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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Xana Aragão, a jornalista de punho forte

A jornalista Xana Aragão, da agência de notícia estatal Angop, está a ser descrita nos meios jornalístico como uma dos poucos funcionários públicos com muita coragem por ter solicitado no decurso da conferencia de imprensa, no Palácio Presidencial, esclarecimentos sobre como fica os 10% de acções da Sonangol Holding que esta em nome de Manuel Vicente, o Presidente do Conselho de Administração desta empresa petrolífera angolana.
Apesar de a perguntar ter sido mal estrutura, os profissionais consideraram bastante oportuna porque tanto o ministro como os membros da sociedade que acompanhavam através da Televisão Publica de Angola perceberam a mensagem. Como resposta a inquietação o ministro de Estado, Carlos Feijó, que foi o principal animador da conferência sobre os três meses do executivo, respondeu depois de desvalorizar aquela profissional que se tratou de um mecanismo juridico-societário.
Segundo resposta do ministro: “a pergunta está viciada por falta de rigor. Disse e mal que o engenheiro Manuel Vicente tem um por cento do produto do petróleo. Nada de mais infame se poderia dizer. Ninguém tem um por cento do produto do petróleo. Talvez, tecnicamente, a pergunta tenha sido mal formulada. Mas também nada me impede de esclarecer o seguinte: Do que se trata é de um mecanismo juridico-societário a partir do qual, para a constituição de uma sociedade, que é subsidiária, se utilizou como se faz em qualquer parte. O Presidente do Conselho da Administração da empresa para titular um por cento ou o que fosse, desta sociedade, mas ao mesmo tempo são criados mecanismos juridico-societários internos que bloqueiam o titular dessas acções de livremente delas dispor, por um lado, e por outro lado há uma espécie de renuncia de direito a resultados. É isto que foi feito”.
O acto da jornalista foi considerado como inédito e de coragem visto que os profissionais do regime são manados pelo medo de perderem os seus empregos razão pela qual são conhecidos por fazerem apenas perguntas favoráveis ou que incentivam os dirigentes do regime a fazerem publicidade/propaganda.
Sinais do péssimo jornalismo
- A TPA ao fazer reposição da conferência cortou a parte da jornalista
- O Jornalista Gonçalves Inhanjika que esteve presente optou de seguida por pedir a Carlos Feijó que falasse dos benefícios da nova constituição; a questão foi entendida como uma maneira de precipitar o animar a fazer propaganda da constituição atípica e de outros programas do regime “Água para todos”
A jornalista Xana Aragão que está colocada na representação da Angop, no aeroporto internacional de Luanda é uma alta dirigente da OMA, organização ao qual já foi Secretaria para informação. Tem laços de parentesco com o ex-ministro Manuel Aragão e goza da aceitação e apoio da liderança da organização feminina do partido no poder.
É descrita como muito coerente nas suas posições, razão pela qual terá, livremente colocado a questão sobre os “10% das acções da Sonangol em nome de Manuel Vicente”.
O assunto das acções foi descoberto por intermédio de uma investigação feita pelo activista cívico Rafael Marques publicado no Semanário Angolense. A Sonangol reagiu em comunicado explicando as motivações que nortearam o processo. Justino Pinto de Andrade, uma figura idónea da sociedade civil angolana, comentou a matéria através dos microfones da rádio Ecclésia tendo aconselhado o PCA da Sonangol a devolver as acções que estão em seu nome.
Em meios conhecedores do assunto, em Luanda referem que a representante da Sonangol no Congo identificada por Fernanda esta nas mesmas condições que Manuel Vicente beneficiando de 10% da Joint Venture que a Sonangol-Congo abriu naquele pais (Estado Congolês detém 40%).
Os entendidos, na sua maioria pertencente ao círculo do MPLA criticam a falta de transparência deste processo. Questionam por exemplo que tanto no caso de Manuel Vicente como o da senhora da Sonangol-Congo, ambos estão desprovidos de normas sobre os destinos das acções em caso de os mesmos cessarem as suas funções administrativas na empresa. “As acções ficam com eles ou devolvem a empresa ou se entregam aos futuros sucessores”, questionam. Dizem, entretanto, que ambos beneficiários destas acções caso queiram podem vendê-las uma vez que esta em nome dos mesmos, o que torna o caso confuso quanto à transparência da matéria.

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