Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reportagem: Hospitais em coma profundo (II)

Hospital do Prenda: Pacientes no corredor

Quando chegamos ao Hospital do Prenda (HP), o relógio marcava 0h22. Ali os familiares dos pacientes que preferem passar a noite naquele recinto têm à sua disposição as cadeiras de uma vasta sala de espera com direito a Ar condicionado e televisão ligada à DSTV. No parque de estacionamento encontrámos uma ambulância em prontidão para qualquer emergência.
“Recebemos muitos pacientes e como não temos capacidade para interná-los tivemos que adaptar o sistema de montagem de macas no corredor para mantê-los sob vigilância”, começou por dizer o médico cirurgião, Walter Saidy Matias (na foto).
Segundo ele, há outros que estão ali apenas para serem acompanhados e podiam ser mandados para casa nas próximas horas. No HP encontrámos muitos pacientes a receberem soro em macas montadas nos corredores e nos gabinetes dos médicos.
À semelhança do Hospital Josina Machel, no HP encontrámos muitos pacientes a receberem soro em macas montadas nos corredores e nos escritórios dos médicos. Walter Matias, considerou que a noite estava ligeiramente tranquila e por isso alguns profissionais aproveitavam descansar para recompor as energias, enquanto outros examinavam os pacientes.
“O nosso banco normalmente é caracterizado por agressões e acidentes, mas hoje não tivemos muitos casos do género e recebemos apenas pessoas com doenças comuns”, rematou. Acrescentando de seguida que “a maior parte dos casos de agressões que recebemos foram medicados e mandados para casa com excepção de uma adolescente de 17 anos, uma senhora e uma jovem que tiveram que internar por estarem em estado grave”.
O Banco de Urgência do HP funcionou na madrugada de terça-feira com dois especialistas em cirurgias, quatro de medicina e dois de ortopedia. Walter Matias explicou que a permanência dos pacientes em estado grave facilita avaliação do seu estado clínico, porque todos os especialistas reúnem sempre que necessário para analisarem o estado clínico dos doentes.
“Para além dos técnicos escalados à noite, de manhã temos a possibilidade de reunir-se com especialistas de outras áreas e tudo isso ajuda-nos a identificar com maior facilidade o que apoquenta o paciente e decifrar qual a melhor medicação a fazer”.

Josina Machel: 252 pacientes em 18 horas


Até as 2h39de quarta-feira, 22, o Banco de Urgência do Hospital Josina Machel (HJM) tinha atendido 252 pacientes provenientes de várias partes da cidade, dos quais 55 na área de cirurgia, 92 em medicina e 40 em ortopedia. Naquele mesmo dia, 32 pacientes deram entrada em otorrinolaringologia, 17 em oftalmologia, 12 em maxilo-facial e quatro em nefrologia. Esta informação foi avançada pelo chefe da equipa médica do turno, Leonardo Inocêncio (na foto).
O nosso interlocutor avançou que o hospital conta actualmente com sistema de dactilografia modernizado que permite aos pacientes estarem registados numa base de dados electrónica logo que dão entrada no local.
Para além dos 12 médicos permanentes de diversas especialidades que encontravam-se de serviço no Banco de Urgência, o nosso interlocutor avançou que existia um vasto grupo de peritos que estavam em prontidão para entrarem em campo sempre que surgisse algum caso fosse necessário. “Como os médicos que tratam de doenças como neurologia, oftamologia e maxilo-facial não estão permanentemente no hospital, sempre que precisamos de um deles ligamos, o motorista da ambulância e o segurança vão a busca-lo a qualquer hora do dia para operar o paciente”, explicou.
Enquanto entrevistávamos o nosso interlocutor, um dos internados que estava na sala em que nos encontrávamos tentava conter as dores com gemidos para não paralisar o diálogo. “A maior parte dos nossos doentes vem por transferência efectuada pelos nossos colegas dos hospitais da periferia. Como é o caso dessa criança que foi transferida do Hospital dos Cajueiros para o Américo Boavida e deste último para o Josina Machel”, frisou, apontando de seguida para a criança que estava a receber cuidados médicos.
Leonardo Inocêncio disse, por outro lado, que com a melhoria das condições e do serviço prestado naquele local, leva alguns pacientes a adiarem por tempo indeterminado o regresso às suas residências mesmo depois de receberem alta. “Nós viemos para dar alta ao paciente e ele recusa a voltar para à sua casa inventando outra doença. Tudo para permanecerem aqui porque sabe que têm direito a roupa lavada e três refeições diárias sem ter que trabalhar”.
Neste hospital encontrámos uma urna contendo vários folhetos denominada Cabine do Utente, onde os cidadãos podem preencher com reclamações ou elogio e depositar na urna para depois serem encaminhadas para à direcção do hospital afim de que os médicos mal comportados sejam punidos. “Depois de receber a reclamação, à direcção do hospital pune o funcionário e caso a reclamação revela que a causa seja gravíssima divulga-se publicamente de forma a inibir os demais”.

Sem comentários: