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quinta-feira, 26 de março de 2009

Bento XVI: faça chuva ou faça sol




A organização prevê que o número de religiosos atinja os 40 mil, dos quais 20 mil serão jovens.
As dificuldades de transporte, a destruição das tendas pelas chuvas, o atraso na distribuição das refeições e as dificuldades para se chegar aos locais dos preparativos não foram suficientes para quebrar o ânimo e o fervor dos mais de quatro mil peregrinos provenientes das 17 províncias para acompanhar de perto a visita do Papa Bento XVI ao nosso país.

O coordenador da Subcomissão de Acolhimento da visita do Papa, frei Moisés Lukondo, revelou a O País que a maior parte dos peregrinos começou a escalar Luanda sete dias antes da vinda do Santo Padre e está instalada em cinco centros de acolhimentos montados por tendas em várias igrejas e escolas religiosas. “A primeira fase desse processo teve início sexta-feira passada com a chegada das primeiras delegações dos jovens e ganhou maior dinamismo com a recepção dos delegados provinciais e membros da comunidade internacional”, frisou.
Na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, onde está concentrada a segunda maior base logística da actividade, a nossa equipa de reportagem presenciou a forma articulada como os trabalhos decorrem: do local, José Kintas, membro da Comissão de Acolhimento, orientava, via rádio, um grupo de jovens que se encontrava nas Cáritas de Luanda a abastecer com tendas e colchões um dos vários camiões de apoio disponibilizados pelo Comando Geral da Polícia e pelo Exército.
À semelhança do que acontece no acampamento da Nossa Senhora de Fátima e no Cristo Rei, junto ao Beiral, cada centro de acolhimento alberga mais de 400 jovens que passam a noite em tendas de cinco metros quadrados. Cada pavilhão hospeda quarenta e cinco pessoas e cada um teve direito a um colchão, dois lençóis, uma toalha e kit de material de higiene pessoal disponibilizado pelo Governo.
Explicando a origem das refeições,José Kintas disse que várias empresas de take-way decidiram ajudar. Todos os dias, reúne-se com os seus gerentes para avaliar o cardápio. “As três refeições dos jovens estão a cargo de várias empresas, por isso é que se está a registar algum atraso na hora da entrega, mas louvamos e agradecemos profundamente a ajuda que recebemos”, referiu.Quanto às refeições para os delegados provinciais (padres, madres e leigos), estas estão a cargo dos grupos de mulheres das comunidades onde estão hospedados. Segundo o nosso interlocutor, os paroquianos prepararam-se condignamente para receberem os viajantes, por isso não se têm registado muitos problemas. “Sensibilizamos a população das comunidades onde estão os peregrinos para que fizessem alguma doação em dinheiro ou comida, e aquelas igrejas que não receberam os delegados fizeram chegar as doações dos crentes aos locais de acolhimento”, explicou.

Transportes.
Por outro lado, o coordenador da Comissão de Transporte, Longue Tony, disse que para transportar os crentes aos recintos onde vão decorrer as actividades, a organização conta com 400 viaturas, entre autocarros, carrinhas e hiaces, das quais 43 estão à disposição dos jovens. Para evitar atrasos na chegada dos peregrinos aos recintos, por causa do engarrafamento, o Comando Provincial da Polícia disponibilizou alguns agentes da brigada de trânsito para escoltarem as viaturas. Em todos os locais por onde passamos o cenário é o mesmo: foram montadas latrinas móveis, nota-se a presença de agentes da polícia para garantirem a segurança dos crentes, jovens e adolescentes trocam experiências, numa rotina inusitada. Cada grupo, à sua maneira, exibe as danças com que se identificam e mostra as estampas representativas da sua região.

Alojamento dos peregrinos.
Nas igrejas de Nossa Senhora de Fátima, ex-São Domingos, e de Cristo Rei, no Rangel, estão acampados os jovens provenientes das províncias da Huila, Namibe, Kwando-Kubango, Cunene, Lundas Sul e Norte. A igreja de São Francisco de Assis, em Viana, acolhe os peregrinos oriundos do Bengo, Uíge e Malange. As comunidades católicas do Ramiro, no Benfica, e Sagrado Coração de Jesus, no Cazenga, acolhem os crentes vindos do Kwanza-Sul, Kwanza-Norte e Luena. Os adultos do Cunene estão na zona da Petrangol. Do Huambo e Bié, estão na igreja do Bom Pastor, localizada na comuna do Kikolo, ao passo que os peregrinos de Cabinda estão na escola profissional dos padres Salezianos de Dom Bosco, no município do Sambizanga. Kifangondo As igrejas e centros que circundam a paróquia de Santo António do Kifangondo acolhem as 700 mulheres que no domingo irão participar no encontro com o Santo Padre, para abordarem questões relacionadas com as famílias.

Convidados.
Do estrangeiro Os bispos da região das comunidades dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Desenvolvimento da África Austral (SADC), da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e alguns convidados, estão a receber um tratamento vip oferecido pela Associação dos Gestores e Dirigentes Cristãos. Todos eles estão hospedados no edifício da CEAST, no bairro São Paulo.
Preparados para a chuva.
Os peregrinos que estão acampados na paróquia de São Francisco de Assis, em Viana, foram os que mais sofreram com as quedas pluviométricas que terça-feira assolaram a capital do país. Estão acampados em tendas de pequeno porte e jangos cobertos de lona.
“Para evitar transtornos, instalamo-nos todos no interior do Centro de Formação Profissional até que as chuvas cessaram”, explicou Paulo Jorge, um dos integrantes da comissão paroquial do acolhimento. O frei Moisés Lukondo assegura que caso venha a chover novamente nos próximos dias, os crentes não voltarão a enfrentar situações do género porque estão instalados em tendas com mais de cinco metros quadrados, disponibilizadas pelo Governo. Em Fátima, as tendas que sofreram com as enxurradas que assolaram a capital são pequenas, trazidas pelos crentes.

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