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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Higino Carneiro expande negócio no Brasil

O general Higino Carneiro reforçou o seu império financeiro ao comprar 20% da empresa de aviação civil brasileira Puma Air. Segundo informações divulgadas pelo semanário Novo Jornal e o jornal brasileiro “Folha de São Paulo".
De acordo com à imprensa brasileira, a Puma é uma empresa de carácter regional do Estado brasileiro do Pará, mas o empresário e deputado do MPLA prepara-se para transforma-la numa companhia internacional. Objectivo: fazer a rota entre Angola e o Brasil já a partir de Junho.
O negócio foi facilitado com a presença de um parceiro brasileiro, já que o tecto legal para participações estrangeiras no sector brasileiro da aviação é de 20%. O empresário Gleison Gambogi de Souza, que trabalhou em Angola durante cinco anos (primeiro enquanto consultor, depois como sócio e vice-presidente da construtora Metro Europa), detém 80% da Puma Air.
O também general na reserva entra para este negócio com a sua empresa Air Services que ficou com 20%. Citado pelo conceituado diário brasileiro “Folha de São Paulo”, Gambogi confirmou que fez a sua “vida empresarial em Angola” (a Metro Europa chegou a ter em carteira 1 bilião de dólares em diferentes projectos), tendo estreitado relações com o ex-ministro das Obras Públicas durante o período em que viveu no nosso país.
Para já, a Puma decidiu não montar uma estrutura operacional mas alugar à companhia Gol/VRG um Boeing-767, com tripulação e tudo, numa modalidade conhecida como “wetlease”.
Como as regras brasileiras não permitem que uma empresa se aventure no espaço aéreo internacional sem que tenha experiência no mercado doméstico, a Puma foi obrigada a montar primeiro uma operação interna. Como já tinha base no Pará, a Puma escolheu a rota Guarulhos-Macapá-Belém. O voo também será feito com um avião da Gol, um Boeing-737. Por conta do risco envolvido no negócio, os contratos firmados entre a Gol e esta companhia, prevêem pagamento antecipado, segundo o “Folha”.
A Puma nasceu com capital social de 5 milhões de reais, cerca de 2,8 milhões de dólares. Gambogi disse ter investido 25 milhões de reais (cerca de 14 milhões de dólares), sendo 20% de Angola (2,8 milhões de dólares) e o restante “do próprio bolso” (11,2 milhões de dólares), segundo citou o diário brasileiro. O consórcio espera agora as diferentes autorizações para começar a operar nas rotas definidas.

Quem é Higino Carneiro?
Segundo a agência de Noticias África Monitor, tem a fama, justa, de ser muito dinâmico (chamam-lhe Buldozer), tanto no exercício no antigo cargo governativo (ministro das Obras Públicas), como em todos os outros cargos públicos, anteriores.
O volume de obras públicas aumentou vertiginosamente nos últimos anos; mas a sua pressão directa, sob a forma de visitas surpresa, nunca deixou de ser necessária para garantir prazos, níveis de qualidade, etc – o que o obrigou a redobrar o seu dinamismo.
Ao mesmo tempo, aconteceu que a carteira dos seus negócios privados, envolvendo parceiros nacionais, portugueses, brasileiros e outros, nunca deixou de aumentar – exigindo também dele tempo de que não dispõe – a não ser, como diz, que os dias tivessem 40 horas. É a mulher e uma filha, formada em Economia, que lhe servem de “muleta”.
Dos seus negócios privados fazem parte 12 hotéis dispersos pelo país, grandes fazendas (a Cabuta é uma delas), bancos (Keve e Sol), uma companhia de aviação dispondo de uma frota de 14 aeronaves, Air Services, que esteve recentemente em vias de iniciar voos entre S. Paulo e Luanda, etc.
No estrangeiro, é em Portugal que tem mais negócios, incluindo, pelo simbolismo, um antigo restaurante na zona pombalina de Lisboa. É muito popular pelo atributo de dinamismo que lhe é geralmente reconhecido, mas também pela sua simplicidade e inclinação considerada inata para a filantropia. O apego que revela pela sua terra natal, Calulo, também entra a seu crédito.
O renascimento da aprazível vila é em grande parte devido à sua boa vontade; até lhe coube pôr de pé o antigo clube da terra, Recreativo do Libolo, actualmente em fase de ascensão no panorama desportivo do país.
Também ajuda os naturais do Calulo radicados em Portugal a organizar as suas confraternizações anuais, às quais comparece ou manda representante.
O ex-ministro das Obras Públicas é um dos casos mais elucidativos de um governante muito rico (4 casas na zona de Luanda), cujo exercício do cargo se cruza com negócios privados de monta.

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