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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Segurança do BIC resiste à morte

O segurança da agência do banco BIC, que foi dado como morto num assalto na sexta-feira passada, encontra-se internado na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), da Clínica Multiperfil.


O segurança da empresa Ango-Segu, Emanuel Paulo, que estava destacado na agência do Banco Internacional de Crédito (BIC), localizada nas proximidades da Vila do Gamek, em Luanda, não faleceu em consequência dos dois tiros que sofreu na cabeça aquando do assalto ocorrido na sexta-feira, 12, por volta das 09h00 nesta instituição.
Emanuel Paulo e dois colegas, Manuel João Baptista e o outro identificado apenas por Máquina, foram levados depois da troca de tiro com os assaltantes, à Clínica Multiperfil, onde receberam os primeiros socorros.
Contrariamente à informação avançada inicialmente pelo portavoz do Comando Provincial de Luanda, Jorge Bengui, segundo a qual um dos guardas tinha morrido, os funcionários da Ango-Segu que socorreram os baleados desmentiram esta versão.
“A notícia foi mal divulgada, porque os nossos chefes receberam uma informação deturpada sobre o estado de saúde dos meus colegas que estavam destacados naquele local. E, como é óbvio, ao serem questionados pelas autoridades policiais, afirmaram que ele já havia sucumbido sem antes contactarem a equipa médica que os recebeu”, contou um dos seguranças que testemunhou o incidente, que falou sob anonimato porque alegou falta de autorização superior para falar ao Tribuna da Kianda.
Este jornal apurou que Emanuel Paulo encontra-se ainda internado na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), onde deu entrada em estado de coma. “Devemos dar graças a Deus por ele ter conseguido resistir aos ferimentos, porque não é fácil uma pessoa sobreviver depois de ter sido atingido mortalmente com dois tiros na cabeça”, frisou com ar de admiração o colega.
A fonte sugeriu à equipa de reportagem deste jornal a contactar a direcção da Clínica Multiperfil, onde, segundo ele, o seu colega está “vivinho da silva”.
Depois de receberem os primeiros socorros no banco de urgência da referida unidade hospitalar, Máquina, o segurança que foi baleado nos braços, foi conduzido para o hospital Josina Machel, onde ainda se encontra internado. Por seu lado, Manuel João Baptista recebeu alta no mesmo dia por não ter sofrido ferimentos graves.
“Ao vermos sangue no rosto do Manuel Baptista pensamos de primeira que ele tinha sido atingido neste local pelos disparos, mas não, ele foi ferido pelos cacos do vidro que protegem a agência. Aconteceu que um dos tiros partiu uma pequena parte do vidro e o estilhaço causou-lhe o ferimento no rosto”, explicou o indivíduo.


Cenário do crime
De acordo com um funcionário da agência assaltada, os cinco marginais apareceram em duas viaturas de marca Hyundai Santa Fé e pararam os automobilistas que circulavam nos dois sentidos da via, ameaçando-os com armas de fogos. Três elementos do grupo disDaniel migUel malocha malocha malocha malocha paravam contra os guardas.
“Vê-se que eles apareceram bem decididos e tinham tudo já bem esquematizado, porque depois de pararem o trânsito começaram logo a disparar à queima-roupa contra os seguranças.
Mesmo que ali estivesse polícias a protegerem a agência, os danos seriam os mesmos”, frisou com ar de tristeza.
No momento da troca de tiros entre os funcionários da Ango-Segu e os meliantes, o segurança Emanuel Paulo encontrava-se dentro da instituição bancária. Saiu para tentar socorrer os colegas e acabou por ser a maior vítima, enquanto os trabalhadores do banco escondiam-se debaixo do balcão de atendimento.
Manuel João Baptista apresentouse esta segunda-feira, 14, no posto avançado da Ango-Segu, na zona da Samba, onde recebeu a orientação para ficar de repouso por mais sete dias. As despesas de Emanuel Paulo estão a ser assumidas pela direcção da empresa de segurança.
Uma das recepcionistas do banco de urgência da Multiperfil confirmou a este jornal que Emanuel Paulo ainda se encontra na unidade de cuidados intensivos e tem recebido apenas visita de colegas.
O mesmo não acontece com Máquina, que além dos emissários da entidade empregadora já recebeu visita de familiares.
O superintendente-chefe Jorge Bengui informou a este semanário que tomou conhecimento, algumas horas depois, que o segurança Emanuel Paulo não tinha falecido e que se encontrava internado nesta Clínica. Apesar da troca de tiros, os marginais conseguiram roubar 18 mil dólares na agência bancária.
O director da Ango-Segu, Gentil Ró, recusou-se, esta segunda-feira, a prestar qualquer informação sobre o assunto, alegando que a única entidade que poderia fazê-lo era o administrador da empresa, mas se encontra no exterior do país em tratamento médico. Gentil Ró disse apenas que os marginais apareceram decidido não só a levaram a maior quantidade de dinheiro possível como também a matarem quem tivesse a coragem de tentar impedi-los.
A Polícia está a encontrar inúmeras dificuldades para identificar os autores do crime, porque as câmaras de vídeo vigilância deste balcão encontram-se avariadas há mais de três meses. Neste momento, apesar da escassez de provas, os efectivos da direcção provincial de Investigação Criminal (DPIC) estão a interrogar vários suspeitos.
Jorge Bengui garantiu esta quartafeira, 16, ao Tribuna da Kianda que o Comando Provincial de Luanda está a usar todos os meios disponíveis para conter a onda de crimes e desenvolver todos os esforços necessários para esclarecer este caso o mais breve possível.
“O Comando Provincial voltou a reunir-se com os proprietários das empresas de seguranças que protegem os bancos, armazéns, bombas de combustível e casa de câmbios, por serem os locais preferenciais, para lhes informarem as medidas a tomarem nos próximos tempos”, explicou.
Os parentes de Máquina recusaram prestar informações sobre o seu familiar. Alegaram que precisavam de autorização dos responsáveis da Ango-Segu, por serem eles que estão a custear o tratamento do enfermo.
Polícia apresenta assaltante de luxo
Enquanto decorria o assalto na agência do BIC da Gamek, o gabinete de Comunicação e Imagem do Comando de Luanda da Polícia Nacional apresentava o jovem José Cangundo, vulgo Jonhson, 25 anos, presumível líder de uma quadrilha de assaltantes de bancos.
O porta-voz do Comando Provincial informou que o suspeito está a ser acusado de dois homicídios voluntários, que vitimaram um sub-inspector da Polícia e um segurança no ano passado.
Johnson confessou que matou o sub-inspector da Polícia porque ele tentou impedir que assaltassem um grupo de kinguilas que funcionavam nos arredores de Viana. A morte do segurança de um dos armazéns do Palanca ocorreu de forma semelhante.
O acusado dirigia um grupo constituído por cerca de 20 jovens desempregados que praticam assaltos a mão armada em diversas artérias.

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