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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Unidades militares transformadas em salões de festas

As unidades militares do Quartel-General das Forças Armadas Angolana, Base Aérea n.º 1 e parte das Oficinas Gerais de Reparações (OGR) do Exército (afecto a Casa Militar da Presidência da República) foram transformadas em salões de festas e estabelecimentos comerciais.
Entre as três instituições militares, a Oficina de Reparações, localizada na rua Ngola Mbandi, destaca-se das demais unidades por ser a única que conta com salão de festa denominado ‘Club da OGR’ e por ceder terrenos àempresa privada Yideli.
A Yideli tem dois estabelecimentos instaladas na parte frontal da OGR.
A primeira tem um reclame publicitário com fundo azul e letras brancas anunciando serviços de decoração e construção de imóveis.
A segunda, localizada num dos imóveis anexo ao salão de festas, dedica-se à produção de janelas, portas e paredes de alumínios.
Os preços praticados no salão de festa variam em função dos serviços desejados pelos clientes. O simples arrendamento do recinto, com capacidade para 250 convivas, custa dois mil e 700 dólares. Inclui ainda o parque de estacionamento, energia alternativa e seguranças (no caso militares).
Se os clientes preferirem a decoração feita pela ‘casa’, têm de acrescentar mais 15 dólares por pessoa. O bufet com bebida custa 120 dólares por pessoa e sem bebida, 90 dólares.
Caso sejam requisitados os três serviços que o Club oferece, nomeadamente o aluguer do espaço, a decoração e o bufet, o preço fica estipulado em 140 dólares por cada convidado. Este valor pode ser acrescido ainda se em vez das tradicionais cadeiras brancas forem solicitadas outras, mais luxuosas. Para isso, serão mais 20 dólares norteamericanos por cada lugar requerido.
O PAÍS apurou que o dinheiro arrecadado da prestação destes serviços é depositado numa conta domiciliada no Banco de Fomento
Angola, cuja titular se chama Madalena Bernardo Carlos.
Os gestores dos salões criados na Base Aérea e no Quartel-General das Forças Armadas preferem dinheiro à vista, contrariamente ao depósito admitido na Oficina Geral de Reparações. Apesar desta exigência, a procura é tão elevada que já não existem vagas para este ano nas duas instituições castrenses.
A equipa de reportagem do Tribuna da Kianda constatou que os espaços arrendados funcionam nos dias normais da semana como refeitórios para os militares.
“Já temos todas as sexta-feiras e sábados deste ano preenchidos. As pessoas não só marcaram o lugar como também pagaram 50 por cento do valor do salão”, explicou um dos funcionários que não avançou mais informações porque a secretária, identificada apenas como Esperança, não se encontrava presente.
O nosso interlocutor, que ostenta a patente de sargento, disse que para evitar quaisquer constrangimentos, os inquilinos são orientados a entregar a lista de convidados com três dias de antecedência. Quem assim não proceder acaba também por dificultar o trabalho dos seguranças e corre o risco de ter alguns convidados impedidos de entrarem.
Questionado se nunca registaram nenhuma anomalia devido ao “método rígido” com que fiscalizam à entrada e asseguram os momentos de convívio, o sargento salientou que estão preparados para agirem em todas as circunstâncias.
Por sua vez, Madalena Gomes, 28 anos, contou a este jornal que uma das suas irmãs celebrou, há cerca de três meses, o seu enlace matrimonial no salão dos sargentos da Base Aérea número 1, da Força Aérea Nacional (FAN), na Avenida 21 de Janeiro.
Para conseguirem o espaço, segundo a jovem, tiveram o apoio de um familiar que é oficial superior da FAN e desembolsaram dois mil e 200 dólares.
O arrendamento da sala de oficiais custa dois mil e 500 dólares. A unidade garante apenas o recinto, energia alternativa, parque de estacionamento,
mesas, cadeiras e seguranças.

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