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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desmaios regressam à igreja


23 Adolescentes que frequentam à igreja Metodista Episcopal Africana de Sião desmaiaram durante uma celebração litúrgica realizada na manhã de Domingo, 15, por volta das 11horas, no templo da Caridade, localizado na Samba.
Foram transportadas para o Hospital do Prenda, onde, depois de serem medicadas pelos técnicos de saúde de serviço, 19 receberam alta no final do dia e as outras quatros permaneceram sob vigilância porque o seu quadro inspirava cuidados especiais.
Benjamim Teixeira, um dos responsáveis pelas crianças daquela comunidade religiosa, revelou ao Tribuna da Kianda que as 23 crianças estavam para receber alta no mesmo momento, mas os especialistas acharam por bem deixar as quatro sob os seus cuidados porque estavam a convulsionar.
Para a surpresa da equipa médica, as meninas receberam alta, mas uma delas voltou desmaiada àquela unidade hospitalar, de noite, nos braços dos seus progenitores. Os pais de outras duas crianças fizeram o mesmo na manhã de Segunda-feira, 16, alegando que tinha acontecido a mesma coisa com as suas filhas.
Segundo Benjamim Teixeira, a primeira criança a perder os sentidos encontrava-se a louvar a existência de Deus no pátio da igreja em companhia de outras crentes de outras idades. Ao vê-la deitada no chão, as pessoas que estavam à sua volta não hesitaram em pedir o auxílio a um dos integrantes da comissão de saúde da referida comunidade paroquial, que se encontrava no grupo coral, a cerca de 50 metros de distância, sem despertar a atenção da maioria dos presentes.
Após ter medicado a primeira paciente e informado aos demais crentes que ela estava a reagir positivamente, o presumível enfermeiro tomou conhecimentos que estavam mais quatro desfalecidas no interior do templo.
Benjamim Teixeira contou que foi a partir daquele instante que começaram a seguir-se os outros desmaios e ficaram sem entender inicialmente o que se estava a passar.
“Atendendo a dimensão que aquilo tomou, a responsável pela liturgia teve que apelar aos irmãos que tinham carros que fossem acudir a situação”, frisou o jovem, acrescentando que “ao ouvir o aviso ficamos todos aflitos, a querer identificar quem eram as crianças que estavam naquela situação e procuramos transportar o maior número possível para o Hospital do Prenda”.
Contaram ainda com a pronta intervenção dos Serviços de Emergência Médica (SIEM), que respondeu ao pedido de socorro que lhes foi formulado, disponibilizando algumas ambulâncias.
Questionado se sentiu algum cheiro no local onde elas perderam os sentidos, o nosso interlocutor assegurou que não existia nada de anormal naquele dia e a situação aparentava estar tranquila.
O jovem manifestou que acredita piamente que os desmaios não terão sido provocados por alguma substância química ou por meio da sua inalação, porque começou no pátio e alastrou-se para algumas salas que se encontram no interior do templo.
“Ficamos admirados e descartamos esta possibilidade porque o primeiro caso ocorreu num local bastante vasto (pátio) e com muita gente à volta, ao passo que os demais ocorreram nas salas que estão no primeiro andar da igreja”, justificou.
Benjamim Teixeira descartou também a possibilidade dos desmaios terem sido provocados pelo excesso de crentes no local do culto, porque havia pouca gente na sala e as crianças estavam em salas separadas em função das idades e ainda havia salas vazias.
As sete crianças que se encontravam no Hospital receberam alta esta Quarta-feira, mas cerca de 45 minutos depois de terem deixado as instalações uma delas regressou desmaiada.
Os mais altos responsáveis da Igreja da Caridade ainda não sabem o que concretamente originou tal situação, porque tanto os peritos da Direcção Provincial do Investigação Criminal (DPIC), como os do Ministério da Saúde e dos Serviços da Protecção Civil e Bombeiros que estiveram lá não encontraram nenhum indício.

Adaptar para melhor servir
Atendendo a falta de camas no Hospital do Prenda e para não misturar as pacientes com os demais, a equipa médica transformou parte da sala de espera da recepção em quarto e disponibilizou um médico de nacionalidade cubana para acompanhá-las.
A nossa equipa de reportagem encontrou o especialista a acompanhar fixamente os movimentos dos doentes numa distância de mais de dez metros. Das três que já haviam recebido alta, uma brincava num dos cadeirões como se estivesse em casa, enquanto as outras permaneciam deitadas nos leitos.
Segundo apuramos, entre as pacientes havia algumas que não tinham medo de abandonar o hospital.
Deitada num dos leitos improvisados e coberta com um lençol branco, estava a pequena Sara, 15 anos, que frequenta aquela igreja há apenas dez meses. Contou que perdeu os sentidos depois de ter sentido um cheiro esquisito enquanto louvava ao Senhor.
“Só me recordo de ter acordado já aqui no hospital a apanhar um balão de soro”, disse a rapariga, que havia recebido alta no mesmo dia em que foi assistida pela primeira vez.
Depois das escolas da capital, no ano passado, os desmaios atingiram confissões religiosas. Na Igreja de São Pedro, em Cacuaco, quatro jovens desfaleceram em plena missa, ao passo que durante as comemorações do 118º aniversário da Igreja Evangélica em Angola (IEA), em Cabinda, outros 18 crentes também tiveram o mesmo problema e foram imediatamente transferidos para uma unidade hospitalar.
O primeiro caso ocorreu em Luanda e alastrou-se a outras províncias, nomeadamente Cabinda, Cunene, Huíla, Malange e Namibe.
Informações não oficiais apontavam para cerca de 800 vítimas, maioritariamente crianças do sexo feminino com idades compreendidas entre os 14 e 17 anos de idade. Mas o grupo de lesadas, alegadamente por substâncias tóxicas, incluiu também professoras e alguns encarregados de educação.

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