições.
“Quanto mais pessoas estiverem a dispostas adoptar mais famílias felizes teremos. Nunca tive dificuldades e penso que não terei visto que estou a seguir todos os trâmites”, esclareceu.
Com praticamente dez meses de idade actualmente, o pequeno Demitir é descrito pelo pai adoptivo como uma criança muito feliz, não só por causa das brincadeiras que faz como também pela maneira como demonstra as suas habilidades ao querer levantar-se, engatinhar e andar agarrado às pessoas.
Antes de se candidatar à adopção, Jorge Antunes estudou a forma como devia lidar com a criança e passou por uma fase que descreve como tendo sido de preparação psicológica. “Acho que a vantagem de ter um filho adoptivo é essa: escolhermos a melhor altura para o adoptar e o momento em que achamos estar mais preparados.
Claro que é muito diferente o projecto da realidade, mas, no meu caso, a experiência está a ser maravilhosa. Os pais biológicos amam os seus filhos porque são seus filhos e os pais adoptivos têm filhos porque os amam”, concluiu radiante de felicidade.



Turbulenta adopção por Karina
O processo de tutela ou adopção de menores nem sempre corre conforme esperado para as pessoas que se predispõem a tal acção. Prova disso foi o que aconteceu com a produtora de moda portuguesa Karina Barbosa, residente em Angola há vários anos. Em 2007 esteve envolvida num conflituoso processo sobre a guarda de uma menor que acolheu como filha.
De acordo com informações divulgadas na altura pelos meios de comunicação social, ao deparar-se numa das suas viagens à província do Moxico com as inúmeras dificuldades que passavam os pais da pequena Daniela, a proprietária da Step Models decidiu ajudá-los tomando a responsabilidade de criar a menina. Para além de proporcionar todas as condições necessárias para que a Daniela tivesse uma vida tranquila, dizia-se que Karina Barbosa contribuía para o sustento da família enviando periodicamente uma quantia monetária aos seus pais. Ao decidir cancelar os envios, as relações azedaram-se, os pais biológicos de Daniela vieram a terreiro acusar a produtora de moda de ter raptado a menina.
A equipa de reportagem deste semanário tentou obter mais elementos sobre o caso procurando contactar a ex-modelo que, segundo a secretária da agência se manifestou indisponível.
Por outro lado, Tribuna da Kianda contactou a coordenação do programa “Emergência Criança em Risco – S.O.S”, da direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars), para se inteirar sobre o número de candidatos na lista de espera para adopção de crianças. Não foi bem sucedido.

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