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quinta-feira, 29 de julho de 2010

26 famílias à beira do despejo no Rangel

As vinte e seis famílias que vivem num edifício de um andar, localizado na Avenida Hoji Ya Henda, podem ser desalojadas no próximo dia 26, caso não consigam contratar um advogado para as defender na acção judicial que está a decorrer na 2º Secção Civil e Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda.
O processo foi movido pela esposa e filhas do suposto comprador do imóvel, que o terá adquirido há 13 anos das mãos do cidadão Daniel Kubanza. Conceição Manuel, a moradora mais antiga, disse que ocupou uma das partes que transformou em residência quando o edifício estava transformado num depósito de lixo e se encontrava num avançado estado de degradação. Ela tinha acabado de abandonar a sua terra natal, Malange, por causa do conflito armado.
Nos primeiros meses, Conceição Manuel alugou uma casa, de onde acabou por ser expulsa pelo senhorio. Por isso, abrigou-se neste edifício projectado para ser a casa de passagem dos funcionários da empresa Comul.
“Vim parar aqui numa altura em que o proprietário da casa em que viviamos nos pôs na rua com os nossos seis filhos. E estava eu a passar pela Avenida Brasil quando encontrei este edifício abandonado”, contou.
Apesar de o local estar sem portas, sem janelas e com amontoados de lixo e insectos, a senhora e o esposo abraçaram o desafio de tornarem o recinto num local para criarem os filhos há 11 anos atrás. Ela contou que “só depois de estarmos a viver aqui há sete anos é que apareceu a senhora Maria Helena da Costa Faria Cruz a reclamar a titularidade do imóvel, quando sabiam apenas que o mesmo pertencia à Emproe”. A conversa com este jornal chegou ao fim quando Conceição Manuel disse estar a sentir-se mal do coração.
O jovem Ramos Sentimento, que vive no local há cerca de oito anos, contou que após o primeiro encontro com a suposta proprietária do imóvel criaram uma comissão de moradores que se preocupou em enviar uma missiva à Comissão de Reclamações dos Direitos Humanos da Assembleia Nacional relatando o que havia sucedido.
O documento, datado de 3 de Maio de 2006, terá sido encaminhado pelo deputado Armando Pedro Caetano ao Governo Provincial de Luanda (GPL), depois de se ter reunido com os moradores.
Para dar resposta ao conflito existente entre os herdeiros e os “ocupantes”, o então chefe da Fiscalização do GPL, Manuel Ventura, reuniu-se com as partes e apresentou um documento que atestava que o imóvel pertencia aos herdeiros do cidadão Fernando Coelho da Cruz Sobrinho e terá garantido que os moradores não seriam expulsos sem serem indemnizados.
“Deste encontro não saiu nenhuma resolução para os nossos problemas, porque o senhor apresentou-nos a papelada que certificava que ela era a proprietária e garantiu que não seriamos retirados daqui sem sermos indemnizados”, frisou Ramos Sentimento.
Depois de quatro anos, as 26 famílias foram surpreendidas no passado dia 26 de Junho com a presença de um oficial de justiça do Tribunal Provincial de Luanda (TPL) que lhes entregou as notificações de um processo que julgavam estar encerrado.
No TPL, os moradores receberam apenas um exemplar do processo que o advogado dos herdeiros, Hermenegildo Cachimbombo, entregou na 2ª Secção do Civil e Administrativo, carimbado pelo tribunal, relatando o que estava ocorrendo.
Ramos Sentimento relatou que os próprios funcionários da 2º Secção aconselharam que abandonassem o imóvel no prazo de 30 dias. Sugeriram também que contratassem um advogado para defender a sua causa.
O endereço do vendedor do imóvel, Daniel Kubanza, que consta na exposição feita por Hermenegildo Cachimbombo, é a rua 1, casa nº 7, apartamento 29, do bairro Mártires.Mas a nossa equipa de reportagem não conseguiu encontrá-lo nestas referências.
Um dos moradores da rua 1 do Mártires do Kifangondo contou que não existe nenhuma casa com este endereço e o único Daniel que “ali residia era médico e tornou-se no mais conhecido da rua por causa do seu consultório”.
“Posso vos assegurar que não existe aqui nenhuma casa com este número, uma vez que as nossas residências são identificadas com um número e uma letra, a minha por exemplo é um F”, explicou o morador, acrescentando que “esse endereço é muito estranho porque se a casa é a número 7 já não pode aparecer a indicação de um apartamento. Porque ou ele vive numa casa ou num apartamento".
Sem 2700 dólares, não há defesa
Ansiosos para resolverem o conflito, os moradores tentaram requisitar os préstimos de um advogado, cujo nome não aceitaram revelar, mas não conseguiram porque ele cobrou dois mil e 700 dólares por cada família.
“Pelo que consta no documento, se nós não arranjarmos um advogado até no dia 26 deste mês, seremos expulsos daqui à força e do jeito que as coisas estão a andar não poderemos fazer nada, porque somos pessoas de baixa renda que fugimos da guerra nas nossas zonas de origem”, explicou Ramos Sentimento.
As dimensões das residências variam de um quarto com seis metros quadrados (transformados também em sala e cozinha) a casas que ocupam mais de dez metros quadrados, construídas com esses compartimentos.
Uma das medidas que os moradores encontraram há quatro anos atrás para combater a criminalidade que assolava a zona foi assinarem contratos com a Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda (EDEL) e instalarem várias lâmpadas nos corredores que outrora serviam de refúgio para os marginais.
“Tínhamos também em carteira um projecto de fazer a canalização de água potável em todas as residências, só não fomos avante porque os funcionários da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) cobraram-nos 200 dólares a cada”, contou, o jovem Ramos

O negócio do imóvel

O advogado Hermenegildo Cachimbombo revela no documento que entregou no Tribunal Provincial de Luanda que o malogrado Fernando Coelho da Cruz Sobrinho adquiriu o imóvel inacabado número R4 que integra o Complexo Nelito Soares, no dia 23 de Junho de 1997, das mãos do cidadão Daniel Kubanza ao preço de trinta e dois mil dólares.
Para além deste edifício, Fernando Sobrinho adquiriu também o imóvel R7 que se encontra no mesmo estado e que era propriedade da empresa Sociedade Comercial Femag, no dia 11 de Dezembro de 1995, ao preço de um bilião e cinquenta milhões de kwanzas reajustados.
“Desde a data da referida compra, e pelo facto de as obras estarem praticamente em fase de finalização, os imóveis estiveram sempre na posse dos vendedores para posteriormente os entregarem ao comprador”, lê-se no manuscrito.
O proprietário do imóvel faleceu em Junho de 1999, na Baia dos Tigres, vítima de um acidente aviação e deixou como herdeiro as senhoras Maria da Cruz, Nerethz Cruz Taty, Irina da Cruz e Emília da Cruz.
Após o seu passamento físico, enquanto decorria o processo de habilitação notarial de herdeiros e o levantamento do acervo existentes, as obras ficaram temporariamente suspensas por razões não especificadas.
“O facto dos referidos imóveis serem utilizados como local privilegiado pelos malfeitores que ali residem a praticarem variados crimes, incluindo comercialização e consumo de droga, a senhora Maria Cruz solicitou, no dia 7 de Fevereiro de 2007, ao Departamento de Fiscalização do GPL a devolução do mesmo”, diz o advogado no documento.
Hermenegildo Cachimbombo defende ainda a inexistência de uma sustentação legal que obriga as suas clientes a negociarem com os moradores o pagamento de uma indemnização porque a ocupação é ilegal.
“O herdeiro pode pedir judicialmente o reconhecimento da sua qualidade sucessória e a consequente restituição de todos os bens da herança ou parte delas, contra quem os possua como herdeiros, ou por outro título, ou mesmo sem título”, diz o defensor, recorrendo ao primeiro parágrafo do artigo 2075 do Código Civil.

‘Há irregularidades no processo’

No documento entregue aos “ocupantes” pelos funcionários da 2º secção do civil e administrativo do TPL, consta que foi o oficial de justiça Simplício António quem determina que eles devem abandonar o edifício na próxima segunda-feira, 26, como se lê numa das cópias do processo número 1168/08-D.
Contactado por este jornal, o advogado André Dambi considerou de inválido o parecer emitido pelo oficial de justiça pelo facto dele não ter poderes jurídicos para tal.
“Esta acção é completamente ilegal porque os oficiais de justiça não têm competência para decidir nada e como o próprio nome indica, ele tem simplesmente a função de distribuir os despachos que os juízes fazem para notificar as partes”, explicou.
André Dambi disse ainda que se torna mais agravante o facto de ele ter emitido o parecer favorável a uma das partes sobre um litígio que corre a sua tramitação legal no tribunal e que ainda não houve nenhuma sessão de julgamento. De acordo com uma outra fonte deste jornal, o imóvel em conflito começou a ser construído na era colonial pela empresa de Comul, mas teve que ser encerrado após a proclamação da independência nacional.
Os edifícios também foram confiscados pelo Estado Angolano na altura em estava a se apropriar de todos os bens que pertenciam ao governo e às empresas lusas, mas não foram registados como sua propriedade.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Caso Hospital Geral: Pacientes sentem-se abandonados

Os pacientes que beneficiavam de tratamento ambulatório no Hospital Geral de Luanda (HGL) enfrentam inúmeras dificuldades para prosseguir com a medicação, dado desconhecerem as unidades sanitárias onde se dirigem.
Luísa Francisco, 80 anos, deslocou-se a passada terça-feira, dia 13, em companhia do seu esposo José da Rocha, 75 anos, ao HGL para fazer a consulta de ortopedia que havia marcada no final do mês passado.
A paciente foi informada pelos seguranças que se deviam deslocar ao Centro de Saúde do Camama, mas os técnicos de saúde que ali trabalham encaminharam-nos para o Hospital Ana Paula, em Viana. Apesar do cansaço, os dois decidiram continuar a marcha em direcção à unidade sanitária para onde foram encaminhados, na esperança que a anciã fosse medicada.
“As funcionárias do Hospital Ana Paula disseram que o médico que nos devia atender entrou de férias e reencaminhara-nos para o HGL”, confessou o esposo, acrescentando que “o que mais me preocupa é que não conseguimos dormir porque ela está a sentir muita dor e hoje é o dia marcado pela senhora Elisa Domingos para o doutor Henrique Gomes a atender”, explicou José da Rocha, apontando para o braço da sua esposa.
Mas na lista de transferência dos técnicos do HGL para outras unidades sanitárias publicada pela direcção consta que o ortopedista Henrique Gomes, a quem a médica Elisa Domingos encaminhou a paciente, foi enquadrado no Centro Ortopédico de Viana.
No espaço de 30 minutos, o Tribunal da Kianda acompanhou o caso de outras três senhoras que levaram os seus filhos para serem retiradas as talas dos braços, tendo sido, no entanto, obrigadas a procurar outros postos de saúde.
Contactada por este jornal, a directora do Hospital Geral de Luanda, Isabel Massocolo, não avançou qualquer informação sobre este assunto.
Só poderá fazê-lo, explicou, “depois de receber o hospital de campanha e definir os serviços que serão prestados”.
Isabel Massocolo disse ainda que os pacientes com consultas marcadas no Hospital Geral de Luanda são atendidos gratuitamente nos centros e postos de saúde espalhados pelo município do Kilamba Kiaxi. O HGL atendia diariamente 300 doentes nos serviços de urgência e uma média de 150 partos e 12 cesarianas. O serviço de pediatria atendia em média 100 doentes, 30 dos quais eram internados.
Devido à zona onde se encontra localizada, a área de ortopedia do hospital era muito solicitada para atender as vítimas dos acidentes de viação que ocorriam na via rápida do Golf II e na estrada do Camama-Luanda-Sul.
As tendas começaram a ser montadas no Domingo passado sob a orientação do ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, na qualidade de coordenador Nacional da Protecção Civil.

Funcionários transferidos
Os funcionários do Hospital Geral de Luanda foram distribuídos pelas diversas instituições de saúde que existem na capital e alguns serão repescados assim que o hospital de campanha entrar em funcionamento. Os ortopedistas e técnicos de cirurgia foram encaminhados para o Centro Ortopédico de Viana e os do bloco operatório para o Hospital do Prenda.
Os trabalhadores da área administrativa do Hospital Geral de Luanda passaram a trabalhar na delegação municipal da Saúde do Kilamba Kiaxi e na administração comunal do Camama.
Construído em 2006 pela empresa chinesa de construção civil Sociedade de Engenharia de Ultramar da China (COVEC), o HGL envolveu um investimento de nove milhões de dólares.

Hospital de campanha pode entrar em funcionamento na próxima semana

O chefe do comando provincial de Luanda dos Serviços dos Bombeiros e da Protecção civil, Tito Manuel, disse a passada terça-feira, dia 13, que o hospital de campanha montado defronte à administração comunal do Camama só entrará em funcionamento na próxima semana.
As tendas foram adquiridas pela Direcção Nacional dos Serviços de Protecção Civil, a pedido do Governo Provincial de Luanda, à empresa espanhola ARPA para atenuar a falta que o Hospital Geral de Luanda (HGL) está a causar aos munícipes do Kilamba Kiaxi, O novo ‘hospital’ é constituído por nove tendas repartidas em bloco operatório, banco de urgência, sala de internamento, laboratório, sala de cuidados intensivos, de espera, cozinha com refeitório e balneários. A secção de internamento tem capacidade para acolher 50 pacientes.
No local foi instalado um equipamento que permite o tratamento da água depois de ser descarregada pelos camiões-cisternas da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) e das administrações municipais. O abastecimento de electricidade será feito por três geradores industriais.
Quanto aos requisitos estabelecidos pela OMS para a conservação dos medicamentos, o chefe principal ajudante, Tito Manuel, garantiu que foram acautelados todos os pressupostos e que as tendas possuem a temperatura recomendada pela organização mundial.
Presente no local, o director de saneamento da Elisal, Manuel da Costa, assegurou que a sua empresa vai destacar uma equipa permanente para cuidar da limpeza e do saneamento do hospital de campanha.
“Estão montados alguns balneários para os pacientes e os membros do corpo clínico. Faremos com que este serviço seja prestado com rigor e qualidade. E, para evitar qualquer imbróglio, será implementado um método que permitirá tratar de forma separada os lixos hospitalares dos urbanos”, explicou o responsável da ELISAL.

Centro de Saúde do Asa Branca está a ruir

As salas onde funcionam os departamentos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) e de Pediatria do centro de saúde do Asa Branca, no município do Cazenga, foram encerradas porque as suas paredes correm o risco eminente de desabarem a qualquer momento. Os técnicos que trabalhavam nestas secções montaram, provisoriamente, os equipamentos na sala de reuniões e numa área que tinha outra finalidade para poderem atender os pacientes que diariamente acorrem a esta unidade sanitária.
Segundo um dos funcionários deste centro, para além das áreas acima mencionadas, a outra que necessita de uma intervenção urgente é a sala onde está instalada o escritório do administrador adjunto porque o tecto falso pode cair a qualquer momento.
“Ele sabe que aquilo pode lhe cair na cabeça, mas como o nosso centro é pequeno e não há uma outra área onde ele pode guardar os documentos e se acomodar, não vê outra situação senão permanecer ali”, frisou.
Circular pelos corredores do centro tornou-se numa aventura arriscada não só para o pessoa técnico como para os pacientes porque as paredes estão, na sua maioria, com fissuras. Os funcionários dizem que foram informados pelo administrador municipal do Cazenga, Victor Narciso, aquando da visita do presidente da UNITA ao do centro, que seriam transferidos para o novo hospital que está a ser erguido por detrás do mercado do Asa Branca e para o hospital dos Cajueiros, após a conclusão das obras de ampliação. “Este centro foi inicialmente construído pelos Médicos Sem Fronteiras como um pavilhão para acolher os pacientes de Diarreicas Agudas, só que depois de eles concluírem com a sua missão o Governo mandou fazer algumas repartições e elevaram-no a esta categoria”, explicou.

Duas visitas e nenhuma mudança
Apesar de os profissionais deste centro terem recebidos dois “ilustres” visitantes em Abril último, nomeadamente, o presidente do maior partido da oposição de Angola, Isaías Samakuva, e a secretária da Presidência da República para os Assuntos Sociais, Rosa Pacavira, as coisas continuam impávidas.
As visitas ocorreram de forma separada e numa altura em que aquela unidade hospitalar se encontrava inundada com as águas das fortes enxurradas que assolaram a capital do país. Na ocasião, os trabalhadores que estavam paralisados ficaram esperançosos que as autoridades governamentais acatassem o apelo feito pelo Isaías Samakuva, a seu favor.
Já a deslocação efectuada por Rosa Pacavira enquadrou-se no Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, monitorizado pela Casa Civil da Presidência da República, e visou constatar as dificuldades que enfrenta a população do município.

Falsas kinguilas facilitavam roubos e assaltos aos clientes


A Direcção Provincial de Investigação Criminal de Luanda apresentou, quarta-feira, Anita Farias, 41 anos, e Cristina Henriqueta, 38, que se faziam passar por kinguilas para roubar os cidadãos que pretendiam cambiar elevadas somas monetárias.
As falsas kinguilas faziam parte de uma quadrilha liderada por Baptista Sabalo, 42 anos, e que integrava também Ednane Lourenço, 21 anos; Walter Manuel, 24; Walter Bartolomeu, 32 e Benvindo Domingos, 40.
O grupo esperava as suas vítimas defronte ao Belas Shopping, no Talatona, enquanto os seus outros integrantes se escondiam numa residência para onde eram levados os indivíduos que tencionavam trocar elevadas somas.
No dia 7 deste mês o grupo abandonou o posto no Bellas Shopping e montou uma cabala para tramar o jovem Mateus Pedro, 34 anos, que também se dedica à troca de dinheiro, no mercado do São Paulo.
Anita Freitas telefonou para o jovem manifestando o seu interesse em comprar 30 mil dólares. Sem imaginar que estava perante uma armadilha, o jovem não hesitou em aceitar a proposta indo ao encontro dela numa viatura de marca Toyota Starlet, em companhia do seu amigo Costa Andrade, 30 anos.
Por desconhecerem a casa da kinguila, os jovens ligaram-lhe assim que chegaram ao mercado do Quintalão do Petro, tendo-se ela prontificado em levá-los até à sua residência, o lugar tido como ideal para fazer a troca.
Mateus Pedro entrou na casa da “cliente” para fechar o negócio, deixando o seu amigo no interior da viatura, com uma pasta contendo 25 mil dólares e uma quantia em kwanzas equivalente a sete mil dólares. Anita Faria tentou acomodá-lo na sala, com o pretexto de que iria ao quintal buscar a chave da porta do quarto onde estaria guardado o dinheiro.
“Recusei e disse-lhe que não seria necessário porque dava para fazermos a troca no corredor da casa mas ,mesmo assim, ela saiu e eu segui-a”, explicou Mateus Pedro.
Ao ver que a vítima não aceitou permanecer na sala, Ana Faria mudou de táctica e voltou a entrar em casa mas, desta vez, em direcção a um aposento onde já se encontravam Benvindo Bemba e Walter Manuel, que saíram armados e tentaram receber a mala de dinheiro.
O jovem que pretendia trocar o dinheiro pôs-se em fuga, deixando cair a pasta, enquanto gritava para que o amigo fugisse porque estavam perante uma cabala.
“Primeiro gritei: Costa retira o carro daí porque esses moços são batuqueiros, tendo ele tentado movimentar-se só que não foi a tempo porque um deles lhe deu um tiro no pescoço”, contou o jovem.

Feitiço contra Polícia
Depois do furto, os marginais repartiram o dinheiro. Anita Faria e Cristina Henriquieta deixaram os seus seis filhos nas respectivas residências, tendo-se deslocado à província de Benguela para fazer tratamento tradicional, na tentativa de escapar à acção das autoridades policiais.
“Passámos a noite num hotel e, na manhã seguinte fomos à província de Benguela fazer o tratamento tradicional, mas não conseguimos chegar aos curandeiros porque fomos detidas pela Polícia”, explicou Anita Faria.
As duas cidadãs trocavam dólares há vários anos, mas como os valores com que trabalhavam foram abaixo, decidiram assaltar os colegas.
Anita Faria explicou que convidou o seu namorado Baptista Sabalo, que já tinha um grupo de marginais.

Em recuperação
O cidadão Costa Andrade, que foi alvejado no último dia 7, está internado na Clínica Multiperfil a receber cuidados médicos. Benvindo Domingos, o autor dos disparos, já havia sido condenado a uma pena de 15 anos pelo crime de homicídio, tendo cumprido apenas 10, após beneficiar da amnistia aprovada há quatro anos.
Além deste grupo de marginais, foram ainda apresentados outros quatro jovens que assaltaram uma residência apropriando-se de alguns electrodomésticos que seriam comercializados com o intuito de arrecadarem dinheiro para organizar uma festa. A Polícia apresentou também um segurança da empresa Ango Segu, que furtou seis milhões de kwanzas e 350 dólares na agência do BPC da LAC.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Rachaduras do Hospital Geral de Luanda salvam pacientes

Costa Direito, 34 anos, é um dos 14 pacientes que foram transferidos do Hospital Geral de Luanda (HGL) para a Clínica Multiperfil, depois de os técnicos do Ministério do Urbanismo e Construção terem constatado que aquela unidade sanitária está a cair aos pedaços.
O jovem deu entrada no princípio do mês de Maio no HGL, depois de ter sido atropelado quando tentava atravessar a estrada de Catete. Antes de ser encaminhada para o hospital, a vítima foi transportada para um dos centros de saúde de Viana, vulgarmente conhecido como Hospital da Ana Paula, onde recebeu os primeiros socorros.
Contrariamente ao que se esperava, o nosso interlocutor acabou por ficar mais de dois meses internado, à espera de uma vaga no Bloco Operatório, para ser submetido a uma cirurgia que determinaria se voltaria ou não a andar.
“Durante este tempo que permaneci lá, os médicos só diziam que não havia outra solução senão esperar porque havia muitos pacientes a aguardar para serem operados”, explicou.
Para além do grande volume de enfermos que se encontravam na lista de espera, este paciente teve que confrontar-se com a falta de energia e água potável.
Sem fazer grande esforço de memória, Costa Direito contou que viveu naquele local dois momentos que ficarão para sempre guardados na sua memória pelos seguintes motivos: o primeiro deu-se quando foi informado que teria de ceder o seu lugar a uma jovem que havia dado à luz e necessitava de ser urgentemente operada.
O segundo momento aconteceu quando recebeu, com 24 horas de antecedência, a informação de que seria submetido à tão esperada cirurgia. A sua felicidade era tanta que contagiou não só os seus familiares como as pessoas que entraram depois de si no Hospital.
“Este dia marcou-me porque, no momento em que estava deitado na mesa de operação, os médicos foram informados que não podiam começar a cirurgia porque não havia água no hospital”, contou com ar de tristeza.

Ansiosos pelas cirurgias
Ao ser evacuado para a Clínica Multiperfil, a ânsia de voltar a caminhar com as suas próprias pernas ou com a ajuda de uma muleta, voltou a reinar na mente de Costa Direito e dos seus parentes, que já estavam desesperados.
Atendendo ao seu avançado estado de saúde, a equipa médica realizou a cirurgia que ele tanto precisava na manhã desta segunda-feira, 5. Depois de permanecer dois dias sob observação, o paciente tomou conhecimento que receberia alta nesta sexta-feira, 9.
“Agora sinto-me melhor e feliz porque o médico que me está a acompanhar disse que regressarei a minha casa depois de dois meses de ausência”, frisou.
Entre os doentes encaminhados para a Multiperfil, encontra-se também o jovem Ataniel Cadete que, depois de fracturar o fémur num acidente de viação, foi transportado para o Hospital Geral de Luanda por ser o mais próximo de casa.
O jovem, que foi operado um dia depois de dar entrada naquela clínica, estava de malas feitas para regressar a casa, após passar cinco dias sob acompanhamento médico, quando se deparou com a nossa equipa de reportagem.
“Os médicos já me deram alta e disseram para regressar de dois em dois dias para ser medicado”, explicou, olhando para a sua progenitora, que o acompanhava.
A senhora Beatriz Cadete disse que, ao constatar que a medicação que estava a ser feita pelos especialistas do HGL não surtia efeitos, solicitou-lhes que passassem uma guia de transferência mas eles recusaram.

A vida por um fio
Durante a visita que a equipa de reportagem de Tribuna da Kianda fez à Multiperfil, o cenário mais constrangedor foi constatado no Banco de Urgências. Num dos leitos deste departamento estava a jovem Branca Neto, 25 anos, que dera entrada em estado grave e que carecia de cuidados específicos.
À semelhança do que aconteceu nas secções por onde a nossa equipa de reportagem passou, Manuel Dias dos Santos, o director da clínica, tentou manter o primeiro contacto com a doente para avaliar se estava ou não em condições de ser entrevistada.
Com ar de preocupação e de tristeza por ver que a paciente ainda estava numa situação delicada, o médico confirmou aos repórteres o que era visível a olho nu. “Ela está muito mal. Tem muitas perfurações nos intestinos, o melhor a fazer é não insistir”, explicou baixando a cabeça. A senhora Catarina Cristóvão, 58 anos, permaneceu mais de um mês no HGL, no mesmo estado em que entrou, com o corpo todo inflamado, porque os técnicos de saúde não conseguiram diagnosticar a doença de que padecia.
“Os médicos aconselharam-me a ir à Clínica Multiperfil ou ao Hospital Militar porque não estavam a conseguir detectar a minha doença”, desabafou. Apesar de se encontrar ainda na sala de oxigénio, a anciã, radiante de alegria, tentava a todo custo relatar os locais por onde passara à procura da cura para a sua enfermidade.Para além do HGL, na lista por onde passou consta ainda a sua passagem por uma igreja localizada no bairro da Boa Fé, em Viana.

Kilamba Kiaxi com apenas um hospital
Com o encerramento do HGL, os munícipes do Kilamba Kiaxi (KK) acabaram por ficar com apenas uma unidade sanitária próxima das suas residências.
A equipa de reportagem de O PAÍS acompanhou de perto o caso de uma cidadã que se dirigiu na última quarta-feira, 7, por volta das 13 horas, aflita com dor de dentes, à delegação municipal da Saúde do KK na esperança de receber cuidados médicos, não tendo sido socorrida.
“Minha senhora, infelizmente não podemos ajudá-la porque o hospital está encerrado para obras há muito tempo e aqui, na Delegação, não prestamos qualquer tipo de serviço médico”, esclareceu o recepcionista à paciente.
Atordoada pela dor e com dificuldades para se pronunciar devidamente, a cidadã limitou-se a perguntar ao seu interlocutor onde se deveria dirigir.
“Aconselho a senhora a ir ao Hospital Neves Bendinha, por ser o mais próximo que há. Lá, para além dos cuidados prestados aos doentes de queimaduras, têm uma secção onde tratam este tipo de patologia”, explicou, acrescentando que “a esta hora já não adianta, tendo em conta que para ser atendida terá que marcar o lugar às primeiras horas do dia. Convém aguentar mais um bocadinho e ir lá amanhã”.
A senhora Beatriz Cadete, moradora do GOLF II, manifestou estar bastante preocupada com o encerramento do Hospital Geral de Luanda e o do Avô Kumbi porque sempre que os munícipes precisarem de assistência médica terão que recorrer aos postos médicos, que podem não ser os ideais.
“A partir de agora as coisas ficaram mas complicadas tendo em conta que passamos a contar apenas com os postos médicos privados que estão próximos das nossas casas, uma vez que o Hospital Neves Bendinha está muito distante”, concluiu.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mandela, polvo e vuvuzelas são os personagens da Copa

Mandela, polvo-profeta e vuvuzela: personagens da Copa (Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM)
O diretor do Comitê Organizador da Copa 2010, , brinca Jordaan, lembra com bom humor das imagens que marcaram o Mundial da África do Sul
As vuvuzelas já estavam consagradas mesmo antes do Mundial. Mas, ao contrário de alguns grandes craques que não brilharam no torneio, ela, sim, cumpriu seu papel. Fez barulho, muito barulho, e se tornou um dos símbolos da primeira Copa da África. Parecia soberana, absoluta, até que o polvo Paul virou um fenômeno por todo mundo. Ganhou fama por acertar os resultados dos jogos da Alemanha e ainda cravar a Espanha como campeã. Craque com 100% de aproveitamento, entrou na seleção dos melhores. Ambos foram citados com louvor e bom-humor por Danny Jordaan, o diretor-executivo do Comitê Organizador, que destacou também a presença de Nelson Mandela, o craque que brilhou mesmo tendo atuado apenas por poucos minutos antes da decisão.
- Gostaria de parabenizar as personalidades que emergiram nesta Copa. Uma é a vuvuzela, o outro é Paul, o polvo, tenho certeza que todos o conhecem muito bem. Não sei qual deles ficou mais famoso. Mas devo dizer que, para mim, o grande nome foi Nelson Mandela. A presença dele no estádio, antes da final, foi a mais especial do torneio - destacou.Os elogios de Jordaan foram feitos na entrevista coletiva de encerramento da Copa, concedida pela Fifa e pelo Comitê Organizador da Copa nesta segunda-feira. Após as perguntas, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, fez questão de terminar o encontro com uma homenagem a Nelson Mandela. E atribuiu ao maior herói sul-africano o mérito de trazer a Copa pela primeira vez para a África.
- Esta Copa foi concluída com um momento especial. Mostrou a ligação da história de liberdade deste país com a história de um homem. Um homem que ainda está vivo, com quase 92 anos, que sofreu muito, mas que ao sair da prisão trouxe consigo uma mensagem de paz e generosidade. Conheci-o pela primeira vez em 1992, quando a África do Sul ainda nem havia sido fundada como é hoje. E neste primeiro contato, ele já manifestara o sonho de um dia receber a Copa no país dele. Quando anunciamos que ela iria para a África do Sul, em 2004, ele pegou o troféu e disse: "agora meu sonho é real". Ele trouxe a Copa para a África do Sul, ele foi o homem que fez isso. E ontem quis ir à final para ver seu sonho de perto. Quero encerrar esta entrevista e esta Copa fazendo uma homenagem ao humanismo. O humanismo existe e tem um nome. Com este nome, eu encerro esta Copa do Mundo: Nelson "Madiba" Mandela.

Foto: Por Rafael Pirrho Direto de Joanesburgo, África do Sul, in Globo.com

FOTO: polvo-profeta ganha taça

O polvo Paul, que acertou todos os 'palpites' durante a Copa, foi homenageado.
Famoso por acertar todos os 'palpites' que deu ao longo da Copa, o polvo Paul recebeu nesta segunda-feira, 12, uma réplica da taça Fifa. O molusco, que 'previu' corretamente todos os resultados da Alemanha na Copa mais o resultado da final, recebeu o objecto no aquário onde vive, na cidade de Oberhausen, na Alemanha.
As 'previsões' de Paul eram feitas de forma simples: duas caixas com comida, uma com a bandeira de cada país do jogo em questão, eram exibidas para o molusco. A que ele resolvesse abrir para comer indicaria o vencedor do jogo. Foram oito palpites certos no total (Foto: agência Reuters).
Fonte: Globo.com

Torcedor tenta roubar a taça da Copa

Identificado como Jimmy Jump, um espanhol de 34 anos, ele tem histórico de invasor e é acusado de tentativa de roubo da taça
O torcedor que invadiu o gramado do estádio Soccer City, durante a final da Copa do Mundo, disputada na cidade de Joanesburgo na noite de domingo, 11, deverá se apresentar a um tribunal na África do Sul já nesta segunda-feira.
A Espanha venceu a Holanda por 1 a 0, com um gol de Iniesta a três minutos do fim da prorrogação, e conquistou o seu primeiro título. O invasor tentou alcançar o troféu e foi contido por seguranças.
O incidente ocorreu quando as equipas estavam prontas para deixar o túnel de acesso. Um pouco antes, o italiano Fabio Cannavaro, o último capitão a levantar a taça, tinha deixado o objecto de desejo num pedestal no gramado. De repente, uma pessoa conseguiu driblar os fiscais e entrou correndo no campo. Vestido com uma camisa com os dizeres “contra o racismo” e com um gorro vermelho e preto na cabeça, ele queria colocar no troféu outro gorro que trazia na mão. O invasor quase conseguiu, mas foi derrubado por um segurança quando estava a poucos centímetros do alvo.
Detido, ele foi identificado com Jaume Marquet i Cot, um espanhol de 34 anos. Ele é aguardado nesta segunda-feira às 16h (11h pelo horário brasileiro) no tribunal especial montado para a Copa do Mundo.
Segundo o porta-voz da polícia, coronel Tummi Shai, Jimmy Jump, como é conhecido, será acusado de tentativa de roubo. E, ao puxar o seu histórico, as autoridades descobriram que este não foi o seu primeiro caso.
- A acusação é tentativa de roubo do troféu. Ele tem outro incidente de invasão de campo registrado há quatro anos em Londres.
Mas tem mais... Jaume Marquet possui até um site na internet onde divulga as suas invasões. A primeira foi em 2004, durante a final da Eurocopa, disputada entre Grécia e Portugal, quando entregou uma bandeira do Barcelona ao capitão português Luís Figo, que tinha trocado o Barça pelo rival Real Madrid. No mesmo ano, ele entrou na pista durante o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1.
No ano seguinte, mais dois episódios: uma invasão num clássico Barcelona x Real Madrid e outra na semifinal da Liga dos Campeões, entre Liverpool e Chelsea. Em 2006, invadiu um jogo entre Villareal e Arsenal, também pela Liga dos Campeões, e deu uma camisa do Barça ao atacante Thierry Henry, que curiosamente passaria a defender as cores do clube catalão na temporada seguinte.
Na final da Liga de 2007, entre Milan e Liverpool, mais uma ocorrência. Na semifinal da Eurocopa 2008 – Alemanha x Turquia – o protesto foi contra a interferência da China no Tibete.

Fonte: Globo.com (título da autoria do Tribuna da Kianda)

Final da Copa sob os olofotes da imprensa espanhola

Jornais celebram a Copa da Fúria: 'Espanha mecânica conquista o mundo', 'Iniesta vale um mundial' e 'Iniesta nos eleva ao céu!'

A imprensa espanhola caprichou nos superlativos após a vitória histórica da Espanha sobre a Holanda na final da Copa do Mundo, na África do Sul. 'Iniesta nos eleva ao céu!', disse o jornal "Marca", destacando o gol do meia espanhol que no fim da prorrogação contra os holandeses garantiu o título mundial na África do Sul. 'Sofremos, mas valeu a pena', completou o jornal de Madri que, ao lado de outros meios de comunicação, qualificou o triunfo de angustiante diante de uma seleção holandesa guerreira, mas agressiva.
Com um "Iniestazo e campeões", o "Mundo Deportivo" de Barcelona saudou o título da Espanha, enquanto o jornal de Barcelona "La Vanguardia" afirmou que a 'Espanha mecânica conquista o mundo', em referência ao apelido de 'Laranja Mecânica' da seleção holandesa.
Reprodução dos jornais: Espanha campeã do mundo na África (Foto: Editoria de Arte/Globoesporte.com)
O tabloide "AS" elogiou a Espanha, mas criticou a postura dos holandeses em campo: ‘Mereceu a vitória contra uma Holanda que não deixou de dar pancadas durante toda a partida’.
O "El Mundo" foi mais além afirmando que a Copa celebrou uma das melhores equipes de todos os tempos colocando no título de sua edição: ‘Espanha, Espanha, Espanha’.
‘Dia 11 de julho será histórico para o esporte espanhol, quando o sonho se tornou realidade’, escreveu o jornal "El País", que intitulou 'Espanha na lua' em sua edição digital.
'Iniestazo II e reis do mundo', foi a manchete do "Sport", que lembrou o gol de Andrés Iniesta para o Barcelona na conquista da Champions League. 'Iniesta vale um Mundial', apontou o jornal de Catalunha.

Fonte: Globo.com (título da autoria do Tribuna da Kianda)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Falta de tutores condiciona atribuições de diploma

Os estudantes que frequentam o último ano nas universidades públicas e privadas estão descontentes com a falta de disponibilidade dos professores para monitorarem os seus processos de elaboração das monografias, que os habilitarão a aceder ao grau de licenciatura.
Desde 2006 que vários professores da Universidade Agostinho Neto se recusam a tutorar os finalistas por não terem recebido os três por cento do valor de base do seu salário por cada monografia, como estipulam os regulamentos internos daquela instituição pública.
A recusa dos professores, com os graus de mestre ou doutores, faz com que os discentes recorram a uma espécie de ‘tutória paralela’ com os mesmos docentes, que chegam a cobrar, a cada orientado, valores que rondam os 2500 a 3000 dólares norte-americanos.
Fontes da Universidade Agostinho Neto asseguraram que as cobranças são ilegais, mas os estudantes dizem que não têm outra alternativa. Para eles, é pegar ou largar.
O PAÍS apurou que no Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) e na Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) existem centenas de alunos que não conseguem concluir as suas monografias há mais de quatro anos por falta de tutores.
Alberto Kissongo, discente do 4ª do curso de Língua e Literatura Portuguesa da FLCS, contou que tem um tutor que não o tem ajudado muito, porque, além dele, também monitora outros 30 trabalhos de finalistas. O orientador não recebe qualquer contrapartida financeira, mas alega estar sempre ocupado.
O regulamento da UAN estipula que cada professor oriente apenas três estudantes finalistas. As regras não são cumpridas porque cada curso conta, no máximo, com cinco professores doutores para acompanharem mais de 40 discentes.
“Até o ano passado, o regulamento da universidade estabelecia que os tutores deviam receber um acréscimo de três por cento do seu salário por cada trabalho que acompanhassem, mas ele só recebeu o subsídio de um estudante e isso desmotivou-o”, disse o estudante da FLCS.
Perante esta situação, Alberto Kissongo enveredou por um processo de auto-orientação para fazer o trabalho de campo, atendendo que o tutor oficial se limita a fazer uma breve apreciação e recomenda-lhe que prossiga porque ‘está num bom caminho’. “Ele não analisa. Se formos a ver, ele olha simplesmente para o trabalho e manda-me continuar a escrever”, desabafou o jovem, com ar de tristeza e insatisfação. O estudante, que há dois anos tenta concluir a sua monografia, diz ter escolhido o referido professor para seu tutor porque ele domina a área em que se pretende especializar.
O nosso interlocutor acredita que os estudantes enfrentam dificuldades porque as cadeiras de Metodologia de Investigação Científica, que serve para os ajudar a elaborar os trabalhos de fim de curso, não são ministradas. E, quando acontece o contrário, tudo é feito em apenas duas semanas, quando devia sê-lo num semestre.
Para contornar os problemas causados pela ausência de um tutor, o estudante Gilberto José Ferraz, do 4º ano do curso de Comunicação Social da Universidade Privada de Angola (UPRA), está a elaborar a sua monografia com a ajuda de um co-tutor.
O discente do ex-ISPRA garantiu que “a elaboração da minha monografia encontra-se na recta final”. Gilberto Ferraz descreveu o co-tutor como sendo a pessoa que está mais ligada ao trabalho do que o próprio tutor, enquanto este último só toma contacto com o material sempre que for necessário o seu parecer.
O regulamento da Universidade Privada de Angola estabelece que os finalistas apresentem primeiro um protocolo com as informações sobre o tema escolhido para a elaboração da monografia.
A aprovação do protocolo é encarado pelos discentes como um longo caminho já percorrido, porque se errarem na sua elaboração as falhas são transferidas para a tese.
O finalista do curso de Comunicação Social contou ainda que apenas dois dos 20 estudantes da sua turma conseguiram elaborar 50 por cento da monografia nesta altura, dado terem dificuldades em encontrar bibliografia e professores que acompanhem a feitura do trabalho.
“Como a tese de final de curso funciona como o trampolim para poderemos receber o canudo e exige muito tempo no momento da sua elaboração, os docentes que estão muito ocupado recusam acompanhar os estudantes, para não assumirem qualquer compromisso que poderão não estar em condições de honrar no futuro”, declarou o discente de Comunicação Social.
O estudante defende que a direcção do UPRA deve atribuir aos finalistas os respectivos monitores e manifestar se vai pagá-los ou não. “Caso não seja ela a fazê-lo nós estamos preparados para tal”, acrescentou.
Por seu lado, Kintas Manjana, estudante do 4ª ano do curso superior de Sociologia da FLCS, também está com dificuldades para elaborar o trabalho de investigação científica.
“Acho que nós aprendemos muito tarde os procedimentos a ter em conta no processo de elaboração de um trabalho de fim de curso.
Defendo isso porque devíamos aprender estas técnicas no primeiro ano, para que, a partir de 3º ano, o estudante estivesse em condições de começar o seu trabalho”, afirmou.
Kintas Manjana considera também que o atraso na conclusão das monografias se deve ao extremo estado de fadiga em que se encontram os estudantes do último ano, pois têm que partilhar o seu tempo entre as salas de aulas, os estágios e as pesquisas.

Regulamento aumenta dificuldades
O regulamento da Universidade Privada de Angola estabelece que só pode tutorar uma monografia o professor que ostenta o grau académico de mestre ou doutor que integram os quadros da instituição. Quanto aos co-tutores, estes podem ser apenas licenciados e leccionarem em outras universidades.
Os finalistas foram unânimes em afirmar que não conseguem distinguir os professores mestres e doutores dos licenciados, dado serem confrontados com anúncios nas vitrinas onde todos são classificados como doutores. “Isso dificulta ainda mais o processo de elaboração dos nossos trabalhos, porque nós sabemos que a maioria dos docentes não tem mestrado nem doutoramento”, declarou o discente do UPRA.
Emboa os regulamentos dos Trabalhos de Fim de Curso de Licenciatura (TFCL) das faculdades da UAN exijam o mesmo não são respeitados. A direcção da Faculdade de Letras realizou recentemente um seminário de capacitação para reafirmar que só aceitam as teses que forem tutorados pelos docentes que detêm os graus de doutores ou mestres.
“Foi anunciado que os licenciados devem limitar-se apenas a auxiliá-los, mas não serão orientadores com o título de tutor, porque as normas que regem o nosso colégio académico assim o estabelece”, explicou Kintas Manjana.
O nosso interlocutor é de opinião que este tipo de seminários não deve ser realizados somente no final dos anos académicos, mas no princípio de cada formação. “A metodologia do trabalho de investigação científico é uma cadeira imprescindível para a elaboração do trabalho de fim de curso”, rematou o estudante da Faculdade de Letras.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Uma adopção em 12 anos

O secretário da sétima comissão da Assembleia Nacional de Angola, revelou ao nosso jornal na passada terça-feira, 15, que um único pedido de adopção deu entrada na instituição nos últimos 12 anos.
Julião Francisco Teixeira, informou que a petição foi feita por um cidadão de nacionalidade francesa que pretendia ficar com a tutela de uma criança angolana, mas que teve de esperar 12 anos para receber o parecer favorável. O processo de perfilhação, segundo o nosso interlocutor, demorou todo aquele tempo a ser efectivado porque deu entrada na Assembleia Nacional numa altura em que se perspectivava a mudança de legislatura. Julião Teixeira disse que se encontrou recentemente com o adolescente em França, para onde foi levado pelo pai adoptivo, onde constatou que está a ser bem cuidado.
O deputado à Assembleia Nacional explicou ainda que os pedidos de adopção por parte de cidadãos estrangeiros são endereçados ao Ministério da Justiça o qual, depois de analisar o processo, remete a este órgão legislativo para a devida averiguação e aprovação.
Apesar de ainda não terem em sua posse nenhum pedido do género, o secretário da sétima comissão diz ter ouvido falar da existência de três processos que correm os seus trâmites legais no Ministério da Justiça.