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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Semanário A Capital sente o peso da censura

NOTA: O então director do Semanário Angolense, Graça Campos, já havia aventado, em 2008, a possibilidade de os jornais privados serem domesticados, em entrevista ao jornal A Capital. No seu estilo irreverente, o jornalista apareceu na capa desta publicação em destaque afirmando que “Jornais privados vão ser domesticados”.
Na entrevista, o ex-director do confrade Semanário Angolense fazia também uma abordagem sobre os novos títulos que surgiram numa perspectiva de realização de eleições, falando igualmente do parque gráfico.

Uma semana inteira de produção, duas edições completas em pouco menos de 48 horas para ver vetada à circulação. Ardinas e leitores por nós interpelados nesta segunda-feira ainda mantinham uma certa expectativa de ver a Capital nas ruas.
O pomo de discórdia foi a censura do editorial do jornal que se atinha aos preços das casas sociais avaliadas em 60 mil dólares americanos, preços anunciados no discurso do presidente Eduardo dos Santos isto na passada semana.
Perante a exiguidade do salário em Angola, o articulista segundo fontes por nós contactadas questionava não só a capacidade financeira do cidadão comum de pagar tais quantias, como fazia contas ao tempo requerido e os necessários desembolsos.
O semanário chegou a ir a gráfica onde foram impressas três mil e quinhentas cópias, de seguida embebidas em diluente e queimadas na mesma fabrica. Mesmo com sacrifício dos jornalistas uma edição alterada chegou a ser produzida e enviada para a rotativa. No sábado à madrugada desapareceu. Testemunhas que presenciaram o episódio depararam-se com viaturas VX não identificadas que transportaram os atados. Os jornais desapareceram sem que tivessem vindo a rua.
Nos últimos tempos o argumento dos novos patrões que ainda não deram a cara publicamente mas que fazem valer os seus argumentos por pessoas entrepostas, apontam para a necessidade de se substituir temas políticos pelo social. Por outro lado a imagem de Eduardo dos Santos passou a ser alvo de resguardo sobretudo se usada para ilustrações de matérias críticas. Este foi outro dos pontos de discórdia neste último número. A foto do presidente foi retirada dos textos
Marcela Costa Administradora do órgão disse-nos desconhecer as razões que estariam por detrás da situação mas prometeu um pronunciamento nas horas seguintes, o que não chegou a acontecer.
Questionado se este método representava um forte sinal do retorno a novos métodos de censura, o analista político Justino Pinto de Andrade ironizou dizendo que estes eram efectivamente velhos métodos recordando o tempo colonial. “Nos dias que correm a censura estava de certo modo localizada ao nível dos órgãos de comunicação social. A deslocação desta prática para os órgãos privados é realmente uma preocupação...” rematou.
No seu entender, o objectivo das pessoas que praticaram tal acto é condicionar a opinião pública com vista as próximas eleições. “O regime fará tudo por tudo para ter o controlo da media à data das eleições. Para alguns dos órgãos a opção foi a compra. Para outros a asfixia será feita até o desfalecer. Este é o projecto que há para a comunicação social privada que se apresentava como o único canal de respiração que restava da sociedade. Com a media pública partidarizada e a privada tomada mais ou menos pelas mesmas pessoas o futuro é muito sombrio...”concluiu.
Vinte mil dólares americanos podem ter sido gastos no pagamento com uma tiragem gráfica. É um prejuízo do qual pouco importará aos novos proprietários, enquanto os fins continuarem a justificar os meios ou seja dinheiros cujas origens nunca são esclarecidas.
Com tiragem acima dos cinco mil exemplares, a Capital figurava ser um dos mais lidos da praça. A brutalidade desta intervenção marca o ressurgimento duma era de intimidação directa, depois que a sofisticação dos métodos usados encobriu ao longo dos últimos anos o ambiente de repressão sobre a liberdade de imprensa e de expressão em Angola. Os críticos, porque já não se morria à tiro por exemplo, começavam a enfrentar dificuldades para provar tal repressão.

Fonte: VOA. O título e a nota são da autoria do Tribuna da Kianda.

1 comentário:

Anónimo disse...

eu admiro muito o vosso trabalho e agradeço muito esta oportunidade que este jornal da aos leitores.
A questao que eu tenho apresentar e sobre caso BNA Eu me pergunto porque so o BNA?
O PORTO DE LUANDA a um tempo atras esteve inspectores do tribunal de conta que se depararan com varios crimes cometido pelo conselho de administraçao no mandato do srº SILVIO BARROS VINHAS.tais como desvios de milhoes de dolar,carros,nguindaste reablitados que custaran milhoes de euros mais que a 3 anos que nao funcionan,obras no km9(viana) fracassada abandonada que so servia para justificar valores, congestionamento propositado de navios para reberen 100 mil dolares por cada navio nao quisesse esperar a sua vez etc...
mesmo assim alguns deste criminosos foram nomeados como PCA cabinda. e outros como ADMINISTRADORES. os elementos que faziam parte da velha a direccao agora como administradores, por causa do terminal da sogester que nao queria ver nguidaste na sua area de juridiçao criou varias dores de cabeça na nova administracao que por falta da linhas ferreas, transladar o nguidaste ficaria o preço de um nguidaste novo o conselho de ADMINISTRACAO achou que ficaria mais barato mandar uma empresa cortar os nguidaste.(coisas que custarao milhoes de dolar.)
O PORTO DE LUANDA COM NOVO CONSELHO DE ADMINISTRACAO ja pintaram dentro e fora,estao mudar o mosaico todo,mobiliario completo da ECIL,7 viaturas jeep patrol(ultimo grito) e os trbaladores sem transpote. a receber 4.000,kz o mes, para transporte.
sera que estes estao gastar papel?
nao merecem responder tribinal?
ou por serem do partido?

proximas imformaçoes com fotos de nguidastes cortado,obrs no edifio e jeeeps novos encostados sem pressa para uzarem.
pesso que vao e constatam....
MUITO OBRIGADO