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quarta-feira, 14 de março de 2012

Ex-esposa de Quim Ribeiro nega "envolvimento" no crime



A funcionária dos serviços prisionais, Januária Bernardo, ex-esposa de Quim Ribeiro, esclareceu em tribunal digitalizou a carta em que o malogrado Joãozinho pretendia denunciar os seus superiores hierárquicos, mas garantiu que não tinha comentado o conteúdo da missiva ao ex-comandante de Luanda.
“Levei dois dias para escrever a carta, nunca contei nada ao Quim Ribeiro, nem a pessoas da minha família. Apenas era um segredo meu, profissional”, assegurou.
Questionada sobre quem a teria contactado para digitalizar a carta, Januária Bernardo respondeu que foi o seu chefe, de nome Cunha. ”Foi o meu chefe que veio ter comigo. Na altura em que escrevi a carta, estavam apenas três pessoas na sala: eu, Joãozinho e o meu chefe, ele ditava e eu escrevia”. A declarante acrescentou que a carta dizia que o Joãozinho estava a ser perseguido pelos comandantes Quim Ribeiro e
Augusto Viana.
Durante a mesma audiência foi também ouvida Ana Lisadra. A declarante é esposa de um dos companheiros de Joãozinho, um médico que também se encontrava preso na cadeia de Viana.
Ana Lisadra confirmou em tribunal ter contactado o ex-comandante de Luanda para lhe entregar a carta que o seu marido mandou entregar pessoalmente ao Quim Ribeiro ou ao senhor Mário Silva.
“Fui pessoalmente ao Comando Provincial de Luanda ter com o senhor Quim Ribeiro, mas ele estava ocupado e a secretária disse que tinha que aguardar. Como vi que o tempo estava a passar e que tinha muitas coisas na cidade, resolvi deixar o local, mas deixei o meu contacto e a jovem deu-me o contacto do comandante Quim Ribeiro. Momentos depois, a secretária liga para mim para saber a minha localização. Disse a ela onde eu estava”, contou.
A declarante disse também que, por volta das 17h00, ligou para o réu Quim Ribeiro a dizer quem ela era e porque é que estava a telefonar-lhe. “Ele disse que viria ao meu encontro, mas não apareceu. No dia seguinte, logo pela manhã, recebo o telefonema de um homem que dizia que foi mandado pelo comandante Quim Ribeiro para lhe entregar a carta. Liguei para ele para confirmar se era verdade, ele disse que sim e entreguei a carta”.
Segundo a mulher foram dois homens que vieram numa viatura de marca Land cruiser, de cor preta e de vidros fumados. “Os homens nem desceram do carro, eram dois, um magro e alto e o outro era baixo”, descreveu. No mesmo instante, foi interrogada se os homens estavam no meio dos 22 arguidos. A declarante disse não se lembrar.

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