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segunda-feira, 26 de abril de 2010

CASO NOVA VIDA: Investigação da DNIC prejudicada por interferências

A equipa de peritos da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), liderada pelo inspector Faenda, encarregue de fazer a instrução do processo sobre o assassinato do jovem Lopo Loureiro, 35, está a encontrar algumas dificuldades, devida à interferência que houve no apartamento do casal.
Os investigadores que estiveram pela primeira vez no imóvel, localizado no Nova Vida, após a remoção do corpo na sexta-feira, 16, manifestaram-se preocupados com o facto de os seus colegas não terem selado o apartamento o que possibilitou a entrada de algumas pessoas que têm as chaves e a possível remoção de provas.
“Os oficiais ficaram tão desapontados que o inspector Faenda decidiu enviar uma informação ao Procuradorgeral da República junto da DNIC, detalhando o sucedido e propondo a troca da fechadura das portas, de modo a evitar que os familiares do casal circulem pelo local enquanto as investigações estiverem a decorrer”, declarou a nossa fonte.
De acordo com uma outra fonte ligada à família de Lopo Loureiro, dois dias depois do homicídio, um dos parentes da advogada Nerika Loureiro dirigiu-se ao imóvel do casal para supostamente retirarem os vestuários das crianças que se encontravam sob custódia deles.
“O que representa um apontamento negativo para a Polícia porque deviam ter lacrado o local e como isso não aconteceu, apercebemo-nos que a pessoa que ali se dirigiu levou consigo a mala de viagem que a minha cunhada trouxe de Portugal algumas horas antes”, explicou.
Para além deste dia, o nosso interlocutor atesta que houve uma segunda visita à casa, mas desta feita por uma outra senhora cujo nome não foi identificado, mas que o vizinho que a viu a sair do cómodo manifestouse disponível em colaborar com as investigações.
“Ela saía do apartamento com dois sacos pretos nas mãos e ao ser abordada por um vizinho se justificou dizendo que pensou que o óbito decorria ali. Certamente que isso foi feito mando da outra família”, sentenciou.
Os familiares do malogrado dizem que tomaram conhecimento que a advogada está a beneficiar de tratamento especial por parte dos órgãos judiciais, visto que foi vista a semana passada na Clínica Sagrada Família, trajada com roupa dos serviços prisionais e acompanhada dos seguranças da cadeia, para receber cuidados médicos.
“Tendo em conta a gravidade do crime, não sei se esta facilidade é dada a Nerika ou se os demais presos têm o mesmo direito. Penso que está a haver uma certa protecção e por isso pedimos muita atenção, rigor e isenção por parte dos órgãos de investigação no tratamento deste assunto”, contou o familiar do Lopo Loureiro.
Para os parentes do bancário, a tese sustentada pelos parentes da jovem que se encontra detida, segundo a qual, ela padece de doenças psíquicas não condiz com a realidade pelo facto dela nunca ter apresentado esses sintomas ao longo dos seis anos que o casal viveu debaixo do mesmo tecto.
“Durante o tempo todo que ela conviveu connosco nunca demonstrou nenhum sinal de perturbações mentais, por isso é que julgamos ser muito estranho que nesta altura estejam a surgir rumores do género. O que nos leva a concluir que esta é uma forma que eles encontraram para tentar ludibriar os órgãos de justiça e a opinião pública, pelo que solicitamos a atenção dos investigadores neste pormenor”, apelou.
No entender dos familiares de Lopo Loureiro, a mãe da advogada é a única pessoa que pode ajudar a explicar o crime visto que não só acompanhou a vítima na viagem como também foi a primeira a tomar conhecimento do mesmo e a última com quem o casal esteve antes de despoletar os acontecimentos.


Possíveis motivos do crime
Apesar de desconhecerem os reais motivos que levaram a funcionária da Sonair a praticar o crime, o nosso interlocutor descartou a possibilidade dela ter descoberto, após realizar consultas médicas feitas em Portugal, que o esposo molestava a sua filha Naio Loureiro, de dois anos.
“A senhora Beatriz da Conceição contou à Polícia que a sua filha havia morto o marido ao tentar impedi-lo de molestar a pequena Naio, mas isso contraria os elogios feito pela Nerika Loureiro ao seu companheiro, durante o seu primeiro interrogatório”, frisou.
Acrescentou de seguida que “estamos conscientes das diversas especulações que estão a surgir em torno do assunto, mas como conhecíamos muito bem o malogrado só temos a dizer que não passam de boatos”.
Para a nossa fonte, a tese pela qual Lopo morreu depois de a sua esposa descobrir que ele molestava a filha não passa de calúnia e difamação.
“Isso é inconcebível porque a Nerika deixava-o passar noites e noites na Clínica Girassol com a filha que sofre dos bronquios, enquanto ela dormia em casa e só ia rendê-lo no período da manhã. Tudo isso faz com que consideremos uma atitude muito negativa de tentar justificar o homicídio”, refutou.
Sobre a informação de que a jovem assassinou o marido depois de se aperceber, pelo resultado do chek up médico que fez nas terras de Camões, de que havia sido contaminada pelo vírus da SIDA, a nossa fonte negou alegando que aquilo não passa de uma forma escapatória para sair da situação.
“A SIDA já deixou de ser um tabu, as pessoas sabem que podem viver muito tempo com este vírus e não é crime um indivíduo ser portador. Por isso pensamos que ainda que este fosse o motivo, que não era, não justificaria o crime”, concluiu.
Antes de ser encaminhado para a DNIC, o processo do assassinato do jovem Lopo Loureiro estava a ser dirigido por uma equipa da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), liderada pelo inspector Cláudio, mas foi transferido para aquela instância superior.
Contactado por O PAÍS, um dos funcionários da Procuradoria da República junto da DNIC, que se encontrava de serviço, disse que ninguém poderia prestar nenhuma declaração acerca do processo por ainda estar em curso e pelo facto de ser ultra-secreto.
Por seu turno, o investigador Faenda recusou a prestar qualquer informação acerca do assunto, alegando que só o faria com a autorização do subcomissário Eduardo Cerqueira, director da instituição.
No gabinete deste, fomos informados pela secretária que para tal devíamos enviar uma solicitação por escrito e depois aguardar por um despacho.

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